O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 153

O Ponto de Vista do Vilão

— Realmente íamos morrer ali atrás, né? Haha... —

De dentro do vazio, outra figura avançou — V.

Se não fosse a habilidade de Gavardiol de se fundir com a sombra, ambos teriam perecido.

— Então... Esta é a força dos Abismos. Rivaliza com a dos Senhores.

—... —

Uma tempestade de emoções fervia no olhar do tirano, uma sede inegável por batalha.

Porém, ele sabia que a diferença de poder era insuperável.

E V, o mais fraco entre eles, permaneceu em silêncio, dedos apertando a empunhadura de sua Lâmina Lunar.

Perto dali, Gavid Lindman surgiu, seu casaco outrora elegante agora rasgado.

Apesar da aparência desleixada, ele estava ileso.

Embora sua expressão se torcesse de raiva quase contida.

— Que bom que vocês conseguiram chegar até aqui. —

Mergo também reapareceu, completamente intacto, carregando Laurence às costas.

Encapsulado em um campo de energia cortante, havia permanecido incólume à Escada de Jacob.

No lado oposto do crater, as forças do Império se reagruparam.

A maior parte escapou do ataque principal, com Ramiel já cuidando de seus ferimentos.

Porém Adam Smasher jazia no chão, sua estrutura monumental separada da armadura.

— Ei, você está bem? — perguntou Callistes, olhando ao redor, certo de que já o havia curado minutos atrás.

Adam apenas cerrava os punhos, batendo-os contra o chão, a expressão distorcida de frustração.

— Tô bem... Só que limitei. Teria morrido se não fosse pela Armadura do Dragão de Prata. —

O olhar de Ramiel se desviou para a armadura agora inativa, que encolhera até se parecer com um brasão, assemelhando-se à cabeça de um dragão.

Um artefato aterrorizante — seu verdadeiro potencial prejudicado apenas pela falta de força de Adam.

Ainda assim, suportou um golpe direto de um Acordado rank SS.

Ambos os lados estavam à beira do próximo movimento.

Então o céu voltou a se acender.

— O que foi agora? —

A maioria amaldiçoava enquanto as lâminas circulares cobriam o céu inteiro...

Ludwig estava prestes a lançar ataques ainda mais devastadores sobre eles.

Ao mesmo tempo, os Ultras iniciaram outro ataque.

— Isso nunca vai acabar... — murmurou Ramiel com tom sombrio.

— Derrote-o, Claymore. —

Os olhos de todos se arregalaram quando a espada dourada de Melina se estendeu numa velocidade surpreendente, transformando-se em um feixe metálico colossal.

Na ponta da Claymore, Ludwig foi perfurado no peito ao tentar agarrar sua lâmina. Mas a arma continuou a expandir-se, destruindo-o ao atravessar uma das montanhas próximas.

— Que diabos—?! —

A espada de Melina agora tinha mais de mil metros de comprimento, criando uma visão impressionante.

Num piscar de olhos, ela retraiu-se na mesma velocidade aterrorizante, enquanto Melina pulava para frente.

Enquanto isso, a montanha que soterrara Ludwig explodiu enquanto ele voltava na direção deles em velocidade estonteante.

— Vou abrir caminho! Todos, recuem! —

— Huh?! —

O grupo ficou atônito com a declaração de Melina.

A batalha atingia um impasse, e em breve, todos seriam destruídos.

Melina decidiu lutar com tudo o que tinha, segurando os inimigos para dar ao time uma chance de escapar.

Por isso, ela finalmente revelou seu verdadeiro poder.

— Mergo, ela não é sua adversária?! — Lindman gritou ao lutar contra Mist Umbra.

— Ah... é? — O velho riu, claramente brincando com eles.

Mas a Claymore de Melina avançou em sua direção numa velocidade assustadora, forçando-o a reagir. Ele conseguiu bloquear com seu Uchigatana.

Sem hesitar, Melina retraíu a espada e enfrentou Ludwig a curta distância.

— Você pretende lutar contra nós dois ao mesmo tempo?! —

Melina estava pronta para liberar tudo.

Porém, de trás dela, os olhos de Mist Umbra brilharam verde por baixo da máscara.

— Não podemos perder você aqui... Portadora da Claymore. —

O corpo de Mist emanava energia enquanto Lindman recuava instintivamente.

— Perdoem-me, a todos... Sustentem-se. —

Quem diria que quem liberaria seu poder pleno primeiro seria o mais racional deles?

— O que está fazendo?! — gritou Callistes, sentindo o perigo se aproximar. Mas Mist não parou.

— Arte Suprema: Onda Zero. —

Uma onda de poder invisível irrompeu — um ataque sónico destrutivo que se espalhou por um raio de mil metros.

Desta vez, o ataque foi rápido demais para qualquer um reagir. Todos ficaram presos nele.

Uma onda sonora destrutiva atingiu suas mentes diretamente, rompendo seus tímpanos e causando sangue que jorrava.

Agora, todos estavam desorientados — inclusive Ludwig — cuja aura, que perturbava Luc Valerion, de repente enfraqueceu.

Luc tentou se estabilizar, aproveitando essa breve janela para teleportar todos, mesmo tendo sido atingido pelo ataque de Mist.

O assassino havia focado em todos os Ultras antes que eles pudessem se recuperar.

Esta era sua última chance...

A maior oportunidade deles...

Mergo estava prestes a agir com seriedade ao ver a tentativa desesperada, mas não precisou.

Porque, no instante seguinte, tudo mudou.

O próprio ar se modificou.

Como se o céu tivesse escurecido...

As expressões do lado imperial começaram a se afundar enquanto uma pressão esmagadora os oprimia.

Uma presença sinistra... uma entidade terrível...

Todos ficaram paralisados, congênitos por um medo indescritível.

Acima deles, flutuando com a lua às costas...

— Uma luta tão desesperada... —

Sua voz era venenosa e áspera.

O grupo, com os ouvidos destroçados, não conseguiu ouvi-lo. Mas eles o viram.

Uma figura estranha, com pele cinza-morta e olhos com pupilas negras como breu.

Um par de chifres assustadores adornava sua cabeça, enquanto longos e espessos cabelos brancos caíam ao redor, tingidos de cinza.

Seus braços eram alongados, terminando em garras negras, afiadas como lâmina.

Ele vestia apenas uma túnica preta, e, das costas, estendiam-se amplas asas negras.

Talvez fosse a primeira vez que eles viam um...

— Um Demônio Superior... —

Os Ultras recuaram rapidamente enquanto Mergo guardava sua espada.

Era o fim.

O demônio tinha descido para acabar com tudo ele próprio.

Rank 19... Astaroth.

As forças do Império se reuniram, com Mist na dianteira.

A situação atual era completamente imprevisível.

Astaroth os olhou antes de liberar toda a pressão de seu poder de pico SS+.

Um força que os pressionava profundamente contra o chão.

— Então esses insetos que você não conseguiu matar até agora? —

Falando em tom sombrio, repreendeu Mergo e seus companheiros.

A pressão dele também os atingiu, e pode-se dizer que Mergo foi o que conseguiu suportar melhor.

No entanto, permaneceu em silêncio... apenas sorrindo em silêncio.

— O que você esperava ao mandar insetos para lidar com insetos... —

Astaroth apontou seu dedo para Mist e seu grupo.

— Que pena... Talvez vocês pudessem ter sido boas amostras para o caminho à Soberania. Mas agora, são apenas insetos em uma tábua de cortar. —

— Mais fortes e vibrantes que os patéticos... ainda assim, nada mais que existências inferiores. —

— Morra. —

De sua ponta, uma estranha energia escura foi liberada, como tinta preta manchando o próprio vazio.

Um pilar negro desceu sobre eles, muito mais poderoso que o golpe anterior de Ludwig.

Todos ficaram paralisados, atônitos ao verem um demônio, sobrecarregados por uma pressão a que não estavam acostumados, atrasando sua reação — exceto uma pessoa.

Mist Umbra avançou, liberando todo seu poder contra o ataque devastador.

— Escudo Tempestade! —

Uma barreira de vento denso se formou ao redor de todos enquanto Mist entregava tudo de si nela.

A força de Astaroth chocou violentamente contra o escudo, mergulhando o chão em trevas.

Mist esforçou-se para segurar o ataque, sangue saindo pelos buracos da máscara.

O golpe de Astaroth continuava a martelar contra a barreira, prestes a destruí-la completamente.

— Run! —

Mist gritou.

Luc Valerion imediatamente tentou salvar quem pudesse — mas Astaroth já tinha visto tudo.

— Uma luta inútil... —

Ele ia parar o jovem mago e acabar com todos.

Mas as surpresas estavam longe de acabar, enquanto o próprio demônio estremecia.

O céu acima dele se abriu.

Uma lança... um relâmpago...

O que exatamente era aquilo?

Não importava.

O que importa era que a colossal lança de relâmpagos destruiu a área, iluminando novamente o céu sombrio.

Era incrivelmente rápida — até Astaroth percebeu tarde demais.

Naquele momento, ouviram a voz claramente.

— Por que você não enfrenta alguém do seu tamanho? —

Alguns minutos antes, no momento em que Astaroth apareceu — bem longe do continente dos Ultras, atravessando o Oceano Demoníaco, dentro do Império...

Um homem solitário havia subido ao topo de seu enorme castelo, governando tudo de lá.

Ele era de tirar o fôlego... sua presença era opressora só por existir.

Faíscas elétricas surgiam constantemente ao seu redor.

Seus olhos dourados brilhavam com poder enquanto seus cabelos loiros se erguiam em direção ao céu.

Oliver Khan observava de perto, atento ao que o Imperador, Maekar Valerion, prestes a fazer.

A energia de relâmpagos se condensava enquanto a pressão aumentava.

As palavras de Maekar ecoaram lentamente.

— Uma lança mais poderosa que picos de montanhas.

Em poucos momentos, Maekar moldou uma lança que fazia toda a extensão do castelo parecer minúscula e rivalizava com as próprias montanhas.

A quantidade de aura de relâmpago comprimida dentro dela era indescritível.

Naquele instante, segurando a lança com uma mão...

O guerreiro mais forte na luta com lanças deste mundo enviou um ataque devastador.

Sua mão era como um lançador de foguetes, lançando a lança numa velocidade inimaginável que sacudiu a terra e rasgou o céu ao meio.

Era uma lança que atravessava continentes... Erradicando tudo em seu caminho antes de atingir a cabeça de Astaroth, que estava longe do local do Imperador...

Com um único golpe, Maekar apagou a distância entre dois continentes e atingiu Astaroth...

BZZZT

BZZZT

Aproveitando a oportunidade criada pelo golpe aterrorizante de Maekar, Luc Valerion coordenou com os magos do Palácio Imperial e teleportou todos para longe — pondo fim ao pesadelo deles.

Ao mesmo tempo, a voz de Maekar ressoava nos ouvidos de todos, apesar da vastidão da distância.

— Por que você não enfrenta alguém do seu tamanho? —

— Haha... Hahaha... —

Em resposta, a risada do demônio ecoou das nuvens de tempestade, intacta.

— Que palavras... Isso é o descendente daquele miserável que uma vez enfrentou os altos cargos, não é? Valerion? —

Do mesmo modo, as palavras de Astaroth chegaram a Maekar...

Naquele momento, uma conversa estranha se desenrolava entre um humano e um demônio — os dois de continentes diferentes.

Mas eles se olhavam claramente.

Chegando um ao outro não passava de um mero detalhe para eles.

— Volte para onde veio, ser vileza... Este território não é para sua raça pisar. —

O riso de Astaroth aumentou de intensidade com a desafiadora afronta humana.

— Um inseto patético... com uma única vida... Mais forte e vibrante que os demais, sim... Mas, ainda assim, uma existência insignificante. —

Astaroth continuou rindo, finalmente tendo encontrado um humano digno de enfrentá-lo.

— Que os dias fiquem contados... pois sua morte será o ato final desta peça miserável... Valerion. —

—... —

Isto confirmou.

A guerra era inevitável.

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