O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 146

O Ponto de Vista do Vilão

Com a Victoriad se aproximando…

Um evento semelhante à Copa do Mundo, onde os guerreiros mais fortes e talentosos se enfrentavam diante de uma enorme audiência.

Agora mais do que nunca, o Império precisava de um espetáculo como esse.

Com as recentes agitações e o espectro iminente da guerra, a Victoriad era essencial—uma chance de fazer o povo esquecer, mesmo que por um tempo.

Mas desta vez…

Esta Victoriad carregava um peso diferente de qualquer outra antes.

Mudaria tudo.

Nunca seria esquecida.


Longe da Mansão Starlight, além das fronteiras orientais do Império…

Se alguém se aventurasse para o sul, ultrapassando os limites naturais do Império, se encontraria diante de um mar temível, repleto de criaturas tão horripilantes quanto aquelas que espreitam nas Terras do Pesadelo.

E, no entanto, no meio dessas águas amaldiçoadas, existia uma única ilha.

Um lugar reverenciado como o Paraíso na Terra.

A Ilha Sagrada—Sicília.

O coração da Igreja da Purificação, lar dos adoradores do Senhor da Luz.

Era conhecida como o Céu na Terra, e realmente fazia jus ao seu nome.

Apenas aqueles com a patente de Sacerdote ou superior tinham permissão para entrar.

A ilha era cercada por imponentes muros banhados a ouro, que se elevavam alto no céu.

E dentro desses muros?

Uma terra de vegetação exuberante, abundância transbordante e graça divina.

Mas logo além deles…

Árido. Desolado. Sem vida.

Um contraste gritante, apesar do fato de que apenas um único muro e alguns metros de espaço separavam os dois.

Quanto mais fundo alguém se aventurava, mais milagres testemunhava.

Mas a maior maravilha de todas estava no coração da ilha—

Um céu de um azul impossível, adornado com nuvens brancas imaculadas.

E desses mesmos céus, um grande rio de água puríssima descia em cascata, formando uma cachoeira interminável, fluindo incessantemente desde a fundação da igreja, séculos atrás.

Talvez…

Esta fosse a maior bênção que o Senhor da Luz já havia concedido aos Seus fiéis.

Pois este rio trazia prosperidade eterna à terra.

E sob aquela cachoeira sagrada, erguia-se um grande edifício.

Uma estrutura conhecida como—

O Santuário do Milagre.

Uma colossal pirâmide branca, coroada por um pilar imponente no seu pico.

Aquele pilar carregava o nome de A Tábua da Revelação.

E a própria pirâmide—O Santuário do Milagre.


‘Magnífico… Finalmente cheguei.’

No topo do Monumento, um homem ajoelhava-se em reverência diante do pilar monolítico.

Seu rosto carregava a devoção de um verdadeiro crente, suas vestes brancas fluindo ao seu redor enquanto ele pressionava sua testa contra o chão.

Sua pele era escura, seu cabelo dourado como o sol.

E a pressão que emanava dele era inegável—ele era pelo menos rank S.

‘Levante a cabeça, Sangue Novo. Não adianta se curvar diante desse pilar.’

Uma voz ecoou por trás dele.

Um homem idoso se aproximou, vestido com vestes idênticas.

‘Você deve ser o novo guardião, correto?’

A voz do velho não carregava calor—apenas indiferença distante.

‘Sim! Meu nome é Knut.

A partir de hoje, servirei como guardião deste lugar!’

A animação de Knut era palpável, mas o velho sacerdote apenas balançou a cabeça.

‘Já vi essa expressão inúmeras vezes antes…

Na verdade, tenho certeza de que usei o mesmo olhar quando cheguei aqui pela primeira vez.’

Com passos lentos e deliberados, o ancião se aproximou.

Knut… não entendia.

Por que aquele velho parecia tão perturbado?

Este não era um dos papéis mais honrados em toda a igreja?

‘Eu entendo seu entusiasmo, jovem…

Afinal, aquele pilar é nosso único meio de comunhão com nosso amado Senhor—o Senhor da Luz.’

Embora, na verdade…

Só funcionou em um sentido.

‘Este Monumento recebeu revelações divinas por inúmeras gerações…

Os decretos do Senhor da Luz não aparecem em nenhum outro lugar senão nesta própria tábua.’

Knut assentiu ansiosamente.

‘Eu já sei de tudo isso! É por isso que estou tão honrado em servir aqui!

Significa que os Bispos me reconhecem!’

O velho suspirou.

Um suspiro de resignação.

‘Diga-me, Sangue Novo…’

‘Você sabe quando foi a última vez que aquele pilar brilhou com palavras divinas?’

A animação de Knut congelou.

Seu corpo ficou rígido.

E então, o ancião falou mais uma vez—

‘Este Monumento não recebeu uma única palavra do Senhor da Luz há muito, muito tempo…

Na verdade, permaneceu em silêncio por séculos.’

‘O quê…?’

A respiração de Knut ficou presa em sua garganta.

‘Isso é impossível! Como a Igreja sobreviveu todo esse tempo, então?!’

O velho sacerdote suspirou, seu tom carregado de paciência.

‘Por anos, cada decisão que a Igreja tomou veio da sabedoria dos Bispos.

Eles são os mais próximos do Senhor da Luz.

E como nosso amado Senhor permaneceu em silêncio… tudo o que podemos fazer é seguir nossas estrelas-guia até o fim.

Eles são os mais fiéis entre nós.’

O olhar do ancião pairou sobre o Pilar Imponente, seus olhos opacos, quase sem vida.

‘Eu servi aqui por oitenta anos agora.

E por oitenta anos, eu observei aquele monólito imutável.’

‘No final, a única coisa que mudou… fui eu.’

Com isso, ele se virou, descendo os degraus.

‘Não crie muitas esperanças, garoto.’


Knut permaneceu onde estava, sentado na pedra fria.

As palavras do ancião pesavam sobre ele.

Ele acreditava que a Igreja finalmente o havia reconhecido.

Que ele se aproximaria do ser divino que havia adorado durante toda a sua vida.

Mas agora—

Disseram a ele que ele não era nada mais do que um sentinela—vigilando um pilar silencioso.

‘…Não. Não pode ser.’

Knut cerrou os punhos, preparando-se para perseguir o velho—

Mas então—

Pela primeira vez em séculos—

BOOM!

Um pulso.

Uma força sagrada.

Uma luz.

Um brilho mais puro do que a estrela mais brilhante do céu.

O ancião se virou bruscamente, sua respiração falhando.

Knut congelou, todo o seu ser tremendo sob o peso da presença divina.

Um brilho ofuscante desceu dos céus, inundando o mundo em luz pura e radiante—

Antes de se chocar diretamente contra o Pilar Imponente.

‘…Oh, meu Deus…’

‘Oh, meu Deus…’

‘Oh, meu Deus!’

O velho sacerdote desabou, lágrimas escorrendo pelo seu rosto enrugado.

Ele se curvou profundamente, com a testa pressionada contra a pedra.

E Knut fez o mesmo.

‘Mestre… isto é…?’

‘Abaixe a cabeça! Não diga nada… Está acontecendo!!…’

Seu corpo tremia violentamente.

‘Uma Revelação desceu.’

E então—

A luz sagrada desapareceu.

Em seu lugar, letras douradas de pura radiância se formaram sobre o Pilar Imponente.

Um decreto sagrado.

As palavras do próprio Senhor da Luz.

Não havia dúvida—

Só Ele poderia inscrever na Tábua da Revelação.

Com olhos arregalados e injetados de sangue, Knut e o velho sacerdote leram as palavras divinas:


‘Vós que trilhais o caminho da Luz, portando a bandeira da verdade em meio à escuridão…

Vós que escolhestes a retidão, dando vossos primeiros passos na guerra santa para purgar esta terra de tudo que a macula…

A hora chegou.

A hora do acerto de contas—o momento que decidirá o destino deste mundo.’

‘Uma nova era se aproxima.

O amanhecer do próximo Campeão.

O portador de Vermithor.

Aquele que liderará a Luz na guerra que está por vir.’

‘Permanecei firmes. Uni-vos. Expurgai o mundo de todos os males.’

‘Mas, infelizmente… a escuridão se espalhou fundo demais.

Tão fundo, que a purificação agora é inevitável.’

‘Portanto…’

‘Apague—Purifique—Extermine um dos seguintes:'

1- A Família Imperial.

2- Os Ultras.

3- A Família Starlight.

‘A escolha é vossa, meus fiéis servos.’


Silêncio.

Knut e o velho sacerdote permaneceram congelados, lutando para processar o que acabavam de ler.

Um novo Campeão—o portador de Vermithor—estava para surgir.

Uma revelação gloriosa.

Mas—

Aquele comando final—

Um decreto que mergulharia o mundo no caos.

Maekar, sentado em seu Trono Imperial. E a Família Valerion.

Os Ultras, escondidos em seu misterioso continente.

Frey e a Família Starlight.

Um deles…

Tinha que ser apagado.

Comentários