O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 82

O Ponto de Vista do Vilão

Sob o comando dela, o homem monstruoso congelou, travado no lugar.

E então... ele riu.

“E agora? Mais crianças?”

Mas a expressão de Ellen era diferente.

Seu rosto irradiava fúria.

“Você Se Lembra De Mim, Seu Filho da Puta?”

A voz ondulou no ar, enviando ondas de choque por todo o campo de batalha.

Todos apertavam os ouvidos em agonia, mas era inútil—muitos desabaram no local enquanto Ellen White, consumida por uma raiva desenfreada, liberava todo o seu poder.

Apesar da devastação sônica, que ameaçava destruir o lugar, a Torre Negra apenas riu.

“Desculpa, garota, mas eu nem sei quem você é.”

Seu tom indiferente fez o próprio chão sob os pés de Ellen tremer e se estilhaçar.

Sua mão disparou para frente.

“Então apenas morra.”

A próxima explosão de som poderia ter obliterado aço, mas o homem permaneceu ali—completamente impassível.

“Talvez eu tenha matado alguém próximo a você uma vez... ou algo assim. Acontece com tanta frequência que parei de acompanhar.”

Uma aura negra emanou de sua forma enquanto ele continuava seu trabalho, sua diversão inalterada.

“Mas você deveria saber...” Sua voz gotejava escárnio.

“Eu não me incomodo em lembrar dos fracos que matei. Então não leve para o lado pessoal.”

Ellen tremia de fúria, sua respiração irregular.

Mas antes que ela ou a Torre Negra pudessem se mover—

Ninguém notou a sombra rasgando a própria realidade.

Duas foices em forma de crescente afundaram profundamente no peito do gigante.

Um golpe fatal perfeitamente executado.

Uma ferida como aquela deveria ter acabado com sua vida.

No entanto—

A Torre Negra apenas riu mais alto.

“Tem certeza de que queria me esfaquear aí?”

As bandagens pretas ao redor de seu peito se desprenderam, revelando algo horripilante—

Buracos escuros, semelhantes a crateras, marcavam sua carne desumana, pulsando como vazios vivos.

Atlas Umbra, o assassino que havia desferido o golpe, hesitou.

Algo estava muito, muito errado.

E quando ele percebeu—

Já era tarde demais.

Daqueles buracos abissais, espinhos negros irromperam—impalando Atlas sem piedade.

Transformando-o em um alfineteiro sem vida.

“NÃO!”

O grito de Ellen perfurou o ar quando a Classe Elite mais velha apareceu atrás dela.

A Torre Negra jogou o cadáver de Atlas de lado como lixo e cerrou os punhos.

“Perdemos tempo demais.”

Um sorriso arrepiante se espalhou por seu rosto.

“Então... recebam este presente de despedida antes que eu vá.”

O coração de Ellen se apertou ao ver o que ele estava prestes a fazer.

“PROTEJAM OS ALUNOS DO PRIMEIRO ANO!” ela rugiu.

Mas era tarde demais.

Uma colossal explosão de escuridão irrompeu sob os pés da Torre Negra.

Centenas de espinhos negros irromperam em todas as direções, impalando tudo em seu caminho.

E em meio ao caos—

A Torre Negra, V e toda a sua presença desapareceram.

Eu não consegui mais manter a consciência enquanto a escuridão me engolia por completo.


Em Algum Outro Lugar… Abaixo do Templo

“Merda… Merda… MERDA!”

Uma figura solitária cambaleava pelo corredor frio e mal iluminado, sua respiração irregular.

Uma força estranha surgiu dentro dele, curando suas feridas pouco a pouco.

Mas a dor em seu corpo não era nada comparada à raiva fervendo dentro dele.

“Príncipe Aegon Valerion…”

Ele sibilou o nome como uma maldição.

“Eu não vou esquecer isso… Eu nunca vou esquecer isso.”

Kai Luc parecia um homem que tinha ido ao inferno e voltado enquanto tropeçava em uma câmara proibida.

Tudo estava arruinado. Seus planos desmoronaram.

Ele tinha sido levado ao limite—

E o pior de tudo?

Aquele que o havia encurralado era apenas um garoto—um que, mesmo se Kai Luc dividisse sua própria idade pela metade, ainda seria mais velho que ele.

Um golpe devastador em seu orgulho.

Mas isso não tinha acabado.

Ainda não.

É por isso que ele estava aqui.

Nas profundezas do nível mais baixo do templo—

A Câmara do Núcleo.

“Feyrith… aquele pedaço de lixo inútil.”

Kai Luc murmurou, limpando o sangue escorrendo por seus lábios.

“Se ao menos ele tivesse feito seu trabalho direito.”

“Nós nunca deveríamos ter desperdiçado o sangue dos Seres Superiores nele… Que piada.”

Já que Feyrith havia falhado, Kai Luc tinha que terminar isso sozinho.

O Núcleo da Cúpula Celeste continha uma quantidade inimaginável de aura—como um reator nuclear transbordando de poder bruto.

Se ele o adulterasse, a explosão resultante apagaria o templo inteiro da existência.

E ainda assim—

Não havia guardas.

Algo sobre isso parecia estranho.

Mas ele não podia se dar ao luxo de pensar nisso.

Esta era sua última chance.

Ele entrou na câmara, murmurando em voz baixa.

“É isso… Fazer ou morrer.”

Se ele falhasse aqui, não haveria misericórdia esperando por ele.

Gavid Lindman se certificaria disso.

Mas quando ele solidificou seu plano, sua expressão congelou.

Porque em pé diante do núcleo azul brilhante—

Estava um garoto.

Um garoto que mal se agarrava à vida.

Seu corpo estava mutilado, coberto de feridas abertas e cercado por uma poça de seu próprio sangue.

Seu cabelo comprido e preto estava emaranhado, sujo e imundo.

Sua forma frágil tremia enquanto ele lentamente se virava para Kai Luc.

E quando ele o viu—

Seus olhos vazios se encheram de algo parecido com esperança.

“Professor!”

Sua voz rachou, desesperada e fraca.

“Professor, por favor, me ajude! Eu imploro!”

Os dedos de Kai Luc tremeram.

Um círculo mágico brilhou acima de sua palma.

Seu primeiro instinto foi acabar com este garoto imediatamente.

Mas então…

Ele fez uma pausa.

E pensou.

De onde esse garoto veio?

Ele escapou e chegou aqui? Ele estava se escondendo?

Não…

Se um chegou aqui, então outros poderiam ter chegado também.

E em seu estado atual, Kai Luc não podia arcar com outra luta.

Então—

Ele deveria matá-lo?

Os olhos perspicazes de Kai Luc examinaram o garoto.

Rank: D.

Gravemente ferido.

Totalmente fraco.

Não.

Ele não o mataria.

Ainda não.

Não até ter certeza.

Talvez isso fosse uma armadilha. Talvez fosse por isso que não havia guardas.

A voz de Kai Luc suavizou, fingindo preocupação.

“O que você está fazendo aqui? Você está machucado? Você está sozinho?”

No momento em que obtivesse sua resposta—

Ele o mataria.

Sim.

Esse era o plano.

Kai Luc estendeu a mão.

E o garoto, tremendo, fez o mesmo.

Seus dedos se encontraram.

Lentamente.

Silenciosamente.

Naquele momento…

Um sorriso conhecedor se espalhou pelo rosto do jovem—o sorriso de um predador que finalmente havia aprisionado sua presa.

“Anti-Magia.”

“O que você acabou de dizer?”

A pergunta de Kai Luc mal deixou seus lábios antes que o aperto do garoto em seu pulso se apertasse com força esmagadora, ameaçando quebrá-lo.

“Te peguei.”

Em um instante, ele puxou Kai Luc para frente e desferiu um chute brutal em seu estômago, forçando o ar de seus pulmões enquanto saliva espirrava de sua boca.

“Seu desgraçado!”

Kai Luc instintivamente tentou ativar seu círculo mágico, mas pela primeira vez… nada aconteceu. Sua expressão se contorceu em choque.

“Surpreso?”

O garoto não o deixou se recuperar. Golpe após golpe choveu, cada soco transformando o rosto de Kai Luc em uma bagunça espancada e sangrenta.

“Eu estou apenas começando!”

Kai Luc mal reconheceu Frey Starlight…

Na verdade, mesmo que tentasse, ele não seria capaz de se lembrar de seu rosto.

Frey Starlight nunca foi alguém que valesse a pena lembrar. Ele nem era um nome na lista de pessoas para se ter cuidado.

No entanto, agora, Kai Luc se viu à mercê de alguém que ele havia descartado como insignificante—impotente, quebrado e derrotado após sua humilhante derrota nas mãos de Aegon.

E este… foi apenas o começo de seu sofrimento.

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