
Capítulo 502
O Ponto de Vista do Vilão
Ele perguntou com um sorriso suave... um que nada tinha a ver com seu rosto ensanguentado.
“N-Não… esquece. As coisas estão boas assim mesmo.”
Com mais um golpe de sua gigantesca espada, Morval lançava mais Ultras voando pelo ar.
“Mas eu fico pensando… Lorde Starlight, será mesmo sensato continuar avançando às cegas assim?”
Morval vinha lutando ao lado de Frey o tempo todo... e mal conseguia acompanhar o ritmo insano de Frey.
A maioria dos inimigos que encontravam pareciam fracos, fosse de linhagem superior ou inferior.
“Que foi? Já está chegando ao limite, Morval? Não disse que nasceu para momentos como este?”
As palavras de Frey soavam de forma sombria, especialmente quando ele cortou um inimigo ao meio de forma casual, no meio da frase.
“Pensando em fugir também?”
“De jeito nenhum~” respondeu Morval com um sorriso sádico, mostrando sua sede de sangue.
“O que quero dizer é… tenho medo de que os Ultras enviem suas forças principais logo, se continuarmos assim.”
Foram demasiado fundo — muito mais do que deveriam.
“Não ficaria surpreso se um dos comandantes deles aparecesse,” disse Morval.
Ao que Frey Starlight respondeu com calma…
“É exatamente nisso que estou apostando.”
Para acabar com o espetáculo, Frey liberou uma onda aterradora de aura sombria que engoliu as últimas tropas inimigas.
Uma onda devastadora rasgou tudo à sua frente, encerrando a batalha com um golpe brutal.
“Nesta era, a força individual é que decide o resultado das guerras. Os fortes… os monstros que lideram de cima… isso é o que realmente importa.”
Soldados comuns podiam lutar o dia todo se quisessem, mas, no final, um inimigo extremamente poderoso poderia aparecer e exterminá-los num instante.
“Por isso estou aqui. Para lidar com inimigos assim,” disse Frey, limpando o sangue do rosto.
Essa foi a sexta vitória deles em apenas oito dias.
Um número assustador, podemos dizer.
Frey tinha carregado a maior parte das batalhas sozinho até então, permitindo que os outros soldados conservassem força e resistência.
Assim, eles tinham conseguido resistir até aqui.
Enquanto Frey e Morval conversavam, uma luz verde pura envolveu seus corpos.
Um brilho de cura que apagou fadiga, ferimentos e exaustão.
Quando se viraram, viram que Uriel já tinha ativado seu poder divino, soltando um suspiro de alívio junto dos demais.
Ela tinha ficado na retaguarda com Celine, mas, desde que seguiram Frey, mesmo se posicionar atrás dos combatentes principais não as poupou de acabar no meio do inimigo.
“Obrigada, Saintess Uriel. Sua presença é realmente uma benção.”
Perto de Uriel e Celine, a bruxa Zenith apareceu com seu sorriso torto habitual. Ela parecia completamente diferente da feiticeira aterrorizante que acabara de bombardear o campo com raios momentos antes.
Uriel não respondeu... ainda focada em curar os feridos… mas Zenith parecia nem um pouco incomodada.
“Então, qual é o próximo movimento, Frey?”
Das sombras surgiu Ghost Umbra.
O assassino que já tinha causado inúmeros desastres ao inimigo.
“Chegamos longe demais. Se avançarmos mais… chegaremos ao ponto sem retorno.”
Embora tivessem avançado profundamente, recuar ainda era uma opção… por enquanto.
Mas, assim que cruzassem uma certa linha, ficariam presos, cercados por forças inimigas de ambos os lados.
Frey assentiu. Já tinha considerado essa possibilidade.
“Vamos parar aqui por hoje à noite e decidir como seguir daqui pra frente.”
Ao ouvir isso, Ghost estreitou os olhos.
A resposta vaga de Frey deixava claro... ele não tinha intenção de parar.
A avaliação de Ghost, anteriormente, havia sido certa e errada ao mesmo tempo.
Se fossem cercados, muitos morreriam. Mas os fortes… aqueles com verdadeira poder, ainda poderiam sobreviver e escapar.
Quanto aos fracos… seu destino já estava selado.
Frey parecia pronto para sacrificá-los sem hesitação. Foi isso que Ghost entendeu ao observá-lo nesses dias.
Depois, havia aquele grupo estranho que ele tinha reunido.
Exceto Celine, todos eram monstros — bestas dispostas a seguir Frey até o fim.
Não importava como olhasse, aquilo era um pelotão de morte.
Sansa também parecia completamente impassível. Enquanto Frey insistisse em seguir em frente, ela apoiaria sem questionar.
Ou melhor… parecia gostar de cada segundo disso.
Uma demônio como ela prosperava na desesperança, na morte e na destruição.
Os únicos que não pensavam com uma lógica tão distorcida eram os soldados comuns… e alguns indivíduos selecionados.
Uriel Platini e Celine estavam entre eles.
Elas ficavam em silêncio, olhando para os cadáveres e sangue ao redor.
Celine foi a primeira a falar.
“Lorde Starlight… desculpe minha ousadia, mas… realmente é necessário ir tão longe assim?”
Uma carnificina impiedosa. Uma matança inexorável.
Desde o começo, Frey deixou bem claro.
Sem misericórdia. Não poupamos ninguém.
Era isso que ele tinha explicado no início da invasão.
E seguiu dizendo cada palavra.
Ele não demonstrou misericórdia, nem mesmo com os que se entregaram.
“Sei que os Ultras são o lado do mal aqui… seguidores de demônios que merecem a morte… mas não consigo deixar de pensar se esse é realmente o caminho certo.”
Celine hesitou, enquanto Ghost a olhava com seus olhos mortos.
Ela dizia o que muitos também estavam pensando.
E a resposta de Frey veio imediatamente ao se aproximar, ainda coberto pelo sangue daqueles que havia matado.
“Seu nome é Celine, né?”
Ele perguntou com suavidade, fazendo ela assinar com nervosismo.
“Muito bem, Celine… então permita-me corrigir algumas percepções incorretas na sua última pergunta.”
Observando os cadáveres dos Ultras, ele falou:
“Aqui não existe bem ou mal. Você também, parece, está cega pelas histórias que eles alimentam dentro das muralhas do Império.”
“Huh?”
Celine ficou confusa, mas Frey teve a gentileza de explicar.
“Você realmente acha que todo mundo que enfrentamos até agora eram monstros do mal que mereciam morrer? Desculpe decepcioná-la… mas a maioria eram pessoas comuns. Algumas talvez tenham vivido de forma mais justa que a gente.”
Verdade, os Ultras eram seguidores de demônios… mas a maioria deles eram apenas vítimas, forçadas a esse destino.
Muitos eram simplesmente humanos nascidos com sangue demoníaco nas veias.
“Não existe bem ou mal aqui. O que está diante de vocês são inimigos.
Inimigos que vocês devem eliminar. Isso é tudo.”
Se fossem justos ou corruptos, criminosos ou bondosos…
Não fazia diferença.
“Enquanto estiverem do outro lado do campo de batalha, é o que importa. Eles não hesitarão… e nós também não.”
Essa era a dura realidade em que viviam, uma realidade que Frey aceitara há tempos.
“É melhor acostumar-se. Ainda é só o começo.”
Com isso, Frey pôs fim à conversa, deixando Celine numa confusão silenciosa.
Diferente dela, os outros não pareciam nem um pouco surpresos.
Naquele instante, ela percebeu…
Ela vinha passando seus dias entre monstros.