
Capítulo 552
O Ponto de Vista do Vilão
Esses cinco tinham a maior prioridade de execução.
Qualquer um que conivisse com eles ou ousasse protegê-los seria considerado cúmplice e punido sem piedade…
Especialmente o Número 1 e o Número 5.
O primeiro era um monstro que nunca deveria crescer mais forte.
O quinto — um humano que se transformou em um demônio vil.
Sua simples existência era uma afronta ao Senhor da Luz, e, por isso, precisava ser exterminada.
Os dias passavam, um após o outro, e a tensão no ar só aumentava.
De tão pesada, as lideranças relocaram todos os membros da Casa Estrela-Luz e da Casa Valerion presentes na linha de frente, mantendo-os separados do restante.
Com suas famílias e entes queridos mantidos como reféns pelas forças da Igreja, nada garantía que eles não se voltariam contra seus próprios companheiros a qualquer momento.
Entre eles — escondido dentro de uma certa tenda montada à beira do acampamento — estava Frey Estrela-Luz.
Ele havia recuperado a consciência há algum tempo e agora encarava a lista expedida pela Igreja.
"Quatro da Casa Valerion… e apenas um da Casa Estrela-Luz. Parece que sou o único a honrar o nome da minha família," comentou Frey, cercado por muitos rostos conhecidos.
"Faz só alguns dias que emitiram esse decreto, mas a tensão entre os soldados já está sufocando," disse Oliver Khan, do outro lado da mesa.
"E quanto aos Ultras?" perguntou Frey. Snow foi quem respondeu.
"Estão completamente calados. Parece que estão discutindo qual será o próximo movimento… do mesmo jeito que a gente."
"Vamos ter que lidar com a Igreja de uma forma ou de outra. Não podemos enfrentar os Ultras com nossas costas vulneráveis a um ataque a qualquer momento," afirmou Snow, apertando firmemente a espada Vermithor.
"A Igreja já não me leva mais a sério. Essas ordens de extermínio vieram diretamente do próprio Senhor da Luz. Minha palavra hoje não significa nada para eles — mesmo sendo o que eles chamam de mensageiro de Deus."
Por isso, ele não tinha nenhuma informação sobre o que estava acontecendo no momento.
"Vamos precisar nos reunir com os outros comandantes para decidir o próximo passo," sugeriu Oliver Khan, notando a ausência dos poderes de alta patente na reunião atual.
Sansa e Ghost estavam presentes, mas permaneciam em silêncio.
"Mas como exatamente vamos lidar com eles? Dividimos nossas forças agora e enviamos parte do exército de volta para o Império? Isso nos destruiria completamente — e duvido que os soldados lutariam quando suas famílias estão como reféns…" Snow expôs o dilema atual deles.
A resposta veio de uma fonte previsível.
"A resposta é simples, Snow Lionheart. Não vamos mandar um exército lutar contra a Igreja."
A aba da tenda foi levantada enquanto um grupo de homens de cabelo loiro entrava.
Na frente… estava o Príncipe Aegon Valerion.
"Não é isso, Frey Estrela-Luz?" As palavras dele foram dirigidas a Frey, que tinha percebido a presença do príncipe bem antes dele chegar.
"O príncipe… e Ivar e Luc Valerion," cumprimentou Oliver Khan, mas Frey o interrompeu, pulando as formalidades.
"Se você tem um plano, diga logo," disse a Aegon, que deu uma risadinha.
"Não precisa dessa sua postura. Aposto que você e eu estamos pensando na mesma coisa."
"Não se compare a mim. Não somos iguais. Veja — estou na lista de exterminação em primeiro lugar, e você está na quarta posição. Existe uma diferença de hierarquia aqui," disse Frey com uma expressão séria que surpresa alguns ao redor.
O príncipe foi o único que riu, claramente divertido.
"Você tem talento para atrair a atenção dos seus inimigos, Frey. Eu não consigo competir com você nessa área."
Ao se aproximar da mesa no centro da tenda, Aegon passou a falar sobre o que realmente importava.
"Vamos passar ao plano, então?"
Aegon Valerion chamou a atenção de todos e começou.
"Primeiro, não devemos dividir nossas forças. Essa é uma ideia burra que vai acabar matando todo mundo. Além disso, precisaremos de pelo menos três combatentes de classe SS+ — ou equivalentes — sempre por perto. Nosso inimigo principal nesta guerra ainda são os Ultras."
Ninguém contestou seu primeiro ponto, então ele foi adiante sem pausas.
"Agora… embora seja verdade que nosso maior inimigo são os Ultras, lidar com a Igreja se tornou necessário. Mas deixa eu corrigir a sua visão da situação atual — vocês estão errados ao pensar nesses idiotas que seguem o Senhor da Luz como uma 'terceira facção' nesta guerra."
Apontando para os anjos que tinham varrido o mundo anteriormente, Aegon explicou.
"Vamos lembrar — a Igreja, na sua forma normal, não é mais poderosa do que uma das grandes casas, no máximo. O que fazia parecerem uma força importante nesta guerra eram dois fatores: primeiro, os anjos que lutavam por eles; e segundo, o momento em que decidiram atacar. Esses fatores os fizeram parecer os mais fortes nesta guerra — mas isso não corresponde à verdade."
Frey exalou, levemente irritado.
"Aquilo anjos não passam de ferramentas. Armas incandescentes… como as espadas que Snow e eu empunhamos."
"Exatamente!" Aegon ficou satisfeito em ver Frey seguindo sua linha de raciocínio, destacando um ponto importante.
"Ou seja, há uma única pessoa controlando todos eles. Se ela cair, eles caem junto."
Ao dizer isso, todos começaram a entender seu significado.
"Então, tudo o que precisamos fazer é eliminar quem controla os anjos… Joseph Blatier," Snow disse, surpreso com a simplicidade da estratégia.
"Exatamente," Aegon concordou, até que Ivar Valerion interveio.
"Vocês estão meio otimistas demais? Se suas suposições estiverem corretas… não significa que Blatier não vá se esconder no lugar mais seguro que encontrar para garantir que nunca caiamos em suas mãos?"
Ouvindo o uncle, Aegon assentiu mais uma vez.
"Sim, exatamente. E o único local seguro é a ilha sagrada deles… Sicília. É lá que Nlatier planeja todas as suas ações."
Aegon apontou para o mapa, com o dedo na ilha ao sul do Império.
"Então… como exatamente vamos chegar até lá? Apenas cobrir a distância de aqui até a Ilha Sagrada levaria uma eternidade, sem falar na batalha e em derrotar Blatier e as forças dele." Snow destacou outro ponto crítico, e Aegon já tinha uma resposta.
"Bem… todo o plano agora depende do número um entre as Forças Especiais… o grande Frey Estrela-Luz!" Ele gesticulou de forma quase teatral, como se anunciasse a entrada de uma celebridade.
Com uma leveza brincalhona, Aegon passou a responsabilidade a Frey — só para o próprio Frey ficar ainda mais irritado ao perceber que sua própria ideia combinava com o plano de Aegon.
"Frey… você consegue usar teletransporte a longa distância, não é?" perguntou.
Todos entenderam imediatamente para onde aquela conversa se dirigia.
Com um suspiro, Frey respondeu.
"Para distâncias tão longas, alguém que carrega minha Marca já precisa estar no local para onde quero ir. Ou seja, para chegar na Ilha Sagrada da Sicília, preciso que alguém que atenda a esse requisito já esteja lá…"
Ele fez uma pausa de alguns segundos, e então um brilho tênue acendeu nos olhos dele.
"E esse requisito… já foi atendido."
Essa última frase surpreendeu todos na tenda.
Ele não contou sobre o Sistema de Afinidade, ao invés disso, construiu a história em torno da Marca para esconder a verdade.
Mas não foi totalmente uma mentira.
"Acima da Ilha Sagrada, há alguém em quem posso usar minha habilidade… e essa pessoa é nada mais, nada menos que a Santa — Uriel Platini — que, neste exato momento, está na Ilha Sagrada da Sicília."
"Ou seja, posso me teleportar até lá instantaneamente… e levar alguns companheiros comigo." Os lábios de Frey se curvaram numa expressão afiada, perigosa.
"Assim, podemos caçar Joseph Blatier antes mesmo dele ter a chance de nos caçar."
Neste momento, o Império finalmente encontrou uma forma de contra-atacar seu novo inimigo.