Pare de me Hipnotizar, Princesa Antagonista!

Capítulo 486

Pare de me Hipnotizar, Princesa Antagonista!

À medida que a multidão recuava, Lynn entrou lentamente. Hillena sentava-se quieta à beira da cama, com um véu branco sobre a cabeça, bordado com padrões de estrelas e luas — evidentemente feito pela própria noiva.

Mesmo com condições simples, ela insistiu em manter esse ar ritualístico.

O véu foi feito a partir de um vestido de muslin branco que ela mesma cortou e costurou, e os padrões de estrelas e luas foram bordados com agulhas de osso, com a ajuda de Lida e de outras pessoas.

Ao entrar no quarto, Lynn, exalando o cheiro de álcool, sentou-se ao lado dela.

— Querida, você bebeu muito?

Ao sentir o aroma de orquílias que emanava de seu lado e a ternura escondida na palavra "querida", o coração de Lynn acelerou de repente.

Ele respirou fundo e, embriagado pelo álcool, levantou o véu branco.

Num instante, um rosto deslumbrante surgiu diante dele — a loira caindo em cascatas, pele mais branca que a neve, aqueles olhos brilhando levemente, o cabelo que normalmente fica preso caindo sobre os ombros, e até a acuidade nata de Hillena transformando-se nesta noite em suavidade nupcial.

Lynn ficou momentaneamente sem palavras.

Mas Hillena recobrou um pouco de seu habitual frio, soltando um suave "hmph".

Mas o breve arco que se formava no canto de seus lábios traiu o humor dela. De fato, as mulheres se arrumam para quem as aprecia. Ao ver a reação dele, ela sentiu que todo o esforço valera a pena; passara meio dia inteiro preparando a maquiagem de noiva.

Lynn não ousou encarar o olhar de Hillena, desviou o olhar: "Você realmente... tem certeza disso?"

— Neste ponto, ainda há algo a se arrepender? — Hillena pegou duas taças, encheu-as de vinho e bebeu a própria de uma vez. Suas bochechas logo ficaram rosadas.

Lynn, no entanto, segurou sua taça e mergulhou em contemplação.

O silêncio reinou à luz das velas; nenhum dos dois falava.

Sentindo o olhar, um tanto irritado, de Hillena, Lynn soltou uma risada repentina: "O que foi, ninguém te ensinou o que fazer na noite de casamento?"

A figura de Hillena ficou levemente tensa, virando o rosto lentamente para o lado oposto e, então, como que tomando uma decisão, desabotoou lentamente os botões das costas, revelando metade do ombro que brilhava.

À luz das velas, camada após camada de roupas e peças íntimas deslizaram silenciosamente, restando apenas uma simples peça branca de roupa íntima que mal cobria suas curvas mais sedutoras.

Durante esse processo, Lynn não hesitou: absorvia a visão com reverência, sem nem piscar.

Pode-se dizer que quem entende entende; esse momento era ainda mais envolvente do que o próprio enredo.

Apesar de suas investidas, Lynn permaneceu imóvel, e um raro sinal de constrangimento e irritação cintilou nos olhos dourados de Hillena.

— O que você ainda está esperando?

Sua voz carregava um tremor sutil, quase imperceptível.

No instante seguinte, Lynn ergueu a taça e bebeu: "Esperando o efeito da droga?"

— Que droga...

Antes que ela pudesse terminar de falar, as pupilas de Hillena se dilataram repentinamente, seu corpo cambaleou e ela caiu sem forças na cama coberta de branco.

Lynn aproximou-se da beira da cama, deitou com gentileza esse corpo capaz de enlouquecer inúmeros homens, sem desejo nos olhos, apenas uma determinação sem fundo.

— Que pena. — Lynn ajeitou a colcha ao redor dela, sorriu de maneira auto-depreciativa: "Diante de tanta beleza, eu sempre escolho agir com decência. Sinceramente, quero me bater duas vezes."

Com os dedos a alisar seus fios dourados, a voz de Lynn foi suave, mas firme: "Quando você acordar, voltará ao seu mundo original e continuará sendo a Reverenciada Princesa Imperial. No fim, essa jornada não passa de um sonho para você."

— Agora, de fato, esse sonho deve terminar.

— Sem mim, você não teria vindo a este mundo; levando em conta que você e sua Equipe dos Sepultadores jamais alcançariam as profundezas do Mausoléu de Hélius.

— Em conformidade com o princípio de ter começo e fim, eu deveria assumir a responsabilidade, pelo menos garantir que você volte com segurança ao seu mundo original.

Lynn levantou-se lentamente, falando com Hillena, que permanecia imóvel na cama.

O coração de Hillena batia acelerado, ela usou quase toda a sua força para agarrar a manga dele: "Você... vai... fazer o quê... eu... não permitirei... que você vá..."

Ao ouvir isso, Lynn apenas riu, ergueu um dedo para traçar suavemente o rosto dela, com um sorriso rebelde nos lábios: "Eu, ah, pretendo encontrar a Vontade do Mundo e ter uma boa conversa."

Depois de falar, Lynn removeu o estranho manto vermelho de casamento, dobrou-o cuidadosamente e o acomodou à beira da cama, e saiu apressadamente sem olhar para trás.

Deixando Hillena sozinha na cama, olhando sem expressão para o teto de pedra, marcado por marcas de machado e de cinzel.

Não se sabe há quanto tempo se passou; seus lábios se curvaram em um leve sorriso, e um brilho resoluto cintilou nas profundezas de seus olhos dourados.

No final... chegou a esse ponto, hein.

...

No topo da Cidade Morol, encontra-se o ramo da Árvore Divina.

Neste momento, Lynn ficou sobre o tronco retorcido, com uma lança longa na mão brilhando friamente, os olhos fixos nas nuvens de tempestade que se formavam, a expressão tão calma quanto água.

— Decidido? — A voz do Espírito da Árvore ecoou ao seu lado, o espectro em tonalidades esmeralda visível ao longe.

Lynn assentiu: "Quando a meia-noite chegar, a barreira que envolve este mundo enfraquecerá de maneira sem precedentes devido à Maré Abissal, e o castigo imposto pela Vontade do Mundo é muito provável que quebre a barreira, embora mesmo apenas um fio do poder residual do castigo divino seja algo que eu não posso suportar agora; mesmo um toque minúsculo poderia me aniquilar."

— Não é grande coisa. — A voz do Espírito da Árvore era tão calma quanto um poço antigo: "De qualquer forma, conforme o acordo anterior, vou protegê-lo da maior parte do castigo divino."

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