
Capítulo 276
O Ponto de Vista do Vilão
Frey abriu os olhos.
Uma dor de cabeça aguda pulsava em seu crânio.
Havia dores persistentes pelo corpo, mas nada que ele não pudesse suportar.
Ele estava deitado em um quarto que não reconhecia, numa cama larga sob um teto desconhecido.
A dor acendia em sua mente... uma pressão aguda, como alguém tentando escarificar seu cérebro com uma lâmina.
Seu coração não se acalmava.
Seu corpo continuava tremendo.
Parecia que ele tinha acabado de sobreviver a uma batalha entre vida e morte…
Por mais que tentasse, não conseguia lembrar de nada.
A última lembrança que tinha... era do Ignition suicida que liberara contra Sansa.
Tudo o que aconteceu depois, dentro da sua mente…
Sumira.
Como se alguém tivesse intencionalmente roubado a memória dele.
Lentamente, os sentidos de Frey retornaram.
Ele olhou ao redor, tomando conhecimento do ambiente ao seu redor.
Foi então que ele se ajeitou na cama desconhecida…
E ao seu lado, sentado numa cadeira de madeira, havia uma garota familiar.
Ela o encarava, chocada com seu despertar repentino… demasiado sobrecarregada para falar.
"Sansa…"
Frey soltou um suspiro de alívio.
Ele tinha conseguido.
Ele tinha cumprido a missão.
Não tinha sido tudo em vão.
Sansa tinha pensado em muitas coisas para dizer.
Para pedir desculpas…
Para agradecê-lo…
Mas, ao invés disso, ela sorriu.
"Bem-vindo de volta."
Frey se sentou mais para cima, seu corpo envolvido em bandagens da cabeça aos pés.
"De volta, hein? Quanto tempo estive desacordado pra merecer uma frase tão dramática?"
Ele riu, enquanto Sansa respondia nervosa… preocupada que ele ainda pudesse estar sentindo dor.
"Uma semana… Hoje é o oitavo dia."
"Tch. Acho que não bati meu recorde."
O tempo mais longo que Frey ficou inconsciente foi um mês inteiro…
Na época em que enfrentou a Família Moonlight.
Ou esse período foi mais fácil…
Ou ele simplesmente ficou mais forte.
Frey voltou sua atenção para Sansa, notando as mudanças na aparência dela.
"Vai ter que fazer algo sobre esse cabelo."
Ele sorriu, apontando para o cabelo preto novo dela.
"E seus olhos também. Talvez usar lentes?"
Pele mais pálida, cabelo preto comprido, olhos escuros…
Ela já não se parecia mais com a princesa que o mundo conhecia.
Frey não se importava com a mudança.
Mas as pessoas ao redor dela…
Elas sim, se importariam.
Já que ela ainda era uma princesa.
Mas Sansa simplesmente balançou a cabeça.
"Está tudo bem. Estou feliz comigo do jeito que sou agora."
Frey ficou em silêncio por um momento, depois assentiu.
"Então, você se aceitou."
Em resposta, Sansa levantou a mão direita.
uma chama negra se acendeu em sua palma.
"Sim."
Ela tinha se aceitado completamente.
E agora… ela tinha controle sobre seu poder.
O golpe final de Frey havia destruído o demônio dentro dela… Mas nem mesmo essa energia sagrada era suficiente para eliminar o poder da Sombra do Rei.
Afinal, sua fonte era o próprio Rei Demônio.
Esse poder ainda permanecia dentro dela…
Mas a vontade que uma vez a dominou—agora estava completamente ausente.
"Obrigada, Frey. Sério… obrigada por tudo."
Nada disso teria sido possível sem ele.
Isso era um fato.
Frey se levantou, sinalizando para ela abandonar o tom formal.
"Não precisa agradecer. Apenas viva do jeito que sempre quis."
"Eu vou. Mas isso não muda o fato de que você me salvou," disse Sansa.
Frey sorriu de maneira brincalhona.
"Não é aqui que a princesa se apaixona pelo herói depois que ele a salva?"
Sansa riu ao ouvir isso.
"E você que seria o herói dessa história?"
Frey deu de ombros.
"Nem perto. Não nasci pra ser herói… salvar as pessoas e falar frases elaboradas não é comigo."
Como alguém consegue puxar alguém do abismo se ele mesmo está se afogando num mais profundo?
Sansa riu novamente, lembrando-se da batalha.
"Sim, isso realmente não combina com você. Você lembra o que disse pra mim quando tentou fazer eu resistir ao demônio?"
Ela perguntou, e Frey fingiu que não sabia.
"Não. Não lembro."
"Sério? Porque metade do que você disse foi ou ‘Maldições a você’ ou umas palavras que eu não entendi, mas que certamente soavam como insultos…"
Claro que Frey lembrou…
Desesperado para sobreviver àquele ataque, tendo que dizer algo que pudesse fazer Sansa lutar por sua vida…
Tanto que ficou tão irritado que acabou colocando palavrões em quase todas as frases que gritou.
"Desculpe, não encontrei um herói adequado por perto pra ficar nesse papel."
Provavelmente, Snow Lionheart teria se saído melhor.
"Não teria funcionado se fosse outra pessoa,"
Sansa interrompeu.
"Eu sobrevivi porque foi você quem veio."
Frey e Sansa trocaram olhares por um instante…
E Frey rapidamente mudou o clima para evitar a atmosfera constrangedora.
"Então… onde exatamente estou agora?"
Este quarto não lhe parecia familiar nenhum pouco.
"Ainda estamos no Castelo da Lua… ou no que sobrou dele."
Aquela antiga fortaleza majestosa foi reduzida a cinzas.
Só uma pequena parte dela sobreviveu.
A casa da princesa agora não passava de escombros.
"Então, passei uma semana inteira deitado na cama da princesa, hein… que privilégio."
Frey brincou, justamente quando a porta se abriu.
O homem que entrou usava uma máscara, como sempre… tanto que Frey mal conseguia lembrar de qual era seu rosto de verdade.
"Trouxe algo pra interromper?"
ele perguntou, olhando entre a princesa e Frey.
"Oliver Khan."
Seu companheiro de batalha.
O homem que lutara ao lado de Frey.
Oliver parecia o mesmo de sempre… exceto pelos braços, que estavam firmemente envolvidos em um gesso maciço.
"Prazer em vê-lo vivo, Senhor Estrelar,"
disse Oliver, enquanto o olhar de Frey se fixava nos gessos.
"Seus braços…?"
A maior ferida daquela batalha final foi a dele…
Levou o golpe fatal para proteger Frey.
Frey sempre esteve disposto a arriscar sua própria vida…
Mas ver outros sacrificando-se por ele… era diferente.
Ele já devia demais ao pai.
Não queria adicionar mais nomes a esse peso.
Felizmente, Oliver o tranquilizou.