O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 251

O Ponto de Vista do Vilão

-Do Ponto de Vista de Frey Starlight-

Um mês inteiro se passou desde meu retorno ao Templo e o começo do segundo ano.

— Você está bem melhor esses dias, cara — comentou Danzo, ajustando o cabelo enquanto caminhávamos juntos pelo caminho principal em direção às aulas — Eu na sua posição, com Danzo à minha direita e Ghost à minha esquerda.

— Melhor? O que exatamente mudou em mim? — perguntei.

Já havia ouvido esse comentário mais de uma vez, geralmente do Danzo. Ele sempre prestava atenção aos detalhes.

— As olheiras estão desaparecendo, e sua aura está diferente. Você quase saiu daquela fase emo — observou ele, percebo coisas que eu nunca notei em mim mesmo.

— Se eu tivesse metade da sua energia, talvez eu não tivesse tido esses problemas no começo — murmurei.

O cara faz flexões até desmaiar. Tem um limite para o quanto uma pessoa deve ser insana.

— Ei, nenhum de vocês consegue lidar com minha energia… especialmente você, boy magro — disse ele, apontando para Ghost, sorrindo.

— … — Ghost permaneceu em silêncio, como sempre. Normalmente isso provocaria Danzo, mas ultimamente os dois estavam mais calmos. Eles já tinham se acostumado um com o outro.

— Como você está, Ghost? Nada te incomodando, né? — perguntei, aquela pergunta sendo feita com frequência. A resposta dele nunca mudava.

— Tá tudo bem — respondeu ele, de forma simples.

Ele nunca questionava por que eu perguntava. Era só quem ele era.

— Por que você continua perguntando isso todo santo dia? — Danzo interrompeu, naturalmente.

— Sem motivo especial — respondi.

— Ah, já entendi. Olha só pra ele… parece que vai desmaiar a qualquer momento. Como alguém consegue brigar com um corpo de esqueleto? — Danzo começou a circular ao redor de Ghost, como de costume. Ghost, sem se intimidar, respondeu de forma calma.

— Esse esqueleto aqui é mais do que suficiente para demolir sua muralha de músculos — respondeu ele, tranquilamente.

E aí estava.

— Haha! Isso é ótimo! — Danzo riu e arregaçou as mangas.

Percebendo o que viria, sumi da cena.

— Então me mostre, seu idiota! — gritava ele, enquanto a batalha parecia inevitável.

Eles tinham se aproximado, de fato… mas a luta ainda era questão de tempo.

Olhei para trás uma última vez. Ghost desviava dos ataques de Danzo como se fosse nada.

O assassino silencioso tinha escolhido ficar do meu lado, ao contrário da Snow. E, como eu não o afastava mais, acabamos nos tornando amigos de alguma forma.

Ding!

Ghost Umbra

Pontos de Afeição: 50

Essa pessoa considera você uma parte essencial da vida dela.

Informações Disponíveis:

Nome: Ghost Umbra

Classe: B+

Estilo de Combate: ???[1]

Pensamento Atual:

— O que passa na cabeça daquele musculoso… se é que ele tem uma cabeça? — pensei.

Ainda não tinha entendido completamente o que aquilo significava. Talvez tivesse a ver com a conversa de “luz e sombra” que ele sempre mencionava.

De qualquer forma, Ghost fazia parte do Tribunal da Sombra… uma organização que parecia uma dor de cabeça constante para quem estivesse sob seu radar.

Ele quebrou o código deles durante o Victoriad usando todo o seu poder. Eu expectava uma reação forte.

Até usei o ponto de vista em terceira pessoa nele algumas vezes, mas nada aconteceu.

Talvez eu não conhecesse minha história antiga tão bem quanto achava.

De qualquer modo, esperei… pelo que viesse a seguir. Mas ainda estava tudo meio nebuloso.

Abri o sistema, olhando o registro de missões:

Missões Principais:

— Eliminar a Escuridão da Família Imperial: 5000 pontos de conquista

Penalidade por Falha: -5000 pontos

Morte do Príncipe e da Princesa.

Sim… eu não fazia ideia de como aquela missão tinha sido ativada. Ela simplesmente… apareceu.

Fui até a sala de aula. Ela estava lá, sentada com as outras.

Sansa. Ao lado de Seris Lua-prateada e Selena Hemsworth.

Por algum motivo, eu tinha a impressão de que a escuridão mencionada na missão não se referia ao irmão dela, a cobra.

Se o alvo fosse Aegon, a missão não teria surgido agora. Por mais retorcido que ele seja, ainda é inteligente. Ele nunca chegaria a matar o Imperador… e duvido que pudesse, mesmo tentando.

Não… a resposta verdadeira era Sansa.

Desde que aquela missão apareceu, tentei me aproximar dela várias vezes, mas quase não conseguimos conversar mais de cinco minutos. Era como se uma força invisível estivesse me afastando.

Ela estava mais quieta, com os olhos mais sombrios, e seu cabelo, que um dia foi brilhante, começava a perder o brilho.

— Ei, você — disse ela.

Enquanto eu a encarava distraidamente de minha cadeira, Ragna se virou de sua mesa na minha frente.

— Ragna? O que foi? — perguntei.

O bruto portador da lança me observou por um momento antes de perguntar:

— É… talvez…

— É o quê? — insisti.

Ele se inclinou um pouco, despertando minha curiosidade.

— O que você acha da princesa? — perguntou.

Aquela pergunta me pegou de surpresa.

— Em que sentido? — tentei parecer indiferente, mas ele foi direto ao ponto.

— Acho que você está apaixonado por ela — afirmou ele.

— Por quê você acha isso? — questionei.

— Sério que está me perguntando isso? — ele suspirou, apoiando-se na minha mesa.

— Você fica olhando pra ela há semanas. Tenta sempre se aproximar. Já existem boatos, cara! — alertou.

Ah…

— Então todo mundo pensa assim também? — questionei, perplexo.

— É. Vai com calma, mano! Não deixa os sentimentos te dominarem como um animal — aconselhou Ragna.

Conselho amoroso dele…

— Não precisa se preocupar. Não é o que parece — falei lentamente.

Acho que é fácil interpretar errado em situações assim… e, pra falar a verdade, minhas palavras provavelmente não soaram muito convincentes.

Ragna bateu no meu ombro, com expressão séria.

— Sem stress. Eu entendi — disse ele.

— Entender o quê? Como eu já disse— — comecei.

— Primeiros amores sempre são os mais difíceis. A sua infelizmente é a princesa. Ela está muito fora do seu alcance, mas não desista! Um dia, você encontra seu verdadeiro amor! — concluiu ele, com otimismo.

Ele não ia escutar.

— Tanto faz, mano. Vamos deixar pra lá — finalizei.

Ragna assentiu novamente, achando que tinha entendido minha “luta”. Devia ter pensado que eu estava de coração partido, após a rejeição.

A aula começou, com Sofia na sua posição de sempre na frente. Eu, na parte de trás, me encostei na cadeira e olhei para o teto.

— Primeiro amor, hein…? — pensei, rindo de mim mesmo enquanto refletia sobre tudo que tinha acontecido.

Desde que perdi minha razão de viver, estou completamente perdido. Então, esperei… esperei em silêncio, até que aquela missão surgiu… uma espécie de sinal, um aviso.

E, no instante em que ela apareceu, corri atrás como uma criança desesperada, à procura de alguém que me dissesse o que fazer.

Nem percebi como as pessoas estavam me observando… como eu aparecia aos olhos deles.

Agora que finalmente abri meus olhos, percebo que todo mundo viu isso. Deve ter sido patético.

— Isso realmente não parece comigo… — pensei.

Será que ela pensa igual?

Ding!

Nome: Sansa Valerion

Pontos de Afeição: 50

— Sansa vê você como uma amiga meio estranha, mas não se importa de ter você por perto —

Pensamento Atual: Estou com sono…

Tão simples…

Depois de tudo, aquela menina consegue ler emoções pelas expressões faciais. Provavelmente, já descobriu que esses boatos não eram verdade.

Pela primeira vez, senti gratidão pela estranha habilidade dela.

Mesmo assim, isso não mudava o fato de que eu precisava me controlar melhor de agora em diante.

Mas, pensando nas palavras do Ragna… amor, hein?

Lembrei de ter escrito algo assim no romance que criei.

Olhei ao redor dos personagens principais perto de mim… cada um tinha se desviado tanto do caminho que eu tinha planejado originalmente.

No esboço inicial, a guerra não deveria começar tão cedo. Os personagens deveriam viver tranquilamente por um tempo no templo.

Naturalmente, esse ambiente pacífico teria favorecido o florescimento de relacionamentos aqui e ali.

Afinal, eles eram praticamente estudantes do Ensino Médio em um cenário de fantasia.

Mas agora… devido à guerra iminente e todas as mudanças… nenhum romance havia surgido ainda. Nem mesmo algum namoro entre os estudantes mais jovens, o que era comum antes ali no templo.

Honestamente, preferia assim.

Minha idade mental já ultrapassou facilmente os trinta anos. A última coisa que queria era me envolver em dramas juvenis de romance adolescente.

É, melhor deixar pra lá…

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