O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 269

O Ponto de Vista do Vilão

– POV de Frey Starlight –

"Fuhhhh"

Respirei fundo, tentando me acalmar enquanto o suor escorria pelo meu corpo.

Segurando firmemente a Irmã Sombria, lutei para controlar as flutuações selvagens de aura que emanavam dela. Uriel não estava muito melhor… seu corpo encharcado de suor enquanto canalizava toda a sua força sagrada para a lâmina.

Todo o ambiente permanecia banhado por uma luz radiante durante o processo, e o tempo passou tão rápido que mal percebemos… estávamos tão concentrados na tarefa à nossa frente que não sentimos seu peso.

"Mais um pouco..." disse Uriel, sangue escorrendo do nariz e manchando seus lábios de vermelho.

"Não se force demais", falei instintivamente, ao que ela sorriu levemente.

"Já passou da hora de parar. Não dá mais pra voltar atrás."

Assisti em silêncio enquanto Uriel continuava… suas mãos nunca pararam, vertendo aura sagrada na lâmina como um reservatório infinito. Linhas brancas começaram a se espalhar pela superfície negra da espada, como veias desenhadas no aço.

Para tornar a Irmã Sombria compatível com o poder sagrado, tive que gastar todos os meus pontos de conquistas… mais de 5.000 no total. Agora, eu estava completamente sem saldo.

Foi um sacrifício… um esforço que fiz de bom grado para obter essa força.

O processo levou bastante tempo. Tão longo que várias vezes tocaram a porta do quarto, procurando Uriel. Mas nos blindamos contra o mundo exterior.

E então, depois do que pareceu uma eternidade… Uriel finalmente parou. O brilho divino desapareceu completamente.

Ela desmaiou, seu corpo exausto, e eu a segurei instintivamente.

"Conseguimos?"

Mesmo debilitada, ela priorizou a missão. Sempre soube que ainda havia almas bondosas neste mundo.

Uriel era uma delas.

Sorri para ela, exausto.

"Sim. Conseguimos."

Segurando a Irmã Sombria com minha mão, agora irradiando luz branca, pude sentir o poder divino esmagador que ela tinha infundido nela.

Foi um sucesso total… mas nem foi fácil.

"Hehe… que incrível", ela riu levemente enquanto eu a levava até a cama.

"Levou três dias inteiros…"

Hoje à noite era o último dia antes do prazo. Usei cada momento que me deu… cheguei no limite a duras penas.

Para ser honesto… mal conseguia ficar de pé depois de todo esforço dedicado a isso. Mas não tinha escolha a não ser continuar avançando.

Deitada, Uriel me olhou com olhos cansados.

"Vou fazer você trabalhar duro para me pagar, Frey."

Assenti.

"Faça o que quiser. Você merece."

Se eu conseguir sobreviver, claro.

"Comece me dando a sua mão."

Não entendi muito bem o pedido repentino, mas estendi minha mão para ela mesmo assim.

Ela a segurou com ambas as mãos, e seu corpo brilhou mais uma vez… transferindo uma luz suave para mim.

De imediato, senti a fadiga desaparecer, o cansaço se dissolver… substituído por uma força renovada.

"Uriel…"

"Você precisa estar no seu melhor para a batalha que vem aí, não é?"

Ela me olhou com olhos cansados, lutando para não adormecer.

Em momentos assim, só havia uma coisa que eu podia dizer:

"Obrigado… por tudo."

Era uma gratidão sincera.

"Boa sorte. Não morra."

Assenti novamente.

"Vou vencer."

Com essas palavras, observei-a finalmente cair no sono… entrando em sonhos após três dias colocando toda ela na lâmina que agora descansava na minha mão direita.

Sua missão estava cumprida.

Podia descansar agora.

Quanto a mim…

"…Só estou começando."

Após delicadamente colocá-la na cama, saí correndo do templo, acelerando ao máximo em direção ao território de Valerion.

A noite já havia caído.

Isso significava que era hora.

Nesta noite… o destino do império será decidido.

...

...

...

– Castelo do Sol –

Em uma varanda voltada para o oeste, um jovem de feições afiladas, olhos dourados e cabelos loiros sentava-se calmamente.

Aegon Valerion descansava na sua poltrona habitual, com o olhar fixo no distante Castelo da Lua… onde uma longa e amarga história estava prestes a chegar ao fim.

"Meu senhor… tudo começou,"

disse um dos homens que apareceu das sombras ao redor dele.

"Muito bem,"

respondeu o príncipe com calma, enquanto o cavaleiro com uma grande espada nas costas perguntava,

"Devemos intervir?"

Os cavaleiros, na verdade, aguardavam apenas a aprovação… para matar sua irmã.

Mas Aegon balançou a cabeça.

"Não. Não vamos ser o centro das atenções nesta noite."

Embora tivesse sido, há muito, contra sua irmã, quem ele estava tentando enganar?

Sansa nunca foi sua rival de verdade. Nunca ameaçou de fato sua reivindicação ao trono.

Pensar nela… trouxe memórias de há muito tempo atrás.

"Antes a gente brincava junto… o tempo todo."

Ela era sua irmã.

Uma irmã por quem ele já estaria disposto a fazer qualquer coisa.

Mas agora… o que o príncipe sentia no coração ao pensar nela?

"Nada. Absolutamente nada."

Ele riu amargamente, falando ao ar como se estivesse se dirigindo a uma presença invisível.

"Não é isso, certo?"

"Meu senhor?"

perguntou um dos guardas, confuso.

Aegon acenou com a mão, sem nem olhar para eles.

"Não liguem pra isso. Só estou falando comigo mesmo."

Os cavaleiros não disseram nada.

Permaneceram em silêncio, obedientes como sempre.

Aegon era quem os tinha reunido… a quem confiavam acima de todos.

O silêncio deles era a prova de seu controle absoluto.

O príncipe sorriu levemente… enquanto a batalha final começava, lá longe, do outro lado.

– Castelo da Lua –

Uma fortaleza vazia, sem vida.

Suas paredes frias e solitárias um dia ecoaram com calor, cheias de pessoas que davam vida a ela… mesmo no frio do inverno.

Mas agora aquelas paredes estavam mergulhadas em sombras. Uma escuridão crescente consumia a luz, pouco a pouco.

As sombras avançavam rapidamente, devorando tudo em seu caminho.

Hoje, mais do que nunca, estavam mais fortes… mais hostis.

A escuridão engoliu o castelo por completo, chegando até os imponentes portões que levavam ao exterior.

Lá… sentado em uma cadeira de madeira, cercado por três lanternas que lançavam uma forte luz azul… estava Oliver Khan, de cabeça abaixada em silêncio, enquanto exalava lentamente… sentindo as sombras se fechando de todos os lados.

A luz das lanternas diminuiu instantaneamente assim que tocou aquele poder sufocante.

Oliver Khan, exausto e desgastado, levantou-se lentamente, fixando o olhar em um ponto dentro do abismo.

E lá—através do vazio—apareceram aqueles olhos carmesim, acompanhados por um sorriso monstruoso.

"Sansa…"

Porém, não foi a resposta que ele esperava.

"Seu tempo acabou, humano," ela respondeu friamente.

Sua voz cortou mais fundo do que qualquer lâmina poderia.

De repente, ele puxou suas adagas, agora envoltas em uma aura azul… chamas gêmeas ardendo intensamente em suas mãos.

"Por quê?"

Ele perguntou…

Mas não obteve resposta.

Seu corpo, que vinha correndo sem parar por mais de um mês, e sua alma, pesando com encargos intermináveis…

O Grande Vigía já tinha atingido seu limite, tanto física quanto mentalmente.

Mas ele continuou avançando.

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