O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 440

O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 440: A Quarta Assento Desperta (2)

“Quando tentei eliminar aquelesServidores inúteis, ele apareceu diante de mim, me impedindo de avançar.

Não há dúvida de que foi ele.

Esse nível de manipulação de ondas só alguém do calibre dele poderia fazer.”

Beatrice ainda lembrava de cada momento daquele encontro, quando quase matou Gavid Lindman e Mergo.

Justo quando ela ia atacar,

o tempo congelou ao redor dela, a realidade virou de cabeça para baixo e uma força enorme a pressionou, deixando-a incapaz de se mover.

Ao ouvir isso, Draxler acenou com a cabeça.

“Hellmond está completamente em caos agora.

O Grande Rei, Agaroth, e o Primeiro Assento, a Vermelha Lua Carmesim, estão em dormência há bastante tempo e se afastaram do campo de batalha.”

“Quanto ao Segundo Assento, Agares,

ele desapareceu após ser derrotado por um dos Sete Poderes Supreme.”

O que deixa o Rei das Sombras, Vayne, como o demônio mais forte ativo entre os assentos superiores.”

Draxler fez uma pausa por um momento, reunindo seus pensamentos antes de continuar.

“Vayne sempre foi um demônio estranho e recluso, que segue apenas seus próprios caprichos.

Ela não tem interesse algum em liderança, deixando o Quarto Assento, Wesker, e o Quinto, Marvas, comandarem os demônios superiores.”

Desde que os três primeiros retiraram-se do comando por várias razões,

os demônios superiores dividiram-se em duas facções:

Uma liderada pelo Quarto Assento, Wesker... a Facção Negra, que incluía demônios como Beatrice e Astaroth.

Outra seguia o Quinto Assento, Marvas—a Facção Vermelha.

Embora fizessem parte da mesma hierarquia, as duas forças estavam constantemente em conflito, seus relacionamentos entrelaçados e tensos.

Wesker era astuto e calculista,

frequentemente tramando nos bastidores.

Marvas, por outro lado, era o mais antigo entre os 72 demônios superiores, um general de guerra experiente e com vasta sabedoria.

A luta entre essas duas forças tinha intensificado ao longo dos anos, especialmente depois que os altos escalões os ignoraram completamente,

deixando-os livres para travar suas próprias guerras.

A disputa pelo poder era equilibrada,

até que recentemente a Facção Vermelha ganhou vantagem após o desaparecimento súbito do líder da Facção Negra—Wesker.

Esse desaparecimento levou os seguidores de Wesker a procurá-lo, e sua busca acabou levando-os até a Terra...

o último lugar onde Wesker foi visto.

Ao perceber isso, Draxler olhou fixamente para as costas de Beatrice, incapaz de acreditar no que estavam prestes a encarar.

“O Senhor Wesker está realmente neste lugar?”

perguntou, mas antes que pudesse dizer mais, sua boca sumiu sem aviso.

Beatrice virou-se para ele, segurando seu cajado mágico na mão.

“Você fala demais, Draxler.

É melhor se controlar, antes que minha mão escorregue ainda mais.”

Com esse tom ameaçador,

Draxler percebeu que sua boca desaparecida era obra de Beatrice.

Sem alternativa, teve que se submeter, entendendo que havia ultrapassado os limites.

No entanto, Beatrice tinha plena convicção de suas ações.

Ela passou muito tempo planejando o Jogo da Feiticeira, tudo por um objetivo maior:

Chamar a atenção de Wesker.

Seu desaparecimento não foi aleatório...

Beatrice o conhecia bem.

Essa não era a primeira vez que ele fazia algo assim.

O Olho do Rei nunca se move sem um motivo.

Cada passo era calculado,

e seu desaparecimento repentino só podia significar uma coisa:

Ele estava se preparando para algo enorme.

Beatrice sempre foi fascinada pelos esquemas intricados que Wesker tecia nas sombras.

O Jogo da Feiticeira nada mais era do que uma imitação barata dos grandiosos planos do seu mestre supremo.

Por isso, ela queria estar na primeira fila para assistir ao espetáculo que a Quarta Assento estava prestes a mostrar.

Ela tinha certeza de que seria espetacular.

Quanto a Marvas e à Facção Vermelha?

Ela não se preocupava com eles nem um pouco.

Quando tudo acabar,

Wesker os resolveria facilmente.

Ela tinha certeza disso.

Nali, naquele momento,

Benatrice só se importava com uma coisa...

Encontrá-lo.

E foi por isso que ela veio até aqui.

“Ele me trouxe aqui mesmo.”

Foi durante a batalha final contra os estudantes da Classe Elite.

Naquela época, Beatrice sentiu uma corrente sutil guiando-a para algum lugar distante.

Por isso, ela nunca ativou sua armadilha mágica final, aquela que teria destruído Frey e seus companheiros.

Uma feiticeira como ela já tinha previsto que Frey poderia romper suas defesas, então preparou uma armadilha automática que se ativaria mesmo sem ela lançar magias.

Ou seja, a anti-magía de Frey teria sido inútil.

“Minha vitória estava garantida.

O Jogo da Feiticeira foi desenhado assim desde o começo.”

Frey e seus companheiros não tinham chances de vencer...

salvo intervenção de uma força externa.

Quem poderia imaginar que o próprio Wesker interviria em seu favor?

Nesse caso, Beatrice não teve escolha senão ceder.

E naquele momento...

Ela percebeu que tinham ido fundo demais na caverna, a escuridão ao redor se tornando cada vez mais densa.

Uma escuridão que ia além do comum.

Dizia-se que aqueles que alcançavam os reinos superiores do rank SSS possuíam um poder tão avassalador

que aqueles abaixo do SS+ nem conseguiam percebê-lo...

E assim, Beatrice e Draxler ficaram congelados, atônitos sob o peso esmagador da vasta escuridão que os envolvia.

Gradualmente, as sombras se congregaram e assumiram a forma de uma silhueta colossal que se alongava pelas paredes da caverna.

Era uma sombra demoníaca, seu único olho carmesim se abrindo de repente sem aviso...

olhando diretamente para suas almas.

Esse olho não via apenas seus corpos.

Ele penetrava muito mais fundo, revelando seus passados, presentes e futuros, segurando seu destino em suas garras.

“O Olho do Rei,”

Beatrice sussurrou, admirada.

Draxler caiu de joelhos sem hesitar, com a testa no chão.

Beatrice seguiu o exemplo, curvando-se profundamente,

com um sorriso de êxtase surgindo em seus lábios, apesar de tudo.

Eles queriam saudá-lo, homenageá-lo,

mas a simples presença dele os privou de palavras.

Não podiam sentir seu poder...

mas a pressão que ele emanava não deixava dúvidas.

Então veio aquela voz.

Doce, sedutora, o sussurro que já enganou e destruiu inúmeras criaturas.

O Quarto Assento falou.

“Beatrice, um dia sua curiosidade será sua ruína.”

Reunindo suas forças, Beatrice conseguiu responder ao mestre.

“Se a morte for o preço para testemunhar a obra-prima que você criou aqui...

então que assim seja. Que a morte venha!!”

“Sempre tão eloquente.”

O olho carmesim continuava fixo neles, enquanto Wesker falava além do véu de sombras.

“Seu joguinho foi divertido para meus olhos.

Então vá lá, diga o que pensa.

Eu permito.”

Essas palavras finais acenderam uma centelha nos olhos de Beatrice. Sem pensar, ela deu um passo à frente, incapaz de conter sua empolgação.

“Suas palavras excedem o que eu mereço!”

Mas a sombra na parede permaneceu em silêncio.

E naquele silêncio, ela percebeu que seus elogios eram inúteis ali.

Então descartou suas palavras vazias e fez a pergunta que a assombrava há tanto tempo:

“Perdão pela ousadia, Meu Senhor,

mas por que se esforçar tanto para brincar com uma espécie inútil como os humanos?”

Uma pergunta justa.

No passado distante, houve uma civilização poderosa...

altamente organizada, ferozmente forte...

guerreiros tão poderosos que nem os demônios conseguiam ultrapassar suas defesas.

Com uma população de dois bilhões, todos eram combatentes experientes, uma raça cuja força obrigava os demônios a agir com cautela.

Mas naquela era, Wesker desapareceu,

só para reaparecer oculto entre suas fileiras.

Das sombras,

ele tramou e conspirou, virando-os uns contra os outros em poucos anos.

Fracionaram-se em duas facções em guerra,

cegos por disputas mesquinhas, incapazes de ver a verdade diante de si.

Começou uma guerra catastrófica.

Sangue jorrou sem parar.

A civilização que antes era indestrutível

desmoronou em questão de horas, reduzida a um mar de cadáveres.

Com apenas alguns sussurros bem colocados

e uma série de conspirações habilidosas,

Wesker destruiu tudo.

Um bilhão de vidas perdidas na guerra.

E então, no momento do triunfo de uma das partes... no auge de sua alegria...

Wesker apareceu diante deles,

roubando a vitória e substituindo-a por puro desespero.

Ele era um sádico que se regozijava em destruir almas.

Justo quando pensaram que tinham vencido,

quando sua alegria atingia seu ápice, ele desceu sobre eles...

massacrando o próximo bilhão de uma só vez, numa carnificina que marcou a fase mais sombria da história mundial.

A reputação terrível de Wesker nasceu dessas ações.

Mas os humanos não eram iguais àquela civilização.

Eles eram muito mais fracos.

Ao contrário daquela raça antiga, que podia repelir os demônios de elite, Wesker sozinho poderia exterminar toda a humanidade da face da Terra em menos de um dia.

E ainda assim, não o fez.

Então, Beatrice não pôde deixar de se perguntar:

Por quê?

Por que o Quarto Assento,

uma das criaturas mais poderosas do universo,

se daria ao trabalho de esconder-se e manipular criaturas tão frágeis às suas costas?

Era essa a resposta que ela buscava.

“Você é inteligente, Beatrice...

mas sua visão é curta demais.”

Entre o olhar demônio violeta de Beatrice e o Olho do Rei carmesim de Wesker,

a distância era enorme.

Ela só vislumbrara a superfície...

ignorando as correntes mais profundas por baixo.

“Há muito mais além do que seus olhos podem ver.

No final, você não passa de um peão neste tabuleiro... assim como toda alma humana que está nesta chessboard chamada Terra.”

O jogo tinha começado muito antes do que ela imaginava.

E quem revelasse suas cartas primeiro, perderia.

Seja aquele com o Olho do Rei,

ou quem tinha olhos azuis penetrantes jogando do lado oposto...

Ou talvez...

Um terceiro jogador...

um convidado inesperado no jogo?

“Muitos olhos estão observando este lugar.

Até o próprio Rei demonstrou interesse.”

“!!!”

Beatrice não conseguiu esconder seu choque.

E como poderia? Quando ouviu que o Rei Demônio, Agaroth... em todo o seu poder inimaginável...

estava observando-os.

Aqui na Terra, neste canto insignificante do vasto cosmos.

“Você sempre foi uma peça de xadrez valiosa, Beatrice.

Então continue desempenhando seu papel...

mas não tente sair da sua casca.”

Afinal...

De que adianta um peão...

se tentar sair do tabuleiro e enfrentar o próprio mestre?

“O fim está próximo.

Os esquemas serão revelados, os planos expostos, os segredos desvendados...

e este mundo finalmente entenderá o verdadeiro significado do horror.”

Com essas palavras finais, a sombra lentamente desapareceu, deixando Beatrice em silêncio atônito.

“Falta pouco tempo.

Planeta Terra está à beira de um ponto decisivo em sua longa e complicada história.

Um ponto de virada que pode significar o fim...

de uma história tecida por incontáveis fios do destino, agora apertando o pescoço de seus habitantes.

E entre todos eles...

Frey Starlight estava no centro desses fios entrelaçados, olhando para o céu,

cansado e exausto pela tempestade de eventos que o cercava.

Tempo restante até o fim da missão final: 1 dia.

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