
Capítulo 537
O Ponto de Vista do Vilão
O campo de batalha havia se transformado em um caos absoluto, engolido por uma névoa densa e avassaladora.
Criaturas de pesadelo atacavam sem parar, e o lado do Império foi o único a sair perdedor nessa troca.
Enquanto soldados caíam um após o outro, como folhas ao vento, os Ultras apenas liberaram as bestas do pesadelo sobre eles. Ou seja—apesar dos mares de sangue derramados e da ferocidade do confronto—
os Ultras não perderam uma única vida na batalha mais recente.
A situação do Império era desesperadora, e o miasma dos Ghastras, fundido com o poder do Cosmos, só agravava as coisas.
A união já não era mais uma opção—todos lutavam suas batalhas desesperadas em algum lugar daquela neblina.
Dentre eles, a luta do Leão de Neve era, certamente, a mais árdua de todas. Ele foi forçado a enfrentar diretamente o Senhor dos Pesadelos, enquanto defendia-se de inúmeras aberrações.
O estilo de combate do Cosmos era diferente de tudo que ele já tinha visto—aparecia de repente, sumia na mesma velocidade, como se fosse um fantasma.
Um simples toque dele era suficiente para derreter carne humana até desaparecer, sobrando apenas osso.
Neve Lionheart sofria bastante contra esse inimigo insano. Ele liberou a transformação Rei da Guerra sem restrições, acionando todo o seu arsenal de poder elemental.
Usando descargas de relâmpagos negros em grande quantidade, Neve avançou contra o Cosmos, enviando um raio furioso em direção à besta. Mas o ataque devastador simplesmente atravessou seu corpo, que se dissipou em um borrão estranho, reaparecendo atrás dele de surpresa.
O Cosmos lunou com centenas de braços longos, semelhantes a chicotes, tentando esmagar seu corpo. Neve quase foi atingido por um golpe ao usar o Passo do Vazio—uma habilidade que lhe permitia apagar o espaço entre ele e o adversário num piscar de olhos.
Aproveitando esse ímpeto, tentou sufocar o Cosmos numa enxurrada de fogo azulado—labaredas furiosas e desenfreadas emergindo tanto de sua espada quanto de seu corpo, numa quantidade que deveria consumi-lo por completo.
Porém, mais uma vez, o ataque atravessou o corpo da criatura do pesadelo sem causar dano algum, que se dissipou como um espectro e atacou por trás.
Neve continuava a fugir na beira de um fio de cabelo, mas, por mais que tentasse, não conseguia tocar o Cosmos.
A batalha virou um jogo de pega-pega—um ciclo infinito onde os golpes mais potentes de Neve atravessavam o Cosmos, e, em contrapartida, os ataques implacáveis do Cosmos eram evitados por pouco com o Passo do Vazio.
Repetiram-se tantas vezes que ficaram presos nesse ciclo sem sentido.
Neve começava a perder a cabeça.
— Isso vai virar uma batalha de desgaste...
Engajar-se numa luta dessas nunca foi vantagem pra ele. Diferente dele—que gastava uma quantidade enorme de aura em cada demonstração de poder grandiosa—o Cosmos usava apenas seus longos membros e aquele corpo absurdo de fantasma.
— A habilidade dele... é parecida com a do Gavid Lindman, Senhor dos Ultras. Mas, ao contrário dele, não há fraquezas no Cosmos...
A Forma Fantasma era, de fato, um poder formidável, mas tinha seus defeitos. Para Gavid, se ele não visse ou percebesse o ataque, não poderia mover seu corpo para evitá-lo.
Mas, com o Cosmos, por mais rápido que Neve atingisse, por mais ângulos cegos de ataque que usasse, simplesmente não conseguia tocá-lo.
O pior é que outras criaturas de pesadelo continuavam interferindo na luta, obrigando-o a dividir a atenção em vários frentes.
— De onde estão vindo essas criaturas amaldiçoadas?!
Libertando três elementos ao mesmo tempo—fogo, relâmpago e gravidade—Neve Lionheart virou um desastre natural, destruindo tudo que se aproximasse dele de tolo. Apesar de manter a postura até ali, sua luz começava a diminuir.
Por mais que seus poderes letais e a transformação Rei da Guerra o levassem até o limite, suas reservas de aura eram modestas comparadas às de seus inimigos.
Vermithor tinha alimentado seu poder com uma energia enorme, mas nem isso seria suficiente para que lutasse para sempre.
Quanto mais prolongada fosse a batalha, mais apertada ficava a corda ao redor de Neve.
— O Cosmos não é afetado por nada que eu jogue contra ele... as criaturas do pesadelo continuam vindo dessa névoa sem fim... e não consigo detectar o que acontece dentro do seu alcance.
A força sobrenatural dentro da neblina havia completamente paralisado seus sentidos. Não tinha como saber como seus aliados estavam se saindo.
Ele estava especialmente preocupado com o Hollow, Ludwig—Ghost Umbra e vários lutadores de classe S tinham a missão de pará-lo.
Mas a névoa os tinha completamente isolados, deixando Neve às cegas em relação à luta deles. Ludwig era um combatente de classificação SS, com habilidades completamente desconhecidas—ou seja, não havia garantia de que Ghost e os outros pudessem segurá-lo.
E ainda havia a quantidade enorme de sangue derramado, os cadáveres acumulados em todas as direções devido ao ataque do pesadelo.
Pouco a pouco, sob os efeitos colaterais da forma Rei da Guerra, Neve começou a perder o equilíbrio—percebendo que todos os soldados que o seguiram até ali poderiam ser exaustamente aniquilados.
Segurando sua espada com força, ele rangeu os dentes de fúria e avançou contra o Cosmos ainda mais rápido.
— Vocês estão dizendo que ainda sou impotente para mudar alguma coisa, mesmo depois de todos esses anos?!
Envolto em Aura da Luz Estelar, Neve perseguiu o Cosmos com uma enxurrada incessante de golpes de luz.
A ferocidade do seu ataque cortou facilmente os membros do Senhor dos Pesadelos, mas ele ainda não conseguia tocar seu corpo verdadeiro. Sem saída, esforçou-se ao máximo, tentando finalmente alcançá-lo.
Criaturas de pesadelo se aproximaram para aprisioná-lo novamente, mas tudo que entrava na sua faixa de alcance se transformava em pó.
Invocando seis elementos ao mesmo tempo, Neve Lionheart forçou-se além dos seus limites.
A névoa usava sua magia sinistra, com ilusões corroendo sua mente.
A cortina de fumaça tinha ocultado o destino de todos os soldados que o seguiam cega—e agora ele começava a imaginar a cena: a névoa se levantando, revelando nada além de cadáveres, sangue e morte.
Desde o início dessa batalha, nada saiu daquela névoa além de monstros.
Nem um único humano apareceu—apenas criaturas do pesadelo, cujos números não diminuíam, mas continuavam crescendo.
— Eu sou mesmo tão fraco...?! Tão impotente que não consigo mudar nada, nem mesmo com todos os talentos e bênçãos que recebi?
Seu corpo abençoado, os talentos e habilidades avassaladoras que o colocaram acima dos demais...
Ele nasceu com dons que nenhum outro humano antes dele possuía, e ainda assim, Neve Lionheart estava miseravelmente perdendo diante de seu primeiro verdadeiro desafio.
As alucinações se intensificaram, até que passou a ver memórias antigas e enterradas ressurgindo dentro de seu coração.
Enquanto atravessava a batalha, derrubando tudo que ousasse se aproximar, de vez em quando, vislumbres de crianças correndo ao redor dele surgiam—apenas para serem consumidas por chamas que se acendiam e os destruíam uma depois da outra.
De longe, via suas silhuetas—um grupo inteiro de crianças atrás de um homem só, escondidas às suas costas, lançando sobre Neve toda a espécie de desprezo.
Especialmente aquele diretor amaldiçoado... o monstro que deixou uma cicatriz na vida de Neve.
Neve sabia bem que aquilo não passava de uma ilusão criada pelo inimigo…
Mas não conseguia conter a fúria que fervia dentro dele, pois o que enfrentava agora era nada menos do que um lembrete brutal de sua própria fraqueza.