
Capítulo 149
O Ponto de Vista do Vilão
-POV de Frey Starlight-
'...'
Não há um único dia neste mundo que termine de forma normal.
Obstáculos e incógnitas continuam aparecendo, um após o outro, sem falha.
Neste ponto... qual é a utilidade de ser o autor?
Não sou eu quem criou este mundo?
Agaroth não disse isso ele mesmo? Que fui eu quem o fez?
Então por que…
Por que essas coisas estranhas continuam surgindo, uma após a outra?
Como se…
Como se esta não fosse a minha história.
Alguém que conhece o futuro…
Talvez eles estejam conectados ao que está acontecendo comigo.
Era uma possibilidade—uma entre muitas.
Naquele momento, eu estava perdido em pensamentos enquanto Carmen bombardeava Ada com todos os tipos de perguntas sobre aquele intruso misterioso.
Ada, no entanto, escolheu não revelar o artefato estranho que aquele homem lhe havia dado.
Como se a hora de falar sobre isso ainda não tivesse chegado.
Após muita discussão, o silêncio caiu sobre a sala.
Especialmente do meu lado.
Eu sabia que, a partir daquele ponto, muito do que aconteceria estaria além do meu controle.
Apenas aqueles ao meu redor podiam ver a expressão vazia que eu usava agora.
'Ei.'
A voz da minha irmã soou nos meus ouvidos.
'O quê?'
'Seu cabelo… precisamos fazer algo sobre isso.'
Ada estava tentando aliviar o clima. Eu respondi com um pequeno sorriso.
'Por quê? Não me faz parecer mais com um verdadeiro Starlight agora?'
Finalmente, eu havia me livrado do cabelo preto que sempre lembrava as pessoas que eu era filho de um homem de uma família secundária.
Não que eu alguma vez tivesse me importado muito com isso.
'Não… Você só parece meio assustador.'
Cabelo branco, olhos negros fundos, pele tão pálida que se assemelhava à de um cadáver…
'Está tudo bem. É exatamente o que eu quero.'
De agora em diante, eu seria verdadeiramente o vilão.
Eu saí da sala, indo terminar meus preparativos.
Carmen me observou até o fim.
Depois que eu fui embora, ela coçou a cabeça em frustração—apenas para fazer uma careta de dor, pois havia tocado no próprio local de sua lesão.
'Droga… ele me lembra ele.'
Naquele momento, memórias surgiram na mente de Carmen—memórias de um certo jovem que compartilhava seu sangue.
...
...
...
Só me levou dois dias.
'Você realmente tem que ir agora?'
Parado nos portões do Castelo Starlight, de frente para Ada e Carmen, eu estava pronto para partir.
Com um leve sorriso, eu me despedi da minha irmã.
'Desculpe, mas eu já estive ausente por muito tempo. Se eu ficar mais tempo, posso ser expulso do templo.'
Ada não disse mais nada.
Ela simplesmente me puxou para um abraço apertado. Eu retribuí, sentindo o contraste entre meu corpo frio—ainda sofrendo dos efeitos persistentes da maldição—e o calor dela.
'Eu vou te assistir. Você sabe, no Victoriod.'
'Eu estarei ansioso por isso.'
Quando Ada se afastou, Carmen deu um passo à frente e me deu um leve soco no peito.
'Não nos decepcione.'
Com o mesmo sorriso, eu acenei com a cabeça.
'Eu vou vencer.'
Algo na minha voz fez Carmen parar.
Uma determinação inabalável diferente de antes.
Eu me virei e comecei a me afastar, acenando para eles enquanto eu saía.
'Não hesitem em me ligar se alguma coisa acontecer.'
'Ah?'
Carmen riu ao ouvir aquelas palavras.
Quem diria que o garoto que uma vez lutou sozinho, aquele que ela teve que resgatar repetidas vezes…
Se tornaria o trunfo deles… o anjo da guarda deles…
Ou melhor…
O demônio da guarda deles.
'Não se preocupe, garoto… apenas foque no que está por vir. Você sempre nos encontrará atrás de você.'
Ela se afastou com o mesmo sorriso.
'Tenho certeza disso.'
No próximo mês, eu me esqueceria de Starlight completamente e me concentraria no que estava por vir.
Eu não tinha dúvidas—Carmen e Ada esmagariam Leonidas e seus homens.
Eu tinha certeza disso. Afinal, aquele velho tinha caído tanto depois de falhar em me assassinar dentro de Moonlight que eu não o considerava mais uma ameaça.
Lá na frente, Vulcan, o velho servo, estava esperando ao lado de uma carruagem, pronto para me levar ao portão.
Com um breve aceno de cabeça, eu entrei e nossa jornada começou.
Eu vestia um longo casaco preto, luvas de couro e botas de inverno altas.
Graças ao anel dimensional no meu dedo, eu não me preocupava mais com bagagem—tudo estava armazenado lá dentro.
Hoje, eu havia recebido o privilégio de usar o portão para viajar diretamente para a capital, Belgrado, e entrar no templo.
Um atalho notável, me poupando de uma jornada árdua.
Diante do grande portão construído pelos antigos, eu dei um passo à frente, classificado como um VIP.
Outros esperariam meses por uma chance de entrar.
'Boa sorte, Lord Frey.'
Eu acenei para o servo e continuei sem olhar para trás.
'Cuide da minha irmã.'
O velho fez uma profunda reverência.
'Com minha vida.'
'…'
Eu não disse mais nada e caminhei em direção ao portão.
Naquele momento, um homem de meia-idade se aproximou.
'Lord Frey Starlight, correto?'
Eu acenei com a cabeça.
'Está certo.'
'Por aqui, por favor.'
Eu segui o guarda, parando em frente a um portal brilhante, preparando-me para atravessar.
'Você pode sentir uma leve tontura, mas será momentânea… Entre quando estiver pronto.'
'Obrigado.'
Sem hesitação, eu entrei—imediatamente, meu mundo virou quando fui engolido por uma luz branca ofuscante.
Segundos depois, o rugido de uma multidão enorme invadiu meus ouvidos, um eco agudo soando à distância.
A capital, Belgrado.
Eu levei um momento para sacudir a tontura e processar meus arredores.
'Esses portões são piores do que eu pensava…'
Conforme meus sentidos retornavam, o barulho ensurdecedor ficou mais claro—
Gritos. Aplausos. Assobios.
'Um festival?'
Conforme eu avançava, percebi que a situação era muito maior do que eu imaginava. A multidão crescia mais densa a cada passo, a ponto de eu mal conseguir me mover.
'O Victoriad já começou?'
Isso era loucura. Parecia que a capital inteira estava reunida aqui.
Então eu os notei—as telas enormes pairando acima, dominando o céu.
Elas estavam transmitindo alguma coisa.
Parecia um filme. A multidão reagia a cada momento, explodindo em aplausos e cânticos.
'Que diabos está acontecendo?'
Minha voz se perdeu no caos.
'Vida longa ao Império!'
'Vida longa ao Imperador!'
O barulho era ensurdecedor—meus tímpanos estavam à beira de estourar.
Olhos de Falcão.
Eu ativei meus Olhos de Falcão, aguçando minha visão.
E naquele momento, eu entendi.
As telas estavam mostrando uma transmissão ao vivo…
Um massacre.
Para confirmar minhas suspeitas, eu me virei para alguém próximo.
'Hã? O quê, você é do interior ou algo assim? Estamos revidando! As forças do Império estão pagando aqueles Ultra imundos!'
As palavras dele confirmaram.
Então, a hora tinha chegado, hein?
A primeira resposta do Império depois que os Ultras invadiram o templo e destruíram o palácio da família Moonlight.
Na tela, um esquadrão de apenas seis indivíduos estava destruindo uma das cidades dos Ultras.
Uma cena de fogo e sangue.
...
...
...
Longe do caos do Império, em um canto isolado do palácio da família Starlight…
Um velho estava sentado sozinho, agarrando a cabeça, seus olhos injetados de sangue cheios de fúria enquanto ele mordia os lábios com força.
Aquele homem não era outro senão Leonidas, o Leão Imortal.
A vida não havia mostrado misericórdia a ele—ele havia caído forte, perdendo tudo da noite para o dia.
Sua aliança com a família Moonlight havia levado à sua queda. Pior ainda, seu plano havia falhado. Ele não havia conseguido matar Frey.
'Por quê? Por que ele se recusa a morrer?!'
Leonidas rugiu, batendo o punho na parede ao lado dele, quebrando-a.
Aquele garoto…
'Não resta muito tempo…'
Um tremor violento percorreu Leonidas enquanto sua mente voltava para aquele dia fatídico—
O dia em que ele apareceu.
Um homem mascarado com olhos azuis penetrantes havia mostrado a ele um vislumbre do futuro.
Uma visão sombria e angustiante—
Ele mesmo, se afogando em seu próprio sangue, seu corpo quebrado. E pairando sobre ele, um jovem, segurando uma espada preta aterrorizante, olhando para baixo com puro desprezo.
Leonidas tinha visto sua morte.
E aquele que estava sobre seu cadáver… era Frey Starlight.
Quando o homem com os olhos azuis mostrou a ele aquele futuro, Leonidas perdeu a cabeça.
Ele se tornou obcecado por Frey, fazendo tudo ao seu alcance para matá-lo, desesperado para escapar daquele destino inevitável.
Mas suas ações, sua loucura…
Não tinham sido nada mais do que um jogo orquestrado por aquele homem.
Uma figura misteriosa, puxando as cordas das sombras…