Pare de me Hipnotizar, Princesa Antagonista!

Capítulo 322

Pare de me Hipnotizar, Princesa Antagonista!

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"Tsc——"

No escuro, o leve brilho do cigarro aceso era claramente visível.

Nuvens de fumaça branca eram exaladas lentamente, trazendo certa tranquilidade com a nicotina, ao mesmo tempo em que acalmavam a inquietação inexplicável em seu coração.

A estrela em ascensão do Ministério Militar, o capitão Xiya, o mais jovem oficial militar da história, agora estava sentado em uma cela de confinamento solitário, segurando um cigarro furtado de um carcereiro, fumando-o com método.

Na verdade, ele nunca havia adquirido o mau hábito de fumar, pois, extremamente autodisciplinado, acreditava que tais coisas podiam destruir a força de vontade de alguém e afetar o corpo — em certo sentido, equivalente ao sussurro de um Demônio.

Mas ultimamente, os contratempos vinham um atrás do outro, e a mente dele estava tomada por preocupações.

Nessas circunstâncias, ele não teve escolha senão experimentar o método mencionado pelo seu camarada.

De acordo com o cronograma original, Xiya já deveria estar de volta à Fortaleza de Santo Faros, após retornar à Capital Imperial para a cerimônia de premiação presidida por Saint Laurent VI.

Mas a realidade não era bem assim.

Primeiramente, na cerimônia de premiação que deveria dele brilhar, um jovem nobre abatido armou um escândalo, roubando descaradamente o centro das atenções e diretamente privando-o da honra que lhe pertencia—até então, a cerimônia não havia sido reorganizada; o Ministério Militar simplesmente entregou-lhe a medalha em nome de Saint Laurent VI.

De qualquer forma, isso até era aceitável, pois Xiya não ligava muito para esse tipo de ocasião.

Ele preferia lutar, deliciava-se com a emoção de encarar a morte repetidas vezes.

Além disso, sua única preocupação era proteger as pessoas de quem gostava.

Xiya nasceu numa pequena vila fronteiriça; seus pais e sua irmã morreram no saque do Clã Demoníaco no dia de seu nascimento, deixando-o, ainda em fraldas, para ser levado e criado por um caçador.

Com essa experiência de vida, ele se importava mais com as pessoas próximas do que a maioria.

Mulheres, irmãos, camaradas de armas...

Embora fosse um tanto teimoso e indiferente àquelas que não lhe eram simpáticas, essa era a filosofia de vida de Xiya.

Mas agora, sua crença mais importante também havia desmoronado.

Sua mulher, Tiya, fugiu com um estranho que mal conhecia, bem diante de todos.

Pode soar desagradável dizer assim.

Mas, exceto por essa possibilidade, ele não conseguia pensar em nenhuma outra explicação.

Lembrando o momento em que se conheceram, aquele jovem não hesitou em revelar algumas características físicas únicas de Tiya e falava com confiança sobre um passado que, supostamente, teriam compartilhado, o que o deixou extremamente ansioso.

Tiya, que deveria estar em suas mãos para que ele a protegesse, parecia guardar segredos dos quais ele não conhecia.

E a sequência de comportamentos incomuns que ela exibia depois o deixaram com a sensação de que as coisas estavam saindo de seu controle.

Para alguém tão obstinado quanto ele, uma vez que as coisas saem do controle, a calma e a serenidade que mostrara no passado somem completamente, substituídas pela impaciência e pela ansiedade.

Portanto, quando Xiya recusou a ordem de retorno pela quarta vez, decidindo ficar na Capital Imperial para continuar procurando Tiya, esse ato sem dúvida gerou descontentamento no Ministério Militar.

No entanto, ele acabara de ceifar um Demônio Maior de Quinta Ordem na fronteira e era um modelo recentemente estabelecido pelo Ministério Militar. Mesmo que fosse punido, não seria agora.

Mas o que se seguiu fez tudo sair completamente do controle.

Um dia, após concluir uma operação de busca, Xiya, exausto, retornou ao Ministério Militar para comer e encontrou o filho de um nobre exibindo o próprio currículo ali.

Essa pessoa já vinha discordando dele há muito tempo, então os confrontos verbais eram frequentes.

Fisicamente e mentalmente já exausto, Xiya não tinha interesse em discutir com ele.

Mas sua aparente indiferença provocou todo tipo de vulgaridades da outra parte.

E quando as palavras "tartaruga cornuda" chegaram aos ouvidos de Xiya, a raiva e a irritabilidade acumuladas ao longo dos dias acenderam-se imediatamente.

Ao recobrar os sentidos, o outro já estava ensopado de pancadas, com ossos quebrados, e, como um cachorro morto, mal respirava.

Por ter iniciado a luta, e sob pressão da família do jovem nobre, não era surpresa que Xiya fosse colocado em isolamento solitário.

E a impossibilidade de continuar procurando por sua mulher empurrou o já tenso Xiya ainda mais para o desespero.

“Droga…”

Ele tossiu um pouco, apagou o cigarro entre os dedos e, em seguida, xingou baixinho.

Por quanto tempo ainda teria de permanecer neste lugar esquecido por Deus?

Neste momento, Xiya não conseguia conter sua vontade de matar, desejando encontrar aquele maldito e ajustar as contas de forma cruel.

Ele sabia que já deveria ter encontrado um jeito de matá-lo de volta na sala de interrogatórios.

Xiya cerrrou os punhos com força.

Felizmente, sempre há uma luz no fim do túnel.

Logo que o ressentimento tomou conta dele, a porta da cela de confinamento solitário se abriu de repente.

A luz branca ofuscante entrou pela porta principal, obrigando Xiya, que estivera mergulhado na escuridão há dias, a arregalar os olhos.

Ele viu uma mulher alta e jovem, cercada por vários oficiais de alta patente que a olhavam com respeito, entrando lentamente.

“Vossa Alteza?!”

Ao reconhecer quem era a pessoa, Xiya ficou surpreso.

No entanto, a Grande Princesa Imperial Hillena franziu o cenho diante do forte cheiro de cigarro no aposento e da aparência desleixada e completamente desanimada de Xiya, exibindo uma ponta de desapontamento em seus olhos, como se frustrada pela falta de correspondência às expectativas.

“Se eu soubesse, não teria vindo para salvá-lo.”

Sua voz repentinamente ficou muito fria, como se estivesse carregada de infelicidade.

Ao ouvir isso, Xiya rangeu os dentes, parecendo querer dizer algo, mas acabou por baixar a cabeça lentamente.

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