O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 297

O Ponto de Vista do Vilão

– Ponto de vista de Snow Lionheart –

Já fazia muito tempo...

Desde a última vez que senti algo assim.

Aqueles símbolos dourados — cujo significado eu nunca tinha realmente entendido — ficaram mais fortes desde que obtive Vermithor.

Como se tivesse sido a chave que abriu um novo reino de poder.

Tudo estava conectado.

A Forma do Rei da Guerra queimava minha aura a uma velocidade assustadora, permitindo que eu empunhasse níveis de poder que nunca deveria alcançar.

E foi isso que me permitiu encarar a estátua furiosa de frente.

Preso num confronto brutal com aquela entidade, nós dois rodávamos em um turbilhão de metal — faíscas voando a cada colisão violenta.

As explosivas auras da nossa batalha abafavam todos os meus sentidos,

mas tinha uma coisa certa:

Frey havia sobrevivido.

Não havia mais motivo para segurar meu ataque.

Com um sorriso sanguinolento, comecei a despejar mais e mais Aura Estelar na minha espada,

cada golpe mais pesado, martelando contra aquela foice gigante.

Já quase não me controlando, lutava para manter a sede de sangue sob controle.

Tenho que acabar logo com isso.

Segurando Vermithor numa mão, levantei a outra para invocar uma tempestade de força elementar —

uma saraivada de lanças de gelo cortantes.

Sem hesitar, lancei-as contra a cabeça da estátua furiosa.

Mas ele girou sua foice como um grande leque, destruindo as lanças em pó.

Não lhe dei tempo para respirar.

Usando uma onda de relâmpagos negros, lancei um corte horizontal — direto no torso dele.

Preocupado em bloquear o vendaval de gelo, ele reagiu tardiamente ao meu raio —

potenciado por Passo do Vazio.

O golpe pegou limpo, obrigando-o a recuar enquanto o relâmpago explodia sob seus pés.

Mesmo assim — na sua armadura de ferro —

não deixou nem uma marca.

"Tch…"

Segurei um infortúnio, perguntando-me do que exatamente aquela coisa era feita.

Apesar de tudo, ele não vacilou.

Simplesmente olhou de volta para mim com seus olhos violetas brilhantes, como se estivesse tentando descobrir do que eu era feito.

O tempo escorria...

"Nesse caso…"

Que tal isso...

Swoooosh!

Lancei uma onda cegante de luz de Vermithor,

uma erupção tão intensa que cobriu o campo de batalha, até escondendo o castelo negro ao fundo.

"Passo do Vazio."

Usando a forma aprimorada da técnica, reforçada pelo Modo do Rei da Guerra,

encerrei minha lâmina em uma torrente de fogo azul, e a projetei como um feixe de energia devastador.

Ao mesmo tempo, ativei novamente o Passo do Vazio ... desta vez canalizando relâmpagos negros.

A rajada chiando rasgou a terra, atingindo por trás da estátua.

"Passo do Vazio!"

Tudo aconteceu num instante.

Desta vez, empurrei minha aura de gelo ao máximo —

acendendo uma geada branca na borda da minha espada, liberando uma onda de energia a temperaturas abaixo de zero no flanco exposto dele.

Junto com isso, veio uma onda sônica de alta frequência, correntes de aura de sombra para prendê-lo,

e até a gravidade — para puxá-lo ao chão.

Para destruir aquela estátua...

dei tudo de mim.

Envuelto por uma tempestade de forças elementares avassaladoras...

Ora de fúria, seus olhos brilhantes se arregalaram enquanto a luz finalmente se dissipava…

apenas para ver a ira da natureza despencando sobre ele de todos os lados.

A explosão rasgou o campo de batalha —

uma catástrofe elemental que quebrou o terreno e enviou ondas de choque pelo céu.

Mas é claro…

Ele sobreviveu.

Banho de luz violeta, uma aura cintilante grudou-se ao seu corpo como uma armadura…

protegendo-o do impacto total dos meus ataques.

Mas este era o momento…

O momento exato que eu esperava.

Quando a fumaça e o caos se dissiparam…

e a estátua ousou acreditar que o ataque havia acabado…

Ele me viu parado bem na sua frente.

A poucos centímetros de distância.

Minha postura totalmente aberta.

Minha espada apontada diretamente ao seu peito.

Era o momento que eu aguardava —

O momento em que o inimigo baixa a guarda.

Quando o verdadeiro ataque começa.

Usando a Forma do Rei da Guerra e Vermithor,

fiz minha aura atingir o limite absoluto.

Partículas elementares dançavam freneticamente ao redor da minha lâmina.

Puxando uma inspiração de fogo...

as marcas douradas na minha pele acenderam-se enquanto eu atacava com toda força.

"FORMA CÓSMICA!!!"

Desta vez, ela foi dez vezes mais poderosa...

Não.

Mais do que isso.

Uma colossal explosão de luz engoliu a estátua e todo o castelo atrás dela.

Um pilar de aura pura e branca subiu aos céus, penetrando as nuvens...

um feixe nuclear liberado a queima-roupa.

E, no meio daquele inferno radiante,

a estátua furiosa foi finalmente destruída—

reduzida a pó pela força total do meu poder.

NAquele momento…

Desejei de todo coração…

Que aquilo fosse o suficiente para acabar com tudo.

...

...

...

– Ponto de vista de Frey Starlight –

Enfim, entrei no castelo.

O castelo negro…

Aquele que fazia meu corpo tremer sem parar.

Olhei para a minha mão, tentando me estabilizar…

mas a forma como minhas dedos tremiam deixava claro o quanto tinha falhado nisso.

Passo após passo,

percorria a imponente fortaleza.

O que eu pisava era a grande entrada daquele lugar assustador…

uma sala com paredes adornadas com símbolos e gravuras que não conseguia entender,

e tetos tão altos que até gigantes maiores poderiam caminhar — ou correr — com facilidade.

Mas o que realmente chamou minha atenção, além dos símbolos incompreensíveis,

eram os murais que os acompanhavam.

Ilustrações que, pelo que pude imaginar, retratavam a vida de quem outrora governou esse castelo…

As cenas nas paredes mostravam vislumbres de guerras brutais.

Batalhas que se desenrolaram na terra e no céu em uma escala que nunca tinha visto antes—

uma escala que conseguiu me gelar a espinha apenas com imagens, sem precisar vivê-las.

O inimigo nessas guerras era familiar—

Sempre o mesmo.

Demônios.

Mas o mistério residia em quem enfrentava os demônios.

Ao contrário dos demônios… que pertenciam a uma única raça e eram fáceis de reconhecer…

o outro lado era caos encarnado.

Um grupo de seres e criaturas que eu nunca tinha visto ou ouvido falar.

Não pude deixar de pensar se aquilo que via era real…

ou apenas uma representação imaginária criada para engrandecer o lugar.

Totalmente fascinado pelos murais…

meus sentidos retornaram quando o chão de repente tremeu sob meus pés.

Um tremor violento sacudiu o castelo enquanto o estrondo de uma explosão ecoava pelas paredes.

"Aquele aura..."

Atônita, reconheci-a imediatamente.

Era familiar…

mas muito mais potente do que já tinha sentido antes.

A origem daquele ataque só podia ser uma pessoa —

Snow, ainda lutando contra Angry lá fora.

Aquela explosão me lembrou — mais uma vez —

que eu precisava continuar me movendo.

Que eu tinha que acabar com isso, de uma vez por todas.

Era o mínimo que podia fazer pelos meus companheiros, que lutavam em meu lugar além daquelas paredes.

Para pôr fim a toda essa loucura…

Para encontrar as respostas que buscava.

Respostas a perguntas que há tempos assombravam minha vida.

Com esses pensamentos queimando na minha cabeça, avancei mais fundo no castelo…

com fome de verdade.

E quanto mais eu ia,

mais percebia o quão vasto era aquele lugar de verdade.

Uma cidadela enorme, construída como um museu antigo…

Mas completamente vazia.

Além das paredes decoradas com aqueles quadros,

não havia nada.

Nada mesmo.

Como uma casa de fantasmas de guerras antigas,

abandonada no meio de um mar de peregrinos de joelhos…

devotos de um rei que nunca voltou.

Quanto mais avançava,

mais subia a imponente escadaria…

e mais meus passos desaceleravam.

O fogo dentro do meu peito ficava mais intenso, até parecer que minhas entranhas estavam queimando.

Meu pulso acelerava.

Uma dor de cabeça que rasgava minha cabeça gritava alto.

Comecei a respirar com dificuldade,

agarrando a parede só para conseguir continuar.

"O que… está acontecendo comigo?!"

Minha visão ficou turva.

Mal conseguia manter a consciência, quase escapando.

O longo corredor à minha frente começou a se contorcer e ondular…

como uma velha pintura que desbota com o tempo.

Então, a dor veio.

Cegante.

Ardente.

Até eu—que conheço bem a dor—

gritei das profundezas da minha alma.

Rezei no chão,

incapaz de enxergar,

enquanto visões invadiam minha mente…

como se os murais tivessem ganhado vida dentro da minha cabeça.

Pessoas que nunca tinha conhecido.

Lugares que nunca tinha visto.

Todos acompanhados de tormento que não podia lutar.

Tudo o que podia fazer era gritar…

e rezar para que aquilo acabasse.

Mas não acabou.

Nunca parou.

Parece que alguém estava esmagando meu crânio com uma marreta gigante,

de novo e de novo.

Pela primeira vez na minha vida—

maldei a força da minha resistência mental.

Aquela capacidade…

que antes parecia uma bênção,

agora parecia uma maldição.

Uma maldição que me mantinha consciente a cada momento daquela dor.

Girei no chão por horas…

como um inseto...

Até que enfim, meus olhos reviraram para o branco vazio,

e eu perdi a consciência finalmente.

Mas mesmo naquele estado inconsciente,

as visões não pararam.

Elas me acompanharam nos sonhos.

Assombraram-me por aquela sequência interminável de tormento.

E depois de parecer uma eternidade…

finalmente abri meus olhos.

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