O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 812

O Ponto de Vista do Vilão

Em meio às ruínas e à devastação, Frey absorveu a alma de Thanatos completamente, sob os olhares atentos da maioria dos guerreiros da Seita das Sombras e seus aliados.

Nameless terminou a tarefa rapidamente e já havia devolvido o controle do corpo para Frey.

Frey removeu sua máscara, revelando seu rosto exausto antes de se virar para aqueles que estavam reunidos ali.

— Ah... vocês estão aqui.

Ele olhou para eles, encontrando as muitas expressões refletidas em seus olhos.

Viu espanto e choque.

Confusão e descrença.

Perplexidade... e um claro desejo por respostas.

— Isso é verdadeiramente surpreendente... e bastante contrário ao que me foi dito — disse Kalameet, o Imperador dos Dragões, ao lado de Fulghor e dos outros.

— Eu pensei que você tivesse dito que o nível dele era o primeiro estágio, ainda assim, este homem já alcançou o terceiro...

Kalameet achou a reputação de Frey intrigante e suspeitou que a Seita das Sombras tivesse lhe passado informações imprecisas.

Mas Fulghor o corrigiu calmamente.

— Não foi uma mentira. Ele estava no primeiro estágio... até hoje.

Kalameet arqueou uma sobrancelha.

— Você está me dizendo que ele pulou dois estágios em uma única noite?

A ideia parecia absurda.

E se ele soubesse que Frey havia alcançado o avanço durante a própria batalha, em vez de antes dela, teria parecido ainda mais ridículo.

Entre os presentes, Nova Starlight deu um passo à frente antes de qualquer outro, caminhando em direção a Frey — embora tenha hesitado levemente, já que o desastre natural ao redor deles ainda não havia revelado totalmente a extensão de sua destruição.

Aquela tempestade furiosa de raios e fogo ainda rasgava o campo de batalha.

A maioria dos heróis de rank SSS estava pensando a mesma coisa.

Que tipo de batalha... poderia causar uma devastação como esta?

Uma batalha muito além dos limites de sua compreensão ou força.

E como Frey havia saído vitorioso de tal confronto, sua posição aos olhos deles havia mudado completamente.

— Frey... o que exatamente aconteceu aqui?

— Por que... você começou esta batalha?

Nova cerrou o punho levemente, com amargura surgindo em seu rosto.

— Uma batalha que destruiu a última esperança de restaurar o Império...

Sua reação era natural.

Sua pátria havia sido completamente aniquilada.

Todo o continente que antes abrigava o Império agora estava estilhaçado em ilhas dispersas, cercado por mares que subiam e envolto em chamas.

Nova só queria uma explicação.

Mas Frey levantou a mão, detendo-o.

Ele passou por ele e falou enquanto caminhava.

— Minhas desculpas... Estou um pouco cansado agora.

— Vamos conversar mais tarde.

Ele passou por Nova e por todos os outros campeões humanos, impedindo-os de falar.

Na verdade, ele não tinha desejo algum de conversar.

Nem via razão para se explicar.

Ele passou por todos até finalmente chegar ao local onde seu pai e Gehrman estavam.

Um olhava para ele em silêncio.

O outro, com uma mistura complicada de emoções.

O corpo de Frey permanecia inteiro.

Ainda assim, ele parecia estranhamente pálido.

Os vestígios de sangue e ferimentos ainda eram visíveis nele — oferecendo um vislumbre tênue do dano imenso que ele havia suportado.

Danos que sua regeneração havia ocultado.

— Desculpe por ter partido sozinho, pai.

— Devo tê-lo deixado bastante preocupado.

Ele disse com um sorriso gentil.

Abraham permaneceu em silêncio por um momento antes de responder — sua voz carregando uma hesitação incomum.

— Não... você não precisa se desculpar comigo.

Ele estreitou os olhos levemente enquanto observava o corpo de Frey... especificamente a pressão da aura diferente que emanava dele.

Com um único olhar, Abraham percebeu algo.

Seu filho havia se tornado muito mais forte do que era apenas um dia atrás.

— Não tenho o direito de interferir em uma decisão que você tomou por conta própria... ou em uma batalha que escolheu lutar sozinho.

— Estou apenas feliz...

— Que você esteja seguro.

Abraham reprimiu a maior parte do que realmente sentia.

A maior parte do que queria dizer.

Frey sentiu gratidão.

— Obrigado... por confiar em mim.

— E peço desculpas mais uma vez.

Ele disse enquanto caminhava até ficar ao lado de seu pai, colocando uma mão sobre o ombro de Abraham.

— Com isso, pai... você está completamente livre agora.

— Não resta nada que o prenda àquela criatura.

Frey sussurrou suavemente perto do ouvido de seu pai.

Os olhos de Abraham se arregalaram repentinamente ao perceber algo.

— Frey... não me diga que você fez isso por mim...

Não havia felicidade em sua voz.

Se ficasse provado que Frey havia travado aquela batalha para libertá-lo —

Se seu filho tivesse lutado por ele e morrido hoje —

Então Abraham teria passado o resto de sua vida se culpando.

Mas Frey balançou a cabeça.

— Eu fiz por mim mesmo.

— Então não se preocupe, pai.

— Sua liberdade foi apenas um efeito colateral.

Ele disse com uma voz cansada antes de caminhar um pouco mais, parando finalmente diante do Engenheiro.

Ele estava exausto.

Exaurido pela batalha.

Por isso queria encerrar as coisas rapidamente.

Olhando para aqueles olhos azuis, Frey sorriu fracamente.

— Parece que você tem algo que quer dizer.

Gehrman fechou os olhos brevemente antes de responder.

— De certa forma... mas não falarei sobre isso agora.

Sua voz profunda carregava peso enquanto ele continuava.

— Mas lhe farei apenas uma pergunta.

— Foi você... ou foi ele... quem decidiu o que aconteceu hoje?

Frey entendeu a pergunta instantaneamente.

Talvez ele fosse o único que pudesse.

Em resposta, ele riu suavemente antes de dar sua resposta.

— Nós dois.

Foi uma resposta inesperada... que surpreendeu Gehrman levemente.

— Nós dois escolhemos isso.

— Entendo...

— Nesse caso, não tenho mais nada a dizer.

— Bom trabalho com sua vitória hoje.

Gehrman deu um sorriso tênue.

— Este seu novo poder fará de você o mais forte do nosso lado na batalha que se aproxima.

— Suponho que sim.

Frey respondeu com uma risada baixa.

Então, de repente —

Seus olhos reviraram.

E ele desabou no chão, seu corpo finalmente cedendo após atingir seu limite.

Gehrman o segurou no ar, impedindo que ele colapsasse no chão.

Ao mesmo tempo, Abraham correu, e o Engenheiro permitiu que ele assumisse o controle.

Logo depois, Gehrman se virou para os membros restantes da Seita das Sombras ali reunidos.

— Todos vocês — hoje nós vencemos. Portanto, não há necessidade das caras sombrias que estão fazendo agora.

Seu olhar varreu cada um deles.

— Thanatos teria se tornado nosso inimigo final se tivéssemos derrotado os demônios. Ele era um oponente extremamente formidável... mas Frey o eliminou hoje.

— O resultado foi a destruição do Império, mas esse é um preço pequeno a pagar por tal vitória.

— Ainda assim — não baixem a guarda. O inimigo pode estar por perto.

Ele apontou uma verdade importante.

Assim como eles haviam chegado aqui...

O inimigo também poderia aparecer.

Ele instruiu Fulghor e a facção do Panteão a inspecionar a área e permanecer em alerta máximo caso um Alto Demônio ou um Ducado do Inferno aparecesse inesperadamente.

Fulghor obedeceu imediatamente.

Kalameet, no entanto, parecia hesitante, como se tivesse algo a dizer.

Mas, ao ver Frey inconsciente, percebeu que o momento não era apropriado e concordou relutantemente.

Os outros carregaram Frey e retornaram imediatamente com ele para a Seita das Sombras.

Eles se apressaram em voltar, temendo que a própria Seita pudesse ser atacada.

Afinal, os únicos que ficaram para trás lá foram Snow Lionheart, as estátuas guardiãs e os combatentes humanos restantes.

Mas seus medos mostraram-se desnecessários.

Os demônios não mostraram reação alguma.

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