O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 170

O Ponto de Vista do Vilão

O Império—último bastião do mundo, protegido por enormes muralhas…

Ele tinha mantido à distância as mãos monstruosas que se escondiam na escuridão além.

Bem longe da Ilha do Juízo—bem no coração da capital, Belgrado—

Dentro de uma das gigantescas instalações de pesquisa próximas ao palácio real…

Estava um homem baixo, com o rosto marcado pelo tempo, olhos fundos de exaustão e noites sem dormir.

Este era o principal laboratório da maior mente do império—Ashol Eduardo.

O renomado estudioso estava diante de um frasco de líquido de um vermelho escuro, objeto de inúmeros experimentos e testes.

Quanto mais estudava, mais sua expressão se sombria.

"Senhor… isso…?"

Outro pesquisador entrou no laboratório—um homem de idade, mas que tratava Ashol com respeito sincero.

Ashol franziu a testa ao jogar as luvas de lado.

"Este é o sangue que recuperamos do campo de batalha—onde Oliver Khan lutou contra aquela criatura."

Durante a luta, Oliver desferiu um golpe devastador em seu oponente, Godfrey, liberando uma torrente violenta de sangue.

Curiosamente, Godfrey continuava a lutar como se o ferimento enorme fosse apenas um arranhão.

Mas agora, com aquele sangue em mãos—

"Olha só isso."

Ashol apontou para o monitor, exibindo o sangue vil sob o microscópio.

O pesquisador observou, boquiaberto, enquanto as partículas se chocavam e se contorciam como seres vivos.

"Isto é…"

Ele encarou com espanto, enquanto a voz de Ashol ficava sombria.

"Este não é sangue humano. E também não é sangue de demônio."

Ele começou a caminhar lentamente, mãos entrelaçadas atrás das costas, a fadiga grudada nele como uma sombra.

"É algo no meio do caminho. Sangue de demônio—normalmente uma toxina mortal para humanos—combinado perfeitamente com sangue que apresenta características humanas."

Em outras palavras, era como se—

"…um meio-humano, meio-demônio."

Ashol suspirou, frustrado, enquanto o outro cientista mal podia acreditar no que ouvia.

"Uma mãe humana… e um pai demônio? Ou o inverso? Isso é impossível."

Desafiava toda lógica—biológica, espiritual, teórica. Humanos não podem se conceber com demônios. A própria ideia era loucura.

Ashol balançou a cabeça e saiu do laboratório, seu pensamento pesado pelas implicações.

"Nem quero pensar nisso…"

Por trás dele, ficou a amostra de sangue amaldiçoado… e uma imagem do tirano, Godfrey, ao seu lado.

Pela primeira vez na vida—Ashol Eduardo, o maior estudioso do império—sentiu medo da verdade.


O mundo estava mudando—rápida, violentamente—e ninguém escapava às suas tempestades.

A Ilha Sagrada de Sicelia—

Santuário dos Seguidores da Luz, seu próprio paraíso na Terra.

Vestidos com roupas brancas puras, os devotos se reuniram em grande número, entoando louvores ao seu deus.

No centro da ilha, erguia-se uma igreja imensa—A Catedral do Crepúsculo.

Ela se elevava ao alto no cume, ao lado do monumento lendário onde se dizia ter descido a revelação do Portador da Luz.

Na frente das portas colossais da catedral, estavam três homens, envoltos em uma aura majestosa, observando a multidão subir as escadas de pedra em direção a eles.

"Os peregrinos chegarão logo,"

Disse o Bispo Michael Platini, calmo e composto. Os dois à sua direita assentiram com a cabeça.

Joseph Blatter avançou, com seu manto cerimonial esvoaçando, erguendo uma mão comanda.

"Abram os portões!"

Por trás dele, as portas enormes começaram a ranger — exatamente na hora em que os cantos dos peregrinos chegavam aos seus ouvidos.

"O próximo Campeão da Igreja será logo revelado!"

Blatter proclamou, sua voz retumbando com autoridade.

"Pela primeira vez em quinhentos anos, o escolhido receberá a vontade do Portador da Luz!"

"E com isso—chega a hora de empunhar a Espada do Soberano—Vermithor—para escolher seu próximo mestre!"

A multidão explodiu em louvor uníssono ao ouvir o anúncio do bispo.

"E aquele que conferirá esse presente divino ao apóstolo eleito… será ninguém menos que o único crente capaz de ouvir a voz do nosso Senhor."

E enquanto as portas da catedral se abriam lentamente…

Uma visão divina e inspiradora aguardava lá dentro.

Um salão vasto e vazio—majestoso em seu silêncio—decorado com ornamentos de vidro intrincados que brilhavam em um caleidoscópio de cores e luzes.

No seu centro, erguia-se uma estrutura grandiosa que se assemelhava a um altar.

Lá, sentado em silêncio solene, estava um homem só. Sua túnica, extremamente branca, fluía ao seu redor como névoa, enquanto cabelos dourados caíam sobre os ombros—parte dele cuidadosamente trançada.

Ela se virou, revelando olhos vermelhos e penetrantes que brilhavam como brasas na sombras.

Por trás dela, uma colossal espada jazia cravada no chão, emitindo uma luz radiante e ofuscante.

Muitos assistiam, admirados.

"Sã Eurasha… e a Espada Sagrada."

Sem dizer uma palavra, a santa estendeu a mão e puxou a lâmina—Vermithor—que se entregou sem resistência.

Era uma visão de tirar o fôlego. Vermithor havia desafiado os fiéis por muito tempo, recusando-se a ser puxado, independentemente de quão devoto fosse quem tentasse.

Mas agora, ela se levantava com facilidade.

Blatter assentiu com profunda satisfação.

"Rumo à Victoriad."

Lá… o herói escolhido despertaria.

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