O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 529

O Ponto de Vista do Vilão

Acima das ruínas de Yharnam, a cidade apagada da existência…

A terra tremeu. O próprio vazio estremeceu enquanto o corpo de Dragoth, o Demônio Humano, morria de agonia… sem controle e sem limites.

Seus olhos rubros tornaram-se brancos, um sinal de loucura e da perda total de si mesmo.

Sua aura cresceu de forma monstruosa, e a maneira como se portava na batalha mudou completamente.

Ele se tornara outra coisa totalmente diferente.

Na sua frente, Frey vestia a Máscara Sem Nome, preparando-se para o que estava por vir.

"Agora tudo começa."

Dragoth, o Demônio Humano…

'Dragoth não alcançou esse nível por meios normais. Existe uma razão pela qual ele só perdeu uma vez na vida…'

'Quando Dragoth é levado ao limite da derrota, algo dentro da sua mente se ativa — um gatilho, acionado apenas quando ele se sente completamente sobrecarregado pelo desespero. Quando isso acontece… ele se transforma em um outro tipo de monstro.'

O Dragoth agora frente a Frey poderia ser considerado o auge do nível SS+.

"Provavelmente, ele é o humano mais forte vivo neste planeta."

Mais forte até do que Sir Sozinho e Maekar Valerion…

Esse era o calibre do monstro que Frey Starlight estava prestes a enfrentar.

E, ainda assim, Frey se preparou completamente, pronto para liberar tudo o que tinha. Retroceder nunca foi uma opção.

"Se eu não consigo lidar com esse nível, como posso sonhar em enfrentar os monstros que espreitam nas sombras?"

Se ele perdesse para Dragoth aqui, jamais poderia desafiar seres como Zibar ou até mesmo Geppetto.

Frey sentia no fundo que — essa batalha decidiria seu destino.

"Vamos começar?" disse, escondendo o rosto atrás da máscara metálica preta.

E Dragoth… respondeu ao chamado.

Com um grito bestial de guerra, ele esmagou o chão sob seus pés e avançou contra seu inimigo, raios enrolando-se descontroladamente ao redor de seu corpo.

Com um só golpe de sua espada, Dragoth lançou um golpe massivo que rasgou Frey… e tudo o que estava atrás dele.

Embora Frey tenha conseguido bloquear, uma terrível ferida vertical se abriu ao longo de seu lado direito.

'O poder de ataque dele dobrou!'

Percebendo a grande diferença entre eles, Frey encheu seu corpo com ainda mais aura, forçando-se a acompanhar o estado berserk de Dragoth.

O Demônio Humano, sua espada envolta em raios negros, atacava implacavelmente — para cima, para a direita, para a esquerda…

Ele era extremamente rápido. Cada golpe de sua espada era capaz de obliterar o chão e tudo ao redor.

Os céus acima rugiam e relampéavam em resposta à sua loucura. Raios de eletricidade caíam sem parar… chovendo indiscriminadamente.

O ataque era tão selvagem que Dragoth nem mesmo mirava especificamente em Frey… ele destruía tudo ao seu redor.

Encurralado em um espaço apertado, Frey trocou golpes com Dragoth, rindo alto no meio do caos.

"O poder dele está afetando as próprias leis da natureza… Isso é insano."

Dragoth já não se importava mais com técnicas ou estilos de combate refinados.

Seu único objetivo era destruir tudo o que estivesse em seu caminho.

Seus instintos gritavam para eliminar a maior ameaça que estivesse perto — e essa ameaça era ninguém menos que Frey.

Frey já tinha percebido a brutalidade do poder que Dragoth agora possuía.

Lutar de frente com ele era extremamente perigoso. A jogada inteligente era atrasar, desgastá-lo e ir minando aos poucos.

Porém, Frey fez o oposto.

Ele concedeu a Dragoth uma vantagem absoluta.

"Quer brutalidade? Então vamos fazer desta uma batalha brutal!"

Seus espadas brilhavam com uma luz violeta ensurdecedora, enquanto seus músculos inchavam quase explodindo pelo excesso de aura canalizada na luta.

Ele não usou técnicas chamativas. Nem mesmo seu estilo de combate ágil habitual.

Ele simplesmente trocou golpes com Dragoth na pura selvageria, deixando a Escuridão Adaptativa agir às cegas.

Ferimentos se acumulavam em ambos, mas eles nem precisavam de um segundo para se curar… eles se regeneravam instantaneamente.

Se fosse Dragoth ou Frey, ambos possuíam corpos monstruosos que já não se pareciam com os de humanos. Corpos que se restauravam constantemente, independentemente do ferimento.

Suas mãos eram como lançadores de foguetes, continuando a lançar golpes sem se importar com a dor ou o dano.

As espadas de Frey cortavam milhares de arcos violetas no ar, enquanto os relâmpagos negros de Dragoth enchiam o campo de batalha — tanto que até o céu se curvava à sua vontade.

Era evidente — o Demônio Humano tinha a vantagem.

Em força bruta, ele superava seu adversário com folga.

Era tão rápido e selvagem que um de seus golpes destruiu metade do corpo de Frey com um único impacto.

E mesmo assim, Frey se levantou e continuou lutando como se nada tivesse acontecido.

'O corpo atual de Dragoth é o auge do SS+… uma forma aprimorada por treinamento brutal e poder demoníaco. Contra esse tipo de força, preciso entender…'

BOOOOM!!!

Apesar da dor, Frey nunca deixou de exibir aquele sorriso torto por baixo da máscara.

"Quero saber — até onde esse corpo caótico meu pode chegar."

Comparado ao tirano Dragoth, o que seu próprio corpo… formado por camadas e mais camadas de caos… poderia realmente realizar?

Nenhum elemento em seu físico era estável. Sua força bruta ficava muito abaixo do adversário. Ele só se equivalia ao acumular vantagens externas.

Uma aura estranha de ritmo SSS.

Duas espadas lendárias das quais extraía grande poder.

E uma habilidade miraculosamente capaz de se adaptar a qualquer fenômeno ao seu redor…

Uma máscara amaldiçoada…

Que carregava dentro de si conhecimentos antigos o bastante para superar o próprio universo.

Tudo isso…

Estava comprimido em um único corpo humano.

Nenhum humano deveria ser capaz de suportar algo assim —

Mas Frey conseguiu.

E, com isso…

Ele se tornou o monstro que é hoje.

Foi assim que Dragoth e Frey se destruíram mutuamente, repetidamente, sem parar.

Golpe após golpe.

Impacto após impacto.

Sangue por sangue.

O ritmo foi tão intenso que o solo abaixo deles não aguentou.

Não sobrou alternativa a não ser esquivar-se em todas as direções enquanto continuavam a se desintegrar mutuamente.

Um míssil de relâmpagos negros colidiu com um projétil escuro de sombra pura.

Seus trajetos formaram uma teia colossal…

Um casulo de destruição resplandecente, que irradiava luz ofuscante por todo o campo de batalha.

E o céu…

Escolheu Dragoth.

Envio mais e mais raios de relâmpagos para fortalecê-lo, para abençoar sua loucura.

Quem olhasse para aquele campo de batalha…

Não acreditaria no que estava vendo.

Nem a terra…

Nem o céu…

Estavam poupados.

Sangue escarlate jorrava como uma enxurrada,

e o corpo de Frey tinha sido reduzido ao caos…

Tão destruído que só seu rosto permanecia intacto, protegido unicamente pela máscara maldita.

A velocidade e força de Dragoth continuavam a subir, atingindo patamares cada vez mais altos,

concedendo-lhe vantagem completa e esmagadora.

Mas, apesar dessa vantagem…

seu oponente nunca caiu.

Frey permaneceu de pé.

Resistiu tudo o que foi lançado contra ele.

Intensificou cada onda daquela fúria violenta.

"O que há, Dragoth?! Continue!

Sei que você tem muito mais do que isso!!"

BOOOM!!

Seus espadas mais uma vez se chocaram.

Auras se rasgavam uma na outra em uma colisão selvagem, frenética.

"Mostre-me até onde alguém como você consegue realmente me levar!"

Por quanto tempo sua regeneração duraria?

Quais seriam os limites do seu corpo?

Quanto de dor ele poderia suportar antes de tudo desabar?

Essas eram as perguntas que Frey queria ter respostas…

Por meio desse conflito brutal com Dragoth.

Comentários