
Capítulo 409
Clube de Negociação de Trafford
You Ye observava Tai Yinzi, que encarava os arredores com total concentração. E se alguém lhe desse uma faca? Será que ele seria como aqueles seguranças de filme, sem nome, mas que se esforçavam ao máximo?
— Mestre.
— Sim? Algum problema? — Luo Qiu assentiu.
A Srta. Criada se aproximou: — É um monstro curioso, com muito poder. Eu o avisei. Tudo bem?
— Faça como quiser. — Luo Qiu sorriu e pegou algo do ombro dela.
— Isso... — You Ye franziu a testa. Ela gostava de estar limpa e normalmente não ficava com poeira.
— Parece ser um cabelo. Deve pertencer àquele monstro curioso. — Luo Qiu continuou a limpar o ombro dela.
— Mestre, fui descuidada. — O rosto da Srta. Criada revelou uma expressão de desculpas.
— Não é nada. Como você disse, ele é um monstro bem poderoso. Truques insignificantes como esse são comuns. — Luo Qiu sorriu. — As estruturas de poder entre o oriente e o ocidente são diferentes. E a nossa também é distinta das outras. Então não é estranho.
Luo Qiu observava o cabelo curto e loiro... que tinha apenas metade de um dedo de comprimento. Ele abriu a mão de repente, permitindo que o cabelo repousasse em sua palma. Então, o cabelo se quebrou em pequenos pedaços e desapareceu automaticamente.
— Você é como um leão que não dá muita atenção às formigas. É a primeira vez que vejo sua expressão fofa e arrependida também.
You Ye assentiu e voltou a ser aquela Srta. Criada polivalente.
— Vamos aproveitar as músicas. — Luo Qiu viu dois jovens entrando no palco com guitarras. Enquanto acenavam com as mãos, Cheng Yiran começou seu solo com uma música enérgica que se elevava.
Luo Qiu bebeu o último gole de "Gin-Fizz" e disse: — Tai Yinzi, já que você encontrou o cliente, mãos à obra.
— Eu... entendi. — Tai Yinzi assentiu.
Alguém disse que a música rock estava morta neste país, mas não está. Para Cheng Yiran e os outros que amavam o rock, nunca esteve morta. No entanto, os fãs de rock estavam diminuindo nos últimos anos, o que fazia com que os músicos de rock tivessem medo e se sentissem magoados ao encarar o público convencional.
Talvez alguns dos músicos pudessem levá-lo ao palco uma e outra vez ocasionalmente. Eles ainda eram algumas exceções neste país. Quantos anos levará para que a música rock seja tão popular como antes? Quem sabe? Poucas pessoas terão sucesso. Ninguém poderia ser popular se não fosse bonito. Ninguém poderia ser famoso se não tivesse uma origem forte. Alguém só poderia estar neste pequeno palco devido à falta de habilidades de canto.
A plateia estava animada... por causa do álcool e das garotas gostosas, mas não da música.
Cheng Yiran acelerou seus dedos na guitarra, mas podia sentir claramente que seus dedos estavam dormentes e doloridos. No entanto, seu coração se sentia ainda pior. Sua música era apenas uma ferramenta para criar o clima. Ninguém se importava com ELE!
Não era isso que ele queria... Havia uma voz dizendo isso, era isso que você queria?
Era a voz dele ou de outra pessoa?
Ele não ouviu nada de repente. Uma voz zumbindo soava em sua mente, perfurando seu orgulho, perfurando sua determinação. Quando ele retornou à realidade, eram os sons estridentes dos amplificadores.
Cheng Yiran ficou chocado e aterrorizado quando toda a plateia olhou para ele, cara a cara. Ele percebeu que sua corda havia se arrebentado sob sua execução insana. Ele arrebentou a corda.
Cheng Yiran abriu a boca, mas não conseguiu dizer nada. Ele foi controlado por seus medos e recuou passo a passo.
Ao ver isso, Hong Guan começou a tocar seu baixo elétrico para salvar a apresentação.
— Não é isso que eu quero. Não é isso que eu quero. — Cheng Yiran disse em voz baixa.
— Não é... o que eu quero! — Ele gritou.
Bang---!
Ele jogou a guitarra no chão e saiu correndo do palco, deixando a plateia confusa e o indefeso Hong Guan.
Cheng Yiran lavou seu rosto repetidas vezes em um dos lavabos da boate. Ele molhou seu cabelo subconscientemente. Hong Guan costumava dizer para ele se acalmar, não importava se era raiva ou algo mais.
Cheng Yiran olhou para si mesmo no espelho. Não havia dúvida de que ele era um perdedor total, mesmo no espelho. Ele se encostou na parede com as mãos penduradas no chão, sentado no chão frio com a mente vazia.
De repente, ele puxou um colar de metal e o jogou fora. Ele sorriu e deixou o lavabo enquanto ria de si mesmo. Cheng Yiran chegou ao último andar finalmente — um lugar para acabar com tudo.
Em pé na beira, ele abriu seus braços com os olhos fechados.
— Que pena morrer assim. — Uma voz clara o fez acordar.
— Você pode escolher trocar algo com sua vida se estiver disposto.
— Quem é você? — Cheng Yiran não conseguia ver nada, mas só conseguia ouvir a voz.
— Eu posso te fazer ter sucesso, você gostaria de tentar?
— Quem é você!
— Você está aqui... então só pode haver você... e o você que pode realizar seus sonhos.
A voz se tornou mais profunda: — Vamos... você pode alcançar seus sonhos se quiser. E você pode conquistar este mundo com sua música. Vamos...
— Venha... comigo...
Cheng Yiran deixou a beira como se atraído por um feitiço... Mas ele ainda não conseguia ver ninguém além dele.
Ele desceu as escadas e chegou em frente a uma porta. Ele abriu a porta e viu duas sombras, uma sentada e outra em pé, na escuridão.