
Capítulo 766
O Ponto de Vista do Vilão
O mundo passava por flutuações inevitáveis a cada dia que passava.
E, em um curto espaço de tempo, começou a entrar em uma fase de transição — aquela que anunciaria o nascimento de uma nova era.
Recentemente, uma terra estranha havia surgido no coração do universo...
Um continente que se formara do nada.
A princípio, o mistério o envolvia, e ninguém se moveu em sua direção.
No entanto, aquele continente fez com que algo extremamente raro acontecesse...
Os grandes se moveram.
Aqueles seres supremos que permaneciam no auge da existência... entidades que ninguém jamais compreendeu verdadeiramente. Seu poder era imensurável, mas eles nunca haviam interferido nos assuntos do mundo.
Esta foi talvez a primeira vez que se moveram com tanta intenção e urgência.
Apenas o movimento deles confirmava uma coisa:
Essa nova terra não era um assunto trivial.
Provavelmente continha coisas que superavam a própria compreensão.
Como resultado, inúmeras raças se mobilizaram, enviando suas forças mais poderosas para explorar o desconhecido e desvendar os segredos daquela terra bizarra.
Entre as muitas facções que corriam contra o tempo para reivindicar o domínio, os demônios estavam entre os primeiros.
Liderada por Crimson, a Lua Vermelha e o Primeiro Assento entre os Altos Demônios, uma equipe especial foi formada — consistindo no próprio Crimson, Agares, o Segundo Assento, e Marvas, o Quinto Assento.
Não demorou muito para que os três chegassem ao seu destino.
No entanto, o que encontraram lá... desafiava o entendimento.
Enquanto o trio pairava no vazio, permaneceram em silêncio, encarando a estranha terra diante deles.
"Isso não é um continente..."
Marvas murmurou, sua voz envelhecida pesada, ao colocar os olhos sobre aquilo pela primeira vez.
"...É algo inteiramente diferente."
A terra à frente deles não se parecia com um planeta nem com qualquer continente que tivessem visitado.
Em vez disso, manifestava-se como uma vasta e intrincada estrutura arquitetônica... uma construção bizarra além da lógica.
Parecia uma máquina colossal de complexidade impossível.
Um labirinto tão complexo que apenas encará-lo por muito tempo causava dor de cabeça.
Sua forma não era fixa.
Inúmeras entradas existiam por toda parte, mudando constantemente a cada segundo que passava.
Em outras palavras, alguém poderia entrar por uma porta, apenas para vê-la desaparecer no momento seguinte, prendendo-os lá dentro.
Os corredores se entrelaçavam caoticamente... às vezes formando caminhos cúbicos simples, outras vezes evoluindo para estruturas muito mais complexas do que a razão permitia.
Centenas... não, milhares de formas sobrepostas e regiões isoladas fundiam-se em uma harmonia grotesca.
A delegação demoníaca havia chegado há algum tempo, mas ainda não tinham entrado.
E o mesmo valia para todas as outras raças que tinham vindo explorar essa terra.
Sem exceção, eles cercavam o misterioso continente a partir de posições diferentes e distantes.
Os portões diante deles estavam abertos — no entanto, nem um único ser havia dado um passo para dentro.
Entre eles, a expressão de Crimson escureceu, com a raiva surgindo gradualmente em seu rosto.
"Que tipo de tolice é essa?"
Ele agarrou sua arma... uma lâmina que poderia se tornar uma lança dependendo de como fosse empunhada.
No instante seguinte, o Primeiro Assento liberou uma quantidade avassaladora de Aura ao redor de sua arma, atraindo a atenção de cada guerreiro presente.
Com um único golpe, Crimson liberou uma enorme onda de poder devastador em direção a uma das paredes que cercavam o continente.
A força destrutiva era imensa.
No entanto, no momento em que se aproximou da parede, ela se dissipou completamente, desaparecendo de uma maneira estranha, quase mágica.
Ao ver isso, Marvas — o Quinto Assento — soltou um suspiro lento.
"Isso confirma..."
Crimson assentiu em silêncio, enquanto Agares praguejava baixinho.
"Eu nunca vi nada parecido em toda a minha vida."
Crimson levantou a mão diante do rosto, manipulando sua Aura com cuidado.
"Esta não é uma terra comum", disse ele, observando os arredores.
"Existe uma força invisível cercando-a."
"Podemos usar a Aura livremente aqui... mas, por alguma razão, no momento em que tentamos usá-la para atacar as paredes do continente — ou qualquer criatura dentro de um certo alcance dele — nossa Aura se dispersa completamente."
Essa foi a conclusão a que Crimson chegara após observar a área com atenção.
O espaço agora estava lotado de guerreiros — muitos deles inimigos.
Crimson já havia avistado figuras familiares.
Midir, o Primeiro entre os Sete Grandes Poderes.
A delegação dos Portadores da Luz, liderada por Orested.
E muitos outros seres formidáveis — como Vordt, o Sexto, e sua outra metade, Umber.
A presença de tais figuras deveria ter tornado o conflito inevitável.
Contudo, por alguma razão... nenhum deles conseguia atacar o outro enquanto permanecessem dentro das fronteiras do continente.
Era precisamente por isso que hesitavam em entrar.
Se não podiam usar Aura para lutar, entrar lá dentro não seria diferente de adentrar um campo de batalha desarmado.
Ninguém sabia o que os esperava lá dentro.
E sem a habilidade de lutar, a morte era uma possibilidade muito real.
Assim, instintivamente, todos pararam.
Entre eles...
Os olhos vermelhos de Crimson brilharam brevemente enquanto ele se concentrava intensamente na terra diante dele.
"Há um campo de força invisível envolvendo este lugar", disse ele.
"Dentro de seu domínio, uma regra foi imposta."
"Uma regra como: o combate é proibido nesta área."
"Como resultado, usar Aura para atacar torna-se impossível. Parece que este lugar opera sob leis que não podem ser quebradas."
Crimson virou-se para o portão mais próximo que levava ao continente.
"Esta regra só se aplica à região externa", continuou ele.
"Não acredito que se estenda à terra lá dentro."
Essa foi a conclusão a que ele chegou após analisar tudo diante dele.
No entanto, ele não parecia à vontade.
Afinal... poderiam existir outras regras lá dentro... regras que poderiam restringir sua Aura ainda mais.
Esta era a primeira vez que o Primeiro Assento encontrava algo assim.
Nunca antes algo interferira em sua Aura... algo que ele normalmente controlava absolutamente.
Ao seu lado, Marvas franziu a testa, um pensamento perturbador formando-se em sua mente.
"Crimson...", disse ele lentamente.
"E se alguém existir aqui... alguém que possua controle absoluto sobre a Aura?"
"...Alguém contra quem nossos ataques simplesmente não funcionem?"
Essa hipótese vinha diretamente da restrição que o continente lhes impusera.
Ao ouvir isso, a expressão de Crimson escureceu ainda mais.
"Não quero cogitar essa possibilidade", disse ele friamente.
"Nem mesmo nosso grande rei, Agaroth, pode fazer algo assim."
Se realmente existisse um ser contra quem a Aura simplesmente não funcionasse, então isso seria uma catástrofe sob todos os padrões possíveis.
No entanto, Crimson não se deteve no pensamento por muito tempo.
Em vez disso, ele deu um passo à frente — antes de qualquer outra pessoa.
"Nós vamos entrar."
O Primeiro Assento fez seu movimento sem hesitação, chocando tanto Marvas quanto Agares.
"Mas... e se encontrarmos algo semelhante lá dentro?", perguntou Marvas, com preocupação evidente na voz.
Crimson respondeu instantaneamente.
"Permanecer aqui fora não muda nada. Decidiremos o que fazer assim que estivermos lá dentro."
Sua decisão era definitiva.
Um brilho carmesim sinistro surgiu de sua armadura enquanto ele se preparava para entrar.
"Mesmo que eu não possa atacar meus inimigos", disse Crimson calmamente,
"ainda posso usar meu poder."
Sua Aura não fora removida... apenas restringida.
Enquanto possuísse seu poder, Crimson estava confiante de que poderia lidar com qualquer coisa em seu caminho.
Afinal...
Quantos seres neste mundo poderiam realmente enfrentá-lo?
Até mesmo Agaroth, o próprio Rei Demônio, não o mataria facilmente.
E assim...
Os três demônios liberaram suas Auras e avançaram, rompendo o continente desconhecido sob os olhares atônitos de todas as outras raças presentes.