O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 729

O Ponto de Vista do Vilão

Seu rosto e seus olhos estavam completamente cobertos de sangue, escorrendo pelas bochechas e queixo.

Pelam que as manchas no chão indicavam claramente que ela tinha perdido uma quantidade enorme de sangue.

Mas o que mais preocupava Abraham e Frey era o olhar sem vida em seus olhos.

Abraham cuidadosamente abaixou seu filho, depois segurou com cuidado os ombros de sua filha.

"Ada… minha filha…"

Com paciência, Abraham limpou o sangue do rosto de Ada, tentando trazê-la de volta à consciência.

"Tudo está bem agora, minha querida… estou aqui. Seu irmão está aqui. Estamos aqui por você."

Segurando o rosto da filha, Abraham se aproximou mais.

"Olhe para mim. Agora está tudo bem…"

Ele tentou de todas as formas tranquilizá-la.

Ada não tinha ferimentos físicos graves — ela simplesmente havia perdido muito sangue, o bastante para desmaiara.

Mas o trauma dela era muito mais psicológico do que físico.

Primeiro, ela tinha perdido Carmen… a figura de irmã mais velha que a acompanhou por tanto tempo.

Depois, testemunhou seu pai erguendo a espada contra seu irmão…

Viu Frey perder, viu Abraham o esmagar, tudo enquanto era submetida a uma pressão esmagadora de nível SSS.

Simplesmente foi demais.

Por isso, Frey também se aproximou, puxando-a suavemente para um abraço.

"Ei… quero dizer que também estou aqui, igual o papai — mas hoje estou muito fraco.

Talvez até mais fraco que você, Ada… haha…"

Seu esforço em apertar menos os braços era a prova de que seu abraço estava vacilante e instável.

Porém, Abraham envolveu ambos com seus braços, puxando-os para perto.

Diferente de Frey, seu aperto era firme — seu corpo ainda carregava uma força imensa.

Ele era como um escudo, protegendo-os, bloqueando qualquer mal que tentasse alcançá-los.

Era uma ternura que Ada nunca tinha sentido na vida.

Nunca tinha experimentado de verdade o abraço do pai, que a evitava na maior parte da vida.

Aquela warmth… aquele calor…

O olhar sem vida nos olhos de Ada começou a desaparecer lentamente. Eles tremiam levemente… até ela desabar em lágrimas, agarrando-se aos dois.

Ela os encarava, em descrença, tentando entender a situação.

Frey não tinha um aspecto bom… mas estava inteiro.

Estava vivo.

E seu pai… Abraham, não parecia mais aquela máquina de matar sem misericórdia.

Ele parecia vivo.

Era o pai que ela não via há tanto tempo.

"Papai… Frey… eu —"

Ela tentou dizer algo, mas um soluço escapou, fazendo o peito doer com a intensidade do choro.


Ao perceber isso, Abraham quase perdeu o controle pela primeira vez. Seus olhos tremiam enquanto apertava ainda mais seus filhos.

"Tudo vai ficar bem… estou aqui agora."

Abraham falou com toda determinação — jurando proteger seus filhos com tudo que tinha.

Foi um momento raro.

Um momento de paz que essa família não conhecia há muito, muito tempo.

Após algum tempo e algumas palavras silenciosas com o pai e o irmão, Ada finalmente perdeu a consciência.

Ela não estava em estado crítico… mas a perda de sangue e o trauma acumulado já tinham feito efeito.

Ela desabou nos braços de Frey e Abraham, com uma serenidade finalmente visível em seu rosto, após finalmente ter encontrado a paz.

Abraham deixou Ada repousar nos braços de Frey, depois se levantou lentamente, observando o ambiente…

Naqueles breves momentos, tanto ele quanto Frey sentiram exatamente a mesma coisa.

"Tenho uma sensação ruim com essa situação…" disse Frey, e Abraham concordou.

"Sim… eu também sinto o mesmo."

Nenhum dos dois conseguiu identificar exatamente a razão, mas parecia que algo ominoso se escondia ao redor deles… algo sombrio e de mau agouro, impossível de definir ao certo.

A única fonte de perigo restante era Wesker, que atualmente enfrentava o Engenheiro.

Quanto aos outros, Zibar e Geppetto já estavam mortos.

Ao pensar em Geppetto, Frey olhou para o seu pai.

"Pai… a habilidade do demônio de nível 13 foi o que trouxe seu corpo de volta à vida. Você não sentiu nada quando ele morreu?"

Já era tarde para pensar nisso agora, mas a habilidade de ressuscitar de Geppetto sempre fora um mistério. Com sua morte, o destino dos corpos que ele revivera era desconhecido.

Abraham apertou o punho por um instante, depois o fechou com força.

"Não senti nada. A morte dele não teve efeito algum em mim."

"Entendo… Fico feliz em ouvir isso."

Frey temia que algo pudesse acontecer com Abraham após a morte de Geppetto, mas parecia que suas preocupações eram infundadas.

Por outro lado, Abraham respirou fundo. Seu corpo começou a brilhar com uma luz intensa enquanto convocava uma espada condensada de pura radiância.

"O que você planeja?" perguntou Frey, franzindo a testa enquanto Abraham levantava o olhar para o céu.

"Frey… ainda não entendo tudo o que está acontecendo neste mundo," disse Abraham com firmeza.

"Mas o que eu sei é que essa pode ser nossa única chance de atacar os demônios de alto escalão e dar um golpe de verdade."

Ele prosseguiu com determinação inabalável:

"Matar o Rank 10 não basta. Temos que matar o Wesker aqui, hoje."

Ao ouvir essas palavras, os olhos de Frey se arregalaram.

"Quer dizer—"

"Vou enfrentar aquele idiota do Engenheiro, e vamos acabar de uma vez por todas com aquele demônio imundo," Abraham falou, uma expressão assustadora surgindo no rosto.

"Tenho uma dívida com aquele infeliz… uma dívida que precisa ser paga."

Abraham estava pronto para enfrentar Wesker mais uma vez, revivendo a batalha de muitos anos atrás… justamente aquela batalha que tinha terminado sua vida no passado.

Frey sabia do poder do pai, mas não conseguia deixar de sentir ansiedade. O oponente era Wesker.

O demônio amaldiçoado que Frey nunca conseguiu vencer.

Primeiro foi Aegon… e agora Wesker.

Aquele demônio amaldiçoado sempre tinha inúmeras manhas na manga… a ponto de Frey ter chegado a acreditar que Wesker simplesmente não podia morrer.

Mas Abraham era diferente.

"Essa barreira vai proteger você e sua irmã por enquanto," disse Abraham. "Então deixo ela com você."

Colocando a mão na cabeça de Frey, Abraham se preparou para partir.

"Você é um homem agora, Frey. Proteja sua irmã, mantenha-se vivo e fique de olho enquanto nós liquidamos aquele idiota."

Mesmo no fim, Frey não parecia totalmente convencido, mas ao ver a determinação nos olhos do pai, finalmente assentiu.

"Volte vivo, pai… não importa o que aconteça."

Em resposta, Abraham também assentiu. Então se afastou, bateu o pé no chão e disparou para o céu em uma explosão de luz radiante.

No instante em que se distanciou do filho, a expressão de Abraham mudou completamente, liberando um terrível pressentimento de morte junto de uma fúria avassaladora.

"Wesker… é hora do revanche."

Todas as pistas apontavam para uma catástrofe iminente, enquanto os heróis do antigo épico finalmente se reúnem novamente…

O Engenheiro, Abraham e Wesker.

Era como se a própria história estivesse se repetindo.

Mas qual seria o desfecho daquele confronto desta vez?

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