
Capítulo 335
Pare de me Hipnotizar, Princesa Antagonista!
Logicamente, quando Ivyst viu Lynn novamente depois de ficarem separados por vários dias, uma raiva furiosa que não poderia ser contida deveria ter surgido em seu coração.
Afinal, pensando com mais cuidado, ele fez uma série de jogadas que poderiam ser descritas como tocar em sua ferida mais sensível.
Só por suas ações obstinadas no Quartel-General do Punitivo Substituto já seriam suficientes para Ivyst aprisionar Lynn.
No fim das contas, o que eles fizeram não foi muito diferente um do outro.
Na visão de Lynn, ele já tinha dito a Ivyst para confiar nele nessa questão, mas ainda assim, sob a incitação das palavras do Quarto Príncipe Joshua, ela escolheu ir ao Mausoléu de Helimus e caiu na armadilha dos velhos astutos do Conselho Imperial.
Por outro lado, para Ivyst, estava claro que ela era a parte mais forte, e seu querido cachorrinho só precisava ficar quieto e se esconder no abraço de seu dono.
No fim, Lynn quase assumiu uma postura capaz de despedaçar o jade, escolhendo lutar com o Conselho Imperial, onde ambos os lados sofreram; não apenas deixando o Conselheiro Blake incapacitado para o resto da vida, como também matando o Quarto Príncipe Joshua e assumindo tudo sozinho.
Falando estritamente, Joshua era meio-irmão dele pelo mesmo pai.
É só que, no que diz respeito à morte dele, o coração de Ivyst não vacilou, e ela até quis aplaudir.
O mesmo valia para suportar tudo; as ações dos dois nessa questão, em essência, eram, na verdade, as mesmas.
A única diferença é que Lynn tinha a perspectiva do futuro, enquanto Ivyst não.
E ela não sabia disso.
Portanto, depois de saber de tudo, Ivyst deveria sentir raiva.
De certo modo, as personalidades dos dois são surpreendentemente semelhantes.
Mesmo do lado de Lynn, ele abrigava o mesmo pensamento prepotente e tirânico de "Você deveria aceitar isso porque é para o seu próprio bem".
E quando Ivyst chegou ao local, descobrindo que a mulher barata chamada Tiya Yohusti tinha levado embora seu cachorrinho, ela estava prestes a explodir.
Pensando que seu cachorrinho poderia estar em contato próximo com a prostituta cultivada pela Igreja Silenciosa, sua possessividade intensa irrompeu por um momento.
Mesmo sabendo disso, dado o temperamento de Lynn, ele nunca seria movido por aquela mulher barata; algumas coisas simplesmente não podem ser feitas.
Seus pertences, mesmo que sejam destruídos, não seriam entregues de graça a ninguém.
Esse é o credo de vida de Ivyst.
Ela originalmente pensou que, ao ver seu cão obediente novamente, iria puni-lo severamente, o humilhando da cabeça aos pés até que ele chorasse e implorasse misericórdia antes que ela parasse.
Porém, os ideais costumam ser pomposos, enquanto a realidade é austera.
Ivyst pensou em mil reações ao se reencontrarem, mas ao abrir a porta, viu o rosto pálido do garoto e um porte frágil.
O coração, que ainda estava frio há um momento, amoleceu instantaneamente.
É como ver um cachorrinho amado que estava perdido e, de repente, encontrá-lo vasculhando a lixeira na rua, comovidamente.
O instinto materno despertou instantaneamente em seu coração.
Teoricamente, como Princesa Imperial, especialmente por ter crescido naquele ambiente, mesmo que tivesse de esfolar vivo diante de seus olhos o pai biológico, Saint Laurent VI, Ivyst não vacilaria, e talvez até se recompensasse por ser tão filial.
No fim, apenas Lynn era o seu calcanhar de Aquiles.
Então, no momento em que se reencontraram, não havia muita raiva em seu coração, e todas aquelas perguntas que ela fazia sobre Tiya ficaram sem serem ditas.
Isso não é também uma forma de mudança e de compromisso?
Quanto ao que se seguiu, quando Lynn de repente a segurou e, ativamente, pediu um beijo, uma alegria sem precedentes surgiu no coração de Ivyst.
Num sentido estrito, parecia que era a primeira vez que seu cachorrinho a desejava tanto.
Seu primeiro beijo lhe foi tirado.
Um toque de timidez cruzou o coração da princesa, porém ela permaneceu vigilante.
Ela não acreditava que o cachorrinho que brincava do lado de fora por tanto tempo voltaria facilmente ao lado dela. No fim das contas, ele ainda precisava ser trancado no porão para o treino adequado.
No entanto, no segundo seguinte, as palavras do garoto voltaram, e Ivyst ficou congelada no lugar.
— Princesa... Eu recuperei minha memória.
Logo que as palavras saíram, seus olhos vermelhos ardentes se arregalaram, e uma surpresa sem precedentes apareceu neles. A mão que o segurava parou de imediato, e ela olhou perplexa.
Hã?
Do que se trata isso?
Restauração de memória?
Claramente, o cérebro de Ivyst travou por alguns segundos, parecendo incapaz de entender a situação.
Porque aos olhos da Princesa, isso era a sua luta contra aquela mulher barata do futuro.
Com o autoconhecimento de si mesma, uma vez decidida a algo, não importam o quão vergonhoso e sujo seja o meio, ela certamente alcançaria seu objetivo.
Muito menos pelo seu amado cachorrinho?
Portanto, na visão de Ivyst, ela tinha certeza de que jamais desbloquearia a Selagem da Memória na mente de Lynn dezenas de milhares de anos depois.
Ela nunca esperou que a outra parte desenvolvesse bondade, mas estava silenciosamente acumulando poder, procurando no escuro um Objeto Selado que pudesse quebrar os métodos do Deus Verdadeiro.
Mas o que aconteceu diante dela foi realmente além de suas expectativas.
— O que, o que você disse?
Ivyst sentiu como se tivesse ouvido algo de fantasia, e, subconscientemente, segurou o queixo de Lynn, olhando bem para ele.
— Eu disse, eu me lembro de tudo com você no passado — disse Lynn, procurando uma oportunidade, e segurou delicadamente a mão que acariciava seu rosto; — sinto muito pela minha atitude anterior em relação a você.
A voz do garoto era muito suave, como se retornasse àquele eu que, de forma altruísta, a protegia do motim do Objeto Selado na Cordilheira de Soron.