
Capítulo 659
O Ponto de Vista do Vilão
Em um lugar escondido, mergulhado no cheiro de sangue...
Uma câmara que não continha nada além de máquinas e instrumentos de tormento...
Snow Lionheart ainda pendurava ali, nu e amarrado, enquanto aquela louca, Evelyn, brincava com ele.
Após um beijo sádico que terminou com Snow arrancando uma grande parte dos lábios e da boca de Evelyn, a Rainha de Sangue retribuiu — e começou a brincar de verdade.
Devagar, ela testava a resistência e a tolerância à dor de Snow: arrancando sua pele aos poucos, desollando-o vivo, enquanto manipulava seu sangue para impedir que ele invocasse qualquer poder.
A dor era insana. E quanto mais sangue de Snow escorria, mais profundo se tornava o sorriso de Evelyn.
"Sempre achei que você fosse o herói valente, destemido — o homem perfeito, sem defeitos."
A respiração úmida de sua faca ensanguentada acompanha cada palavra de Evelyn, que já havia consertado tudo o que Snow havia lhe feito.
"Mas você fez algo selvagem, inadequado para um 'herói'. Acho que até mesmo o seu tipo é capaz disso."
Um herói nobre, 'grande', devorando carne humana, agindo como um demônio... até Evelyn, mergulhada em sangue e tortura, achava aquilo estranhamente surreal.
Snow suportou a dor e conseguiu um sorriso. "Acredite em mim... você ainda não viu nada."
"Que adorável. Você ainda fala tão livremente, apesar do que estou fazendo com você."
Seu esforço era assustador — menos do que o de Frey Starlight, mas ainda assim superior ao de qualquer outra pessoa. Aos poucos, uma força dourada estranha começava a penetrar nele, reparando a carne sempre que os ferimentos se aprofundavam.
"Estou suprimindo seu poder, e mesmo assim essa aura sagrada age por si só, mesmo sem minha vontade... fascinante."
Aquela aura dourada e sagrada era peculiar... curando automaticamente o corpo de Snow toda vez que ele sangrava. Conferia-lhe algo semelhante à monstruosa regeneração de Frey Starlight, permitindo que se recuperasse de quase qualquer ferimento instantaneamente.
Mas aquilo só encantava Evelyn; significava que ela poderia brincar por muito tempo.
Enquanto torturava Snow, ele começava a se acostumar à dor. Seus olhos ficavam mais calmos, suficientemente firmes para falar sem dificuldades.
"Pode parecer estranho perguntar assim, neste estado, mas eu realmente quero saber... por que você está fazendo isso?"
Ele fixou o olhar em Evelyn.
Ela era deslumbrantemente bonita... ele admitiria isso facilmente. Uma beleza diferente da de Seris e Auriel: um charme misterioso, gentil até, capaz de despertar a curiosidade de qualquer homem.
Mas aquelas mãos finas estavam encharcadas de sangue há tempo demais para qualquer volta.
À medida que sua visão se ajustava à escuridão, Snow notou os outros "brinquedos" de Evelyn:
Dezenas... não, centenas de humanos mutilados.
Ela tinha seccionado os membros das vítimas e os graftado uns aos outros. Um homem com três braços aqui, uma perna extra ali... até órgãos genitais a mais. Algumas foram fundidas às vítimas femininas dela.
A loucura daquele lugar enojava Snow Lionheart.
E a resposta de Evelyn o deixou confuso.
"Por que faço isso? Que pergunta boba," ela disse, balançando a cabeça como se tivesse ouvido alguma coisa absurda. "Para expressar meu amor, é claro! Que outro motivo poderia haver?"
Seus feitos eram doentes; sua resposta, ainda mais doente.
"Amor?"
"Mhm~"
Entoando enquanto arrancava mais uma lasca de pele, Evelyn saboreava o cheiro de sangue e carne crua. "Não há melhor forma de demonstrar amor do que pela dor."
Ela cravou suas garras nele. "Afinal, dor é o único tipo de amor que já conheci na minha vida. É justo compartilhar um pouco com os outros, não acha?"
Aquelas últimas palavras fizeram Snow acreditar que ela era profundamente instável... perigosa não só para o Império, mas também para os Ultras. Por isso era um Hollow, e por isso seu poder pessoal se elevava na guerra... onde o sangue era derramado livremente. Se Evelyn lutasse numa batalha banhada em sangue, sua produção poderia superar seu posto e chegar a SS+.
"Dor nunca foi uma forma de amor," Snow disse, os olhos vagueando para as outras vítimas. "É uma manifestação de miséria e sofrimento. Se essas formas representam o 'amor' que você fala, ninguém neste mundo mais desejará amor algum."
O sorriso de Evelyn se aprofundou. Ela fincou a lâmina mais fundo nele, provocando um gemido baixo.
"Bem... vocês dizem isso no começo. É divertido. Mas logo começam a implorar, e aí se tornam entediantes."
Quantas vezes ela tinha feito isso? Quantas vezes cruzou todos os limites humanos em nome do amor? Snow não sabia, mas o número certamente era grande.
Ele não conseguiu deixar de pensar no que a tinha transformado assim. Ela dizia que a dor era o único amor que conhecia... o que exatamente aconteceu com ela?
Seja qual for a resposta, Snow tinha certeza de que Evelyn tinha ultrapassado qualquer limite há muito tempo. Nenhum passado, por mais cruel que fosse, poderia justificar o que ela se tornou.
Os homens que ela capturava eram mutilados: os feios, castrados de cara; os bonitos, levados de tempos em tempos para saciar seus desejos... Snow, para melhor ou pior, fazia parte desse último grupo.
Quanto às mulheres, seu destino era sombrio: Evelyn as odiava, matando-as rapidamente — após tormentos prolongados.
Ciente de tudo que havia feito, Snow Lionheart sabia que poderia matá-la sem sentir nada.
Horas passaram lentamente. A tortura continuou.
Snow suportava a dor com uma firmeza assustadora, parecida com a de Frey... e isso só deixava Evelyn mais feliz. Alguém finalmente suportava seu "amor" sem quebrar, o que significava que ela podia criar ainda mais coisas macabras.
"Você é realmente incrível, Snow Lionheart. Sua resistência é impressionante... você pode ser exatamente aquele que tenho procurado todos esses anos!"
Ela dizia isso enquanto concluía mais uma sessão.
Snow estava encharcado de sangue; não havia um pedaço que ela não tivesse marcado. Mesmo assim, seus olhos dourados continuavam ardendo com a mesma intensidade.
"Desculpe... você não é o meu tipo. Sugiro que procure alguém mais," ele disse, seco, mesmo naquele estado.
"Você é cruel. Não importa o que eu esteja fazendo, eu tenho, pelo menos, confiança em como me apresento." Fazendo uma pose provocante, ela se aproximou. "Não adianta mentir... você me acha atraente, não acha?"
"É difícil chamar uma lunática que gosta de desflorar pessoas de 'atraente'." Snow cuspiu sangue nela.
O sangue parou no ar antes de tocá-la.
"É porque você não entende o que é o amor. Eu te farei entender, no final."
"E o que te garante que isso vai durar?" Snow perguntou... falando mais do que costuma fazer.
Evelyn percebeu, mas resolveu brincar com ele mesmo assim. "Você acha que vai escapar? Desculpe... isso é impossível."
Ela caminhou por seu teatro de tormento.
"Este lugar é completamente secreto. Ninguém sabe que existe, além de mim, então seus amigos não vão te encontrar. E você não vai se libertar de mim... Eu controlo cada gota de sangue no seu corpo. Ou seja…"
"Você não vai a lugar algum."
Snow respirou fundo enquanto a aura sagrada silenciosamente se preparava para consertá-lo novamente.
"E quanto à guerra? Os Ultras não precisam do Hollow deles?"
Ela deu de ombros. "Quem se importa com eles ou com essa guerra idiota? Já consegui o que queria. Não tenho motivo para voltar."
"Entendo…"
O sorriso de Snow se intensificou. "Você sabe que vai perder, não sabe? Sua única esperança são os demônios. Os Ultras sozinhos já não são mais suficientes."
Ele pressionou a lâmina. "Mesmo sem mim, só a Frey já é mais do que suficiente para lidar com você."