O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 644

O Ponto de Vista do Vilão

Frey tentou perfurar a guarda de Zibar repetidamente, e mais uma vez encontrou uma defesa de ferro que desviava tudo.

Rangeu os dentes e abriu suas espadas como enormes asas negras.

Auras sombrias uivavam ao redor de ambas as lâminas — então ele marcou um signo em Zibar.

"Mil Passos da Sombra: Estilo Luz Estelar de Frey—"

Se esgotando até a última gota, Frey colocou uma calamidade em movimento.

"Julgamento Sem Nome!!!"

Dois Julgamentos Sem Nome... um vindo da Irmã das Trevas, o outro de Balerion. Dois cortes gêmeos colossais que ocultaram o céu, cruzando-se em um X violeta que rasgou o ar em direção a Zibar.

Ele observou a cruz que se aproximava... enorme, violenta; um poder que, fortalecido pela Ascensão Sombria, realmente o ameaçava.

Ele não desviou. Abriu a boca para enfrentá-la.

De fundo na garganta, surgiu um poder estranho... cinza, envolto em faíscas semelhantes a relâmpagos. Sem aviso, Zibar exalou essa energia como um feixe devorador que partiu os céus e atingiu o Julgamento Sem Nome.

A colisão veio de outro mundo. A cruz violeta perfurou a respiração cinza retumbante... mais fundo, mais fundo, até a batalha se transformar numa disputa de força.

Por detrás de sua técnica, Frey olhava através de uma visão ao mesmo tempo sublime e aterradora: a aura cinza de Zibar se desintegrando ao redor dos braços do Julgamento Sem Nome. Seu corte era realmente devastador... tão profundo que até mesmo a respiração de Zibar não conseguiu pará-lo completamente.

Então, após uma luta excruciante, tudo explodiu... o poder de Zibar e o de Frey — como uma dúzia de sóis nucleares florescendo ao mesmo tempo.

Silêncio, depois tempestade. Alguns segundos depois, Frey cambaleou para fora da poeira, arfando, com os olhos fixos na frente para avaliar seu adversário.

Ele teve sua resposta rapidamente.

Zibar saiu ileso da explosão, rindo atravessando a fumaça.

"Você ficou mais forte desde nossa última luta. Vou te reconhecer isso."

Ele permanecia inteiro, salvo por um corte duplo no peito em forma de cruz. Era profundo; sangue negro escorria lentamente. Mas feridas dessas não significavam muito para demônios com aquela vitalidade... especialmente um dos Dez.

Ele soltou o manto preto, revelando seu corpo completo, entrelaçado. Seus punhos se inflamaram mais uma vez.

"Vamos em frente."

Ele dizia de modo simples... e avançou em direção a Frey.

Por um instante, Frey congelou, tentando assimilar tudo.

Ele pegou o ataque de Zibar uma fração de segundo atrasado... e pagou caro por isso.

Frey foi lançado para trás, com Zibar cortando o rastro atrás dele a uma velocidade aterradora.

"Vamos lá, Luz Estelar! Mostre mais!!!"

O punho de um Demônio Supremo de grau dez era pesado.

Muito pesado.

Mais pesado do que tudo que Frey já havia enfrentado.

Um poder louco, esmagador... e com ele veio uma sensação que ele não sentia há muito tempo.

Desespero.

E isso era apenas um clone.

Um clone que tinha metade da força do mais fraco entre os Dez Demônios Supremos.

Mesmo assim, a diferença era absurda.

"Hahaha! Hahahahaha!!!"

Enquanto Zibar ria, o mundo de Frey girava.

Ele lutou como um louco, com tudo que tinha — mas, além daquela ferida que ele havia feito antes, parecia que nunca mais tocaria Zibar.

"Mostre mais!!!"

EXPLOSÃO!!!

"Mostre sua força! Mostre seu sangue!!!"

Por trás das risadas de Zibar, seus uivos e o eco da destruição, Frey sentiu sua cabeça ferver.

O fim estava próximo…

— Ponto de vista de Frey Starlight —

Quem diria… como tudo chegou a esse ponto?

Não faz muito tempo, eu estava sentado perto de uma fogueira, calmo, só pensando no Simon Manus.

Relaxado. Ingênuo.

Achava que tinha mais tempo.

Pensava em ir devagar — construir minha força passo a passo.

Realmente acreditava que a batalha que eu temia ainda distava muito.

A realidade me atingiu de forma cruel.

E aqui estou, enfrentando Zibar, que apareceu do nada…

Ele é forte. D+.

Não importa o que eu jogue contra ele, não importa como eu corte, ele resiste a tudo e devolve algo pior.

"Tenho que lutar…"

Virei minhas lâminas com toda força, me forçando a seguir em frente.

"Não posso cair aqui. Tenho que lutar!!!" gritei, e Zibar respondeu, ainda mais duro:

"Então faz isso!!"

EXPLOSÃO!!!

Ele me massacrou como ninguém até então. Tentei aguentar até o último instante…

Mas minha consciência escorregava a cada golpe.

Só minha regeneração monstruosa me mantinha na batalha, e mesmo assim mal conseguia arranhar ele.

Ele me destruiu repetidamente.

Em segundos, tudo pesou sobre mim.

Vi seu punho crescendo na minha visão.

Senti seu poder e compreendi a distância entre nós.

Mas tinha que lutar.

Tenho que. Sou o mais forte entre os humanos.

Não há ninguém aqui mais forte que eu. Se eu cair… quem vai lutar no meu lugar?

Quem sobrevive a esse monstro?

Sou o único capaz, então…

"Tenho que lutar!!!!!!"

CORTE!!!

Num piscar de olhos, Zibar pensou que tinha perfurado comigo... só para perceber que seu punho atingiu a imagem residual que eu tinha deixado para trás.

No mesmo instante, dezenas de cicatrizes violetas surgiram por todo o corpo dele… minha lâmina já tinha passado.

Ele se virou procurando por mim nas costas.

Minha aura fervia. Minha respiração queimava violetamente.

Meus olhos perderam tudo, exceto aquela luz, transformando-se em ametistas gêmeas brilhando incansavelmente.

Eu não sabia o que estava acontecendo comigo. Só tinha uma certeza:

Não posso cair, não importa o quê.

Então, enfrentei-o novamente. E de novo. E de novo.

Minha velocidade e força aumentaram ao limite; eu atingia meu máximo.

Minha regeneração nunca parava; cada parte vital que ele destruía, destruía de novo uma dúzia de vezes, e elas cresciam de volta cada vez.

E minha lâmina… finalmente começou a acertar.

As feridas eram superficiais... patéticas até.

Mas elas pegavam.

Consigo feri-lo. Isso já basta para seguir em frente.

Mesmo que ele me destrua mil vezes, eu me levantarei novamente. Irei regenerar quantas vezes for preciso, então…

"Não vou cair!!!"

A batalha virou uma guerra de desgaste, um borrão de jogadas impossíveis.

Passaram segundos, depois minutos.

O impasse persistiu.

E, pela primeira vez, vi uma expressão diferente no rosto de Zibar. O sorriso horrendo havia sumido, dando lugar a uma máscara vazia e olhos mortos.

Eu conhecia bem essa expressão.

tédio… e decepção.

Era isso que Zibar sentia — e, do nada…

Seu punho atravessou, criando um crater na minha peito antes de me arremessar para longe.

Escorrei sangue enquanto minha aura se enrolava violentamente ao redor da ferida, tentando fechá-la.

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