O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 727

O Ponto de Vista do Vilão

“O que... que diabos está acontecendo comigo?!”

Impedido de suportar a explosão, Frey foi violentamente puxado para o reino interior de sua consciência...

arrasado por Nameless, que interveio no último segundo.

Ele se chocou contra o vazio de sua mente, onde o rei mascarado o aguardava.

“Você... o que está acontecendo comigo?”FreY questionou, com a voz tremendo.

Nameless respondeu com uma calma que parecia antiga.

“Não precisa dessa face. Você vai sobreviver.”

Ele levantou o olhar para cima... Frey o seguiu.

Acima deles, uma colossal abyss de trevas se formava, crescendo a cada segundo que passava.

“...O que é aquilo?” Frey perguntou, abalado.

“Seu corpo recebeu poder demais de uma só vez. Está lutando para contê-lo, nada mais.”

“Duas fases de Adaptação à Sombra…

e avançadas, diga-se de passagem. Entre minhas maiores habilidades.”

Nameless virou-se de volta para Frey.

“Além disso, a Lança Shadowbolt… naturalmente, seu corpo não suportará essa evolução rápida de forma suave.”

“Lança? Então aquela coisa… agora me pertence?”

“Claro. Era originalmente uma das minhas armas.

E como você é meu recipiente, pode empunhá-la tão naturalmente quanto seus próprios membros.”

A voz de Nameless aprofundou-se… pesada, ameaçadora.

“Em breve, Frey Starlight, você estará diante de uma encruzilhada.

Esse poder avassalador irá se voltar contra você, cedo ou tarde…

E estou ansioso para ver qual caminho você escolherá.”

Com um movimento, Nameless empurrou Frey para fora do vazio interior… e o retornou à realidade.

Os olhos de Frey se abriram bruscamente.

Ele ainda estava nos braços do pai…

mas a dor havia cessado, a aura furiosa dentro dele misteriosamente calma.

Nameless deve ter estabilizado…

ajudado-o a resistir.

“…Pai.”

Só agora, com a mente clara, Frey compreendeu quem estava ao seu lado…

Abraham Starlight.

O pai que ele acreditava morto para sempre.

Alívio tomou conta de Abraham ao ajudar Frey a ficar de pé.

“Você lutou bem… Frey.”ele disse com uma exalação suave.

Frey riu levemente, com dificuldade.

“'Frey'? É assim que você está me chamando agora?”

“É o nome que escolhemos para você neste mundo, meu filho.

Não rejeite.” Abraham sorriu suavemente, apoiando com um braço o peso do filho enquanto ambos caminhavam em direção a Ada.

Apesar de a aura instável de Frey ter se acalmado, o cansaço acumulado na batalha o atingiu de uma vez.

Ficar de pé foi difícil… caminhar, ainda mais.

Ele não teve alternativa senão depender do seu pai.

“Você matou Geppetto?” Abraham perguntou enquanto avançavam.

Abraham conhecia aquele nome apenas por causa de Geppetto que o ressuscitou.

Frey assentiu.

“Eu matei.”

“Bom.”

“Você é incrivelmente forte, pai… Ainda tem tanta energia sobrando depois de tudo isso.”

Olhe para mim, comparado a você... haha.” Frey riu fraquinho.

Abraham também riu.

“Você é muito mais forte do que pensa, meu filho.

Tenho certeza de que logo você me ultrapassará. Eu existo apenas para abrir seu caminho.”

“Você está me superestimando… Olhe para mim, pai.

Sou apenas um tolo ingênuo, uma marionete jogada por forças que estão no topo do mundo.”

Ele levantou os olhos para o céu.

Acima deles…

outra batalha acontecia.

Wesker versus German.

Um confronto muito maior do que o que acabaram de sobreviver.

“Não sou Deus… nada perto disso.

Sou apenas um humano. Apenas seu filho.”

Frey sorriu… amargamente.

“Não consegui mudar nada. Deixei que levassem seu corpo… profanassem-no.

Se não fosse o Engenheiro, teríamos nos matado.

Estou impotente. Patético.”

Caminharam lentamente pelo chão destruído enquanto o trovão da batalha acima tremia os céus.

Abraham escutou em silêncio.

Depois, sorriu… em paz.

“Sabe… ouvir isso de você me trouxe paz.”

Frey virou-se para ele, confuso.

Abraham continuou…

“Para ser honesto… houve um tempo em que duvidei do que você realmente era, meu filho,” disse Abraham, e sua mente viajou… bem, muito, muito longe.

“Ainda lembro de te segurar nos braços como um recém-nascido… nesta vida, e na anterior também. Você era carne da minha carne, sangue do meu sangue… duas vezes, não uma.”

“Mas um dia… tive a chance de testemunhar seu verdadeiro eu… sua alma… o que você realmente é, despojado de toda casca e disfarce. O que vi foi algo muito além da compreensão humana… algo que alguém como eu nunca poderia sonhar em entender. Naquele momento, comecei a acreditar que você talvez não fosse o que sempre achei… uma criança mortal. Talvez algo superior… uma entidade divina, até.”

Abraham falou sem hesitar, revelando a verdade que escondia há anos, enquanto Frey escutava silencioso… incapaz de formar uma palavra de resposta.

“Mas você sabe…”, Abraham continuou, com a voz quente, como se a própria luz do sol fluísse por ela. “Ouvir você se chamar apenas de humano, vê-lo depender de mim… lutando para até caminhar… Eu senti alívio.”

Ele sorriu, apertando os ombros de Frey.

“No final das contas, você ainda é meu filho. Carne da minha carne. Que o mundo te chame de monstro, de deus ou de algo que vá além da compreensão… mas para mim, você sempre será minha criança. A que tenho orgulho.”

Seu tom não deixava espaço para dúvidas… o amor estava gravado claramente em cada sílaba.

Aquelas palavras tocaram Frey mais fundo do que qualquer espada, qualquer maldição ou batalha que tivesse enfrentado.

Frey piscou. Uma, duas vezes.

Então, um sorriso vacilante se abriu em seu rosto.

Devagar, sua expressão desmoronou… a base se desfez sob o peso das emoções que carregava há anos. Seus lábios tremeram. Sua respiração ficou ofegante. Sua cabeça se abaixou enquanto escondia o rosto atrás do braço.

E Abraham viu.

Ele viu o tremor, o pedido silencioso, o colapso de um guerreiro que carregou demais por tempo demais.

Então, envolveu-o em seus braços… firme, inabalável, caloroso.

“Está tudo bem em chorar, meu filho”, sussurrou no cabelo de Frey. “Está tudo bem tremer. Não somos seres perfeitos… nunca fomos para ser.”

“Às vezes perdemos. Às vezes vencemos. Mas nunca caímos para sempre… e quando isso acontece, levantamos de novo.”

Frey tremeu silenciosamente em seu abraço…

Essas palavras… esses simples, humanos palavras… eram tudo o que ele precisava mais do que poder, mais do que vitória, mais do que qualquer trono ou destino.

Após anos carregando o mundo sozinho, sangrando, se destruindo, sobrevivendo… finalmente encontrou ar.

E esse ar era Abraham.

O pai que morreu por ele uma vez, continuou o salvando mesmo após a morte.

Um vínculo forjado pelo sangue, testado pelo inferno, temperado pela guerra.

Um vínculo mais forte que o destino… mais forte até mesmo que os demônios.

E juntos… pai e filho… Frey Starlight e Abraham Starlight,

derrubaram Zibar… Demônio de Rank Dez.

Um dos maiores males a caminhar pela existência…

Derrotado pela força do laço que os une.

O Duo Starlight que quebrou uma lenda.

Comentários