
Capítulo 677
O Ponto de Vista do Vilão
"Por mais que você tente me copiar," disse Frey,
"mesmo usando meus mesmos poderes… você nunca me derrotará.
Porque há coisas que simplesmente não podem ser copiadas."
A habilidade de V era formidável, mas não sem limites.
Seu maior defeito era que não conseguia replicar poderes capazes de destruir o mundo...
especialmente a Adaptação Sombria, uma das três maiores habilidades que quebram limites existentes.
Essa única habilidade era uma fusão de sete poderes que quebram o mundo…
os mesmos sete coletados por Nameless ao longo de sua lendária jornada.
Frey atualmente possuía apenas quatro deles,
mas mesmo assim, isso era suficiente para elevar sua força muito além do que um humano poderia alcançar.
V sabia disso melhor do que ninguém.
Ele tinha copiado Frey, visto através dos seus olhos,
e por um breve momento, compreendido suas emoções e sua percepção do mundo.
Ele sabia que não poderia vencer.
Ele sabia que estava diante de um monstro.
Mas mesmo assim—ele não podia parar.
Estava em jogo demais.
À medida que suas espadas se chocavam repetidamente,
a mente de V desesperadamente buscava uma maneira de virar o jogo.
A forma de Frey Starlight só duraria mais alguns minutos.
Se ele não agisse agora, perderia tudo.
BOOOM!
Uma rajada de fogo negro irrompeu…
mas Frey a repeliu instantaneamente.
Ele avançou com a Espada Sombria a uma velocidade muito além da compreensão humana,
liberando uma tempestade de cortes violeta que caíram sobre V de todos os lados.
Frey avançava com precisão brutal,
e aos olhos de V, a cena diante de si era puro horror.
"Ele consegue se regenerar de qualquer tipo de dano… instantaneamente,"
V murmurou, desviando golpe após golpe.
Pedaço por pedaço, a escuridão ao seu redor ia sendo destruída.
"Ele consegue se adaptar ao estilo do adversário durante a luta…
tornando uma batalha contra ele totalmente sem esperança."
A destreza de Frey com a espada era absoluta…
ele era um verdadeiro mestre da lâmina,
além de qualquer outro que V já tivesse visto na vida.
BOOOM!
Com mais um golpe feroz, Frey enviou V voando.
"Ele tem controle total sobre sua Aura,"
V sussurrou, tremendo.
"Ele pode usar cada gota dela com perfeição…"
O desespero surgiu em seus olhos.
"Como… como posso derrotá-lo?"
O herói dos Ultras perguntou a si mesmo…
mas nenhuma resposta veio.
Então, ele fez a única coisa que restou…
ele rugiu, sua voz cheia de fúria,
e avançou novamente contra Frey.
Mas Frey o desviou mais uma vez, sem esforço,
imperturbável diante da fúria frenética de V.
Ele estava calmo…
totalmente no controle da batalha.
"V… você possui um talento extraordinário," disse Frey calmamente.
"Um poder que poderia colocá-lo no mesmo nível que eu e Snow—
se você tivesse aprendido a dominá-lo completamente.
Mas você escolheu usá-lo pelo lado errado."
Ele não estava mais lutando seriamente.
Estava se segurando.
Se Frey realmente quisesse, a batalha teria acabado há muito tempo.
Mas ele hesitou…
pois, bem no fundo, não queria matar V.
Diferente de Frey, aquele ser humano cujo corpo transcendeu a mortalidade,
ou Snow, o portador da luz…
V ainda era humano.
Sim, seu sangue carregava traços de energia demoníaca,
mas, no seu âmago, ainda era um deles.
E seu talento… seu potencial era extraordinário.
"A razão de você lutar com tanta ferocidade…" disse Frey suavemente,
"não é por amor aos Ultras,
nem pelo território onde nasceu.
É porque você está sendo forçado a isso, não é?"
V soltou um grito selvagem, bestial, em resposta.
BOOOM!
As espadas deles se encontraram mais uma vez em uma explosão violenta.
"É pela sua família? Seus amigos?
O que Gavid Lindman tem contra você
que faz você lutar por ele assim?"
"CALE A BOCA, SEU IDIOTA!"
V berrou, suas chamas negras ardiam mais alto.
"O que diabos você sabe de mim?
Sobre meu mestre?!"
"Você—que nasceu do outro lado do mundo!"
BOOOM!
As explosões continuaram,
e o duelo atingiu seu ponto de ruptura—
V dando tudo de si,
e Frey ainda relutando em dar o golpe final.
Cada um tinha sua própria razão para lutar…
e, de certa forma, a razão de V não era tão diferente da de Frey.
O chamado herói dos Ultras fora uma vez um órfão…
exatamente como Snow Lionheart.
Nunca soube quem eram seus pais,
ou sua origem.
A primeira coisa que lembrou
foi acordar dentro de um orfanato.
Aquele orfanato pertencia ao Lord Gavid Lindman,
que criava crianças desde bebês
para transformá-las em armas de guerra para os Ultras.
E entre todas aquelas crianças,
V tinha sido a mais talentosa.
Ele era um prodígio…
seu talento brilhava mais do que todos os outros.
Mas seu defeito…
era a ausência de vontade.
V nunca gostou de batalha.
Nunca quis guerra, sangue ou dor.
Tudo o que desejava
era uma vida tranquila, pacífica…
longe do caos.
Mas isso era algo que Gavid Lindman nunca poderia permitir.
E assim, o homem criou uma razão para ele lutar…
uma razão movida pela crueldade.
Ele usou os outros órfãos…
as crianças com quem V cresceu,
sua única família…
como ferramentas…
como uma vantagem.
Enquanto Frey e V duelavam no coração da batalha, Gavid Lindman também estava lá.
Até agora, ele mantinha as almas das pessoas que V mais amava…
aquelas que estiveram ligadas a ele desde criança.
V nunca teve escolha senão lutar.
"Que pena…" murmurou Frey, aumentando o fluxo de aura pelo corpo.
"Para ser honesto, não tenho interesse em salvar as vidas dos Ultras.
Não hesitaria nem por um segundo em matar quem quer que cruze meu caminho.
Mas mesmo assim… é um desperdício.
Um talento como o seu não deveria ser desperdiçado assim."
Um sorriso frio se espalhou pelo rosto de Frey.
"Antes de acabar com você… quero testar os limites da sua imitação."
Ao terminar suas palavras, uma aura escura e desconhecida começou a girar ao redor da Espada Sombria…
uma aura diferente do usual brilho violeta de Frey.
Era mais pesada, mais fria e infinitamente mais opressiva.
V tremeu ao sentir seu peso.
"Isto… é a Aura do Buraco Negro," disse Frey suavemente.
"Uma aura diferente de qualquer outra neste mundo."
A Aura do Buraco Negro era a arma mais devastadora de Frey…
uma força catastrófica capaz de apagar tudo que estiver na sua frente.
Porém, tinha uma grande desvantagem:
consumia energia de forma monstruosa,
e fazia Frey esgotar sua energia muito mais rápido do que com sua aura normal.
Mesmo assim, ele optou por revelá-la a V.
No instante em que o fez, uma ginga de corte negro como a noite rasgou o ar,
destroçando a própria estrutura do espaço.
O golpe foi colossal.
V mal teve tempo de levantar ambas as espadas para bloquear,
mas a Aura do Buraco Negro consumiu tudo…
e uma ferida profunda e horrenda se abriu em seu peito.
Mal conseguindo manter-se de pé, V recuou cambaleando, ofegante.
"Isso… foi só um vislumbre," disse Frey, aproximando-se lentamente.
"Se eu tivesse liberado tudo,
você nem estaria de pé agora."
Seu tom era calmo, quase casual…
como se aquilo não fosse uma batalha de vida ou morte.
Enquanto isso, V estava de joelhos, tossindo sangue,
com a respiração fraca e entrecortada.
Ele não conseguia mais ouvir as palavras de Frey…
apenas o rugido ensurdecedor da guerra ao redor deles
e o zumbido agudo que enchia seus ouvidos.