
Capítulo 184
O Ponto de Vista do Vilão
Entre os estudantes que lutavam para sobreviver… e outros que se enfrentavam constantemente entre si…
A princesa Sansa Valerion estava sentada tranquilamente dentro de sua cabana no interior de uma árvore oca.
Adriana ainda estava lá.
Jessica, por sua vez, tinha ido e vindo regularmente, coletando comida, água limpa e suprimentos,
Mesmo que a princesa nunca tivesse pedido isso a ela.
No dia anterior, em particular, tinha sido… estranhamente silencioso.
Adriana não se aproximou da princesa.
Ela não tinha falado com ela sequer uma palavra.
Jessica só falava quando se tratava de necessidades imediatas ou sobrevivência.
Como consequência…
Sansa frequentemente se perdia em seus próprios pensamentos.
Adriana não tinha percebido logo de início.
Mas, após lutar para dormir ultimamente, abalada pelos acontecimentos recentes…
Ela percebeu algo incomum.
Sansa Valerion… nunca dormia.
Ela ficava em silêncio, perdida em pensamentos por horas a fio.
Às vezes, ela saía andando lá fora.
Depois voltava.
Era… desconfortável, de certa forma.
Até que chegou aquele dia…
—21 dias desde o início do Desafio na Ilha—
Como de costume, as garotas estavam sentadas dentro da enorme árvore.
Jessica estava ausente no momento.
Então, algo mudou.
Os olhos de Sansa brilharam de repente, ela sentiu algo no ar.
Chove forte lá fora, como aconteceu tantas vezes ultimamente.
Com o tempo, os estudantes se acostumaram com isso.
Sansa caminhou até a entrada, espiando lá fora.
Os corpos de Baij ainda estavam ali—Jessica não tinha terminado de removê-los.
Porém, a chuva tinha lavado parcialmente os cadáveres, limpando-os um pouco.
E, de entre aqueles corpos…
Alguém apareceu.
Adriana estremeceu imediatamente ao vê-lo.
Ultimamente, até sua própria sombra a assustava—quanto mais algo assim.
Uma figura emergiu—
Um jovem, etéreo, com cabelo branco intenso.
Mas Sansa apertou os olhos, estudando-o.
"Frey?"
Com um sorriso tênue, o garoto deu um passo à frente.
Aquela armadura negra,
Aquelas olhos que giravam como um vórtice—
Linhas escuras traçavam sob eles,
Indício de privação de sono.
E, mesmo assim,
Ele tinha um rosto que poderia ser considerado bonito, —mesmo comparado aos outros elites do Templo.
Como um príncipe caído de um reino perverso e perdido no tempo.
"Olá… Sansa."
A aproximação dele deixou claro…
Que ele não estava perdido.
Ele veio aqui de propósito.
Instintivamente, Adriana ergueu sua lança…
Porém, Sansa não se moveu.
Frey esperava esse tipo de recepção—
Principalmente de Adriana, cuja presença ele não previa.
Então, ele deixou clara suas intenções desde o começo.
"Não há necessidade de hostilidade. Não vim aqui para lutar."
Ele olhou para os corpos de Baij espalhados ao redor.
"Parece que você recebeu algumas visitas recentemente… e resolveu bem."
Sansa ignorou o comentário inútil e foi direto ao ponto crucial.
"Por que você está aqui? Usou pontos para me localizar?"
Apesar de tudo pelo que passou recentemente,
Ela ainda era uma princesa.
Ela não era cega.
Percebeu a queda repentina de pontos de Frey, a dedução exata de 500 pontos.
Conectar os pontos não era difícil.
E Frey… não negou.
"Fiz exatamente isso.
Vim aqui… por você, Sansa."
Seu reconhecimento apenas aumentou a confusão…
Mas, pelo menos…
Ela não o via como inimigo.
"Você veio atrás de mim, é? Então, entre. Você já está encharcado mesmo."
Ela virou as costas e entrou de volta na árvore.
Adriana ficou chocada.
Ela realmente ia deixar Frey entrar?
Ela tentou falar…
Mas Sansa não lhe deu chance.
Frey observou as duas com expressão vazia.
Depois, entrou também.
Nem ele tinha esperado que Sansa fosse tão… tolerante.
Mas ela provavelmente já tinha intuído suas intenções há muito tempo…
Se ele fosse tentar machucá-la,
Ela teria percebido imediatamente.
No momento em que Frey entrou em seu abrigo particular,
Ele parou—olhou ao redor, analisando o espaço.
Surpreendentemente espaçoso.
Com recursos simples, eles montaram três áreas de dormir separadas.
Comida e suprimentos estavam cuidadosamente guardados de lado.
E o aroma no ar…
Era inconfundivelmente feminino.
Um cheiro que só poderia vir de um espaço ocupado por três garotas…
Muito melhor do que a sujeira do lado de fora.
Os sentidos de Frey captaram tudo… e ele não reagiu.
A princesa indicou que ele se sentasse.
Adriana, por sua vez, afastou-se o máximo que pôde.
A cada troca de olhares,
a menina tímida parecia encolher ainda mais.
Frey sorriu ao relembrar como ela falava com ele de forma tão casual… antes, quando não sabia quem ele era.
Os humanos têm uma tendência seletiva por natureza.
Seguem a maré com frequência.
Se alguém é rotulado como "ruim" por um grupo, esse rótulo adere—
Seguindo até sua sepultura.
E a reputação de Frey era… qualquer coisa, menos favorável.
Ele sabia disso muito bem.
Agora, sentado diante da princesa,
os dois trocaram olhares por um breve momento.
Ambos com os olhos negros agora.
"Então… tem algo a dizer?"
Sansa perguntou, encostada na mesa que Jessica tinha levantado anteriormente.
Frey cruzou os braços,
e foi direto ao ponto.
"Resumidamente… preciso da sua ajuda, Sansa."
Preciso de ajuda.
Sansa.
Quantas vezes ela já tinha ouvido essas palavras dele no passado?
Mas essa era a primeira vez desde que sobreviveu aos Ultras.
Ou melhor…
dessa nova versão de Frey.
"Exatamente do que você precisa de mim?
Tá querendo formar uma equipe?
Não…
Não me pareço com alguém que faria isso."
Frey balançou a cabeça,
e começou a explicar.
Ele já tinha decidido—
Ele iria revelar tudo.
"Preciso da sua ajuda para lidar com o seu irmão…
Aegon."
A expressão de Sansa escureceu ao ouvir o nome.
Enquanto isso, Adriana pulou da cadeira, incapaz de aceitar o que estava ouvindo.
"Frey Starlight! Como você ousa tentar colocar Sansa contra o príncipe assim?!"
Ao ouvi-la, ambos, Frey e Sansa, suspiraram ao mesmo tempo.
Claramente, a garota sem noção ainda via Aegon como o príncipe perfeito…
Sem perceber sua verdadeira natureza.
Nos olhos dela, talvez Sansa e Aegon fossem apenas irmãos amorosos,
meramente envolvidos em uma rivalidade…
"Adriana…
Por favor, não se envolva nisso.
Sei melhor do que você o que devo ou não fazer."
Ordenada pela própria princesa,
Adriana ficou calada.
Ela não esperava que Sansa tomasse o lado de Frey na frente dela.
Voltando-se para Frey,
Sansa perguntou calmamente:
"O que aconteceu?"
Como Frey ganhou o ódio de Aegon?
Ele explicou brevemente…
Não revelou exatamente como sabotou o plano de Aegon envolvendo Kai Luc,
Mas deu uma visão geral, misturando grande parte da verdade na sua história.
Depois de juntar as peças…
"Aegon juntou toda a turma do terceiro ano contra você…
Só para te eliminar da prova?"
Frey confirmou com a cabeça.
"Exatamente."
Sansa pensou profundamente.
Para Aegon, rotular alguém como inimigo…
Não era uma coisa trivial.
Seu irmão via as pessoas como peças para jogar, não como iguais.
Porém, ela também conhecia alguns segredos de Frey…
Sobre a força que ele escondia.
Ela conseguiu entender como tudo chegou a esse ponto.
"Mas eu não entendo…
Frey, com seus pontos atuais, você já passou na prova.
Por que arriscar ir até o fim contra ele?"
Em outras palavras,
Frey tinha pontos suficientes para evitar a eliminação.
Ele poderia simplesmente ficar fora de confusão e deixar que a prova terminasse.
Mas isso não era uma opção.
"Uma das regras da prova diz que tenho que chegar ao ponto de encontro final.
Se eu for eliminado antes disso, mesmo com meus pontos atuais…
Não poderei entrar na Victoriad."
A última regra do exame na ilha:
– Os participantes devem chegar à zona final designada, cujo local será divulgado ao final da prova.
Falhar nisso resultará na desclassificação.
Essa única regra era uma cadeia que prendia Frey.
Porque ele precisava alcançar aquele ponto para garantir sua vaga na final,
isso o tornava o alvo perfeito.
O grupo extremista que queria sua cabeça ainda não se mexeu,
e ele não podia perder tempo lidando com os estudantes do terceiro ano.
Sansa olhou para Frey por um momento…
Antes de fazer finalmente uma pergunta que lhe martelava na cabeça há algum tempo.
"Frey…
O que a Victoriad significa para você?"
"Tudo."
Frey respondeu imediatamente.
Ao ver o quão sério ele estava, Sansa não compreendeu exatamente a razão,
mas não insistiu mais.
"Você precisa de alguém para manter os estudantes do terceiro ano longe de você até o final da prova… assim você pode chegar à zona final em segurança."
Frey assentiu, embora aquilo não fosse totalmente verdadeiro.
O que ele realmente precisava era de cobertura—
Para lidar com a facção Moonlight sem distrações.
Mas não adiantava contar isso agora à Sansa.
Ela pensou por um momento e deu sua resposta:
"Tudo bem… Eu vou te ajudar."
Frey piscou, surpreso, com a rapidez da aceitação dela…
Mas tentou disfarçar com um pequeno sorriso.
"Desculpe… acabo sempre usando nossa amizade assim."
Na frente do Frey arrependido, Sansa balançou a cabeça.
"Não estou te ajudando por bondade.
Estou pagando uma dívida.
Você me salvou uma vez, lembra?"
Suas palavras os puxaram de volta…
Aquele dia em que enfrentaram Feyrith juntos.
Se não fosse por Frey… quem sabe o que teria acontecido?
O sistema teve um papel importante, claro—
Mas isso não mudava o fato: ele tinha salvado sua vida.
E assim, Frey conseguiu o que veio buscar.
Porém, ele nem teve tempo de abaixar a guarda.
Num movimento rápido, sacou sua espada… Bloqueando uma emboscada repentina vindo de um lado.
Jessica Thievenin tinha voltado… E não parecia nada amistosa.
Frey imediatamente liberou uma onda de Aura Sombria,
Reprimindo ela enquanto ela ativava uma pressão gravitacional para tentar segurá-lo.
"Princesa! Dê um passo para trás, eu cuido do invasor!"
Ela provavelmente pensava que ele tinha vindo roubar seus suprimentos…
Ou que buscava os pontos na cabeça deles.
Então, ela não hesitou em atacar.
Frey a reconheceu—
E pensou em como detê-la sem machucá-la.
Mas não precisou.
SWOOSH
De repente, centenas de fios pretos se lançaram à frente,
Enrolando-se firmemente ao redor de Jessica, que ficou completamente presa.
O mais forte do segundo ano…
Não pôde fazer nada contra aquele poder.
Atada pelos fios negros, Jessica finalmente parou…
Olhou, perplexa, para quem era o responsável.
"Reduza sua aura… Jessica. Ele é um amigo."
As palavras calmas da princesa não deixaram espaço para argumentos.
Relutantemente, Jessica obedeceu…
Ela não tinha escolha.
Do outro lado, Frey ficou em silêncio…
Olhando para aqueles fios—
Que emergiam direto da sombra de Sansa.
Por algum motivo…
Seu rosto escureceu ao vê-los.
Sansa libertou Jessica,
Depois deu sua próxima ordem sem vacilar.
"Jessica, vá buscar os demais estudantes do segundo ano."
Ainda confusa, Jessica não entendia bem o que estava acontecendo…
Mas Frey parecia entender.
"Sansa… você…?"
Ela assentiu, confirmando o que ele já desconfiava.
"Desde que Aegon convocou o terceiro ano para atacar você… vamos fazer com que o segundo ano a defenda."
Assim como Aegon tinha o apoio dos estudantes do terceiro ano—
Sansa já tinha a lealdade do segundo.
Frey tinha previsto esse tipo de apoio—
Por isso, ela foi sua escolha desde o início.
"Mas princesa—se eu sair agora—"
"É uma ordem. Vou explicar a situação depois."
Jessica tentou protestar—
Mas a princesa não lhe deu chance.
Ao invés disso, ela reuniu sua sombra…
E voltou para o lado de Frey.
"Até que Jessica reúna todo mundo, você fica aqui conosco.
Frey—se a turma do terceiro ano vier antes disso…"
Com um sorriso, ela cruzou as mãos atrás das costas.
Seus olhos negros brilhavam com uma clareza absoluta.
"Eu mesma vou lidar com eles."
Frey olhou para a princesa diante dele.
Nem ele tinha esperado que isso acontecesse…