
Capítulo 721
O Ponto de Vista do Vilão
Nos olhos de Frey…
não havia nada além de desprezo e ódio por aquele homem.
Porém, ao mesmo tempo…
uma tênue ponta de respeito havia se enraizado.
Respeito por alguém que dedicou toda a sua existência ao seu mestre…
lutando sozinho nas sombras por incontáveis anos contra demônios.
Mas, neste exato momento…
em apenas um instante…
Frey não podia perdoá-lo.
Pois German foi quem permitiu que o corpo de seu pai…
Abraham Starlight… caísse nas mãos de Wesker.
O Engenheiro era o culpado… ninguém mais.
Frey quis dizer isso a ele, mas nunca teve a chance.
"Você foi quem fez isso com meu pai…"
Você o entregou aos demônios, forçando-o a lutar contra as próprias pessoas que morreu protegendo.
Frey não falou essas palavras, mas German as entendeu sem precisar ouvi-las… o olhar de Frey sozinho transmitia tudo.
Em resposta, German apenas riu silenciosamente—uma reação incomum dele, especialmente em um momento como este.
Enquanto isso, a pressão da aura ao redor se intensificava à medida que Wesker liberava todo o seu poder.
"Qual é o seu plano agora, seguidor de Nomenclatura?! O que você vai fazer nesta situação?! O que você preparou?! O que tem em mãos para usar contra mim?!"
Wesker rugiu, forçando German a revelar sua estratégia agora que tinha tudo contra ele.
Porém, German não demonstrou reação. Em vez disso, ajustou apenas sua postura, preparando-se para o combate.
"Nenhum plano desta vez, Demônio do Quarto Nível… lutaremos até a morte, aqui e agora. E, ao final deste dia, nem você nem o Demônio do Décimo Nível sairão vivos deste lugar. Isso é tudo que posso dizer."
German falou enquanto seu corpo se incendiava com uma luz azul celeste.
"Prepara-te… a batalha já começou."
Assim que suas palavras caíram, tudo dentro do campo de batalha mudou. Até o ar ficou mais pesado. Pela primeira vez, o sorriso de Wesker desapareceu.
O poder de German… não era brincadeira.
"…Impossível. Não era pra o recipiente dele estar destruído?"
Wesker tentou negar o que percebia—mas o nível de poder emanando de German era claramente próximo ao que ele já tinha tido em seu auge.
"Como?“ sussurrou o demônio.
Ele já tinha lutado contra German e Abraham... naquela época, o Engenheiro era tão fraco que não teria resistido sem a ajuda de Abraham.
Então, como tudo virou de ponta cabeça agora?
Nesse momento, German fechou os olhos enquanto uma voz profunda ecoava em sua memória.
Era do dia em que conheceu um determinado ser… apenas um dia antes desta batalha começar.
Um homem? Não…
Não um homem.
Um monstro.
German ficou lá, usando seu manto preto habitual, mas o chão sob seus pés era estranho… e até o céu parecia diferente.
"German, meu velho amigo… será que tudo o que temos feito ainda faz sentido?"
A voz do falante era tão profunda que sacudia o mundo, seu eco retumbava como um trovão.
Então, lentamente, veio o som de cascos batendo no chão.
"Lutamos por demais… o tempo nos desgastou."
Os passos ensurdecedores continuaram até que, finalmente, aquele ser alcançou German.
O Engenheiro lentamente levantou a cabeça… porque era a única forma de encarar o olhar do outro.
A criatura diante dele não era humana… nem nada comum.
Na metade inferior, ela caminhava sobre quatro membros enormes, enquanto o torso superior parecia o de um homem colossal… braços largos, uma armadura amassada, uma cabeça coberta por um elmo de ferro, e cabelos vermelhos longos fluindo atrás como uma bandeira ardente. Parecia um centauro distorcido, nascido de um pesadelo.
Um gigante aterrorizante… facilmente com mais de dez metros de altura.
O monstro pairava sobre German, seus olhos brilhando em amarelo intenso e penetrante sob o elmo.
German ergueu-se no ar, igualando sua altura.
"O que fazemos realmente tem sentido, meu amigo. Com certeza tem… pois esta é a vontade do Mestre que todos escolhemos seguir."
De pé diante daquela criatura, a expressão de German suavizou… até um sorriso leve apareceu. Essa entidade era talvez a única que sofrera tanto quanto ele por causa de sua missão.
"Fulghor… peço desculpas. Hoje vim buscar sua força."
"Já estou ciente disso. Sempre foi assim," respondeu Fulghor… sua voz normal era naturalmente ensurdecedora devido ao seu tamanho colossal.
Fulghor, conhecido como o Planeta, era único.
Diferente dos outros guerreiros da Seita das Sombras, ele nunca morreu.
Nameless nunca o refez.
Ele optou por seguir Nameless desde o princípio, encantado por ele.
E por causa disso—ao contrário de todos os outros membros da Seita—
ainda possuía seu corpo original. Seu poder original.
"Vou me juntar a você nesta batalha. Então, é melhor não perder, German."
Fulghor estendeu a mão… uma luz radiante envolveu completamente o corpo de German, iluminando o mundo ao redor.
"Obrigado… velho amigo."
German abriu os olhos no momento presente.
Diante dele, estava Wesker.
Debaixo dele, Zibar.
"Há muito em jogo… e muito mais que precisa ser feito… e concluído."
"Mas, neste momento, há uma única coisa que desejo… dar a este corpo uma luta à altura… igual aos velhos tempos."
German sorriu enquanto sua aura explodia violentamente, libertando uma onda de frio impossível que varreu toda a região—sua força gélida arrasando as almas de todos presentes.
Por um instante… ele não se parecia mais com o recipiente quebrado pelo tempo.
Agora, ele era o Santo… Santo German, aquele que uma vez aterrorizou os demônios.
Sensibilizado pelo verdadeiro perigo, Zibar estendeu o braço, levantando Frey em direção a German.
"Não se antecipe, seguidor de Nomenclatura! O que você quer já está na minha mão!"
Zibar ameaçou, usando Frey como uma arma de barganha.
"Você não consegue vencer aqui!!" rugou o Demônio do Décimo Nível.
German respondeu com um sorriso malicioso.
"Quem você acha que eu sou? Com quem acha que está falando, Demônio do Décimo Nível… e você, Wesker?"
Sua voz ficou pesada… antes de soltar uma bomba.
"É impossível eu falhar… ou deixar de perceber o que aquele seu olho patético consegue ver. Lembre-se das minhas palavras, Wesker…"
Naquele instante, uma janela estranha se materializou diante dos olhos quase inconscientes de Frey…
Uma notificação do sistema que surgia do nada…
Carregando palavras que fizeram os olhos de Frey se arregalarem lentamente.
Ding!
Synchronização em andamento…
96%
97%
98%
99%
Como se pudesse enxergar esses números crescendo, German explodiu em uma risada alta, concluindo sua declaração:
"Não importa o que você faça, não importa o quanto tente, Wesker… eu sempre estarei um passo à sua frente.
E tudo que criaturas como você podem esperar fazer… é perseguir minha sombra."
Entre a risada do engenheiro e o semblante cada vez mais fechado de Wesker… finalmente tudo chegou ao fim.
100%
Synchronização concluída.
A notificação apareceu…
e então…
SLAASH!!!
De um lugar inesperado… lá embaixo.
Todos ouviram o som da lâmina cortando carne…
e o inconfundível salpicar de sangue.
Todos os olhares se fixaram no mesmo ponto… olhos cheios de emoções diversas, sendo a mais forte delas o choque.
Do nada, uma lâmina de pura luz rasgou o braço de Zibar…
o próprio braço que segurava Frey.
A mão do demônio foi severamente cortada,
deixando-o congelado de incredulidade.
Incapaz de entender o que tinham feito, Zibar tentou virar-se…
só para ser atingido por uma onda de choque ensurdecedora, uma chute parecido com um foguete que o lançou por todo o crateras, estilhaçando-o contra a parede ao longe.
E quem foi o responsável…
foi ninguém menos que o homem que, até aquele momento, não passava de uma máquina de matar sem emoções.
"Synchronização concluída.
Usuário: Abraham Starlight."
Os olhos de Frey se arregalaram inconscientemente enquanto ele encarava as costas largas agora entre ele e a morte…
Aquele que atingiu Zibar…
era Abraham.
Suas costas ainda voltadas para seu filho caído.
Abraham ainda era ele…
A arma impiedosa de destruição.
Porém, de alguma forma… ele parecia diferente.
Com olhos trêmulos e cheios de lágrimas, Frey se esforçou para se erguer.
"Pai…"
Sua voz foi quase um sussurro, tentando desesperadamente fazê-lo se virar.
Ele queria ver seu rosto.
Para confirmar…
Será que ainda é a mesma expressão vazia?
O mesmo assassino impiedoso que o atacou sem hesitar?
Frey estendeu a mão, mas seu corpo se recusava a se mover mais do que isso.
E então, após alguns segundos de agonia…
Abraham se virou.
Lentamente…
mas com firmeza…
até que Frey finalmente visse o rosto de seu pai.
E, naquele momento, o próprio tempo congelou.
Pois Abraham estava sorrindo.
Um sorriso quente, gentil, que levou a dor de Frey embora como um pesadelo que se desvanece.
"Ainda não entendo completamente o que está acontecendo…
nem percebo claramente a situação atual…"
"Mas estou realmente feliz em ver você, meu filho."
Abraham estendeu a mão e colocou-a suavemente sobre a cabeça de Frey.
O mundo todo de Frey virou de cabeça para baixo.
Seu pai falou.
Seu pai o reconheceu.
Abraham estava confuso… muito mais do que qualquer um presente.
Sua última lembrança era de morrer após lutar contra Weskar.
Mas a estrela da família Starlight se adaptou rapidamente…
assombrosamente rápido.
Ele não precisava que ninguém explicasse que o jovem diante dele era seu filho.
Ele soube instantaneamente.
Ele já tinha notado Ada também.
E, exatamente neste momento…
apesar das palavras reconfortantes que ofereceu a Frey…
Abraham Starlight fervia de raiva.
Uma raiva que seus inimigos demoníacos estavam prestes a suportar.
Antes que o olhar lacrimoso de Frey se fixasse no pai…
e antes que os demônios surpresos… sobretudo Wesker, cujo rosto havia mudado completamente…
Abraham Starlight havia retornado.
De verdade, havia retornado.
Geppetto foi o mais devastado de todos…
ele havia perdido completamente o controle sobre sua última marionete.
A alma de Abraham quebrou com facilidade a dominação do demônio.
Foi um choque catastrófico…
um que só German tinha preparado.
"Vocês podem ter tomado o corpo…
mas a alma sempre foi minha."
German falou, preparado para a batalha.
"Você não consegue vencer, Wesker.
Pois o poder do meu Mestre permanece comigo."
"Seu filho da puta…!" rugiu Wesker, carregando contra German.
Enquanto isso, Zibar reapareceu, apenas para encontrar Abraham diante dele…
Uma batalha colossal estava a momentos de explodir.
E a Seita das Sombras acabava de virar a mesa contra os Demônios Altos.
Agora… tudo tinha mudado.
Restava apenas uma luta de vida ou morte para definir o vencedor.
Uma coisa era certa:
A Seita das Sombras veio com a intenção de destruir os Demônios Altos…
para lembrar ao mundo, mais uma vez,
quem realmente eram os seguidores de Nomes…
aqueles que lideraram a Grande Guerra há eras atrás.
Assim… o conflito atingiu seu auge máximo.
E lendas se enfrentaram com a intenção de devorar umas às outras por completo.