
Capítulo 312
O Ponto de Vista do Vilão
"Mais uma tigela!"
Danzo gritou, batendo na mesa ao jogar seu prato vazio e exigindo mais ensopado picante.
"Mais uma? Desde quando você começou a gostar tanto de comida apimentada?"
Deitado no cotovelo, Frey perguntou, ainda não tendo terminado sua própria refeição.
"Essa é sua culpa! Por que só come coisa apimentada?"
Danzo lançou um olhar furioso, tendo desenvolvido um hábito estranho de copiar o paladar de Frey.
"Nunca te pedi para me seguir. Quanto ao motivo de eu comer tanta pimenta..."
Frey sorriu de leve enquanto uma lembrança distante surgia—uma das poucas que ele podia orgulhosamente chamar de boas.
"Digamos que sinto falta de um amigo que costumava fazer esse tipo de comida."
"Velho Shaheen?" perguntou Danzo, com caldo escorrendo pelo queixo.
"Você ainda lembra dele, hein?"
"Claro. Já o visitei com você algumas vezes... Acho que o velho estranho sumiu de vez."
Danzo se lembrava dos pratos estranhos que aquele homem costumava fazer. Não eram populares... quase ninguém visitava seu lugar.
Mas a comida não era ruim. Na verdade, era... singular.
"Acho que ele mora em algum lugar lá fora. Não o vejo há bastante tempo, mas foi ele quem me deixou com esse hábito de comer comida tão picante."
Frey apontou para sua tigela.
"Tomara que esteja bem... as coisas estão ficando difíceis com a guerra que se aproxima."
"Sim. Ouvi dizer que já tiveram alguns corredores de batalha na fronteira..."
Frey tinha retornado de Londor há algumas semanas.
Enquanto voltava à rotina no templo, o Império continuava a oscilar entre tranquilidade e conflito intenso com uma facção conhecida como os Ultras.
"A guerra pode explodir a qualquer momento."
Essa frase ecoava por todos os lados—líderes de guilda, oficiais, pessoas no poder.
A guerra sempre trazia caos, mas para alguns era uma oportunidade de ouro.
Destruição para as massas... lucro para os poucos.
Esse próximo capítulo de morte e ruína não era tão simples quanto parecia.
"Por causa disso, o treinamento no templo ficou mais intenso do que nunca."
"Sério?"
Frey perguntou, com o rosto tão impassível quanto de costume. Danzo o deu um tapinha nas costas, irritado.
"Você está me tirando do sério. Você virou tão forte que nem percebe mais?"
Últimamente, alguns indivíduos começaram a brilhar, muito acima de seus colegas.
Frey Starlight e Snow Lionheart eram os mais notáveis—especialmente Frey.
Desde que seu cabelo voltou a ficar branco, ele tinha se tornado... diferente.
Ninguém o via perder. Nem mesmo os instrutores.
Na verdade, ninguém sequer o tinha visto suar.
Seu crescimento rápido tinha atingido níveis que comparavam a Abraham Starlight, embora Frey nunca aceitasse esses elogios.
"Você está exagerando."
O jovem nobre da família Starlight mal reagia a qualquer coisa atualmente, o que só aumentava a frustração de Danzo.
"Lá vem você de novo! Aquela vibe de velhinho que você dá. Mostre alguma energia, pelo amor de Deus!"
Com um golpe mais forte, Danzo bateu nas costas de Frey com força total.
Frey não se importou. Ele só deu uma risadinha suave, quase imperceptível ao golpe.
"Eu não sou o velho aqui, Danzo. Você é quem ainda não cresceu."
Danzo franziu a testa ao ver o sorriso calmo de Frey.
"Não te entendo mais, Frey Starlight. Deveria te chamar de príncipe efeminado? Ou de velhote decrépito? Decide logo, pelo amor de Deus!"
Ele reclamava do humor mutante de Frey.
"Me chamem de Frey, igual todo mundo."
"Pois é, jamais farei isso."
Continuaram conversando enquanto comiam—uma rotina diária a essa altura.
Às vezes, Ghost e Snow se juntavam a eles. Até Sansa aparecia de vez em quando. Mas hoje, eram só eles dois.
"Pensando bem... a princesa tem andado bastante ao seu redor. Talvez seu amor não seja tão unilateral quanto dizem?"
Danzo provocou, lembrando dos boatos sobre os sentimentos de Frey por Sansa.
Ela tinha deixado o templo por um tempo, mas voltou com uma mudança dramática na postura—quase uma versão feminina de Frey.
"Somos só amigos."
Frey respondeu, pensando de forma tranquila em Sansa.
A princesa realmente tinha se aproximado mais dele ultimamente, especialmente depois de tudo o que passaram juntos... mas ele nunca chamaria isso de amor.
Sansa não era o tipo de garota que se apaixona só porque alguém a salvou.
Mesmo assim, isso foi suficiente para fortalecer ainda mais o vínculo deles.
"Amigos, hein..."
Num movimento ágil, Danzo colocou um braço ao redor dos ombros de Frey, puxando seus rostos próximos.
"Olha, já que a princesa está do seu lado, por que não…"
"O quê?" pediu Frey, sem entender bem. Danzo continuou.
"Seria ótimo se todos nós fizéssemos uma festa do pijama de novo, né? Mas dessa vez, pensei em convidar as garotas também—ei, por que está rindo?!"
Ele parou, surpreso ao ver Frey rindo de verdade.
Era uma reação mais forte do que o normal... talvez Danzo fosse o único capaz de tirar esse tipo de risada dele ultimamente.
"Então agora quer meninas, hein? Mas quão ousado você tem que ser pra pensar em convidar a princesa pra sua casa?"
Frey provocou, e Danzo encolheu os ombros instintivamente.
"Você tem razão…"
"Não leve as palavras do Daemon tão a sério. Ele é diferente da gente."
No fim das contas, Daemon Valerion agia como se estivesse na casa dos trinta anos.
"É, é… devia ter pensado duas vezes antes de convidar Sansa…"
Danzo suspirou, derrotado.
"Convidar para o quê?"
Danzo parou de repente, quando uma voz feminina suave chegou até seus ouvidos por trás dele.
Ele nem quis olhar para trás. Frey, porém, tinha percebido ela bem antes de ela falar.
"Oi, Sansa,"
ele cumprimentou sem perder o ritmo, enquanto a princesa se sentava ao seu lado.
"Oi... você estava falando de mim?"
"De jeito nenhum!"
Danzo gritou alto o suficiente para fazer o restaurante inteiro olhar na direção deles.
"Suspeito..."
Sansa não acreditou por um segundo—ela conseguia ver toda a mentira estampada na cara dele.
"Quer te convidar para uma noite em grupo, é isso?"
Frey falou simplesmente, sem tentar disfarçar.
A face de Danzo virou pedra enquanto Frey o colocava na berlinda—de novo. E pior, Sansa não parecia se opor à ideia.
"Uma noite de festa? Tipo quando um monte de gente fica na mesma casa e faz todas aquelas atividades?"
"Exatamente. Acho que você nunca foi a uma dessas, princesa?"
Danzo olhava entre Frey e Sansa, tentando processar o quanto tudo tinha escalado rápido.
"Na verdade... eu nunca fui."
"Quer tentar?"
Frey perguntou, e Sansa balançou a cabeça suavemente.
"Não posso sair do templo. Além disso... não quero me envolver com ele."
"Que pena. Você ouviu, Danzo."
Danzo encolheu-se na cadeira, rejeitado de imediato. Não disse nada.
"Tanto faz... já estou de saco cheio."
Ele fez bico enquanto Frey ria de seu desespero.
Ambos pediram mais uma porção—principalmente para que Sansa não comece sozinha.
O silêncio voltou por um momento, exceto por Danzo, que continuava a murmurar baixinho, amaldiçoando Frey por ter contado tudo de forma tão natural.
Enquanto isso, Frey virou seu olhar para Sansa.
"Tem algo no meu rosto?"
ele perguntou, notando ela o encarando.
Sansa deu um sobressalto, surpresa com sua percepção inquietante.
"N-não… não é nada."
Ela olhou para longe rapidamente enquanto Frey levantava os olhos para encontrá-la.