
Capítulo 501
Pare de me Hipnotizar, Princesa Antagonista!
Lynn Seras nasceu com um profundo conhecimento de várias ervas e uma afinidade pela Magia Sagrada. Sob a orientação meticulosa de seu pai, Nell, ele rapidamente revelou seu talento extraordinário.
Nesta vida, Lynn exibiu um temperamento sereno, compassivo com todos, firmemente apegado à benevolência e à redenção pregadas pelos ensinamentos da Deusa.
A cidade de Vistaria, situada às margens do Ducado de Eugene, tinha terras áridas, frequentemente assoladas por demônios que surgiam da próxima Floresta de Woma, deixando seu povo em dificuldades e sem recursos médicos.
Quando Lynn cresceu, assumiu a posição de seu pai. Ele preparava poções usando ervas colhidas na Floresta de Woma, curando inúmeras feridas e enfermidades dos habitantes da cidade; usava suas palmas que brilhavam, empregando Magia Sagrada para curar as feridas profundas de caçadores dilacerados por garras demoníacas.
Mesmo durante uma terrível praga, Lynn desconsiderou sua própria segurança, rezando, lançando feitiços e tratando incansavelmente dia e noite, acabando por conter a propagação da doença e salvar dezenas de milhares de vidas.
Sua fama espalhou‑se rapidamente, com as pessoas o chamando de "São Seras." Não apenas os habitantes de Vistaria, mas de cidades vizinhas e até de lugares distantes vinham buscar seu tratamento ou bênção.
Lynn nunca cobrou honorários, aceitando apenas alimentos ou itens de uso diário como doações.
A cidade prosperou aos poucos por causa dele, sorrisos voltando aos rostos das pessoas.
No entanto, sob o brilho da notoriedade, sombras começaram a crescer.
O velho sacerdote da cidade, sentindo inveja e desconforto pela crescente reputação dele, juntamente com o bispo da igreja na capital provincial, passou a observar esse sacerdote rural "não ortodoxo" — alguém que não havia passado por um rígido treinamento teológico, cujas Artes Divinas pareciam diferentes das escrituras ortodoxas, mas que realizavam milagres mesmo assim.
Assim, alguns rumores começaram a se espalhar silenciosamente: alguns diziam que seu poder não vinha da Deusa, mas, na verdade, resultava de um pacto com demônios da floresta; outros diziam que as pessoas que ele curava tinham suas almas profanadas...
Lynn não se deixou abalar por esses rumores, acreditando firmemente em sua própria inocência, continuando incansavelmente dia e noite para ajudar todos que precisavam dele.
O ponto de virada chegou numa noite chuvosa. O comandante de uma equipe de cavaleiros encarregada do inquérito chegou da capital com um pelotão de cavaleiros de elite, alegando ter recebido relatos de que Lynn era suspeito de usar Magia Negra e de conspirar com o Clã Demoníaco, sendo, portanto, um herege escondido entre os humanos.
O pânico rapidamente se disseminou. Aqueles que já haviam sido ajudados por Lynn, alguns se levantaram para defendê-lo, mas a maioria escolheu o silêncio ou mesmo virou‑se contra ele por medo e provocação.
"As doenças que ele curou voltariam?"
"A magia dele realmente parece um tanto estranha..."
"Caso contrário, como ele poderia ser tão poderoso? Com certeza há algo errado!"
A desconfiança e a ignorância cresceram como ervas daninhas tóxicas.
O julgamento foi realizado às pressas na praça da cidade, as chamadas provas cheias de falhas: algumas anotações de ervas antigas mal interpretadas, alguns bandidos que apontaram o dedo para ele sob coerção, e a firme afirmação do líder do cavaleiros-juízes de que houve uma "percepção Divina" — alegadamente sentindo uma aura sombria ao redor de Lynn.
Lynn foi amarrado à estaca do julgamento, tentando explicar-se, mas sua voz foi abafada pelos gritos cada vez mais altos de "Queime-o!" "Herege!" vindos da multidão ao redor.
Ele viu aqueles que um dia salvou lutando para sobreviver, agora olhando para ele com medo e ódio; as crianças que ajudara sendo firmemente seguradas por suas mães, impedindo qualquer olhar em sua direção.
Um desespero mais frio que a morte lentamente invadiu sua alma.
Sem milagre, sem redenção pela Deusa.
O painel de julgamento o condenou à morte por fogo por unanimidade.
No dia da execução, o céu estava sombrio.
Lynn foi despido de suas vestes, vestindo apenas uma túnica fina, amarrado firmemente a uma cruz no centro da praça, com pilhas de lenha embebida em resina sob ele.
O líder da cavaleiros encarregados do julgamento ergueu uma tocha alta, proclamando em voz alta os "crimes" de Lynn, lançando a tocha na pira.
Chamas rugiram instantâneas, ondas de calor abrasadoras avançando em direção a ele.
A dor consumiu sua pele e carne... A multidão, em volta, aplaudiu e rezou como se celebrasse a morte de um demônio.
A fumaça espessa sufocou seus pulmões, tornando impossível respirar, a visão começando a turvar.
No instante em que a consciência ainda não se apagou por completo, através das chamas que pulavam, ele pareceu vislumbrar os Fios do Destino pendurados no alto do céu, piscando frios e zombeteiros.
Ele de repente percebeu que não era punição por seus pecados, mas sim a escuridão inerente à natureza humana que jamais poderia ser verdadeiramente iluminada, e a cruel ironia da imprevisibilidade do destino.
As chamas, por fim, o devoraram, restando apenas cinzas e o insistente cheiro de carne carbonizada no ar.
A cidade de Vistaria rapidamente retomou o silêncio mortal de antes, como se jamais tivesse existido um Santo chamado Lynn Seras.
Após inúmeras reencarnações, esse despertar foi acompanhado pelo som de uma pena riscando o pergaminho, juntamente com o ruído de aplausos do lado de fora da janela.
Lynn sentou-se diante de uma escrivaninha luxuosa, cercado por pilhas de livros e manuscritos imponentes. Ele era Lynn Wester, o romancista, poeta e filósofo mais renomado do continente.
Nascido em uma família nobre em declínio, porém culturalmente rica, ele mostrou um talento literário notável desde cedo.
Aos vinte anos, publicou "Fábulas do Céu Estrelado", cativando todo o continente com sua imaginação magnífica e filosofia profunda, aclamadas como um clássico por incontáveis aristocratas e estudiosos.
As histórias que ele criou eram grandiosas e magníficas, celebrando liberdade, amor e coragem, debochando de dogmas rígidos e autoridades hipócritas.
Ele próprio era incomparável em beleza e graça, eloqüente na fala, admirado por Mestres Arcanos poderosos, reverenciado por rainhas e pelo povo comum.