O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 179

O Ponto de Vista do Vilão

–Ponto de vista de Frey Starlight–

"Isso não pode estar acontecendo de verdade."

Não conseguia acreditar no que meus olhos estavam vendo…

Não, no que meus ouvidos estavam ouvindo—

O grito terrível daquela monstruosidade de oito membros.

A Senhora das Oito Patas tinha entrado em frenesi, pisoteando tudo ao redor em uma crise de loucura.

Seu tamanho era colossal—quase como uma montanha. Eu via ela mesmo de longe…

E mesmo daqui, aquela aura amaldiçoada chegava até mim.

—Não… essa não é a real.

É impossível que o Império tenha subjulgado a verdadeira Senhora das Oito Patas.

Ela é uma das Três Senhoras do Pesadelo, junto com o Cosmo e o Vigia do Abismo.

Ou seja—ela pertence à classe SS+.

Mas o que eu estava vendo agora… era muito mais fraco.

Depois que me acalmei e avaliei a situação com mais calma, comecei a notar as diferenças.

O tamanho da verdadeira Senhora deveria ser muito maior do que isso.

Com base nesses fatos, isso deve ser uma de suas filhas.

Ela parecia ter acabado de nascer…

Para o Império se aventurar profundamente nas Terras do Pesadelo do Sul e retornar com uma dessas—

Bem na frente do nariz da mãe dela…

O Imperador e sua família são completamente lunáticos.

Ainda assim… essa falsa Senhora era enorme por si só. Só ela aterrissando na ilha já tinha eliminado dezenas de participantes.

Se não tomassem cuidado, morreriam. O veneno dela era instantaneamente letal.

Olhei para o meu relógio antes de me afastar.

—Não sou louco de enfrentar essa coisa.

Nem sequer deram um valor de pontos pra ela—

O que significava: ela não podia ser derrotada por nós. A Senhora das Oito Patas tinha uma regeneração absurda, regenerando instantaneamente, não importava quantas vezes fosse abatida.

Então, qual seria o objetivo de liberar essa criatura…

Provavelmente ensinar a gente a fugir—como lidar com entidades muito além da nossa força.

Seja qual for o motivo…

Não fazia diferença para mim.

—Sobreviver até o fim.

Passar no exame.

É só isso que importa.


Frey Starlight estava longe o suficiente—não sofreu a fúria da Senhora das Oito Patas.

Mas para os que estavam perto…

Tudo mudou.

Entre eles—Snow Lionheart e Daemon Valerion ficaram enterrados sob o chão após a última fúria da Senhora.

Uma de suas patas atingiu perto deles, fazendo o terreno acima deles se inverter—embora ela nem tivesse os atingido diretamente.

Pode-se dizer que o mundo todo prendeu a respiração após aquela cena.

A batalha entre Daemon e Snow foi tão incrível que fez os cidadãos do Império pularem de alegria.

Depois veio o impacto—

Ver Snow usando múltiplos elementos como se fosse simplesmente algo natural deixou a todos boquiabertos.

Mesmo os indivíduos mais talentosos geralmente nasciam com, no máximo, dois elementos.

O uso de todos os seis elementos provocou uma reação violenta da Igreja, especialmente do Bispo Plattier, que tremia enquanto assistia à luta de Snow.

—Um abençoado… com tanto talento e presença…—

O restante do clero concordou—

Deve ser uma bênção de seu Deus.

Aquele que eles reverenciavam e adoravam:

O Senhor da Luz.

Estavam completamente convencidos que todos os dons divinos concedidos à humanidade vinham do grande Espírito da Luz.

Então, o talento avassalador de Snow era a prova máxima—o exemplo perfeito.

Até Yurasha—a santa silenciosa—estava visivelmente impressionada com a presença de Snow.

Até quem era cego podia ver agora—

Era o herói que eles estavam esperando.

O herói predito.

Mas suas esperanças…

Estavam prestes a ser engolidas pelo desespero.

Após o ataque devastador da Senhora das Oito Patas, Snow e Daemon foram engolidos pela terra—sumiram sem deixar vestígios.

Quem diria…

Talvez, seu herói tivesse sido enterrado antes mesmo de poder se levantar.

A tensão tinha atingido seu pico.

Uma criatura monstruosa do Pesadelo invadiu o sertame—

E seus heróis favoritos estavam desaparecidos.

A emoção do público estava em caos absoluto.




–Ponto de vista de Snow Lionheart–

Uma dor de cabeça tremenda… dor insuportável…

Meu rosto estava encharcado de sangue, sujeira e poeira—tanto que acabei engolindo um pouco.

Era uma luta para abrir os olhos.

Ainda segurava minha espada… mas meu corpo parecia destruído—como se um gigante tivesse pisado nele.

A última coisa que me lembro foi de lutar contra Daemon… e depois daquela coisa atacando a gente.

Pode-se dizer que fomos enterrados bem no fundo do chão.

Mas ainda estava vivo.

—Até quando você vai ficar inconsciente, seu idiota?—

Meus sentidos começaram a voltar lentamente.

Ouvi a voz de Daemon perto de mim.

Quando minha visão turva finalmente clareou, vi algo estranho.

O espaço era extremamente estreito—um enorme bloco de rocha pairava acima de nós, ameaçando nos esmagar com seu peso aterrador.

A única coisa que o sustentava…

Era aquele cara.

Daemon estava sobre mim, segurando a imensa rocha, impedindo que ela caísse sobre nós.

E ao olhar mais de perto—

Não há como alguém como Daemon conseguir suportar algo assim.

Mas ele não estava no seu estado habitual.

Fiquei chocado com o que vi.

Apenas seu cabelo e a metade superior do rosto estavam visíveis…

O resto do corpo envolto em uma armadura assustadora, diferente de tudo que já tinha visto.

Um traje negro-jato com gravuras douradas, em escamas intricadas, como se a armadura tivesse sido feita com perfeição especialmente para aquele momento.

De cima, a armadura cobria até boca e nariz, parecendo um dragão enfurecido prestes a devorar sua presa.

A pressão que ele emitia não era brincadeira.

Mas, graças a ela, Daemon resistia.

—Daemon… você…—

—Não olhe pra mim assim… Saiarda… Huff... Faz algo—estou no meu limite!—

Não sabia quanto tempo ficamos assim…

Mas a condição de Daemon era claramente ruim.

Mesmo com o poder emprestado daquela armadura estranha, seu corpo tinha sido castigado na nossa luta.

—Segure aí!—

Respirei fundo, convocando toda a aura que sobrava.

—Redução de Massa—.

Com a mão direita, toquei na grande pedra acima de nós, manipulando sua natureza—tentando diminuir seu peso.

Com a outra mão, joguei minha espada de lado e invoquei gelo.

—Formação de Gelo—.

Progressivamente, fui aliviando o peso da pedra enquanto construía pilares de gelo embaixo dela.

Daemon manteve-se firme, dando-me o tempo que eu precisava.

E só após suportar parte do peso percebi o quão insano tinha sido ele de sustentar aquilo sozinho…

A massa não era brincadeira.

Foi quase uma hora de esforço até que conseguimos reduzir o peso o suficiente para empurrá-la para longe e recuperar o fôlego.

Surrounding-me com suporte de gelo, levantei-me com dificuldade, enquanto Daemon caiu no chão, ofegante.

Aquela armadura estranha dele começou a desaparecer, retraindo-se visivelmente.

De forma bizarra, ela recuou para dentro da pele dele, reformando-se como uma tatuagem—um dragão enorme gravado ao longo do braço direito e parte das costas.

—Aquilo…—

Apontando para a tatuagem.

Daemon, ofegante, levantou um dedo aos lábios.

—Acabei de salvar sua maldita vida… então não me encha o saco.—

—…—

Entendi direitinho a mensagem.

Se alguém descobrisse que ele usou uma armadura dessas, ele seria desqualificado na hora. Aquilo devia ser pelo menos de classificação S…

—Por que você me salvou?—

Essa pergunta me incomodava mais do que a própria armadura.

Daemon poderia ter se salvo com aquele poder.

Eu, por outro lado, teria sido teleportado pra fora—desclassificado.

Ou seja, ele não me salvou…

Ele me manteve na prova.

Daemon, suando bastante, mal conseguindo se manter sentado, levou um tempo para responder.

Seu corpo exalava vapor a cada respiração—não parecia mais humano.

Parecia uma máquina levada ao limite.

—Ainda não acabou…—

Falou com dificuldade.

—Nossa luta… não acabou. Não vou deixar você escapar agora.—

Se eu tivesse sido desqualificado no meio do caminho, talvez nem tivesse conseguido passar às rodadas de eliminação—só os oito melhores se classificam. Mesmo com meus pontos atuais…

—Vamos passar juntos.

E na próxima rodada, vou esmagar você.—

Por um momento, fiquei genuinamente impressionado…

Pela arrogância dele—mesmo nessa condição, ele ainda queria provar que era o mais forte.

Não com truques ou golpes… mas com sua própria força.

Nos olhos dele, era o mais forte.

Essa paixão sua…

Me inspirou respeito.

—Você não consegue me vencer.—

—Tsc… Versão vazia.—

Avancei, segurando seu braço e ajudando a suportar seu peso.

—O que você está fazendo?—

Claramente, Daemon não gostava do que eu fazia—mas, em seu estado atual, não podia me impedir.

—Você disse que me venceria, certo?

Então, vamos primeiro sair daqui—seu corpo idiota já sugou todo o ar deste lugar.

—Tsc… Isso aqui não é nada. Vou abrir meu caminho sozinho—.

—Claro. Quero ver isso.—

Ignorei-o e comecei a cavar um túnel para cima. Precisávamos sair daqui.

Embora parecesse simples—não era.

Estávamos em um espaço selado.

O ar que respirávamos não duraria muito tempo, a não ser que encontrássemos uma saída.

Especialmente com nossos estados físicos atuais…

Podíamos ser eliminados de uma maneira bem idiota—asfixia.

Pensando nisso, comecei a escavar um túnel para cima—

Carregando nas costas Daemon, do tamanho de um gorila.

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