As Heroínas Principais estão Tentando me Matar

Capítulo 511

As Heroínas Principais estão Tentando me Matar

Capítulo 511: História Alternativa - Um Mundo Onde Apenas o Herói e o Rei Demônio Restam (3)


0% - Srrk...


Com olhos vazios e sem vida, Frey estendeu a mão para Ruby, seu corpo congelado se inclinando em direção ao abraço dela.


Seu braço envolveu a cintura dela, sua cabeça repousando contra o pescoço dela.


“...”


Fechando os olhos, ele se entregou, rendendo-se completamente aos braços dela.


Era tudo o que Ruby sempre sonhou.


A estrela cadente, tendo abandonado toda a esperança, estava finalmente, e de bom grado, abraçando-a.


Um momento que deveria ser nada menos que divino.


“A... Ah...”


E, no entanto, naquele momento—


“Aaahhh...”


—seu rosto se contorceu em uma expressão miserável, impregnada de tristeza e desespero.


“Não... Nãooooo!!!”


O tempo passou, embora ela não pudesse dizer quanto.


“...Ruby?”


“Aaaaaaaaahhh!!!”


De repente, como se perdesse toda a razão, ela se levantou de um salto e disparou.


“Aonde você está indo...?”


“Isso não é real. É tudo um sonho. Tem que ser...”


“Ruby...”


Frey estendeu a mão com uma expressão atordoada, mas Ruby apenas correu para frente, cada vez mais rápido.


“É apenas um pesadelo passageiro...”


Murmurando para si mesma, ela saiu correndo da sala do trono, ofegando enquanto pressionava uma mão contra a parede.


“Então, por que... por que eu ainda não acordei...?”


E naquele instante—


- Rumble...!


As paredes danificadas do corredor, enfraquecidas e negligenciadas, desabaram sob seu toque.


“...Por que... Por que eu não acordo—“


Desequilibrada, ela cambaleou até o chão.


E em sua visão—


- Fwoooosh...


“...”


—estava o Império, agora um inferno flamejante, uma paisagem infernal em chamas que se estendia infinitamente diante dela.


“...Não.”


Sua última esperança desesperada—de que tudo isso fosse apenas um sonho—foi destruída.


“Por que... Por que eu tive que vencer...? Por que...?”


Ela já havia gasto seu último desejo.


E não havia como desfazer isso.


.


.


.


.


.


Vários meses se passaram desde que as memórias de Ruby haviam retornado.


“...”


Ela não se sentava mais no trono manchado de sangue que outrora adorara. Em vez disso, estava desabada no trono escuro e desolado do castelo do Rei Demônio.


“...”


O sorriso arrogante e confiante que sempre adornara seu rosto havia sumido.


Em seu lugar estava uma garota à beira da loucura—no entanto, limitada por sua própria força mental máxima, o que a impedia de sucumbir completamente à insanidade.


Tudo o que restava era apenas exaustão.


- Zzzzt...!


Seus olhos vagos cintilaram com vida quando um ruído repentino crepitou do orbe de cristal colocado ao lado do trono.


“Há... há alguém aí?”


- Zzzzt...


“Por favor, responda-me. Eu imploro.”


Era um cristal que ela havia encantado meses atrás para detectar sinais de vida—caso detectasse alguma coisa, ele se ativaria instantaneamente.


Embora tudo o que ela pudesse ouvir agora fosse estática—


Se essa estática significasse alguma coisa—


Talvez, a esperança ainda existisse.


Talvez, ainda houvesse sobreviventes.


Talvez, um grupo inteiro tivesse conseguido resistir.


- Tsssszzzt...


“...Ah.”


Mas essa esperança fugaz durou pouco.


O cristal perdeu seu brilho, silenciando-se mais uma vez.


“...”


Ruby simplesmente deixou seu braço cair frouxamente ao lado do corpo.


O cristal, escorregando de sua mão, rolou pelo chão frio de pedra.


“...O que eu estava esperando?”


Ela já sabia a verdade.


“Se eu encontrasse sobreviventes, o que eu estava planejando fazer?”


Ela sabia há muito tempo—


Que não havia sobreviventes.


“Tudo terminou há muito tempo.”


E mesmo que houvesse, isso não mudaria nada.


Não importava o quanto ela tentasse nesses últimos meses, ela não conseguia desfazer as chamas que haviam consumido o Império.


Ela não conseguia descongelar os desertos congelados do Continente Ocidental.


Ela não conseguia erguer o Continente Oriental das profundezas do mar.


Este mundo havia terminado.


Ela havia terminado com ele.


“...É hora de terminar com isso.”


Depois de ficar atordoada por o que pareceu uma eternidade, Ruby de repente invocou uma espada em sua mão, seus lábios se curvando em um sorriso quebrado.


“Inferno, purgatório—não importa. Vamos acabar com isso de uma vez.”


- Thump, thump...!


Ela lentamente pressionou a lâmina contra o próprio peito. Seu brilho prateado cintilou fracamente enquanto se acomodava contra seu coração.


A arma não era outra senão a amada espada de Frey—a peça final do Armamento do Herói.


A única arma que poderia matar o Rei Demônio.


E agora, estava perfurando seu próprio coração.


“...Espere.”


Antes que pudesse cravar a espada mais profundamente, ela parou.


“Não é assim que deveria ser.”


Ela não conseguia empunhar totalmente o poder da espada e, além disso—


Havia apenas uma pessoa que deveria ser a responsável por acabar com ela.


“Ele...”


Mas no momento em que pensou nele, seu rosto se contorceu de medo.


“...”


Não—talvez não fosse medo.


Era algo mais profundo.


Tristeza, desespero, dor, hesitação, culpa, arrependimento—


Um turbilhão de emoções, engolindo-a por completo.


“...Estou indo, Frey.”


Mesmo assim, ela não tinha escolha a não ser seguir em frente.


“Só você...”


Apenas ele poderia acabar com isso.


.


.


.


.


.


“...”


Enquanto Ruby caminhava em direção ao quarto onde Frey estava hospedado nos últimos meses, memórias inundavam sua mente.


“Jovem Mestre, por favor, cumpra a grande missão...”


“Não se preocupe, idiota. Eu não vou morrer.”


“Você foi... meu maior vassalo.”


“Te vejo no céu, Frey.”


“Eu te amo, meu querido.”


Os momentos finais das mulheres que permaneceram ao lado de Frey se repetiam vividamente na cabeça de Ruby.


“Lady Ruby, perdoe minha grosseria, mas nesta casa, você obedecerá às minhas ordens. Você é uma criada, e eu sou o mordomo...”


“V-Você... Como você sabia que eu era um dragão? Não, espere, isso não é importante... Pfft, não conte para Frey, ok? É um segredo.”


“Obrigada... de verdade, por salvar minha mãe. Se eu me tornar a Imperatriz, farei de você meu cavaleiro...”


“Você é tão hipócrita... Hein? O que eu quero dizer? Quero dizer, é óbvio que você só age mansa na frente de Frey...”


“Ruby, eu tive um encontro com Frey ontem. Está com ciúmes? Hehe...”


Lembranças deles—de suas risadas, suas lágrimas, seu calor—ressurgiram, assombrando-a.


“Se você assumir tanto o papel de irmã mais velha quanto o de cavaleira, o que eu devo fazer... E-Eu também gosto do Frey, droga...”


“Irmã! É você mesmo!? De verdade??”


A cavaleira que certa vez a agarrou bêbada pela gola, soluçando enquanto divagava no meio da noite.


A irmãzinha que a abraçou com os olhos cheios de lágrimas no momento em que suas memórias retornaram.


“Ugh.”


A avalanche esmagadora de memórias fez Ruby começar a suar frio.


Ela instintivamente alcançou seu olho esquerdo.


“Lulu...”


O olho que agora pertencia a ela—o que antes pertencia à sua irmã mais nova.


- Crunch...!


Ranger de dentes, Ruby agarrou seu próprio olho esquerdo, como se tentasse arrancá-lo.


Ela cambaleou para frente, sangue manchando a ponta de seus dedos, mas ela não parou.


Ela tinha que alcançá-lo—o único que poderia acabar com este inferno.


“Frey.”


Parada diante da porta que a separava dele, Ruby estendeu a mão com as mãos ensanguentadas e falou.


“Estou aqui.”


Sem resposta.


“Eu vou entrar, ok...?”


Claro, não haveria nenhuma.


Frey havia mudado fundamentalmente por causa dela meses atrás.


Ela tentou—ela tentou desesperadamente—trazê-lo de volta, mas todos os seus esforços foram em vão.


Uma estrela cadente nunca poderia brilhar novamente.


- Creak...


E agora, ela estava prestes a encontrar aquela estrela cadente.


Aquele que ela amava além das palavras.


Aquele com quem ela jurou estar para sempre.


- Creak... creak...


Mas quando a porta se abriu rangendo, um som sinistro encheu o ar—


E o que a recebeu do outro lado foi—


“...”


Frey.


Frio.


Sem vida.


Pendurado em um laço.


.


.


.


.


.


“...Frey.”


“...”


Uma voz oca ecoou pelo quarto.


“Por que você está assim?”


Ruby, segurando as pernas penduradas de Frey, soltou uma risada oca enquanto o sacudia gentilmente.


“Vamos, desça daí.”


“...”


“Vamos dar uma volta, hmm? Já faz um tempo.”


Um homem que uma vez deu a vida por aquele que amava.


E uma mulher que, em troca, escolheu a morte eterna para salvá-lo.


“...Ei, por que você não está respondendo?”


A história deles, seu ciclo trágico—estava se repetindo mais uma vez.


“V-Você... você não me deixou, não é?”


A única diferença desta vez era que esta era a primeira iteração em que Ruby realmente havia vencido.


“A-Ainda ontem, você ainda estava me estrangulando, não estava? Com aquele sorriso brilhante e inocente?”


Abaixando a gola de seu vestido, Ruby revelou os hematomas roxos profundos ao redor de sua garganta, restos do aperto de Frey.


“Ok, tudo bem. Eu admito. Eu... eu te negligenciei demais nesses últimos meses. Eu estava perdendo tempo com coisas sem sentido em vez de ficar ao seu lado...”


“...”


“M-Me desculpe. Eu estou falando sério. Eu realmente, verdadeiramente estou falando sério. Vamos começar de novo, ok? Eu farei o que você quiser...”


Ajoelhada no chão, ela envolveu seus braços em volta de seu corpo que não respondia.


“Eu prometo, eu nem vou mais pensar em suicídio... então, por favor, abra seus olhos.”


“...”


“Não me deixe sozinha...”


O calor de seu próprio corpo escorreu para sua pele fria e sem vida.


“Por favor... por favor...”


Enquanto sua forma trêmula se agarrava a ele, as lágrimas finalmente começaram a escorrer de seus olhos carmesins.


- Crackle


A espada de Frey, agora desprovida de sua luz outrora brilhante, escorregou de sua mão e rolou pelo chão frio.


“...”


E naquele momento—


No momento em que ela percebeu que estava verdadeiramente, completamente sozinha neste mundo—


Ruby perdeu toda a expressão.


Assim como o homem que ela havia quebrado.


O rubi outrora brilhante se estilhaçou em fragmentos, para nunca mais brilhar.


“...De jeito nenhum.”


E ainda assim—


Havia alguém observando esta cena trágica se desenrolar.


“Pensar que você seria a chave final.”


Uma voz, carregada de espanto, sussurrou na escuridão.


.


.


.


.


.


“...”


“Então é por isso que o fracasso era inevitável sempre.”


Saindo das sombras, uma jovem se aproximou de Frey e Ruby, seu rosto uma mistura de inúmeros pensamentos sobrepostos.


“Eu finalmente entendo tudo agora... A razão pela qual você era tão obsessivamente obcecada por Frey. A razão pela qual Roswyn sempre agia da maneira que agia.”


Ao alcançá-los, a menina silenciosamente estendeu a mão—fazendo com que os olhos de Ruby se fechassem.


“Quantas vezes isso aconteceu?”


Ela gentilmente colocou o corpo de Ruby ao lado do de Frey.


“Eu não sei ao certo, mas toda vez que você perdia sua vida... você deve ter se lembrado de tudo de novo.”


Agora entrando completamente na luz fraca, revelando-se completamente, Ferloche olhou para Ruby e murmurou.


“...Mas eu não tenho escolha a não ser esquecer você.”


Era uma verdade triste, mas inevitável.


“Ter que montar um plano, apenas para esquecer por que eu precisava executá-lo...”


As inúmeras tentativas infligiram danos irreversíveis à sua memória.


Assim, a fim de promulgar a estratégia final que ela havia elaborado de todos os ciclos passados, Ferloche não teve escolha a não ser abandonar suas memórias da verdade sobre Ruby.


“...Descanse agora.”


Sussurrando suavemente, Ferloche pegou a mão de Ruby na dela, fechando gentilmente seus olhos.


“Eu vou fazer o meu melhor desta vez.”


E no exato momento em que a mão de Ruby, entrelaçada com a de Frey, se contraiu levemente—


“Tentar de novo.”


O mundo tremeu e começou a se virar do avesso.


- Drip...


De mãos dadas, os dois amantes derramaram lágrimas silenciosas, enquanto o próprio tempo era reescrito mais uma vez.


.


.


.


.


.


- Crunch!


“...Kh—!?”


Ruby recuperou a consciência no momento em que uma lâmina fria perfurou seu coração.


“...Para obter o sistema.”


Antes que ela pudesse sequer processar a situação, seus pensamentos estavam diminuindo.


“Espere...”


Naquele exato instante, quando Frey empurrou a lâmina até o fundo em uma tentativa de derrubá-la com ele—


- Srrrk...


Apesar da dor fazê-la tossir sangue, Ruby manteve seu olhar fixo em Frey.


“...”


Na fração de segundo que pareceu uma eternidade, ela notou algo.


Mesmo empunhando o Armamento do Herói, o corpo de Frey permaneceu completamente ileso.


Você finalmente conseguiu.


Sua mente se iluminou com um sorriso silencioso e deslumbrante.


Eu sabia que você me derrotaria perfeitamente.


Mesmo enquanto a dor em seu coração se espalhava por seu corpo, mesmo enquanto sua expressão se contorcia em agonia—


Agora, é um final feliz.


O sorriso em seu coração permaneceu, inabalável, até o exato momento em que sua consciência desapareceu.


Então... adeus.


Nunca percebendo, até o fim,


Que este era simplesmente outro loop, apenas o momento final de uma primeira execução antes de passar para a próxima rodada.


Meu amor.


Comentários