O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 96

O Ponto de Vista do Vilão

Heisenberg era uma calamidade de nível SS,

uma máquina de guerra ambulante.

Será que uma figura tão lendária realmente estava diante deles?

Mas enquanto Selena estava presa em seu próprio choque, Frey não se importava nem um pouco com o que eles estavam pensando.

Seu olhar penetrante permaneceu fixo na figura imponente à sua frente.

“Quase me enganou.”

Sua voz estava calma, firme.

“Jogar civis do trem. A explosão. A tentativa de assassinato. Você desempenhou bem o seu papel.”

Um breve suspiro escapou dele, a irritação relampejando em seu rosto ensanguentado.

“Você poderia ter tido sucesso... se ao menos não tivesse direcionado sua intenção assassina unicamente a mim.”

O silêncio que se seguiu foi sufocante.

Então... finalmente...

Uma voz grave o estilhaçou.

O Encouraçado ergueu a mão para sua máscara, removendo-a lentamente.

Revelando o rosto de um homem com uma barba branca espessa e um olhar aterrorizante. Uma cicatriz irregular marcava um de seus olhos. Seu cabelo branco como a neve contrastava fortemente com o brilho carmesim de sua íris restante.

“De fato...”

Sua voz era pesada.

“Meu nome é Glenn Moonlight. Mas a maioria me conhece como Heisenberg.”

Com isso, Heisenberg deixou sua máscara cair no chão, seu eco metálico engolido pela noite.

Então, com passos lentos e deliberados...

Ele começou a caminhar em direção a Frey.

“Desde o começo, este foi um teste, uma provação elaborada pela Família Moonlight para avaliar a força e a inteligência dos recém-chegados.”

Suas palavras os atingiram como um trovão.

Ghost.

Selena.

Danzo.

Todos ficaram abalados.

“Tudo estava preordenado, desde a explosão até a queda do trem. Cada evento foi meticulosamente orquestrado.”

Tudo fazia sentido agora.

Eles sobreviveram não porque tiveram sorte...

Mas porque era para ser assim.

Se Heisenberg realmente quisesse que eles morressem, não precisaria de mais de um segundo.

Antes, Seris não o havia reconhecido imediatamente.

Porque ele era quem lidava com o trabalho mais sujo da família, o executor que operava nas sombras.

Ao contrário do resto de seus parentes, que empunhavam gelo, ele se tornou a arma perfeita.

O trio estava prestes a falar...

Mas Heisenberg ainda não havia terminado.

Com sua estrutura imponente, com quase dois metros e meio de altura, ele estava diante de Frey Starlight, que, pela primeira vez em muito tempo, exibia uma expressão verdadeiramente sombria.

“O que estou prestes a fazer... não tem nada a ver com minha família. Esta é minha decisão, e apenas minha.”

Assim que a última palavra deixou seus lábios, uma força esmagadora irrompeu do corpo de Heisenberg, liberando todo o poder de um Desperto de nível SS.

Uma pressão tão imensa que travou todos no lugar, paralisando-os onde estavam.

Sua estrutura maciça pairava sobre Frey, seu olhar frio e inabalável.

Ele repassou tudo o que havia levado a este momento.

Ele pesou suas opções.

E ele sabia, sem sombra de dúvida, que nunca haveria uma chance melhor do que essa.

Para eliminar esse incômodo.

Uma praga que havia feito demais. Aprendido demais.

Eles mal haviam conseguido orquestrar essa oportunidade, mesmo com a cooperação da Família Starlight.

E, no entanto, aquele garoto havia superado todas as expectativas.

Ele o havia enganado,

ele... um dos anciãos mais fortes da Família Moonlight.

Um guerreiro que passou uma vida inteira no campo de batalha.

E assim, sua mente estava decidida.

“Adeus... Frey Starlight.”

O tempo diminuiu.

Heisenberg lançou um golpe infundido com toda a força de um homem que estava no auge do mundo.

Frey Starlight observou-o se aproximar, seus olhos afiados, como os de um falcão, girando com pensamentos turbulentos.

Ele realmente... vai fazer isso?

Pela primeira vez, o jovem percebeu o quão imprudente... o quão ingênuo... ele havia sido.

Ele havia presumido que isso terminaria no momento em que expusesse seu oponente.

Ele havia se convencido de que Heisenberg não o mataria.

Não na frente de Ghost. Não na frente de Danzo e Selena.

Essa era a conclusão lógica.

Era isso que ele havia planejado.

Mas agora...

Ele se viu mais perto da morte do que nunca.

Ferido. Sua Ascensão Temporal expirada.

Seu corpo no pior estado possível.

‘E agora?! E agora?! E agora?! E agora?! E agora?!!’

Heisenberg já havia se resolvido a arcar com a culpa.

Enquanto Frey morresse, nada mais importava.

Um homem com esse nível de convicção...

Como você o impede?

A tatuagem de serpente no braço esquerdo de Frey queimava intensamente, sentindo o perigo esmagador.

Eu não posso bloquear isso...

Mesmo que ele desse tudo de si.

Mesmo que ele invocasse Balerion.

Eu não posso sobreviver a isso.

Até mesmo Balerion estava enviando sinais desesperados: Viva. Corra. Faça alguma coisa.

E, finalmente...

Frey Starlight percebeu.

Não havia saída.

Não importa o quão desesperadamente ele procurasse uma resposta naqueles momentos fugazes, nenhuma veio.

Havia apenas a morte.

Ou assim ele pensou.

Em um instante...

A morte sussurrou.

Os papéis se inverteram.

A própria realidade se estilhaçou.

“O que... é isso?”

O golpe devastador de Heisenberg, um que deveria ter obliterado Frey... parou a meros centímetros de seu rosto.

Seus olhos se arregalaram.

Uma força estranha havia intervindo.

O corpo de Frey estava rachado, brilhando com linhas intrincadas de luz violeta pulsante, como um casulo segurando algo... mais.

Durou apenas um momento fugaz.

Mas Heisenberg tinha visto.

Uma figura sombria.

Algo protegendo Frey.

Algo o abraçando, como se embalasse uma criança frágil.

Heisenberg nem sequer conseguia ver o sangue que deveria ter espirrado de seu punho.

Porque no momento em que ele fez contato...

Sua mão, outrora poderosa, havia sido reduzida a nada mais do que uma polpa sangrenta e mutilada.

Tudo aconteceu em um piscar de olhos.

Frey desabou, inconsciente, seus olhos ainda bem abertos em choque.

E essa força...

Essa presença...

Aquela que havia agarrado a própria alma de Heisenberg em terror...

Desapareceu.

Deixando-o ali, parado em descrença.

Até mesmo a dor lancinante em sua mão arruinada não conseguiu se registrar.

Um pensamento ecoou em sua mente.

“O que... acabou de acontecer?”

Ele... um guerreiro de nível SS realmente foi parado por um garoto que nem sequer havia alcançado o nível C?

E, mais importante...

O que era aquela... coisa?

Um momento de hesitação foi tudo o que foi preciso.

Dezenas de fios pretos foram lançados, enrolando-se firmemente ao redor da estrutura maciça de Heisenberg.

Ghost se materializou diante dele, silencioso e ameaçador.

Danzo, movendo-se igualmente rápido, já havia puxado o corpo inconsciente de Frey para longe.

Ambos tinham visto.

Mas não havia tempo para questionar o que acabara de acontecer.

Eles tinham uma prioridade,

Salvar Frey.

Quanto a Heisenberg...

Pela primeira vez em sua vida, ele sentiu isso.

Não apenas cautela.

Não apenas suspeita.

Certeza verdadeira e absoluta.

Frey Starlight era perigoso.

Não apenas uma ameaça potencial,

Uma ameaça definitiva.

Um risco que tinha que ser eliminado.

Agora.

Seu poder aumentou quando ele se lançou para frente,

Com a intenção de terminar o que começou.

Mas antes que pudesse se mover...

Ele parou.

Não.

Ele congelou.

Não por escolha.

Por força.

Metade de seu corpo foi repentinamente envolvida em uma geada mágica e antinatural.

E então...

Uma voz soou.

Uma voz que só ele podia ouvir.

“Já chega, Glenn. Não posso mais fechar os olhos.”

A respiração de Heisenberg falhou.

Ele conhecia aquela voz.

Instantaneamente.

E um calafrio que não tinha nada a ver com a geada percorreu sua espinha.

“Lorde Baylor...”

Baylor Moonlight.

O chefe da Família Moonlight.

Ele nem estava lá.

Ele estava na distante Mansão Moonlight, longe deste campo de batalha.

E, no entanto...

Sua presença os alcançou sem esforço.

Sua voz ressoou com o peso de uma força inegável.

Um mero vislumbre do que os governantes das grandes famílias eram realmente capazes.

“Nós, os ancestrais, somos os pilares deste mundo. Vivemos o passado, carregamos o presente e pavimentaremos o caminho para o futuro.”

O tom de Baylor era calmo.

Absoluto.

“Glenn, eu deixei você agir como quisesse. Mas você cruzou a linha. Seus ossos velhos não são mais adequados para lidar com esta geração.”

Sentado em seu grandioso trono, Baylor Moonlight sorriu.

Uma expressão perspicaz, quase divertida,

Como se estivesse olhando diretamente para o garoto inconsciente.

“Os rancores desta geração... serão resolvidos por seus próprios heróis.”

“Tudo o que devemos fazer é observar.”

“Mas, Lorde Baylor! Ele...”

“Minha decisão é final.”

As palavras de Baylor não deixaram espaço para discussão.

“Glenn Moonlight... retire-se.”

Não importava o quanto Heisenberg desejasse resistir,

Ele não podia.

Rangendo os dentes, ele baixou a cabeça.

“Como ordena...”

Das profundezas da Mansão Moonlight, Baylor Moonlight riu.

Enquanto ele se levantava de seu trono, um murmúrio silencioso deixou seus lábios:

“Eu testemunhei algo... verdadeiramente fascinante hoje.”

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