
Capítulo 493
As Heroínas Principais estão Tentando me Matar
Capítulo 493: História IF - O Rascunho Inicial (1)
0% - Creck, creck...
O mundo que havia se virado se estabilizou, revelando-se mais uma vez.
“...Ugh.”
Em meio às consequências e ao choque, alguém agarrou a cabeça, cambaleando.
“Por que... por que ocorreu um erro na magia?”
A Mestre da Torre de Magia, a orquestradora deste incidente, murmurou entre os dentes cerrados, incapaz de levantar a cabeça.
“Havia apenas... Rifael como o sangue real naquele local. Então, como...?”
Para ela, essa situação era totalmente inesperada.
O plano original da Mestre da Torre de Magia era usar Rifael como o meio para acessar a 'Magia Antiga' gravada na linhagem real.
Em outras palavras, para obter acesso ao controle do sistema.
“Neste ritmo... o sucesso não pode ser garantido.”
Mas esse grande plano havia sido descarrilado por uma única garota.
“Como... como ela conseguiu interferir?”
Agarrando sua cabeça latejante, a Mestre da Torre de Magia lutou para levantar os olhos.
“Para chegar ao ponto que quero... preciso da cooperação daquela pirralha.”
Diante dela, estendia-se uma vasta extensão.
“...Hmm.”
A Mestre da Torre de Magia, olhando para um espaço ameaçador cheio de caracteres e números misteriosos e flutuantes em um fundo escuro, deu passos lentos para frente.
“Este é... onde a magia antiga é governada?”
Caminhando cautelosamente pelo abismo escuro, ela murmurou.
“Sempre me perguntei.”
Parando repentinamente, ela fixou o olhar em algum lugar e começou a falar.
“Que tipo de entidade existe acima dos deuses deste mundo, gerenciando suas leis e aplicando suas regras?”
“...”
“Quem criou a regra de que ninguém pode voltar no tempo?”
Diante dela, uma figura feita de luz apareceu sem aviso.
“Como devo te chamar, a personificação da Lei do Mundo?”
Sentindo que sua magia tinha sido bem-sucedida pela metade, a Mestre da Torre de Magia, com os olhos agora escurecidos, estendeu a mão para frente.
“...Chame-me como sempre fez.”
“...!!!”
Mas antes que pudesse tocá-lo, ela congelou em choque.
“...Glare?”
“...”
A terceira discípula da Mestre da Torre de Magia pairava no ar, olhando para ela com olhos frios.
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“Será que... você é a 'Lei'?”
“......”
“Pensando bem... aquele 'poder' inexplicável se assemelhava à magia antiga. Eu deveria ter percebido isso naquela época...”
A Mestre da Torre de Magia olhou para a Glare flutuante, seus olhos cheios de descrença, murmurando em voz baixa.
“Meio certo, meio errado.”
“...O quê?”
Glare balançou a cabeça lentamente.
“A criança que você conhece é apenas meu avatar.”
Não, era 'algo' que contradizia a suposição da Mestre da Torre de Magia.
“Então... quem é você?”
“Bem, nem eu sei. Afinal, sou apenas o sistema deste mundo, a própria lei.”
“...”
“Esta é a primeira vez que falo com alguém e a primeira vez que existo desta forma. Isso só é possível porque estou temporariamente emprestando o corpo desta criança.”
“...Isso não importa.”
Interrompendo a explicação, a Mestre da Torre de Magia, com os olhos ainda escurecidos, falou com firmeza.
“Há um registro que devo verificar.”
“Mesmo sabendo quais consequências isso trará?”
“Sim.”
Apesar da pressão exercida pela entidade na forma de Glare, a Mestre da Torre de Magia não vacilou.
“Dediquei minha vida a isso.”
“...”
“Desde o momento em que peguei meu primeiro discípulo, passando pelo tempo em que evadi a entidade que me atacou de fora com Rifael... tudo foi como eu havia planejado.”
“...Hah.”
“Se não fosse por aquele tolo, eu já teria voltado no tempo!”
Olhando para a Mestre da Torre de Magia, que levantou a voz desafiadoramente, a expressão de Glare mudou ligeiramente.
“Uma hacker fala demais.”
“...Hacker?”
“Infelizmente, sua tentativa não foi perfeita. Graças a isso, embora imperfeito, consegui criar um firewall.”
Assim que essas palavras terminaram, o espaço atrás deles vacilou e uma forma começou a aparecer.
“Você explorou o teste, então eu também o usarei.”
“...”
“A condição é simples. Se os dados não utilizados atrás de nós — os dados fictícios — conseguirem um final feliz, eu ganho. Se não, você ganha.”
Embora os termos fossem difíceis de entender, a Mestre da Torre de Magia era perspicaz.
“Se eu ganhar?”
“Como você procurou, os direitos de usar o sistema, a magia antiga, serão seus.”
“E se eu perder, o oposto, então.”
A Mestre da Torre de Magia assentiu lentamente, virando-se para olhar o espaço atrás dela.
“Não há como voltar atrás agora.”
“...”
“Embora usar Rifael como o meio tenha falhado, como você disse... tudo se resume à sorte agora.”
Os lábios de Glare se curvaram em um breve sorriso, mas logo retornaram a uma expressão fria.
“Então, vamos começar... cof...!”
“Sua condição parece terrível, hein? Acho que você usou toda a sua força vital restante para isso.”
“...Vamos começar.”
“Tudo bem. Entendido.”
Quando Glare estalou os dedos —
- Creck, creck...
A pequena forma atrás deles se expandiu rapidamente, enchendo a escuridão.
“Então, está em suas mãos agora, Roswyn.”
Observando a cena se desenrolar, a figura na forma de Glare fechou os olhos e sussurrou suavemente.
“...Desta vez, deixe o Pôr do Sol brilhar intensamente.”
Com essas palavras finais, a luz retornou ao mundo.
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- Toc, toc, toc...!
“Ugh.”
Com as batidas fortes na porta, Clana, encolhida na cama, estremeceu e levantou a cabeça.
“Princesa, é hora de você sair.”
“Ugh...”
“Se você não sair, serei forçado a abrir a porta à força.”
Seu rosto, pálido e abatido, desmentia sua beleza.
“...Estou saindo agora.”
“Termine de se preparar e saia em um minuto. Não há tempo.”
Nos últimos anos, Clana, a princesa de classificação mais baixa na linha de sucessão, esteve praticamente aprisionada em seu quarto no Palácio Imperial.
Hoje, seu 14º aniversário, era também, surpreendentemente, o dia de seu casamento.
“...”
Claro, este era um casamento político com um país vizinho, arranjado sem seu consentimento.
Tratada como menos que uma existência no palácio, Clana não podia fazer nada além de obedecer.
- Click, click...
Ela se vestiu silenciosamente em seu quarto solitário, sem nenhuma criada para ajudá-la.
“...Ugh.”
Uma lágrima fria rolou pelo seu rosto, que há muito havia esquecido como sorrir.
“Por que... por que eu nasci? O que eu fiz de errado? O que será de mim?”
Ponderando esses pensamentos sombrios e tristes, ela mordeu o lábio para impedir-se de chorar.
- Bang!!
“...!!!”
Sua porta se abriu de repente.
“Eu lhe disse para não demorar.”
“P-pai.”
“Venha.”
“Kyaa!?”
O pai de Clana, Raikon Solar Sunrise, que olhou para ela com uma expressão fria, agarrou seu braço frágil e a conduziu pelo corredor.
“Mesmo até hoje, você é totalmente inútil.”
“Pai... por favor. Não este casamento, eu imploro...”
Enquanto Clana, sendo arrastada, tentava falar com uma voz sem vida, ela foi recebida com—
- Tapa!!
Um tapa estrondoso ecoou no corredor.
- Tum...
Um pequeno frasco de poção rolou em direção a Clana, que havia desabado no chão com o impacto.
“Aplique-o em sua bochecha. E nas feridas em seu corpo também.”
“...”
“Você não gostaria que seu noivo visse alguma falha, gostaria?”
Deixando essas palavras frias para trás, Raikon caminhou pelo corredor sem olhar para trás nem uma vez.
“Se você se atrasar novamente, prepare-se para as consequências.”
Um breve silêncio se seguiu.
- Shff, shff...
Com a cabeça baixa, Clana pegou a poção e aplicou-a em sua bochecha vermelha e inchada.
“...”
Alguém a observava silenciosamente por trás de um pilar distante.
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O casamento prosseguiu sem demora.
“Hehe... que noiva bonitinha.”
“...”
O príncipe do país vizinho, seu futuro marido, era conhecido por sua natureza desprezível, que havia afastado qualquer noiva em potencial.
“...Por que ela não está respondendo?”
“...”
“Alô? A noiva parece estar quebrada.”
Estava claro que tipo de destino esperava por Clana se ela se casasse com tal homem. Mas a jovem princesa manteve o rosto inexpressivo e silencioso.
“Clana, faça seu voto.”
“...”
“Agora!”
A voz irritada do Imperador ecoou atrás dela, mas Clana permaneceu em silêncio.
Se era por desespero ou puro entorpecimento emocional, só ela sabia a resposta.
“O que é isso...?”
“...”
“Eu queria uma garota obediente, não uma boneca sem vida.”
Enquanto o silêncio de Clana se arrastava, o Príncipe coçou a cabeça em aborrecimento e o rosto do Imperador escureceu.
“Tsk, não posso voltar atrás agora. Acho que terei que...”
“E se eu lhe dissesse que você pode voltar atrás?”
“...O quê?”
Naquele momento, uma voz ecoou pelo salão de casamento.
“Quem é você...?”
“”...!!!””
Os olhos seguiram a voz, apenas para se chocarem com o que viram.
“Peço desculpas, mas eu gosto muito de bonecas.”
O intruso parado na plataforma não era outro senão—
“Devo levar esta.”
“D-do que você está falando...!”
—o infame Frey Raon Starlight, conhecido como o pior canalha do Império.
“Você sequer sabe onde está...!”
“Eu invoco o Voto.”
“...O quê?”
A multidão empalideceu ao perceber o que suas palavras significavam, murmurando em choque.
“Você... o que é isso?”
“Isso... isso não fazia parte do acordo!”
Em meio ao caos, o Imperador e o príncipe protestaram, mas Frey não se importou e se aproximou de Clana.
“...”
Mesmo em meio à agitação, a expressão de Clana permaneceu inalterada.
“Vamos?”
“Espere, o que você quer?”
“E-espere!!”
Mesmo quando Frey a pegou pelo braço e a conduziu para fora do salão de casamento—
“...”
Clana manteve sua expressão de boneca.
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“Hmm, então este é o quarto preparado para os noivos.”
“...”
Ao chegar ao quarto no palácio, Frey sorriu para Clana.
“Agora, vamos entrar, jovem princesa?”
Frey fez a pergunta, mas Clana apenas baixou a cabeça.
“Alô? Princesa... se você continuar assim, eu vou...”
Abaixando-se ao nível dos olhos dela, os olhos de Frey brilharam com uma luz arrepiante enquanto ele apertava seu braço—
- Tapa!!!
Um som agudo ressoou quando a cabeça de Frey virou para o lado.
“Seu canalha.”
“...Serena?”
Frey, momentaneamente atordoado, olhou ao redor antes de inclinar a cabeça com uma expressão gélida.
“O que você pensa que está fazendo?”
“Como um humano pode fazer algo tão vil?”
Serena olhou para Frey com nojo, lágrimas escorrendo pelo rosto.
“Pegando uma princesa que nem chegou à idade... apenas para sua diversão... com essas mãos sujas...”
“Parece haver um mal-entendido.”
“Um mal-entendido?! Que mal-entendido poderia haver para este ato repulsivo?!”
Serena não conseguiu mais conter sua raiva e gritou.
“Ela é minha noiva agora, sabe?”
“...O quê?”
“O que quer que eu faça com ela... não é da sua conta.”
Frey se aproximou de Serena, sussurrando em uma voz arrepiante.
“Nosso cansativo noivado acabou.”
“Frey.”
“Nós terminamos.”
Deixando essas palavras, Frey puxou Clana pelo braço e entrou no quarto.
“Com essa sua mente inteligente, se você entender, fique fora dos meus negócios.”
“...”
“Princesa? Por aqui.”
A porta se fechou firmemente quando eles entraram no quarto.
“Espero que você morra até amanhã, Frey.”
A voz de Serena, cheia de amargura, ecoou pelo corredor, incapaz de romper a porta fechada.
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“Deite-se aqui, princesa.”
“...”
Quando ele me deitou na cama, resolvi não mostrar nenhuma reação.
“Tome isto. Lentamente... respire fundo.”
Quando ele tentou me fazer beber a poção com um propósito óbvio, pensei que poderia ser para o melhor.
“Bom... muito bom.”
Acreditava que uma primeira noite traumática era algo que eu poderia esquecer.
“...Devemos começar agora?”
Mesmo quando a poção não me entorpeceu, e senti cada toque enquanto ele começava a me despir, decidi permanecer indiferente.
- Deslize, sussurro...
Se eu gritasse ou chorasse, minha vida permaneceria a mesma, antes ou depois.
- Shhh...
“...?”
Mas neste momento—
“Droga, isso é pior do que eu pensava.”
“...!?”
Eu poderia reagir involuntariamente.
“Posso curar tudo isso hoje...?”
“...!?!?”
Por que diabos esse canalha estava tratando todas as feridas do meu corpo depois de me despir?