
Capítulo 283
O Ponto de Vista do Vilão
Tem que haver outro jeito.
Ao contrário de mim e Snow, Ghost permaneceu estranhamente calmo... como se a situação atual não fosse mais do que um jogo de criança. Isso me deixou ainda mais inquieto.
— Portões não funcionam em apenas um caminho. Então, ou eles estão com defeito… ou alguém mexeu neles do outro lado.
— Quem? Andamos por horas pela seita e não vimos ninguém, — respondeu Snow, confiante na afirmação dele... afinal, ele tinha escaneado todo o local antes de chegarmos.
Mas suas palavras não eram absolutas. Ele não podia perceber algo muito mais poderoso que ele. Além disso, tudo na seita era envolto em mistério.
Forçei-me a manter a calma e abri a interface do sistema.
Justamente como Ghost disse… tinha que haver uma solução.
E se não houvesse… eu criaria uma, pelo poder do sistema. Estaria tudo bem desde que completássemos a missão.
Abri o sistema, pensando em descobrir qual seria nossa próxima jogada… para onde deveríamos ir neste deserto vermelho e árido.
Porém, minha mão congelou antes de tocar na interface. E o mesmo aconteceu com Snow e Ghost.
Era como se centenas de vermes imundos começassem a rastejar pela minha pele… uma onda avassaladora de medo e desconforto.
Os três nos viramos para o mesmo ponto ao mesmo tempo—o local de onde vinha aquela presença ameaçadora.
O deserto era amplo e plano, permitindo-nos enxergar tudo ao redor claramente.
E ainda assim, não havíamos visto… até que já estava perto demais.
Um som metálico agudo ecoou.
Cabelos negros flutuando no ar. Algo andando de quatro patas.
— Um cavalo? — perguntou Snow.
— Não… —
Sentimento terrível dentro de mim se intensificou.
Enquanto aquela criatura de um olho se aproximava, ela se assemelhava a um homem deformado... torcido por dezenas de mutações, até assumir uma forma grotesca que caminhava de quatro patas. Como um cavalo selvagem feito de carne putrefata…
A aura ao redor dela irradiava um terror que penetrava direto na nossa alma.
Todos nós demos um passo para trás… de maneira involuntária.
Essa coisa… já tinha colocado o olho em nós.
— Ah! Então vocês estavam ao meu lado o tempo todo!! — a boca da criatura se torceu em um sorriso.
— Ele fala?! —
Nem tivemos tempo de nos assustar de verdade. No instante em que ela nos percebeu, ela avançou com um grito metálico e estridente.
— Sangue… sangue… me dê sangue!
— Preparem-se para lutar! —
Gritei, sacando Balerion e a Irmã Negra ao mesmo tempo. Snow e Ghost também estavam focados—tanto que nem perceberam a existência da Irmã Negra. A atenção deles estava toda voltada àquela criatura horrofica.
Ela pulou através de uma nuvem de aura, caindo violentamente sobre nós e levantando uma tempestade de areia vermelha.
O corpo dela, parecido com de um cavalo, começou a deformar-se grotescamente, surgindo mãos feitas de carne apodrecida… mãos que voaram em nossa direção.
— Caminhada das Dez Mil Sombras: Cortador Negro!
— Estilo da Espada Única: Zero Absoluto!
Desencadeei dezenas de arcos negros, cortando as mãos grotescas, enquanto Snow congelava o restante com uma forte onda de aura gelada.
Conseguimos repelir a primeira investida—por pouco—o que fez minha guarda baixar por um momento… um momento em que o reflexo daquela criatura passou em meus Olhos Falciformes.
— Frey!
O grito de Snow foi a última coisa que ouvi antes de a besta me atingir, me jogando para longe. Senti meus ossos rangendo sob o impacto.
A criatura correu atrás de mim de quatro patas, tentando me esmurrar enquanto gritava palavras incompreensíveis.
— Sangue, sangue! Só um pouco de sangue, por favor!
Seus cascos batiam incessantemente no chão enquanto eu me esquivava freneticamente por baixo deles.
Quando olhei para cima, vi o que estava sob seu torso inferior—uma massa de fluido vermelho viscoso escorrendo em minha direção.
A primeira gota tocou o chão.
O vento começou a vaporizar a areia instantaneamente.
— Ácido…? —
— Por favor, o sangue… só um pouco, por quê você não me dá? Eu quero sangue… sangue… sangue… —
A voz monstruosa misturava-se com gritos agudos enquanto ela tentava me esmagar, despejando uma torrente daquele estranho líquido ácido direto em mim.
Um só toque… e eu me derreteria numa pilha podre de carne.
Mas o chão logo abaixo de mim ficou preto na hora certa, e Ghost me puxou para dentro de sua sombra.
Do outro lado, a besta enfurecida sofreu um golpe devastador… Snow a atingiu com uma tempestade de golpes usando Vermithor.
A aura de Luz Estelar queimava rapidamente ao redor dele enquanto ele cortava selvagemente a criatura.
— Muito brilhante!! —
A besta uivou, protegendo-se de Snow—que agora parecia uma estrela azul radiante.
Ghost e eu reaparecemos longe do ataque. Assim que aterrissamos, corri de volta para a briga.
— Espere o momento certo! — gritei para Ghost, acendendo minhas duas lâminas com aura negra enquanto avançava em direção à criatura e a Snow, que ainda lutavam ferozmente.
— Caminhada das Dez Mil Sombras: Estrela Negra em Chamas!
Focada em se defender de Snow, a besta gemeu de dor enquanto um feixe negro a atingia de lado.
Com Snow à sua direita e eu à sua esquerda—trocaram um olhar, entendendo-se instantaneamente.
Expelindo toda a força que tínhamos, lançamos uma série de cortes selvagens.
Arcos negros da minha esquerda, e arcos brancos radiantes da direita de Snow.
A criatura uivou, sangrando copiosamente sob a enxurrada do nosso ataque duplo.
Ela tentou fugir… mas dezenas de fios negros se enrolaram firmemente ao seu redor, feature de Ghost na manipulação de sombras.
Ela estava completamente presa.
A besta não gritou.
Ela chorou.
Seus soluços eram audíveis enquanto lágrimas escorriam do seu único olho.
— Por quê? Por que você não me dá…? —
Ela estava completamente pirada. Estávamos literalmente rasgando ela em pedaços sem parar, mas mal havíamos penetrado sua carne putrefata.
Suspiro.
— Tudo o que eu queria… era só um pouquinho de sangue… sangue fresco, limpo… é tudo que esse corpo podre precisa… —
A besta chorou enquanto continuávamos nosso ataque implacável… até seu choro parar, e seus cabelos se levantarem abruptamente em direção ao céu.
Então ela abriu a boca… e gritou.
Um grito penetrante e explosivo que parecia ter perfurado meus ouvidos de dentro. Logo sangue jorrou deles.
O grito foi acompanhado por uma onda de aura violeta que nos lançou para longe, lançando Snow e eu bem longe da criatura.
Recuperei o equilíbrio imediatamente, tentando avançar novamente—mas fui pego de surpresa por um feixe de aura concentrada vindo direto da boca aberta da besta.
Não havia tempo para desviar.
Lutei para me manter em pé enquanto o feixe de aura queimava meu corpo a uma velocidade alarmante.
— Graaahhhh!! —
A criatura não parou. O grito metálico ecoou mais uma vez.
De repente, o chão sob meus pés explodiu— dezenas de bocas gigantes feitas de carne em decomposição surgiram para me devorar.
Preocupado em bloquear o ataque esmagador, não percebi que a besta já tinha um novo alvo… Snow.
Ele tentou se defender, mas a criatura furiosa se prendia a ele com força enquanto mais bocas se formavam pelo seu corpo grotesco.
Eram mordidas incessantes, fazendo o sangue jorrar copiosamente.
Snow gritou de dor, enquanto o monstro—em êxtase—deu outro grito selvagem.
— Ahhh! Sangue! Sangue! Delicioso! Tão delicioso! Finalmente!!! —
Ela bebericou o sangue de Snow a uma velocidade horrífica. Snow lutou, mas sua expressão se tornou sombria ao perceber que a aura dentro dele tinha parado de se mover… algo o havia paralisado.
Ele não conseguia resistir. E eu ainda estava atordoado demais com as bocas para ajudar.
Percebi que não chegaria a tempo.