O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 707

O Ponto de Vista do Vilão

Em algum lugar do continente dos Ultra… em um dos seus cantos mais sombrios e desolados…

Celebrava-se uma reunião peculiar. Uma procissão de demônios e figuras proeminentes dos Ultra se reuniram, todos alinhados atrás de Wesker, que permanecia à frente.

Ao seu lado, o Rank 13 Geppetto estava acompanhado de Beatriz e de outros nomes notáveis.

"Ele chegou."

Com seu sorriso venenoso de costume, Wesker olhou em direção ao horizonte… poucas horas antes, uma imensa coluna sombria desceu do céu, estremecendo a terra com força violenta.

Aquele feixe de escuridão atingiu com velocidade imensa e poder esmagador. Sua chegada provocou uma onda de aura tão intensa que sacudiu toda a terra—quem se aproximasse simplesmente não se preocupava em esconder sua presença.

Dentro do véu de escuridão, um demônio avançou, caminhando em direção a Wesker, que o recebeu com o mesmo sorriso sinistro.

Era um demônio familiar… com quatro chifres, face deformada, olhos violeta fundos, e uma capa de aura negra que se arrastava atrás dele.

Mas desta vez…

Ele vestia uma armadura negra terrível que cobria a maior parte do corpo, tornando-o ainda mais imponente e imparável.

No momento em que chegou, quase todos presentes se curvaram… todos, exceto Wesker—demonstrando seu respeito.

"Damos as boas-vindas ao Décimo Assento… ao Exército de um Homem só, Zibar."

Como era de se esperar, esse era Zibar do Rank Dez. Mas desta vez…

Não era um clone.

Era o verdadeiro Zibar—em seu corpo físico real, vestido com a lendária Armadura de Katarina.

A diferença era colossal. O ar ao seu redor tornava-se mais pesado sob o peso esmagador de sua verdadeira aura.

Sua presença não se parecia nem de perto com a de Wesker. Enquanto o Quarto Assento era mais forte, Wesker costumava esconder sua aura. Zibar, por outro lado, deixava tudo se revelar livremente.

"Demorou bastante, Zibar. A situação lá em cima era realmente tão complicada assim?"

Wesker perguntou, escondendo uma zombaria sob suas palavras.

Zibar respondeu calmamente, indiferente ao tom de Wesker.

"Você bem sabe o quão difícil estão as coisas neste momento. Minha presença é fundamental dentro do exército… não posso ficar longe por muito tempo."

Ele cerrava o punho, seus olhos agudos se estreitando em direção a Wesker.

"Vamos terminar logo isso. A guerra contra os Grandes já começou."

Sua voz carregava uma urgência, incentivando Wesker a acelerar suas operações na Terra.

Enquanto conversavam, o Primeiro Assento, Crimson… junto ao Rank Dois, Aagares, e ao Rank Cinco, Marvas… já tinham entrado em conflito com uma facção dos Grandes, acompanhados por contingentes de outras raças dominantes como o Panteão.

A terra misteriosa que se manifestara na vastidão do universo chamara a atenção de todas as criaturas supremas existentes. Cada uma tentava reivindicá-la, descobrir seus segredos e conquistar seu poder.

Com sua habilidade Espírito Reencarnação, Zibar era um general crucial, capaz de comandar exércitos inteiros formados por seus clones.

"Não há de quê se preocupar. Pretendo resolver isso bem rápido."

Wesker fechou os olhos por um momento… e então abriu o Olho do Rei sozinho.

Sua habilidade mais poderosa havia voltado, após o tempo de recarga que teve ao usá-la contra Frey e Snow. Dá para dizer que o Quarto Assento recuperou quase toda sua força total.

Wesker lutou contra Frey e Snow, derrotando ambos. Depois enfrentou Adir, da Seita das Sombras, e também o venceu. E, mesmo assim, não sofreu ferimentos—exceto pelo período de descanso do Olho do Rei.

Esse fato por si só mostrava a distância terrível entre o Rank Quatro e os demais.

E agora… o Rank Dez também havia chegado.

Mas não era só isso.

Enquanto Zibar conversava com Wesker, e enquanto todos se curvavam ao redor, parecia que apenas aqueles dois tinham direito de estar ali. Até mesmo Geppetto parecia insignificante diante deles.

Era essa a crença de Zibar… até que seus olhos se arregalaram de choque.

De repente, ele sentiu uma aura—pura, avassaladora—que entrelaçou-se com a dele… e a destruiu.

Uma aura radiante e exuberante, totalmente oposta à sua escuridão.

Zibar ergueu o punho imediatamente, voltando-se na direção da fonte, pronto para lutar… mas Wesker o interrompeu, sinalizando que não havia necessidade.

Naquele instante, um determinado homem entrou na área.

Um homem vestindo uma túnica preta simples, sobre uma armadura negra envelhecida e desgastada.

Seu cabelo era longo e preto. Seus olhos eram vazios e escuros. Seu estado parecia rude… mas a pressão que exalava não era brincadeira.

Ao ver o homem se aproximar… não em direção a Wesker, mas diretamente a Geppetto… Zibar percebeu que ele não era um inimigo.

Porém, não conseguiu evitar ficar boquiaberto.

"Onde você encontrou esse monstro?"

Zibar perguntou, sinceramente chocado, enquanto Wesker riu suavemente, divertido com a reação dele.

"Impressionante, não é? Esse é Abraham Starlight… pai de Frey Starlight. O homem contra quem lutei anos atrás."

Ao ouvir isso, Zibar rapidamente começou a juntar as peças.

Ele sabia que Wesker tivera dificuldades contra um humano há algum tempo… mas, no fundo, nunca chegou a acreditar de verdade nisso. Para ele, nenhum humano poderia ameaçar de fato os Dez Supremos.

Sempre presumiu que o verdadeiro adversário que ferira Wesker naquela ocasião fosse o guerreiro da Seita das Sombras… o Engenheiro, Gehrman.

Mas ver Abraham com seus próprios olhos quebrou essa crença por completo.

"Este homem… é mais forte do que eu," admitiu Zibar.

Depois virou-se para Geppetto… que já estava rindo, incapaz de se controlar.

"Está me dizendo que esse monstro caiu nas mãos do Geppetto?"

Wesker confirmou com a cabeça.

"Exatamente."

A expressão de Zibar escureceu.

Se Geppetto usasse aquele corpo… poderia enfrentar os Ranks Superiores e conquistar uma cadeira de topo para si mesmo.

Wesker percebeu claramente os pensamentos de Zibar e colocou levemente a mão em seu ombro.

"Não se preocupe. Amon não permitirá… nem mesmo se tentar."

As últimas palavras de Wesker foram pronunciadas por uma camada fina de aura, pensando exclusivamente nos ouvidos de Zibar.

Quando o nome de Amon foi mencionado, Zibar não disse mais nada. Sabia que aquelas palavras eram verdadeiras.

Amon… o Décimo Primeiro Assento. O Senhor do Pesadelo.

Ele era apenas o Rank Onze… mas seu nome carregava um peso que fazia até mesmo os demônios ficarem cautelosos.

A razão era simples.

Ao se lembrar do demônio mascarado, Zibar suspirou.

Amon… o demônio conhecido como Coringa… era tudo menos comum. Apesar de estar em décimo primeiro lugar, o número não refletia sua verdadeira força. A verdadeira razão dele permanecer no Onze era por testar pessoalmente qualquer um que tentasse entrar no Top Dez.

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