O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 166

O Ponto de Vista do Vilão

- Ponto de Vista de Frey Starlight -

Senti o frio da lâmina roçar meu pescoço exposto.

Os cavaleiros ao meu redor não eram amadores — aquelas lâminas podiam rasgar aço, imagine carne.

Ainda assim, o maldito príncipe ainda estava sob meu controle.

Aegon não podia mais cuspir provocações — sua garganta já tinha levado dano suficiente.

Ele se debatia levemente, mas escapar daquela pegada era impossível. Balerion dormia na minha mão esquerda, e isso por si só tornava essa minha mão talvez a mais forte de todo o mundo amaldito.

Com um simples comando, Balerion poderia explodir e transformar a cabeça de Aegon em cinzas.

O príncipe ficou em silêncio, mas o sorriso distorcido no rosto dele ainda permanecia. Mesmo nessa posição, ele ousava me desafiar a fazer o pior.

Eu queria acabar com ele. De verdade, queria.

Mas a morte me reclamaria no instante em que o fizesse.

Os Cavaleiros da Mesa Redonda me dilacerariam na hora que seu príncipe caísse.

Tenho que ter errado na conta.

Sem expressão, com os olhos afiados de fúria, liberei minha pegada e deixei que ele caísse, ofegando por ar.

"Heh… Frey, oh Frey… quem diria que você ia desabar assim…"

Ele se levantou lentamente, falando com seu tom brincalhão habitual, enquanto dava uma relaxada para que seus cavaleiros recuassem casualmente.

Eu não devia ter me deixado manipular daquele jeito. Confirmei as suspeitas dele. Entreguei minha fraqueza — servi na bandeja de prata.

Minha mão fechou com força, lutando para reprimir minhas emoções.

“Você tem certeza disso, Aegon?”

Sob seu comando, os cavaleiros hesitaram, dando um passo para trás. Ainda estavam em posição pronta, prontos para atacar assim que eu me mexesse.

“De que certeza? Precisa ser mais específico. Tenho fogo demais queimando.”

Sua voz era leve, brincalhona — parecia que eu era só mais uma entre dezenas, talvez centenas, de coisas na sua agenda.

Talvez nem estivesse entre as dez primeiras.

Mas eu não me importava. Eu evitei ele pelo maior tempo possível. Mas isso acabou agora. Se ele planejava ficar entre eu e a Vitória, então se tornaria um obstáculo maior que Snow mesmo.

“Você tem certeza que quer me colocar como seu inimigo?”

O sorriso de Aegon se abriu ainda mais.

“Você está perguntando se tenho certeza? Parece que eu pareço alguém que hesita? Tudo que faço acaba se tornando a jogada certa, no final. Assim é. É quem eu sou.”

“Presunçoso como sempre.”

“Pode chamar do que quiser.”

“Vai se arrepender.”

Aegon retomou seu lugar como se nada tivesse acontecido, como se nossa confrontação fosse apenas uma conversa casual.

“Você ainda é uma peça que não consigo entender completamente, Frey. Pra algo intangível como a Victoriad importar tanto pra você… mesmo sem você possuí-la. Ainda não entendo o que você está tentando provar…”

Ele se inclinou levemente, em um tom baixo e deliberado.

“Mas tenho curiosidade de ver a sua cara quando perder tudo isso.”

Fechei ainda mais o punho.

“Pode tentar tirar.”

“Pfttt…”, eleriu Aegon, rindo.

“Tá pensando que vai sair vivo se eu for sério contigo?”

Não respondi. Voltei lentamente, andando embora — com medo de que, se permanecesse um segundo a mais, pudesse realmente matá-lo.

Mas antes de partir, dei uma resposta.

> Eu não vou apenas sobreviver.

> Eu vou vencer.

Ignorando a aura sufocante dos Cavaleiros da Mesa Redonda, marcho para fora — encerrando meu encontro fadado com o príncipe Aegon Valerion.

A Victoriad…

Acabava de atingir seu nível máximo de dificuldade.

O tempo passou.

Faltava apenas uma semana para começar a Prova da Ilha.

O relógio corria rápido. Me isolei completamente, ignorando a academia e suas palestras.

Não me serviam mais de nada agora.

Tinha que me preparar para o que viria.

Para enfrentar monstros como Snow e Ghost…

Para enfrentar Daemon Valerion.

Para confrontar a facção dentro do templo que queria minha morte…

E agora, o príncipe Aegon — que tinha conquistado influência esmagadora na fortaleza.

Estava totalmente sozinho.

E para sobreviver ao que se aproximava, para alcançar o impossível —

Eu teria que usar tudo o que tinha.

Sem hesitar. Sem misericórdia.

Olhei para o laptop aberto na mesa… aquelas palavras ficaram gravadas na minha mente de forma definitiva.

Missão Final: Vencer a Victoriad.

Recompensa: O usuário terá direito a uma pergunta, e o Sistema Arquitetônico será obrigado a responder.

Penalidade por falha: O sistema será selado por um ano inteiro.

Falhar não era uma opção.

Durante os dias de isolamento, minha mente simulou cada possível resultado — de novo e de novo, até o limite da loucura.

E, nesse caos todo… percebi que aquelas palavras ainda não tinham sumido:

Frey Starlight (Alma Gêmea)

Elas ainda estavam ali.

As memórias gravadas neste corpo já deveriam ter desaparecido há tempos…

Então o que está acontecendo com essa Alma Gêmea?

Tantas perguntas…

Parecia que minha cabeça ia explodir.

E sempre que isso acontecia, eu pegava minha espada e continuava treinando.

Esse era meu único refúgio.

A contagem regressiva havia começado.

Enquanto Frey mergulhava em um treino implacável, o tempo passava mais rápido do que nunca.

Planos eram traçados. Espadas afiadas. Lanças preparadas.

Todo mundo se preparava à sua maneira para a Victoriad.

Snow, segurando forte sua espada como sempre, destruía cada manequim de treino à sua frente. Um cara daquele jeito não podia perder para ninguém.

Nos corredores do Abismo, o corpo de Daemon Valerion brilhava com linhas de eletricidade, seus punhos deixavam marcas nas superfícies ao redor… uma fera pronta para ser libertada.

Ghost, sentado no escuro, afiava suas adagas…

uma garota de cabelo branco, buscando sentido e um novo caminho na vida.

Lutadores de elite… cada um tinha algo a provar. Para si mesmos, ou para o mundo.

Até aqueles que não eram estudantes…

Em uma sala fechada, escondida de todos os olhares…

Um grupo específico elaborava seu plano para eliminá-lo. Em uma mesa repleta de marcas de facas e punhais, iluminada somente por uma única vela… sua imagem podia ser claramente vista.

Uma foto de Frey.

Como sempre, o príncipe Aegon sentava-se em seu trono, enquanto dois estudantes mais velhos se ajoelhavam diante dele.

O primeiro era um jovem bem treinado, com cabelo preto amarrado. A segunda era Missandei — a garota que uma vez levou Frey ao príncipe.

Ambos entregaram o mesmo relatório.

Aegon assentiu satisfeito.

A Victoriad.

Essas facções não identificadas tinham confirmado seu alvo com uma só voz:

“Frey Starlight morrerá durante a próxima Prova da Ilha.”

Enquanto isso, Missandei e o estudante ao lado dela confirmaram ao príncipe:

“Tudo está pronto, meu príncipe. Todo o terceiro ano se moverá contra ele durante a prova — contra Frey Starlight.”

Tantas lâminas… apontadas contra uma única pessoa.

E o dia tão esperado… finalmente chegou.

— Então é hoje, né… —

Levantei da cama.

Faz tempo que não dormia direito, então já estava totalmente preparado.

Na mesa… um presente da minha irmã para mim.

O templo fornecia aquele tipo de “conjunto de armaduras” — mais pareciam trajes de assassino.

Não era uma armadura real, apenas uma túnica que cobria boa parte do corpo.

Ela tinha um mecanismo especial: ao receber um golpe potencialmente fatal, ativava seu sistema de defesa interno para bloquear o ataque. Em troca, uma onda de choque faria o usuário desmaiar — resultando na eliminação imediata na prova.

O templo distribuía uniformes para todos, mas quem vinha de famílias ou guildas influentes podia receber uma armadura personalizada de seus próprios artesãos.

E aqui estamos… Peguei a túnica que Ada tinha preparado para mim.

Uma armadura preta como a noite, elegantemente adornada. Extremamente confortável, leve como ar, com o emblema de Starlight em um design refinado.

Controlava a temperatura do corpo em qualquer condição e oferecia ótima mobilidade.

Junto com a espada que ela enviou, era o melhor que Ada podia oferecer neste momento.

Ela foi incrivelmente precisa — a espada era de nível B, a mais alta permitido, com comprimento e características semelhantes a Balerion, que eu estava acostumado a manejar. Sério, isso foi uma grande ajuda.

Peguei meu laptop e guardei como sempre.

A tatuagem de Balerion também funcionava como um anel dimensional.

Eu podia trapacear e tentar esconder algumas coisas dentro para facilitar a prova… mas o risco era alto demais, então não arrisquei.

O que eu precisava agora… era meu laptop.

Vestido com a armadura e olhando para o espelho, parecia um assassino de tempos medievais.

As olheiras sob os olhos tinham ficado mais profundas por causa das noites sem dormir e do excesso de pensamentos. Meu cabelo branco, porém, permanecia igual.

Peguei minha espada… e saí.

“Hora de partir.”

Templo.

Todos estavam reunidos lá.

Vestidos com trajes de batalha, parecia mais uma guerra do que uma prova.

As vestes brancas do templo predominavam, destacando-se especialmente entre a multidão.

Ainda assim, entre eles, estavam as armaduras distintas usadas por quem vinha de famílias influentes.

Eu era um deles, o que atraía alguns olhares indesejados…

Mas ninguém ousava fazer contato visual comigo. Talvez por eu parecer um príncipe caído de algum reino malfeito.

À frente, duas portas colossais brilhavam com uma tonalidade azul majestosa, emitindo ondas poderosas de aura.

Era o caminho para a ilha.

Antes de entrar, recebemos os smartwatches de sempre.

Quando os vesti, a tela acendeu.

Aparentemente, o relógio só funcionava se estivesse ligado diretamente ao corpo do usuário.

Ele projetava um mapa 3D de uma ilha gigante.

A ilha era dividida por linhas de latitude e longitude.

De um lado, as linhas horizontais eram numeradas de 1 a 10.

De outro, as verticais eram marcadas de A a J.

Assim, as localizações na ilha eram referenciadas por suas células — por exemplo, A1 para o canto superior esquerdo, e assim por diante.

Era simples e fácil de entender.

Além disso, os relógios exibiam dados básicos: meu estado físico, minha pontuação — zero por enquanto.

A tabela de classificação, por ora, estava vazia.

Os do primeiro ao terceiro ano estavam alinhados à direita, prontos para entrar primeiro.

Assim que avançamos, senti inúmeros olhares sobre mim…

Mas ignorei. Já esperava por isso.

Do outro lado, os demais anos aguardavam à esquerda.

Antes de sermos enviados, os instrutores do templo e o diretor se posicionaram diante de nós.

Ivar chamou atenção com uma única palavra:

“Estudantes do Templo… vocês estão prestes a enfrentar o verdadeiro desafio de suas vidas. Lembrem-se — a sobrevivência vem em primeiro lugar. Claro, essa é sua chance de mostrar força e provar sua coragem… mas não deixem que isso seja sua sentença de morte.”

“Os instrutores do templo agirão de forma independente, observando de longe em caso de emergência. Também monitoramos toda a ilha, então as chances de acidentes são mínimas. Ainda assim… mantenham-se alertas. Nada neste mundo é garantido.”

O Império reuniu seus melhores magos para este evento. Um poderoso encantamento foi lançado, cobrindo toda a ilha — por ele, os acontecimentos da prova seriam transmitidos para o mundo inteiro.

A transmissão tinha um dia de atraso, permitindo que profissionais editassem e filtrassem as cenas mais emocionantes.

Assim, no próximo mês… os cidadãos do Império teriam pura adrenalina.

E nós… éramos o combustível que tornava tudo possível.

“Boa sorte a todos. A Prova da Ilha começa agora.”

Com essas palavras, finalmente podíamos correr em direção ao grande portão.

Um por um, todos começaram a entrar.

Eu avancei junto com os do primeiro ano e entrei lentamente.

Ao dar um passo à frente, uma onda de aura poderosa do portão me atingiu — e, de repente, meus pés afundaram um pouco.

Ao invés do piso de pedra de antes, agora pisava em areia molhada.

A mudança abrupta de ambiente e clima deixou tudo confuso. Há poucos momentos eu estava no templo… e agora, frente a uma praia, com o mar ao lado.

À minha direita… só via árvores altas — gigantes que me lembravam as Terras do Pesadelo Oriental.

Uma floresta infinita. Uma praia de areia dourada.

Não era só eu impressionado. Centenas de estudantes do primeiro ao terceiro ano também estavam pasmos.

Havia uma regra que proibida combate na primeira hora da prova, para evitar conflitos.

A admiração durou um tempo… até que um zumbido agudo nos trouxe de volta à realidade.

Uma notificação unificada foi enviada a todos os smartwatches, sem exceção. Imediatamente, chequei o meu.

A mensagem era clara:

– Frey Starlight –

Dirija-se à localização E6.

Limite de tempo: uma hora.

Recompensa: 5 pontos por chegada. Pontuação extra para quem chegar em primeiro.

Olhei o mapa.

Minha localização atual… era F9.

Estava longe.

Vale lembrar que cada estudante recebeu um destino diferente.

Ainda assim, logo percebi que não era só eu destinado a E6…

Outros também tinham o mesmo alvo.

E então— sem aviso prévio—

O chão tremeu.

A aura se intensificou.

Todos partiram em disparada, mergulhando na ilha amaldiçoada.

A terra tremeu, revelando uma verdade indiscutível:

A Prova da Ilha… tinha oficialmente começado.

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