
Capítulo 409
Pare de me Hipnotizar, Princesa Antagonista!
Garota perdida...
Desperte rapidamente...
A Lua...
se partiu ao meio.
Os ouvidos de Tiya captam um sussurro, suave como uma conversa de sonho, que a desperta do limiar da consciência.
Ela sente como se tivesse passado por um sonho longo e carregado de tristeza.
Os detalhes específicos já haviam se desvanecido, mas uma lembrança permanecia nítida: a brilhante Lua Cheia pairando alta no céu, dividida ao meio por um demônio empunhando uma lâmina manchada de sangue.
Essa era a fé à qual ela já havia jurado lealdade. Embora diversos acontecimentos tenham ocorrido desde então, Tiya, no sonho, ainda sentia uma estranha tristeza.
Ela deveria ter sentido raiva e ódio sem precedentes daquele demônio.
No entanto, para sua surpresa, ao ver claramente a figura esguia e imponente do outro, uma sensação de familiaridade a dominou, e Tiya não conseguiu evitar o desejo de abraçá-lo.
Então, ela acordou.
No instante em que abriu os olhos, a primeira coisa que viu foi a figura madura de uma mulher envolta pela luz brilhante da lua. Embora o rosto dela estivesse um pouco oculto pela radiante luz sagrada, Tiya ainda conseguia sentir um toque de alívio nos olhos dela.
— Acordou?
A voz da mulher era clara e melodiosa.
Talvez fosse uma ilusão, mas Tiya sentia que reconhecia esse tom suave, como se o tivesse ouvido em algum lugar não faz muito tempo.
Olhando ao redor, pela imensidão do céu e da terra vazios, Tiya então percebeu que aquela cena não era real — era mais como se ela estivesse em uma dimensão única, alternativa.
Ao perceber isso, camadas de memórias fragmentadas apareceram diante dela, lembrando-a de tudo o que havia acontecido.
Sim, deve ser a Lacuna Lunar Divina. Não faz muito tempo, para salvar Lynn, ela acidentalmente conectou-se com seu eu do futuro.
Tiya sentiu como se compreendesse algo. Apoiada fraca em si mesma, olhou para a mulher madura cercada pela pálida luz da lua.
Sua aparência assemelhava-se à Beatrice em sua primeira forma, mas não continha hostilidade. Em vez disso, ela segurou suavemente a mão de Tiya, ajoelhando-se ao seu lado como se a houvesse acompanhado durante todo o sono.
De sua forma etérea, deduzia-se que ela tinha viajado pelo tempo e pelo espaço e provavelmente concluído sua missão, por isso deixara o corpo de Tiya e agora estava ali, como um Corpo-Pensamento Espiritual.
Em outras palavras.
A mulher diante dela, apresentando-se como uma gentil irmã mais velha, era provavelmente ela mesma de cem mil anos no futuro.
Não consigo acreditar que fica tão bonita no futuro, e que meu corpo é tão elegante... De algum modo, surgiu uma sensação de autodepreciação.
Felizmente, Tiya logo percebeu outra coisa.
O fato de seu eu do futuro poder aparecer tão serenamente diante dela — isso significava que Lynn estava fora de perigo?
Ela olhou ao redor apressadamente.
Mas no segundo seguinte, uma cena inesperada chamou sua atenção.
Lynn, tão querido, estava realmente fora de perigo, o que imediatamente a aliviou, porém ela ficou confusa sobre o estado dele no momento.
Pois, naquele instante, Lynn estava sentado com o tronco delgado, porém alto, nu, com as mãos atrás da cabeça, ajoelhado calmamente ao lado dela.
Como o herói da noite, ele merecia a adoração e a gratidão dela. Mas ao olhar para o seu eu do futuro, cem mil anos no futuro, parecia que ela não tinha objeções ao estado dele no momento.
No entanto, Tiya não conseguia se importar com tudo isso. Apesar de a pele dela estar pálida, ainda queria cambalear em direção a Lynn.
A alegria de tê-lo recuperado encheu seu peito.
Mas antes que Tiya pudesse agir de acordo com seus pensamentos, ela de repente sentiu seu eu do futuro lançar um olhar de soslaio e balançar a cabeça levemente, como se insinuasse algo.
Ao mesmo tempo, um frio aproximou-se pela frente.
O rosto de Tiya mudou de expressão, percebendo uma aura sombria e antiga. Ela instintivamente olhou para cima e viu duas mulheres paradas não muito longe.
Uma delas era a aristocrática Princesa Imperial Ivyst, com olhos afiados e cabelos pretos que caiam sobre seu vestido vermelho.
A outra, de cabelo branco e vestido preto, trazia uma expressão fria e cansada do mundo, lembrando alguém. A primeira vista, podia-se dizer que era a Ivyst de cem mil anos no futuro.
Lembrando-se da história que Lynn mencionou na noite em que se separaram, sua identidade ficou clara.
Ela era a Divina, a Bruxa do Juízo Final, a quem Lynn venerava.
Diante dessas duas entidades imensamente poderosas, Tiya respirou fundo e perguntou: — O que... exatamente aconteceu?
— Para onde foi o Deus da Lua, Beatrice?
— Oh, ela tem estado ausente, — começou Ivyst.
— Cala a boca!
Lynn, que estava prestes a piscadela para Tiya, foi subitamente repreendido em uníssono pelas duas mulheres, suas palavras engolidas pela distância.
Percebendo que ele apenas queria brincar para fazê-la sorrir, Tiya sentiu uma corrente morna percorrer seu peito. Esforçando-se ao máximo, ela ergueu os cantos da boca, fazendo seu rosto pálido parecer menos sombrio.
— Humf, a esperta raposa da fé da Lua Brilhante é verdadeiramente nata em seduzir homens, — comentou Ivyst friamente, com um leve toque de violência na voz.
Ao ouvir isso, Tiya pausou por alguns segundos e então inclinou a cabeça, aceitando em silêncio a chocante notícia da morte do Deus da Lua em seu coração.
Sua natureza a tornava menos hábil em discutir com os outros, mas ela levou as palavras de Ivyst a sério.