
Capítulo 735
O Ponto de Vista do Vilão
O olho amaldiçoado que Wesker havia recebido diretamente do próprio Rei Demônio.
Nos momentos finais, breves e fugazes, ativou-se a habilidade máxima do Olho do Rei.
O mundo congelou.
O tempo deixou de fluir.
O vazio tornou-se cinza.
Dentro daquele mundo imóvel, o Olho do Rei era a única coisa ainda viva, pulsando levemente...
até que o poder sombrio e o sangue imundo lentamente se agrupassem ao seu redor.
A forma de Wesker se recompôs.
A sua face estava claramente marcada por irritação.
Tudo ao seu redor estava congelado...
Gehrman, Abraham, todos os seres vivos do mundo.
"Ah… droga.
Aquele idiota me forçou a usar o Olho do Rei no final."
Gehrman, servo do Sem Nome…
—você realmente é o adversário mais difícil que já enfrentei."
Ao invocar o Olho do Rei, Wesker rejeitou o golpe final de Gehrman, anulando completamente o fenômeno.
Essa era a força do Olho—
negar qualquer desfecho que colocasse a vida de seu portador em risco.
"Foi uma boa luta…
mas você perdeu, Santo.
Você não conseguiu me matar—e ainda está dentro do meu domínio."
"Abraham Starlight não poderá me bloquear novamente,
e ainda tenho aura suficiente para desencadear meus ataques mais poderosos mais uma vez."
Wesker estendeu a mão em direção a Gehrman.
"Que pena… mas este é o fim.
Você não pode derrotar um poder concedido pelo próprio Rei Agaroth."
Wesker estava prestes a concluir...
quando, no último instante...
sua visão captou algo impossível.
Algo que não deveria existir.
Aqui, dentro deste mundo cinza congelado pelo Olho do Rei...
Wesker deveria ser o único capaz de se mover.
O único ser que ainda mantinha cor.
E, no entanto… Pela primeira vez…
algo mais se movimentou.
Não uma pessoa.
Mas um único membro.
A mão direita de Gehrman.
A mão que ele nunca usou durante toda a batalha.
A mão cercada por those relógios, com suas pontas girando sem parar.
Mesmo dentro do mundo grisalho congelado…
as luas do relógio azul continuaram girando, imunes a tudo ao seu redor.
Então…
Antes dos olhos incrédulos de Wesker—
As mãos do relógio pararam pela primeira vez.
Anunciando a chegada do fim.
E, quando pararam…
Wesker ouviu um som que lhe encheu de terror.
Risada.
A risada de Gehrman.
Ele havia quebrado o tabu.
Não…
Ele havia destruído a própria capacidade de quebrar as regras.
Gehrman ergueu a cabeça dentro daquele mundo cinzento congelado e olhou diretamente para Wesker.
"Finalmente…
você decidiu usar aquele olho amaldiçoado."
Gehrman sorriu.
Um sorriso aterrorizante…
de um predador que finalmente encurralou sua presa.
Wesker tentou fazer algo… mas se viu congelado, incapaz de se mover, sem nem perceber.
Inúmeros anéis idênticos aos que cercavam aquela mão apareceram ao seu redor… e ao redor do próprio Olho do Rei.
Dessa vez, quem ficou congelado foi ele.
Não seu adversário.
"Impossível!!! O Olho do Rei é absoluto!! Só eu e o Demônio Agaroth podemos mover dentro deste mundo—como você consegue fazer isso?!" Wesker rugiu de raiva enquanto Gehrman lentamente se aproximava.
"Você depende demais do seu olho precioso, Demônio do Quarto Grau," disse Gehrman calmamente.
"Deixa eu te contar uma coisa interessante… algo que meu mestre, Sem Nome, me falou há muitos anos atrás… há tanto tempo que já não consigo nem contar."
O sorriso de Gehrman se alargou à medida que fragmentos do passado surgiam em sua mente.
"Uma vez, perguntei ao meu mestre Sem Nome uma questão importante.
Perguntei: Qual é a verdadeira fraqueza dos Demônios do Top Dez, tão poderosos?
Queria saber o que aqueles olhos escondidos sob a máscara realmente viam.
Sabe o que ele me respondeu naquele dia?"
Gehrman riu alto, estendendo a mão direita na direção do peito de Wesker.
"Os poderes que eles receberam de Agaroth."
"Essa foi sua resposta… a resposta que me deixou ali, boquiaberto, sem entender suas palavras na época. Hah… que irônico."
Esse foi um dos raros momentos em que Gehrman riu de forma tão aberta, revelando um lado de si quase ninguém jamais tinha visto.
"Levou-me muitos, muitos anos… mas finalmente entendi o que ele quis dizer," continuou Gehrman, com a voz crescendo.
"E tudo o que posso fazer agora é admirar—porque meu mestre Sem Nome via o mundo de uma perspectiva completamente diferente da sua ou da minha!"
O rosto de Wesker se contorceu ainda mais ao ver seu Olho do Rei completamente suprimido, deixando-o totalmente impotente.
"Que diabos você está falando, seu porco?!" Wesker rugiu.
Gehrman prosseguiu sem hesitar.
"As habilidades que Agaroth concedeu a você, que quebram os limites do mundo, são incrivelmente poderosas… tão poderosas que estão entre as maiores armas existentes.
Mas você depende demais delas. A ponto de, quando essas habilidades falharem como você espera…"
Ele fez uma pausa, seu sorriso desaparecendo, substituído por uma expressão cortante e impiedosa.
"…você perde na hora."
"Até você, Wesker, nunca imaginou que chegaria o dia em que alguém bloquearia seu olho."
Talvez você esperasse isso do Demônio do Rei… ou do próprio Sem Nome.
Mas nunca de alguém como eu."
Os olhos de Gehrman se estreitaram.
"Infelizmente para você… eu possuo uma habilidade semelhante."
"Esta é a Mão do Governante."
"É parecida com o Olho do Rei.
Seu olho consegue rejeitar fenômenos que ameaçam sua vida.
Quanto à minha habilidade… uma vez ativada, posso rejeitar um fenômeno escolhido durante a batalha."
"Mas, em troca, não posso lutar com a mão direita durante toda a luta."
"É uma versão inferior do seu Olho do Rei."
Gehrman estreitou os olhos ainda mais, com uma ponta de amargura travessa surgindo no rosto.
"Antes de me tornar subordinado do meu mestre Sem Nome… antes de morrer…
eu lutei contra o próprio Agaroth quando os demônios tentaram invadir Irithyll… minha terra natal."
"Nessa batalha, usei a Mão do Governante contra Agaroth."
"Você sabe o que ele fez em resposta?"
Mais uma vez, Gehrman explodiu numa risada alta — muito diferente da sua típica calma.
"Ele reverteu tudo contra mim usando seu Olho do Rei!!
Você consegue acreditar nisso?"
"No final…" disse Gehrman, ainda rindo,
"a que usar a habilidade primeiro, perde."
"Esse foi o fator decisivo na nossa luta."
"Quem inspirou o método para te derrotar…
quem me fez finalmente entender o que meu mestre Sem Nome quis dizer anos atrás…"
"…foi nada mais, nada menos do que seu próprio rei—Agaroth!"
"Que destino torto, não é?"
Entre a risada de Gehrman…
e o choque de Wesker…
Tudo ficou claro.
O Olho do Rei.
A Mão do Governante.
Dois poderes espelhados perfeitamente.
E quem ativar o seu primeiro—pode ter seu poder refletido de volta pelo outro.
No passado, o Olho do Rei, wielded por Agaroth, venceu a Mão do Governante de Gehrman.
E desta vez…
A vitória foi de Gehrman.
Contra Wesker, o segundo portador do Olho do Rei.
Gehrman riu…
e riu…
e riu…
Até que — finalmente — ele parou.
"Sim… o destino realmente gosta de brincar conosco," disse Gehrman suavemente, estendendo a mão.
E, naquele instante…
BOOOM!!!
Um som brutal de destruição rasgou o espaço enquanto o tempo retomava seu fluxo.
Sangue negro, corrompido, explodiu por toda parte enquanto Gehrman despedaçava o peito de Wesker com um golpe incrivelmente rápido.
"Até o fim…" murmurou Gehrman,
"…ele brinca conosco."
Enquanto o corpo de Wesker caía do céu…
Gehrman permaneceu de pé, apoiado pelo seu vessel em ruínas…
declarando sua vitória.