O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 217

O Ponto de Vista do Vilão

-POV de Frey Starlight-

Cliquei na opção de pergunta sem hesitar.

Naquele momento...

Senti minha alma tremer, não apenas meu corpo.

Anticipação, saudade, medo...

Tudo se acumulando em direção ao futuro desconhecido.

No instante em que cliquei na opção de pergunta,

palavras inesperadas apareceram diante de mim — me impedindo de seguir em frente.

Conselho gratuito:

— Pense bem antes de usar sua Sistema de Pergunta. Quem sabe o que o futuro reserva? Pode ser tarde demais para se arrepender. —

Um vazio avassalador me engoliu.

Apareceu uma nova dica, ao lado dos conselhos habituais Direto e Aleatório...

algo que eu nunca tinha visto antes.

O sistema estava literalmente me dizendo para não usar minha Pergunta do Sistema neste momento.

— Arrependimento? Futuro? —

Apertei os punhos com força, lutando para conter a enxurrada de emoções que surgiam dentro de mim.

— Você está brincando comigo agora? —

Quer que eu hesite?

Agora, depois de tudo?

Depois de todo sofrimento?

Sem pensar, ignorei completamente o aviso.

— Vá para o inferno com você e seu conselho idiota. —

Eu não queria mais sua besteira.

Queria uma resposta.

O caminho de volta para eles.

Palavra por palavra, digitei a pergunta que assombrava minha mente há milhares... não, milhões de vezes.

— Como posso voltar ao meu mundo? —

Para minha família.

Para minha vida.

Naquele instante, parecia que tudo ao meu redor congelou.

Meu mundo inteiro...

parou.

Até o tempo parecia estagnar.

A tela ficou preta... tudo desapareceu.

E, lá do fundo do laptop, senti uma presença despertar.

Naquele momento, ouvi uma voz.

A voz dele.

— Então, você usou no final... a Pergunta do Sistema... mesmo eu tendo te avisado... você vai se arrepender. —

A voz dele soava mecânica...

desumana.

Uma voz que eu nunca tinha ouvido antes.

E, por algum motivo,

cada palavra que ele dizia despertava algo profundo dentro de mim.

Era ele.

Ele era o responsável por tudo o que aconteceu comigo até agora.

Senti minha cabeça queimar de raiva.

Gritei.

— Seu bastardo! —

Coloquei a testa contra a tela.

— Vá se ferrar! Queime no inferno junto com seu maldito conselho! —

Gritei até a garganta queimar, amaldiçoando a entidade do outro lado da tela.

Dei a minha maldição.

E amaldiçoei.

E amaldiçoei.

E amaldiçoei de novo.

Por um longo, longo tempo.

Enquanto isso, ele apenas escutava em silêncio.

— Droga... Só me diga...

— Diga... —

— Como posso voltar ao meu mundo? —

Não aguentava mais aquilo.

Não tinha mais forças pra lutar.

Aquela tênue esperança que ainda sustentava era insuficiente.

Cheguei ao meu limite.

Collapsei diante do laptop, com o corpo tremendo.

— Por favor...

— Eu imploro...

Com a voz trêmula, suplicava por uma resposta.

— Por favor... me diga... como posso voltar para eles? —

Para o meu mundo.

Engoli aquelas palavras, engolido pelo silêncio.

O silêncio se estendeu.

Um minuto.

Um minuto que pareceu uma eternidade.

Até que, finalmente, a resposta veio.

— Você não pode. —

Apenas essas palavras simples.

E minha mente ficou completamente vazia.

— Q-que... o... —

Nem consegui formar uma palavra decente enquanto ele continuava falando...

— Você não pode retornar a um mundo que nunca saiu na primeira vez. —

— O quê... —

— Escritor. Autor. Filho. Estava em um carro com a família naquela manhã, indo trabalhar. —

Suas palavras saíam incessantemente, como uma máquina implacável.

— Em 2026, naquela noite, a humanidade testemunhou um desastre sem precedentes...

quando portais surgiram do nada, desencadeando o inferno e seus horrores sobre o mundo deles. —

Aquelas palavras me atingiram como uma tempestade violenta.

— Aquilo que cegou os olhos... era a luz do portal que se abriu diante deles, fazendo o carro capotar e matando todos. —

Eles morreram.

Sua família morreu.

Era isso que ele dizia...

— E agora, mais de 300 anos depois, aqui está você, reencarnado... não como aquele 'escritor'... mas como seu verdadeiro eu, Frey Starlight. —

A voz caiu no silêncio.

E, com ela, tudo escureceu.

— Não... —

Cada fibra do meu ser tremeu.

Mal consegui murmurar as palavras.

— Não... —

Nunca tinha saído do meu mundo, na verdade.

Estive lá o tempo todo... apenas no futuro.

Essa era a verdade.

Lágrimas caíram dos meus olhos enquanto eu desmoronava no chão, o rosto carregado de desespero.

Nem sabia mais qual expressão estava fazendo naquele instante.

Estava berrando?

Estava chorando?

Eu não sabia.

Havia tantos sinais o tempo todo.

Tantos indícios.

Bati com força no chão.

O piso se quebrou sob meus punhos, repetidamente.

Se eu tivesse pensado direito,

talvez pudesse ter percebido tudo desde o começo.

Mas não percebi.

Escolhi ignorar...

afastar-me da esperança até o último momento.

Dois anos...

dois anos de sofrimento que nenhum ser humano normal conseguiria suportar.

Mas a pior dor...

ainda mais do que tudo isso junto...

eram aquelas palavras.

Elas morreram.

Estavam mortas.

Todas elas.

Ouvi um grito arrepiante.

Um lamento profundo de angústia.

Como o rugido de uma fera antiga, enfurecida.

E, finalmente... percebi que era a minha própria voz.

Eram minhas próprias lágrimas.

A escuridão ao meu redor se espessou.

Elas morreram por minha causa.

Pai...

A escuridão se aprofundou ainda mais.

Mãe...

Se eu não tivesse escrito aquele maldito romance...

Meus irmãos...

Se eu não tivesse criado esse pesadelo amaldiçoado...

Todos eles...

Mas não...

No fim das contas...

— Você é o responsável!!! —

Gritei, avançando contra o laptop com uma raiva descontrolada, jogando-o na parede.

Aquela coisa...

Aquele engenheiro...

— Você é o responsável! —

Sentia que ia explodir.

Andei, envolto numa tempestade de trevas.

Minha visão retornou.

Mas eu já não me importava mais com nada.

Tudo tinha acabado.

Encontrei-me dentro de um hospital.

Dentro da sala que acabei de destruir com as próprias mãos.

Conforme minha consciência retornava lentamente,

vi os corpos de todas as enfermeiras e médicos espalhados ao meu redor.

Eu os havia matado a todos.

Mas não me importava.

Nada importava mais.

Com o rosto vazio e sombrio, continuei andando, destruindo tudo pelo caminho.

De repente, guardas começaram a cercar-me.

Mas eu segui em frente.

Depois de desbloquear a primeira fase da Adaptação à Sombra...

e com aquela aura estranha me envolvendo...

ficara mais forte.

Muito mais forte.

Quebrava tudo ao meu redor.

Chorava lágrimas de sangue, lamentando meu estado miserável.

Eles estavam mortos.

Por que teria lutado tanto assim?

Por que suportei toda aquela dor?

Nem sabia quando aconteceu, mas as guardas de nível S-Class me cercaram de forma apertada, prendendo meu corpo com toda força... e eu nem sequer os via.

Tudo o que conseguia ver...

eram seus corpos.

Os corpos da minha família.

— Ah... não adianta mais... —

Sim, era inútil.

— Não faz mais sentido viver. —

Todos ao meu redor estremeciam de medo enquanto meu corpo começava a se rachar, linhas roxas se espalhando como cicatrizes terríveis.

Vamos acabar com esse sofrimento patético.

A energia aura que se intensificava violentamente aumentou, e todos por perto sentiram um terror avassalador.

Vi Ada, Carmen...

e muitos outros.

Muitos olhos me observando.

Mas eu não me importava mais.

Fechei os olhos, pronto para explodir meu corpo e acabar com tudo.

Gritei.

— Ignição! —

...

...

...

À medida que o corpo de Frey Starlight se rachava, liberando uma onda horrenda de aura, todos ao redor dele foram tomados pelo terror.

O medo daquele jovem.

Normalmente, Frey usaria a ignição detonando uma arma — não seu próprio corpo.

Seu corpo deveria ser apenas um meio.

Mas agora... aquele jovem estava prestes a explodir ele mesmo.

Esse ato liberou toda a força de uma aura de classe SSS.

Frey Starlight pretendia se destruir, acabar com sua vida... e arrastar esse mundo miserável junto com ele.

O mundo inteiro tremeu naquele momento.

Uma explosão dessa magnitude não apagaria apenas o Templo.

Ela apagaria toda a capital, Belgrado, do mapa.

Ada Starlight assistia impotente enquanto seu irmão, engolido pela escuridão, caminhava rumo à sua própria destruição.

E então, como por um milagre, antes que o jovem pudesse explodir...

A tatuagem de serpente no braço esquerdo de Frey brilhou com uma luz azul radiante.

A serpente se enrolava firmemente ao redor de seu corpo, e daquela mão surgiu uma espada amaldiçoada, completamente negra.

A espada se moveu como se tivesse vontade própria, levantando-se e absorvendo com força toda a aura explosiva.

Balerion a devorou, elevando a aura da morte alto no céu.

Uma coluna imensa de aura negra ameaçadora disparou em direção ao céu, perfurando a cúpula de classificação S que protegia o Templo... destruindo-a como vidro frágil... e continuou, abrindo um buraco gigante nas nuvens acima.

O mundo todo testemunhou aquela coluna.

Todos no Templo.

Os cidadãos de Belgrado.

Todos olhando horrorizados para aquela visão aterradora.

Quem esteve na Prova da Ilha já tinha visto antes.

Entre eles...

Phoenix Sunlight olhava fixamente para o jovem, correndo em sua direção.

Em direção a Frey Starlight.

A espada na mão esquerda dele salvou todos eles, expulsando a escuridão negra do céu com força.

Gradualmente, a escuridão se dissipou.

E ali estava ele...

Frey, com o corpo rachado e quebrado, os olhos sem vida... como um cadáver antigo e ressecado.

Ada Starlight observou em silêncio... enquanto seu irmão desabava lentamente no chão.

Aquela expressão final que ele usava ficou para sempre gravada em sua memória.

A expressão...

de alguém que perdeu tudo.

O rosto...

de alguém que escolheu a morte.

Aquela...

era Frey Starlight.

...

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