O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 164

O Ponto de Vista do Vilão

— Ponto de Vista de Frey Starlight —

"Faz tempo que não nos vemos… Frey."

"De verdade, faz..."

Estendi minha mão para Snow. No instante em que nossas palmas se tocaram, consegui sentir as calosidades duras, formadas por meses de treinamento incessante com a espada.

O protagonista que eu tinha criado com tanto cuidado estava ficando mais forte—talvez mais rápido do que a própria trama.

Para ser honesto, eu não estava exatamente empolgado com isso… mas não tinha como fugir da realidade.

Os estudantes de elite tinham se reunido depois do que tinha acabado de acontecer. Nem todos estavam presentes, mas havia várias caras familiares.

A maioria da Classe B tinha aparecido, enquanto poucos da Classe A estavam aqui.

Os mais notáveis entre eles eram Snow e Ghost.

Clana Starlight—minha prima—também estava presente. As coisas entre nós estavam… tensas. Ela piscava toda vez que nossos olhos se cruzavam.

Fiz o possível para ignorar. Sabia bem por que ela agia assim.

Não vi Seris nem o príncipe por perto. Selina também não estava presente.

Não foi dito muita coisa—a maior parte da conversa girou em torno do próximo evento:

A Prova da Ilha.

" Desta vez, o teste será completo. Não serão apenas duelos um contra um—vamos enfrentar os estudantes mais velhos."

Clana Starlight apontou os fatos.

"E quanto à formação de equipe? Você sabe… entre nós, calouros. Assim, teremos uma chance melhor contra os mais experientes."

Suas palavras claramente se dirigiam a Sansa e Snow.

O primeiro, uma princesa não oficial da Classe B, tinha uma influência silenciosa sobre seus colegas—graças a seu poder e conexões. Quanto a Snow, ele era indiscutivelmente o mais forte entre os calouros. Com Aegon ausente, sua presença carregava o maior peso.

Snow foi firme ao balançar a cabeça.

—Desculpem… mas sou contra essa ideia.—

Clana pode ter esperado resistência, mas não uma rejeição direta. Então, ela insistiu.

—Por quê? Os mais velhos têm uma vantagem enorme sobre a gente. Não vamos ser desfeitos se lutarmos sozinhos?—

O argumento dela tinha algum mérito—mas não completamente.

—Você está enganada em dois pontos, Clana Starlight.—

Dessa vez, foi Sansa quem respondeu, ao invés de Snow.

—Sua sugestão faz sentido—não posso negar isso. Mas é inútil quando se trata das Classes de Elite.—

Os estudantes mais perspicazes já tinham entendido o que ela quis dizer.

Danzo concordou com a cabeça.

—Concordo plenamente. Pode fazer sentido para os alunos comuns—aqueles que precisam se unir para ter alguma chance contra os mais experientes—mas nós somos os elite.

Ele fechou os punhos, com fogo nos olhos.

—Quero ver até onde consigo chegar contra eles… os de segundo e terceiro anos.

A maioria dos presentes compartilhou desse sentimento.

Snow não falou mais nada—mas seu silêncio foi explícito: ele já planejava desafiar os elite seniors.

Sansa assentiu e acrescentou:

—Esse foi seu primeiro erro. O segundo? Essa é a Victoriad. Foi feita para que indivíduos brilhem. Formar equipe seria inútil, pois no final todos estaremos competindo por pontos.

Quem der o golpe final ganha os pontos—então, já dá para imaginar que tipo de conflito isso ia gerar.

E assim, a ideia de formar times foi sabotada antes mesmo de decolar. Clana não tinha mais nada a falar.

Como observação… percebi um leve toque de decepção no rosto da Adriana—ela claramente tinha apoiado o plano. Observar as mudanças visíveis na expressão dela era estranhamente divertido.

No final, todos se dispersaram e a postura da elite caloura ficou clara:

—Cada um luta por si próprio.

Não nos importamos em esperar a opinião do príncipe ou dos demais que não apareceram. A postura deles foi óbvia desde o começo—eram contra.

Eu fui lentamente recuando ao lado de Danzo.

Como alguém que conhece bem as personalidades da elite, sabia que essa decisão não representava a opinião de todos ali.

Só o tempo diria o quão precisas eram minhas suposições.

Depois de caminhar um bom trecho, parei e olhei para baixo.

— Chegou a hora de você aparecer… Ghost.

Danzo ficou confuso primeiro, mas recuou assustado quando a escuridão sob mim se aprofundou e Ghost emergiu lentamente de dentro dela.

— Droga! Que diabos?!—

Ele não tinha percebido que Ghost estava tão perto—a reação dele era genuína.

—…Não achei que fosse ser notado.—

Ghost falou com seu tom calmo habitual, ignorando totalmente os gritos de Danzo.

—Ah… eu não senti sua presença, mas imaginei que fosse aparecer assim mesmo.—

Corrigi imediatamente o mal-entendido. A última coisa que precisávamos era do futuro maior assassino duvidando de suas próprias habilidades.

—Ghost, seu idiota! Você não consegue aparecer como uma pessoa normal de vez em quando?!—

Parece que Danzo não ia desistir tão cedo.

Seus olhos ardentes se encontraram com o olhar inexpressivo e vazio de Ghost.

Era um contraste estranho.

—…Por que eu faria isso?—

Uma veia saltou na testa de Danzo na resposta calma.

—Para eu não ficar assustado quando você sair das sombras do Frey, seu idiota!—

—Não posso deixar idiotas como você perceberem quando me aproximo. Isso destruiria todo o objetivo.—

Não achei surpreendente o tom hostil de Ghost—o que mais me chocou foi como ele falou aquilo sem a mínima mudança na expressão.

—Engula meu punho, seu pervertido!—

Danzo quase levantou um soco, mas eu o segurei na hora, puxando-o pelos ombros por trás.

—Calma, Danzo… ele está certo.—

Minhas palavras foram imediatamente mal interpretadas, e Danzo latiu ainda mais alto.

—O que diabos você tá dizendo também, seu covarde?!—

Suspiro…

—Só escuta! Ele veio assim porque o que quer dizer não é pra os outros ouvirem!—

Finalmente, após pensar um pouco, Danzo se acalmou um pouco.

Eu soltei um suspiro, percebendo o quanto de barulho acabamos fazendo agora há pouco.

— Parece que todo seu esforço foi em vão, Ghost.

Ele balançou a cabeça.

—Tudo bem. Espalhei minha sombra com antecedência e bloqueei o som, achei que daria certo.

Entre Ghost e eu, Danzo não sabia mais como responder.

Era meio divertido. Primeiro eu previ Ghost. Depois Ghost previu Danzo.

Essa dinâmica ficava mais estranha a cada minuto.

Voltando ao assunto.

— Então, Ghost… imagino que você tenha vindo por causa do que aconteceu com a família Moonlight, certo?

O assassino silencioso assentiu. Não mostrou, mas eu percebi que ele tinha gostado de como a conversa estava fluindo.

— Meu nome, junto com o desse palhaço, foi apagado dos registros oficiais. Presumo que tenham feito isso para nos proteger de suspeitas ou ataques.—

Parece que Ghost tinha investigado seriamente.

Entendi por que ele e Danzo estavam se escondendo. Se seus nomes permanecessem nos registros, as pessoas poderiam suspeitar que estavam envolvidos com os Ultras—especialmente após a versão distorcida dos fatos, dizendo que Baylor simplesmente desapareceu durante a batalha.

Ghost continuou, sua voz tranquila, mas seu olhar carregava peso.

— Mas seu nome ainda está lá, Frey. Vamos dizer… você não está numa situação muito boa.

— Como assim? Acham que ele foi por trás do ataque?— perguntou Danzo, claramente tentando aceitar a hipótese.

O que aconteceu em Paladiso foi completo caos.

Acontece que a Madam A fez seu movimento exatamente na hora em que eu lutava contra Baylor e sua família.

Os eventos se sobrepuseram, criando essa confusão toda.

Sinceramente, se Baylor não tivesse sido exposto como traidor, toda a família Starlight—inclusive eu—poderia ter sido acusada de conluio com os Ultras e de um ataque conjunto.

Ainda assim, acho que minha sorte não tinha acabado completamente.

— Existem nomes pelos quais eu deveria ficar atento?—

Perguntei sério, e Ghost respondeu sem hesitar.

— Muitos… mas a maioria são estudantes comuns ou funcionários radicais. Quem você deve realmente ficar de olho é um professor.

Ele cruzou os braços, pensando no nome.

— Kaiser Moonlight. Ele é um instrutor de Classe S—uma adição recente à academia.

Kaiser Moonlight… Tentei lembrar se tinha visto ele durante o evento.

— Aquele que usava um terno preto e explicou os detalhes do teste… difícil esquecer dele—ou aquela mistura de óculos que ele usa.

Por causa de Danzo, consegui visualizar ele na minha mente instantaneamente.

Então, um professor de Classe S pode estar visando me atacar, hein…

Agora comecei a entender por que o diretor Ivar tinha me aconselhado a sair.

E isso era só o que Ghost tinha descoberto… Quem mais podia estar me esperando nas sombras?

— Não entendo como esses grandões pensam… Frey Starlight, que destino maldito você deve ter para atrair tantos inimigos?—

Danzo resmungou, tentando imaginar tudo pelo meu ponto de vista.

— …Sem comentário.—

Era isso que significava viver como Frey Starlight—suportar uma pressão incessante até o fim.

— Vou tentar verificar o restante assim que puder,— disse Ghost.

— Eu ajudo,— acrescentou Danzo.

Talvez eles se sentissem envolvidos porque tinham me ajudado antes.

Ou talvez estivessem fazendo isso sem motivo algum.

Eu agradecia… mas—

— Espere.—

Parei ambos.

— Sou grato pelo que fizeram até aqui— Ghost… e você também, Danzo. Mas gostaria que ambos evitassem se envolver nesse assunto a partir de agora.

— Que diabos você está dizendo, no seu estado?!— reclamou Danzo.

A reação dele era previsível. Ghost, no entanto, permaneceu em silêncio.

— Como seus nomes já não estão mais ligados… deixa que eu resolva do meu jeito. Não se envolvam mais. Vou cuidar dos meus próprios problemas. Então, não há necessidade de vocês fazerem mais nada.—

— O que você está—

— Chega de besteira, Ghost. Você já arriscou demais indo tão longe contra alguém da Classe S. Essa força… não é pra vocês.—

— Ah? Mas é pra você, Frey Starlight?—

Dessa vez, foi Ghost quem avançou, perguntando.

Eles não estavam num nível de enfrentar uma ameaça de Classe S—eram só estudantes do primeiro ano no Templo.

E eu também.

Isso tornava minha justificativa completamente vazia.

Sorri com esforço, percebendo a realidade.

— Encontre uma outra luz para seguir, Ghost. Eu não sou alguém que merece ser a luz sob a qual você luta.

Comecei a me afastar lentamente, me distanciando deles.

— Afinal… já estou mais fundo na escuridão do que vocês.—

— Ei, espera!—

Ignorando o grito de Danzo, saí do lugar, deixando-os para trás.

Isso era o melhor.

Ghost não deveria me escolher—ele devia escolher a Snow.

Danzo não devia se envolver mais comigo… ou a morte seria o único destino que o aguardava.

Eu não queria estragar a história ainda mais do que já tinha feito. Por isso, precisava seguir sozinho.

E além disso, esses relacionamentos… eram como uma droga.

Deixar essas ligações se aprofundarem era perigoso demais.

— Sim… melhor assim.—

Convinci a mim mesmo com essas palavras, enquanto vagava pelos estudantes do Templo.

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