
Capítulo 691
O Ponto de Vista do Vilão
Do abraço da morte, sangue e destruição.
Uma borboleta carmesim teceu seus fios ao redor de Snow e Frey.
Aqueles breves momentos de batalha... no meio do combate, Frey sentiu uma calorosa estranha invadir seu corpo… uma sensação suave que despertou uma vontade de arrancar algo do peito dele.
Os filamentos rubros da borboleta rastejavam por suas veias e se enroscavam ao redor de seu coração. Eram confortáveis, muito quentinhos.
Embora um poder estranho tivesse tomado conta de seu corpo, Frey acolheu essa aura e a deixou atravessá-lo sem pensar conscientemente.
Parecia, de alguma forma, que ela sempre lhe pertencia.
"Dessa vez, não vou perder você…"
Sua voz sussurrou dentro de sua alma, e Frey a ouviu com clareza.
Ele não reconhecia a voz de jeito nenhum… e, ainda assim, ela soava dolorosamente familiar.
A luta final contra Wesker foi desesperadora; por um instante, Frey chegou a pensar que iria perder tudo.
Nem sua força, nem Snow, tinham sido suficientes.
Mas a vida não o abandonou completamente no abismo... ainda havia um brilho de esperança, uma última chance de sobreviver e lutar.
Naquele instante quente, o coração de Frey voltou a pulsar, e uma luz vermelha cortou a escuridão que existia dentro dele.
Sozinho, ali no vazio, a borboleta espalhou sua magia até alcançar Frey, pairando calmamente diante dele.
Naquele momento, ele sentiu asuras varrerem seu corpo e o pouparem do pior.
No começo, pensou que estava tendo alucinações na ânsia da morte, mas logo percebeu que não era ilusão… aquilo era a realidade.
"Quem… é você?" perguntou Frey, estendendo a mão para a borboleta.
"Por que parece tão familiar? E por que… sinto você tão distante, mesmo estando perto?" acrescentou, tentando entender o que estava acontecendo.
A forma da borboleta desapareceu de repente, transformando-se em um borrão que se condensou numa figura enevoada… uma mulher estranha que Frey nunca tinha visto.
"Não há tempo, Frey… você precisa acordar agora", disse a mulher, cuja voz gravou-se na mente de Frey enquanto ela colocava a mão sobre seu peito.
"Acorde… a batalha ainda não acabou."
O toque dela impulsionou o corpo de Frey para fora do vazio; uma força invisível o puxou de volta ao mundo.
Suspiro!
No campo de batalha, as costas de Frey colidiram com o chão. Ele se levantou rapidamente e respirou com esforço.
O ar quente e pesado enchia seu peito; seus olhos arderam em vermelho, e ao cerrar as mãos, a força voltou a fluir nele.
"Minha aura… voltou?"
De forma mágica, o reservatório de aura que Frey tinha esvaziado totalmente ao usar excessivamente a Aura do Buraco Negro tinha sido reabastecido. Ao cerrar o punho, uma potência bruta se libertou.
Era um milagre.
Frey não se demorou em si mesmo; girou, lembrando de seu amigo caído ali perto.
"Snow!!"
Ele virou-se freneticamente… Snow estava à beira da morte, e Frey já havia falhado em salvá-lo antes. A ideia de perdê-lo machucou profundamente. Snow tinha sido como um irmão; ele não suportava a ideia de perdê-lo.
Porém, a terrível visão que Frey temia não aconteceu. Em vez disso, Snow estava ali, sentado ao seu lado, empurrando o corpo para cima e olhando para Frey com espanto, incapaz de acreditar que ainda estava vivo.
"Frey… Eu…"
Snow tentou falar, escorregou e quase caiu. Frey o segurou imediatamente, impedindo que ele se desequilibrasse.
Segurando-o firmemente, Frey sentiu claramente a força e a aura do amigo… seu amigo tinha se recuperado.
"Estou sonhando… haha… Ainda estou vivo, Frey", disse Snow, surpreso com sua própria sobrevivência.
Wesker o tinha devastado; Snow havia sentido a morte. Mas o destino decidiu diferente, e o Cavaleiro Branco do reino viveu mais um dia.
"Sim… você está vivo. Ainda não acabamos."
No campo de batalha, Frey e Snow se levantaram novamente.
Estavam feridos e exaustos, mas a estranha aura que apareceu do nada os revitalizou.
"Podemos lutar de novo", disse Frey, soltando Balerion e a Irmã Sombria mais uma vez, enquanto Snow empunhava Vermithor.
"Como está a situação? Onde está Wesker?" perguntou Snow, ainda sem entender bem o que tinha acontecido. Frey também estava meio perdido… só sabia que alguém tinha intervindo e colocado Wesker de molho, e que, por ora, seus únicos inimigos eram os Ultras: Beatrice, Belith, Simon Manus, Mergo e muitos outros.
"Primeiro, vamos lidar com os inimigos à nossa frente", disse Frey, pronto para voltar à luta e acabar com eles.
Antes que pudessem se mover, uma explosão ensurdecedora sacudiu a região próxima: o próprio vazio se partiu como vidro quebrando… o campo que Adyr, com seus braços longos, tinha conjurado foi destruído.
Nesse instante, todos viram a feroz batalha que estava acontecendo dentro do campo.
Milhares de explosões retumbantes, nuvens deuras se chocando, projéteis se quebrando enquanto dois monstros lutavam de perto, dilacerando um ao outro.
E então, sua voz ecoou com força para todos ouvirem.
"Hahaha!!! Adyr!! Você não consegue me vencer!!" gritou Wesker, enquanto seu corpo brilhava com aura sombria, atacando Adyr, que se defendia golpe por golpe.
Adyr, o homem de braços longos, parecia estranho e terrível: dezenas de mãos surgiam de seus braços alongados, permitindo-lhe manipular aura e manejar múltiplos estilos de combate ao mesmo tempo com cada uma delas.
"Você não sairá vencedor daqui, Wesker. Ainda há muito nesta terra a ser explorado."
Adyr rugiu, conjurando um vórtice de aura que engoliu cada golpe de Wesker.
Wesker respondeu invocando quatro gigantes negros colossais, que superavam montanhas em altura. Eles brandiam suas gigantescas lâminas, quebrando o vórtice com um estalar único.
Mas, no instante seguinte, Adyr levantou centenas de lâminas de aura enormes que rasgaram o vazio, dilacerando os gigantes numa tempestade de destruição.
A batalha era o caos em estado puro. Diferente de seu confronto contra Snow e Frey, Wesker agora lutava seriamente, liberando toda sua força.
Originalmente, Frey e Snow estavam prontos para atacar os Ultras, mas a destruição do domínio de Adyr os fez hesitar.
"Aquele demônio maldito ainda está aqui… e ainda tem bastante poder", murmurou Frey.
Mesmo sem o Olho do Rei, Wesker ainda era excessivamente forte.
"Mas… talvez nossas chances melhorem se nos unirmos a ele."
Adyr. Ele tinha conseguido conter Wesker. Frey viu nisso uma oportunidade única de aproveitar e matar o miserável demônio.
Ele e Snow não estavam no auge, mas pelo menos podiam causar dano.
Snow assentiu de imediato. Ele pensava a mesma coisa.
Mas, antes que um dos dois pudesse agir para apoiar Adyr…
Ambos ouviram aquela voz novamente.
"Não lutem com ele. Vocês ainda não são capazes. Não ainda."
"Essa voz…" Os olhos de Snow se arregalaram ao eco familiar, enquanto Frey ficou em silêncio.
Era a mesma voz que lhe falara na cabeça mais cedo.
A voz de quem os tinha salvado da morte certa.
"Um guerreiro da Seita das Sombras não consegue derrotar Wesker. Ele só consegue segurá-lo, e só por um tempo."
Adyr era forte, mas seu corpo estava danificado. Ele não podia exercer toda sua força. Mesmo que Frey e Snow o ajudassem, a vitória não era garantida.
Na verdade, era improvável.
Essa era a alerta que ela tentava passar.
"Wesker não é tolo. Um Demônio de Rank 4, que vive desde os tempos antigos, não será facilmente encurralado."