O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 160

O Ponto de Vista do Vilão

As luzes do templo eram deslumbrantes—sim, isso era verdade.

Mas por mais brilhante que seja a luz que você direciona a um lugar, sempre há cantos que permanecem na sombra.

No fundo de um dos corredores do templo, um espaço vazio, ocupado apenas por ratos…

O som de saltos de salto alto ecoava na escuridão, revelando a presença—e o gênero—da figura que se aproximava. Ela caminhava sozinha, mas movia-se com confiança, como se conhecesse aqueles caminhos sombrios como a palma da mão.

Após algumas curvas e uma descida subterrânea, ela finalmente chegou a uma câmara ampla.

Ele estava lá, esperando por ela.

"Finalmente veio…"

Um garoto de dezessete anos, com cabelo loiro platinado e olhos dourados. Suas roupas eram bastante casuais para alguém de seu status, mas claramente escolhidas por conforto.

Príncipe Aegon Valerion.

Sua expressão surgiu quase sinistra naquela escuridão pesada.

A garota diante dele não parecia nem um pouco feliz ao vê-lo—and ela não tentou esconder isso.

"Onde estão eles?"

"Calma… por que tanta pressa?"

Aegon avançou lentamente em direção a ela.

"A noite ainda é jovem, não é? Minha querida Selina…"

A garota não era outra senão a maga Selina.

Seus olhos vermelhos olharam friamente para o príncipe à sua frente.

"Entreguei minha parte no acordo, Aegon. Agora, libere meus pais."

Ela não conseguiu conter sua aura ao dizer aquelas palavras—queria golpeá-lo ali mesmo e agora.

Mas sabia que aquilo seria seu fim.

No fim das contas… quem saberia o que Aegon escondia em suas sombras?

"Você cumpriu sua parte no acordo, dizem? É isso mesmo?"

Selina mordeu o lábio tão forte que suas unhas cravaram na pele macia. Não tinha tempo para esse papo sem sentido… mas não tinha escolha senão jogar o jogo de Aegon.

"É certamente ele. Do jeito que se colocou contra Heisenberg, um mago de classe SS, e sobreviveu à batalha dentro da casa Moonlight…"

Ela fez uma pausa de alguns segundos antes de apresentar sua prova mais forte.

"E, mais importante… quando Frey me tocou após pularmos do trem… Não consegui usar minha magia. Era como se uma força a anulasse completamente no instante em que tentava concentrar energia."

Essas últimas palavras carregavam um peso muito maior do que tudo o que ela tinha dito até então.

Se ela estivesse dizendo a verdade, isso significava que Frey tinha um jeito de anular magia. E se ele tinha a ousadia de enfrentar um mago de classe SS como Heisenberg, o que o impediria de desafiar alguém da classe S—especialmente um mago?

A imagem ficou clara agora. Frey era quem matou Kai Luc e sabotou os planos de Aegon.

O príncipe assentiu com satisfação.

"Sim… isso faz todo sentido."

O rosto de Selina finalmente se iluminou de esperança.

"Então…"

Com uma risada baixa, Aegon a tranquilizou.

"Não precisa se preocupar. Eu só estava brincando com você antes… já estava quase certo de que ele era o X que eu procurava."

Selina ficou surpresa com suas palavras.

Então, ele já desconfava de Frey e só precisava de uma prova concreta para confirmar? E ela apenas entregou essa prova?

Mas nada disso importava agora.

O que importava… eram seus pais. Mais nada.

Aegon sabia exatamente o que a jovem feiticeira estava pensando. Então, com um gesto de mão, ordenou—

"Tragam eles."

Ao lado de Aegon, tochas acenderam-se, e um homem vestido de preto apareceu. Atrás dele, um casal na casa dos quarenta foi conduzido para frente—pais de Selina.

Ao sinal de Aegon, eles foram libertados.

Selina imediatamente correu em direção a eles.

"Selina!"

Seus pais também correram para abraçar sua única filha…

"Pai… Mãe… Vocês estão bem… Vocês estão bem!! Eu…"

A jovem maga não conseguiu conter as lágrimas ao se lançar nos braços dos pais.

Ao fundo, Aegon observava a cena com o mesmo sorriso divertido.

"Que cena linda, não acha?"

"…"

Suas palavras eram direcionadas ao homem encapuzado ao seu lado, mas ele não respondeu—silencioso como um espectro.

A família reunida continuou seu longo abraço. Aegon permaneceu observando, mas uma faísca de tédio começou a surgir em seu rosto.

Era como se estivesse esperando que algo acontecesse.

"Por que ela demora tanto para perceber? Não era ela a melhor bruxa?"

Aegon suspirou.

E, de fato, após alguns minutos, Selina começou a perceber que algo estava errado.

"O quê…?"

Ela focou no corpo da mãe—algo não estava certo. Ela podia sentir. Uma aura mágica emanando dela…

Sem aviso, Selina agarrou as roupas da mãe, rasgando-as em pânico.

A mãe tentou recuar, chocada, mas Selina não se importava. Rasgou a parte superior das vestes com mãos trêmulas.

Sorriso de Aegon se alargou.

"Finalmente…"

Os olhos de Selina se arregalaram de horror.

Estava lá—o que ela mais temia.

Um círculo mágico vermelho sangue tinha sido inscrito nas costas da mãe, formado por símbolos de complexidade intricada.

Sua mãe tentou esconder, mas não conseguiu.

Exatamente o mesmo círculo foi gravado nas costas do pai dela—ele virou o rosto com vergonha.

"Minha filha… sinto muito. Sinto de verdade… sinto muito…"

A formação mágica era de alto nível, extremamente avançada—nem mesmo Selina conseguia compreender totalmente só de olhar.

Por isso, ela virou-se para a única pessoa que podia explicar.

"Aegon! Seu bastardo! O que é isso?!"

Vendo sua fúria, Aegon respondeu com completa indiferença.

"Hmm… como vou dizer? Talvez uma bomba-relógio?"

De repente, uma bola de fogo gigante se acendeu na palma de Selina.

Sem hesitar, ela a lançou em direção ao príncipe.

Mas antes que pudesse alcançá-lo, foi facilmente detida por uma única mão—o homem encapuzado ao lado de Aegon, que apareceu minutos atrás.

Ele não parou por aí.

Uma onda sufocante de aura explodiu dele, esmagando Selina no lugar. Seu corpo tremeu violentamente sob o peso.

'O que é isso…? Essa pressão… é superior a Classe S…!'

Selina mal conseguia respirar. Era impossível mover-se sob aquela aura.

"Pare, pare—você vai matar os pais dela, seu idiota."

Com um movimento despreocupado, Aegon ordenou ao homem encapuzado que recuasse. A pressão desapareceu instantaneamente.

Selina respirou fundo, então voltou a cambalear e apontar para Aegon.

"Por quê?! Por quê?! Eu fiz tudo o que você pediu, não foi?!"

Aegon assentiu.

"Sim. Você fez seu trabalho perfeitamente."

"Está brincando comigo? Então por que colocou aquilo nos corpos deles?!"

"Você cumpriu seu papel. Uma ferramenta útil como você merece mais do que uma única vez… Selina."

"O quê…?"

Selina não conseguia mais entender a loucura que se desenrolava ao redor dela. Mas Aegon foi gentil o suficiente para explicar.

"Achava que você fosse mais inteligente. Mas tanto faz… como eu disse antes, uma ferramenta como você não deve ser usada só uma vez. Você é melhor que isso."

Em outras palavras… Aegon planejava usá-la novamente.

E um homem cauteloso como ele nunca arriscaria libertá-la. Quem sabe quando ela poderia se voltar contra ele—ou voltar para se vingar?

Ele precisava de garantias.

Aegon tirou a luva branca da mão, revelando sua pele nua—e algo mais.

Selina percebeu imediatamente.

O mesmo círculo mágico estava inscrito ali—no dorso da mão dele.

"É o gatilho."

Aegon confirmou seus piores medos.

"Com um comando, posso destruir seus pais em pedaços, quando quiser. Você entende o que isso significa, não entende?"

Mais uma vez, uma desesperança esmagadora caiu sobre os ombros de Selina… e ela se lembrou, mais uma vez, de quem realmente era a pessoa diante dela.

Com o mesmo sorriso imutável, Aegon riu.

"Estou ansioso para trabalhar mais com você, Selina."

E, ao perceber o quão cruel Aegon realmente era… Selina de repente se lembrou de algo…

Se ele a tratava assim, alguém que tinha cumprido a missão… e os que falharam, o que aconteceria com eles?

"Xavier..."

Seu colega feiticeiro.

"O que aconteceu com ele?"

Selina não conseguiu segurar a pergunta.

Como resposta, Aegon apenas deu de ombros.

"Nada…"

Seria tolice matá-lo.

Mas…

"Bem… não fiz nada com ele. Mas ele merecia ser punido. Então…"

Aegon riu enquanto se virava para sair.

"Matar um dos pais dele… e manter o outro como refém. Talvez assim ele se esforce mais no futuro, não acha?"

Aegon foi embora.

E lá ficou, a jovem maga, atrás dele. Justo quando pensou que tinha escapado de suas garras, percebeu como era ingênua.

Agora, ela não tinha escolha a não ser esperar sua próxima ordem.

Sem perceber, ela se tornara uma serva do Príncipe Aegon Valerion.

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