
Capítulo 508
O Ponto de Vista do Vilão
"Ah… isso quer dizer que hoje também vou matar bastante."
Foi uma batalha brutal.
De propósito, fui atrás dos oponentes mais fortes, deixando os mais fracos para meus companheiros.
Assim, Ghost e Uriel não correriam perigo de verdade... eles eram fortes o suficiente para lidar com o resto.
No caso da Sansa, ela era uma monstra em igualdade comigo, então não tinha motivo algum para me preocupar com ela.
Com o campo de batalha preparado, pude lutar livremente—ignorando intencionalmente os outros soldados.
Qualquer emoção inconveniente que ameaçasse surgir por causa deles, eu os afogava no sangue.
Minha espada era rápida demais, meus golpes pesados e devastadores demais para os inimigos conseguirem impedir.
Por mais que tentassem me cercar, eles não conseguiam me parar.
Às vezes, suas lâminas e lanças me encontravam.
Não sou invencível. Levar dano era inevitável, mesmo que meus oponentes fossem muito mais fracos.
Mas as feridas que eles causavam... após todos os seus esforços desesperados... cicatrizavam quase instantaneamente.
A luta deles era inútil.
Vi o desespero tomar conta de seus rostos por causa disso.
Mas esqueço as expressões deles tão rapidamente quanto passo por cima dos cadáveres.
Encharcado de sangue, muitas vezes eu sentia náusea.
Como se estivesse prestes a perder a consciência...
Às vezes, parecia que eu estava sonhando.
E quando finalmente acordava daquele sonho, a batalha já tinha acabado.
Enxaguando a sujeira e o sangue do rosto, eu virava para verificar meus companheiros... só para descobrir que o sol já tinha se posto no horizonte, e atrás de mim não restava nada além de corpos e membros cortados.
Hoje também… perdemos muitos.
Enterrar virou um transtorno. Nosso número tinha diminuído tanto que não precisávamos mais enterrar tanta gente.
A morte já tinha reclamado a maior parte de nós.
"Descansem esta noite. Mas não baixem a guarda… a próxima batalha pode começar a qualquer momento."
Depois de dar essa ordem vazia, eu partia, deixando o restante para trás.
Então, como nas noites anteriores, meu corpo começava a absorver aquela estranha energia que rastejava sob minha pele.
Sansa frequentemente vinha até mim. Ela percebera o que eu estava passando.
Mas nunca dizia uma palavra.
Às vezes, ela me abraçava por trás, me segurando por horas.
Outras vezes, apenas ficava ao meu lado, esperando minha dor passar...
Ainda não conseguia matar completamente minhas emoções, e isso dificultava encontrar força para continuar.
Mas nunca se tratava do que eu amava ou odiava.
Era sobre o que eu tinha que fazer.
As horas passavam rapidamente, trazendo um novo dia.
…
…
…
— Dia Dezessete —
Mais uma vez, os Ultras atacaram.
De acordo com os relatórios que recebemos até agora, várias escaramuças tinham acontecido ao longo da linha de frente entre os dois lados.
Isso me fez perguntar... como os Ultras conseguiram reunir todas essas forças e direcioná-las exatamente para cá, especificamente ao meu local?
A campanha que eles começaram hoje foi a maior até agora.
De pé na linha de frente, observei a maré avassaladora de inimigos se aproximando—inimigos cujo grito de guerra balançava os céus...
Na frente de suas legiões intermináveis, empunhei minhas espadas e dei o primeiro passo… como sempre.
"Fica perto de mim."
Ordenei enquanto puxava aquela máscara preta de dentro da roupa.
Usando-a, escondendo meu rosto por trás de sua superfície fria…
Depois, coloquei o pé no chão, quebrando-o sob meus pés, e lancei-me na direção do inimigo.
Mais uma vez, mergulhei naquele ciclo infinito de morte e sangue.
Pelos buracos para os olhos da máscara Nome Sem Nome, parecia que eu via o mundo de uma perspectiva diferente...
Por trás daquele pedaço de metal preto, senti uma paz estranha. Todos os pensamentos desnecessários desapareciam no instante em que a colocava.
Por isso, passei a preferir lutar usando ela.
Ela me confortava… e aterrorizava meus inimigos, que morriam às mãos de um monstro cujo rosto eles nem sequer chegavam a ver.
A batalha durou horas, e, como esperado… foi brutal.
Quando finalmente matei o último soldado, levantei a cabeça em direção ao céu… só para perceber que ele já estava completamente engolido pela escuridão.
Escureceu.
Senti um calor insuportável irradiando de cada músculo do meu corpo… o fogo e a fadiga nascidos da luta sem parar, de cortar e rasgar incessantemente.
Ao tirar a máscara do rosto, uma nuvem quente de vapor escapou dos meus lábios ao expirar, e eu me virei para ver o que tinha ficado atrás de mim.
O número de cadáveres era maior do que nunca.
Quanto aos sobreviventes… eram menos do que eu esperava.
A voz da Sansa me trouxe de volta à realidade.
"Frey… todos os soldados estão mortos. Restam apenas oito… além de você, eu, Ghost e Uriel."
Ah… então todos morram afinal.
"Vamos enterrar os mortos e nos preparar para a próxima batalha."
Mais uma vez, dei a ordem e ajudei nos sepultamentos dos nossos camaradas caídos…
Aqueles azarados que foram arrastados por esse caminho de morte que eu escolhi.
Quando enfim terminou a árdua tarefa de enterrá-los… depois de ter que encarar as expressões vazias dos soldados mortos…
Alguns tinham perdido a cabeça. Outros tinham os membros destruídos.
Alguns foram queimados vivos por ataques de fogo aleatórios...
E todos morreram com o medo e o desespero marcados em seus rostos.
Certamente tentaram me seguir até o campo de batalha, na esperança de que eu os salvasse.
Mas meu foco estava totalmente fixado nos inimigos à frente, alheio a tudo que acontecia atrás de mim.
Afinal, os Ultras tinham enviado muitos dos seus guerreiros mais fortes. Lidar com esses monstros tinha sido minha prioridade.
Como resultado, não tive tempo de salvar ninguém.
Esses homens morreram por minha causa.
Isso é um fato que não posso negar.
De pé diante dos túmulos… não havia muito o que dizer.
Então, simplesmente, me afastei.
No caminho para fora, notei as paredes e montanhas bizarras sendo construídas a partir dos corpos inimigos…
Morval e Grim eram os que recolhiam os corpos e construíam várias coisas com eles.
De alguma forma, eles tinham se tornado amigos próximos sem que eu percebesse.
Graças a eles, nosso acampamento se tornara um lugar que despertava medo no coração de qualquer um que ousasse se aproximar.
Muros feitos de membros cortados. Montanhas de cadáveres na casa das milhares.
Com certeza, não era uma visão agradável.
Mas eu não me importava. Na verdade, eu até gostava.
Talvez agora… os Ultras começassem a enviar seus verdadeiros elites.
E, então, a guerra de verdade começaria.