
Capítulo 338
Pare de me Hipnotizar, Princesa Antagonista!
A princesa chorou?
Ficando a porta fechada do quarto, Aphia e Eleanor, as duas jovens, trocaram olhares desconcertados.
Quando Ivyst voltou à Mansão Bartleion, já era tarde da noite, e todos os empregados estavam agitados, saindo para recebê-la.
Mas o que receberam foi uma reprimenda implacável.
Apenas Aphia, que era bem próxima a ela, puxava ansiosamente Eleanor pela mão, em silêncio, seguindo-a atrás.
Os olhares involuntários delas permitiram pressentir, de relance, que o humor da Princesa parecia estar no seu pior. Mesmo a vermelhidão ao redor de seus olhos mal era perceptível.
Saíam.
A voz fria de Ivyst soou ao entrar no quarto, e ela, em seguida, fechou a porta com força atrás de si.
Logo em seguida, o som familiar de coisas sendo jogadas pelo quarto pôde ser ouvido, misturado a soluços.
Ela realmente chorou.
Aphia olhou para Eleanor, sentindo-se um pouco triste.
Quanto a quem poderia ter ferido tão profundamente a senhora Ivyst, além daquela pessoa, Aphia não conseguia imaginar outra possibilidade.
A boa notícia era que, pela reação da Princesa, Lynn provavelmente não corria perigo mortal.
A má notícia, no entanto, era que ele provavelmente fez algo para desagradar a Princesa e magoá-la.
Apenas Aphia, que sempre esteve ao lado de Ivyst, sabia bem que, apesar de sua aparência imponente e tirânica por fora, por dentro a Princesa abrigava uma garotinha solitária que podia ser ferida facilmente pelas coisas que ela mais prezava.
Sua maneira de expressar as emoções era extremamente distorcida e tortuosa, mas isso também era fruto do ambiente em que ela cresceu.
A situação chegou a esse ponto; não era apenas culpa da Princesa.
Quanto mais isso acontecia, mais Lynn, como subordinado, deveria entendê-la.
Notando o abatimento de Aphia, Eleanor afagou-lhe a cabeça.
Desde que se mudaram para a Mansão Bartleion, graças ao relacionamento entre seu irmão e os outros, Eleanor logo ficou familiarizada com o grupo.
Além de Milani, quem mais se aproximava era Aphia.
Elas costumavam brincar juntas, com Aphia transformada em gata.
"O irmão deve ter coisas importantes para fazer", consolou Eleanor, segurando a mão de Aphia. "Eu confio no irmão; ele com certeza fará a Princesa feliz de novo, e então os dois vão se entender como antes."
Mal terminou de falar, o soluço vindo do quarto parou de repente.
"Não o mencione mais na minha frente!!!" A voz da Princesa, fria ao extremo, ecoou, "Da próxima vez que o vir, vou matá-lo com as minhas próprias mãos."
Com essas palavras, o rostinho de Eleanor ficou pálido, claramente assustada com o que ouviu.
Não importava; as duas haviam se conhecido há pouco tempo.
Embora a chamasse de cunhada, a posição da Princesa prevalecia, e anos de ideias enraizadas de hierarquia influenciaram Eleanor, levando-a a levar aquelas palavras a sério, e sua expressão ficou tensa.
Só Aphia olhou para a porta, depois para a amiga, suspirando baixinho, inconscientemente querendo lamber a pata, mas lembrando que estava em forma humana.
Então ela deu um salto no ar, transformando-se em uma gata preta e pousando no ombro de Eleanor.
Não se preocupe, a Princesa está apenas falando, ela não vai realmente fazer isso.
A gata preta preguiçosamente lambeu o cabelo de Eleanor, dizendo isso.
Talvez para os outros não fosse esse o caso.
Mas para Lynn, as palavras da Princesa "eu vou te matar" e "eu te amo" provavelmente não faziam diferença.
"Bang!"
No segundo seguinte, acompanhadas de passos apressados, a porta se abriu de repente.
Ivyst, na sala, lançou apressadamente algo para fora, que não puderam ver claramente antes que a porta fosse fechada novamente, com um estalo alto.
Assustadas, as duas imediatamente olharam para o objeto que caiu no chão.
Pelo branco, orelhas caídas, uma mistura de expressão desamparada e cautelosa, encolhida no canto, com um suave choramingo, como se tentasse se encorajar.
Era claramente um filhote recém-nascido.
"Wow!"
Eleanor, que ainda estava tensa há pouco, foi imediatamente envolvida pela situação e pegou o filhote nos braços.
O filhote estava sujo, com uma aparência desamparada, o suficiente para despertar os instintos maternais nas mulheres.
Observando o choramingo do filhote, Aphia ponderou.
"Sempre sinto... é muito parecido com alguém."
Aphia sussurrou.
"Parece com o irmão?" Eleanor pensou e balançou a cabeça. "Não, para mim o irmão é mais como um cão grande e fofo, muito quentinho para abraçar normalmente, e protegeria bem a família em tempos de perigo."
"Você não entende."
Aphia balançou a cabeça.
Ela pensava de volta a quando se conheceram pela primeira vez.
Apesar de ter sido exilado sozinho para a fronteira, durante o interrogatório, com tudo sob o controle da Princesa, ele ainda estava ansioso para escapar, como um cão vigilante que mostra os dentes. No fim, porém, foi capturado pelo mestre e colocado numa coleira.
Será que não ver Lynn desencadeou essa reação?
Mas conhecendo a Princesa como a conhecia, ela não era do tipo de transbordar afeto.
Se não houvesse algum motivo especial, era muito improvável que ela pegasse um filhote de rua.
A não ser que... a existência dele estivesse relacionada a Lynn.
Como era de se esperar.
No segundo seguinte, a voz de Ivyst veio do quarto novamente.
Só que, desta vez, soava um pouco sem confiança.
"Levem esse bichinho daqui e limpem-no direito; ele está sujo e fedido, nojento."