O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 172

O Ponto de Vista do Vilão

Nuvens escuras se formaram mais uma vez enquanto o céu retumbava.

A chuva pesada caía sobre as cabeças dos estudantes do templo.

Sem dormir. Sem comer. Sem parar.

Criaturas de pesadelo espreitavam por toda parte, e os competidores aguardavam em silêncio.

Neste ponto, render-se quase parecia a melhor escolha.

Mas ninguém sabia exatamente qual era o número de pontos necessário para evitar a desqualificação.

As pessoas assistiam curiosas enquanto a transmissão da ilha finalmente começava.

Uma exibição emocionante de combate selvagem, sangue, instintos de sobrevivência e competição acirrada.

Mais cedo, após a demonstração impressionante de Daemon Valerion, Magnus Grell se levantou do chão, sua expressão ainda mais sombria—se é que isso era possível, considerando a hora da meia-noite.

Aquela batalha tinha ocorrido na escuridão total.

Suas auras eram a única fonte de luz.

Magnus estava furioso—não apenas Daemon o humilhou, mas Frey Starlight desapareceu no instante em que a poeira assentou.

Frey se mexia rápido. Assumira a segunda posição e escapou sem deixar rastros.

"Aquele idiota... Como foi que ele conseguiu passar por mim assim?!"

Ele conseguia ver através da escuridão e se movimentar silenciosamente, tornando-se quase impossível de ser rastreado agora.

Magnus cerrava as mãos, fervendo de raiva só de pensar nesses arrogantes calouros.

"Vou enterrá-los... todos eles."

O aluno mais forte do terceiro ano voltou a se mover.

O teste ainda não tinha acabado.

---

Vinte horas desde o início da prova.

O sol tinha surgido, mas o céu permanecia sombrio—as chuvas continuavam incessantes.

Abaixo, uma garota de cabelo violeta corria freneticamente.

Os óculos redondos estavam completamente destruídos, seu rosto sujo de sujeira e suor.

Uma caloura.

Adriana Heigeforne estava sendo perseguida por quatro criaturas de pesadelo.

Bestas com braços semelhantes a foices e pernas demais. Frey Starlight as conhecia bem—mas Adriana não.

Ding!

Preços de Foice

Nível: C-

Pontos: 3

O alarme soou enquanto Adriana gritava, empurrando sua lança para trás num pânico.

Uma aura de vento explodiu de sua ponta enquanto ela golpeava, cravando-se nos corpos de seus perseguidores—

—mas eles eram difíceis de lidar.

Lágrimas encheram os cantos de seus olhos.

Ela não estava acostumada a enfrentar algo assim.

Uma bicho-do-mato que só conhecia conforto, de repente, lançado num mundo como aquele?

Já se passaram apenas vinte horas...

Mas para Adriana, parecia que um mês inteiro tinha se passado.

E o pior de tudo—ela não podia sequer se render, sob o risco de ser dilacerada pelos Preços de Foice antes que sua armadura ativasse sua proteção.

Ela quase havia perdido toda esperança.

Whoosh!

De repente, o som da perseguição atrás dela cessou.

Adriana desacelerou, sem fôlego, confusa—incerta do que tinha acabado de acontecer.

Ela virou-se lentamente... apenas para testemunhar uma cena estranha.

Os Preços de Foice tinham sido cravados por baixo, espinhos pretos surgindo de uma sombra enorme abaixo deles.

Os espinhos escuros haviam perfurado seus corpos em vários lugares, deixando-os mortos no ato.

Aquela aura negra sinistra não era nada reconfortante...

Mas a voz que veio a seguir era.

"Então eras tu, afinal... Adriana."

Adriana virou-se instantaneamente.

Andando calmamente entre as árvores, havia uma garota familiar, vestida com elegância em preto com detalhes dourados—portando o brasão da Casa Valerion.

"Princesa!"

A sombra enorme recuou rapidamente, encolhendo-se e desaparecendo sob os pés de Sansa.

Adriana se jogou nos braços de Sansa, abraçando-a com força enquanto ela acariciava suas costas gentilmente.

"Está tudo bem. Você está segura agora."

"Eu... eu sinto muito, Sansa... eu não sabia o que fazer... eles estavam me perseguindo... a noite toda..."

Sansa ficou em silêncio. Simplesmente confortou Adriana, observando-a com aqueles olhos escuros e indecifráveis.

Mas ela ainda era a mesma princesa.

Pouco depois, Sansa levou a tremenda Adriana a um lugar mais seguro—

Uma árvore grande, larga o suficiente ao centro para parecer uma espécie de caverna rasa.

"Vamos ficar aqui por enquanto."

O interior estava vazio, mas era muito melhor do que ficar na chuva.

A partir daquele momento, Adriana não conseguiu parar de falar. Ela despejou tudo, uma palavra após a outra. Confiava profundamente na princesa. Sansa era sua amiga… e tinha salvado ela mais de uma vez.

"Eu não consegui dormir... continuei ouvindo esse canto—era lindo, mas assustador... então eu corri... e aí..."

Os detalhes eram intermináveis, um pouco demais, mas Sansa nunca pareceu incomodada.

Ela apenas ouvia com um sorriso suave.

"Entendi. Deve ter sido bem difícil para você."

Adriana assentiu e abaixou a cabeça.

"Você é incrível... Princesa—quer dizer, Sansa... Você é tão forte, e mesmo com tudo o que está acontecendo lá fora, ainda está bem... gostaria de ser como você..."

"Como eu, hein..."

Sansa murmurou, uma centelha de algo passando por seus olhos. Adriana sabia de alguma coisa? Queria ser como ela?

Não… ela não sabia de nada.

Nem uma única coisa.

A princesa sorriu e se levantou, olhou para fora.

"Quer formar uma equipe comigo, Adriana? Acho que no seu estado atual vai ser difícil terminar esse teste sozinha."

O rosto de Adriana se iluminou imediatamente.

"Posso?!

Sansa assentiu.

"Mas preciso te avisar—não pretendo participar da final. Não vou me movimentar muito. Ficar comigo significa abrir mão da sua chance de classificação."

Adriana balançou a cabeça rapidamente.

"Tudo bem. Nunca esperei passar na prova de qualquer jeito."

"Então, está decidido. Conto com você… Adriana."

Sansa sorriu radiante para ela—um sorriso treinado, perfeito, ensaiado inúmeras vezes.

Em troca, Adriana assentiu timidamente, com as bochechas levemente coradas.

"Sim… sim! Eu vou ficar sob seu cuidado—obrigada de verdade!"

O clima entre elas era quente e terno—até que um relâmpago violento iluminou o local, por breve momento, revelando algo que fez Adriana saltar de pé, segurando com força sua lança.

"Princesa! Atrás de você!"

"Hã?"

Sansa se virou—e viu uma figura parada na entrada da árvore.

Uma garota de cabelo vermelho flamejante, brincos pretos balançando nas orelhas, e olhos rubis estreitos fixados num olhar severo dirigido a Adriana.

Sansa, no entanto, sorriu e avançou entre elas.

"Jessica… então você chegou."

Jessica franziu o cenho, os olhos nunca deixando Adriana.

"Princesa… quem é ela?"

"Ah, essa é Adriana. Ela é minha colega e amiga. Não precisa ficar preocupada."

"Se é assim. Mas tome cuidado."

Sansa concordou alegremente e fez sinal para Adriana se aproximar.

Ao olhar com mais atenção, Adriana reconheceu a garota diante dela—

Jessica Thivenin, a mais forte dos segundos anos.

Alguém impossível de ignorar.

Adriana se sentou ao lado delas em silêncio, sem ousar falar, especialmente pela hostilidade de Jessica, que não tentou esconder.

Durante todo o tempo, Jessica e a princesa discutiram diversos assuntos—principalmente a situação atual da ilha, na perspectiva de Jessica.

"Os calouros dessa vez… estão completamente diferentes. Nunca vi tantos monstros numa única geração."

Jessica suspirou antes de se levantar para partir.

Suas palavras carregavam peso—pois, aliás, os três primeiros na classificação eram todos calouros.

Ela foi pegar sua espada justo no momento em que seu smartband tocou.

Ding!

A próxima localização foi anunciada.

"Com sua permissão… Princesa, vou me retirar agora. Vou passar perto de você sempre que puder e estiver na sua área—então, por favor, tome cuidado. Se eu não vir pessoalmente, alguém da minha turma virá."

"Jessica… isso já é demais. Concentre-se na sua prova."

Sansa falou com uma leve carranca.

"Como desejar, minha princesa. Então, até mais."

"É…"

Parece que Jessica não ia seguir ordens tão cedo, mas Sansa não disse nada. Jessica sempre foi assim, desde que conseguiu recrutá-la há algum tempo.

Whoosh

Jessica desapareceu, mas antes lançou um olhar de aviso para a Adriana ainda nervosa.

Assim, as duas ficaram sozinhas.

"Vamos procurar algo para comer, Adriana?"

Adriana assentiu hesitante.

Ela ainda estava visivelmente abalada…

Mas, mesmo assim, seguiu a princesa, apertando sua lança.

Enquanto isso, Sansa caminhava casualmente pela floresta, como se estivesse de volta aos jardins de rosas que tanto amava—não na floresta cheia de pesadelos em que estavam.

Como uma princesa perdida vagando na escuridão.

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