Pare de me Hipnotizar, Princesa Antagonista!

Capítulo 303

Pare de me Hipnotizar, Princesa Antagonista!

Fora do corredor, sentindo a brisa fresca da noite, Tiya, que estivera um tanto confusa em seus pensamentos, aos poucos voltou a si.

Por um momento, um turbilhão incrível de emoções invadiu seu peito.

Além dos doze anos de memórias perdidas, essa foi a primeira vez em anos em que ela tomava uma atitude tão "rebelde".

Embora fosse chamada rebelião, na verdade, ela já havia violado as leis de Saint Laurent.

Falando estritamente, ela agora era, como Lynn, uma fugitiva procurada por toda a cidade.

No passado, uma situação como essa seria inimaginável.

Nos dois dias anteriores, seja fugindo pela própria vida ou cuidando de Lynn inconsciente, ela estava tão exausta que nem pensava no que fazer a seguir.

No entanto, agora mesmo, até mesmo Lynn levantou esse ponto, levando-a a considerar o assunto de forma inconsciente.

Afinal, ela acabaria voltando à Igreja Silenciosa.

Deixando de lado o fato de ser seu segundo lar onde foi criada, ainda restava a iminente Escritura Sagrada da Luz da Lua.

Como a Santa Silenciosa, que deveria estar recolhida para se preparar a cerimônia, estava, em vez disso, fugindo por Glostit com um bandido que havia assassinado um príncipe, escapando da perseguição.

Tiya não ousava pensar no que enfrentaria ao retornar à Igreja.

É claro, seu maior medo era ver Xiya, seu irmão, demonstrar aversão e decepção para com ela.

Ela tinha medo?

Certamente, havia medo.

Afinal, ela era a venerada Santa Senhora, levando uma vida de felicidade espiritual, amada e amando, antes de ter decidido levar Lynn embora naquela noite.

Mas agora tudo isso se transformou em mero ilusão.

Inesperadamente, ela se viu com pouco remorso.

Ela sentia que, mesmo se pudesse voltar no tempo e reviver aquele momento, ainda poderia tomar a mesma decisão sem hesitar.

Portanto, o futuro só poderia ser enfrentado passo a passo.

Tiya suspirou suavemente.

Nesse momento, sua audição aguçada captou de repente uma algazarra vindo da taverna no andar de baixo.

Ao ouvir atentamente, ela percebeu alguns guardas da cidade causando confusão e cobrando proteção do estalajadeiro.

"Certo... o mandado... um homem e uma mulher... fiquem de olho…"

Ao se afastar, Tiya captou trechos de informações-chave de sua conversa esparsa.

Parecia que toda Glostit estava sob lei marcial; todas as entradas e saídas eram bloqueadas, tornando difícil tirar Lynn da cidade.

Além disso, essa pousada já chamava a atenção das autoridades e não seria mais segura permanecer lá; teriam que partir cedo pela manhã.

Mas no que diz respeito a fugir, Tiya não era especialmente hábil, e ficou em silêncio, dominada pela ideia.

Então lembrou-se de que havia alguém na sala com mente afiada, hábil em muitos trâmites ilícitos, que certamente estaria familiarizado com tais situações.

Com esse pensamento, um alívio a invadiu, e ela apertou o Cetro da Luz da Lua enquanto apressava de volta para a sala.

"Você…"

Tiya aproximou-se da beirada da cama, prestes a falar, mas sua expressão de repente mudou.

Lynn, que estivera acordado há apenas um momento, estava agora deitado imóvel na cama, pálido como a morte, sem movimento do peito, como se tivesse perdido todos os sinais de vida.

A travessia pela passagem espaço-temporal foi longa e breve.

Parecia ter durado anos, mas pareciam ter se passado apenas alguns segundos.

Quando Lynn percebeu que sua consciência havia retornado ao corpo, novamente tomou conta dele a sensação de fraqueza e desconforto.

Ele abriu os olhos devagar.

Ele pensou que seria recebido pela mesma escuridão úmida e mofada do pequeno quarto.

Mas, para surpresa dele, foi recebido por um hálito quente e doce, como se alguém estivesse por perto, observando-o atentamente.

Lynn abriu os olhos instinctivamente, e encontrou dois olhos verde-esmeralda encarando-o de volta.

Naquele instante, percebeu um rastro de ansiedade e preocupação no olhar da garota.

Com essa percepção, uma onda quente subiu ao seu coração.

"Voya?"

Lynn perguntou instinctivamente.

A resposta dela foi rápida.

Ao vê-lo acordar lentamente, Tiya, instinctivamente, sentou-se ereta, desviando timidamente o olhar e casualmente passando o cabelo longo atrás da orelha.

"...Eu achei que você estivesse morto."

Ela ajoelhou-se na cama, recuando de forma desajeitada sobre os joelhos, antes de se levantar e ficar ao lado.

Lynn, sempre cavalheiro, ignorou com gentileza o constrangimento dela.

Enquanto isso, surgiu dentro dele uma emoção estranha e opressiva.

Pouco antes, no Panteão, até mesmo a Bruxa o havia condenado à morte de forma fria, dizendo-lhe que o futuro que aguardava essa garota seria trágico.

No entanto, num piscar de olhos, ele viu-a novamente surgir tão vividamente diante dele.

O impacto em seu mundo interior foi inegavelmente intenso e contraditório.

Mas por ora, Lynn, alheio ao assunto, só pôde usar um sorriso para esconder as emoções complexas em seu coração: "Está ficando tarde, Voya, você deve estar cansada, certo?"

Ao ouvir isso, Tiya, com o rosto levemente ruborizado, olhou para ele: "Sobre o nosso próximo passo, tenho algumas coisas a discutir com você."

"No momento, toda Glostit está sob lei marcial; é quase impossível sair da cidade em uma situação como esta."

"Depois de pensar um pouco, parece que nossa única opção pode ser arriscar no Mercado da Rua Negra, no Distrito Norte, para ver se encontramos uma passagem secreta ou, quem sabe, contratar algum bando para te ajudar a sair discretamente."

"O que você acha?"

Ela lançou um olhar para Lynn, buscando o conselho dele.

No entanto, ele apenas assentiu: "Acho que é um bom plano, Voya. Obrigado."

Ao ouvir isso, Tiya sentiu-se levemente desapontada.

Embora esse plano tenha sido resultado de cuidadosa consideração, ela não acreditava que, apenas com sua inteligência, pudesse contornar toda a população da cidade.

Parecia que ele não tinha um forte desejo de escapar.

Ela lembrava de como ele costumava jogar com a própria vida como se não tivesse valor.

Por que havia pessoas tão descuidadas com suas próprias vidas?

Ele não percebia que havia pessoas que se preocupavam com ele?

É claro, Tiya não estava se referindo a si mesma, mas à Terceira Princesa Imperial e outros.

Vendo que Lynn não demonstrava interesse no assunto, Tiya, embora relutante em falar, decidiu não tocar no tema novamente.

Depois de alguns instantes de silêncio, ela falou suavemente: "A Cidade Inferior é imensa, e o Mercado da Rua Negra, no Distrito Norte, fica a várias horas de distância. Teremos que passar por inúmeros pontos de controle oficiais pelo caminho; não será fácil."

"Se for esse o caso, vamos dormir cedo e descansar bem. Amanhã, sairemos deste lugar."

Depois de falar isso, Tiya foi até a janela, observou ao redor por um tempo e, em seguida, fechou suavemente as cortinas.

Tendo feito isso, ela foi até o sofá vizinho, sentou-se suavemente com o Cetro da Luz da Lua em seus braços, como se tivesse preparada para passar a noite daquela forma.

Mas alguém do outro lado não aguentou mais.

"Isso não pode continuar assim."

Lynn de repente falou.

"O que houve?"

Tiya abriu os olhos e olhou de volta para ele, apenas para encontrar Lynn lutando para se sentar.

"É você quem mais precisa descansar."

Ele olhou para Tiya com expressão séria.

Tiya ficou surpresa por alguns segundos, depois franziu o cenho: "Deite-se, sua ferida não curou e pode se abrir de novo com facilidade..."

"A menos que você concorde em deitar na cama e descansar", interrompeu-a Lynn, apontando para o espaço ao lado dele, "esta cama é grande, e estamos ambos vestidos. É apenas para descansar a noite; não vai acontecer nada."

Naquele momento, Tiya já estava verdadeiramente exausta.

Mas o último sopro de teimosia em seu coração a manteve firme, relutante em ceder.

Vendo isso, Lynn ficou quieto por alguns segundos, então um toque de tristeza atravessou seus olhos: "Desculpa, talvez eu tenha entendido errado."

"Achei que, depois deste incidente, nosso relacionamento tivesse finalmente avançado, então me deixei levar um pouco agora. Sinto muito de verdade..."

Vendo a expressão um tanto desencorajada do jovem, como um cachorrinho murchado e desanimado, uma ternura surgiu no coração de Tiya.

Depois de um momento de silêncio, ela levantou-se lentamente.

"Entre nós precisa haver uma manta."

Alguns minutos depois.

Sentindo o leve cheiro que pairava na ponta do nariz dele e a respiração ligeiramente rápida da garota sob a tensão do momento, Lynn tentou forçar um sorriso.

Mas por mais que tentasse, não conseguiu forçá-lo.

"Essa é a tragédia que o destino escreveu."

As palavras da Bruxa ainda ecoavam em seus ouvidos, pesando no coração de Lynn.

"A propósito, Voya."

Depois de muito tempo, ele de repente falou, interrompendo o silêncio.

"..."

Tiya do outro lado da cama não respondeu, mas seu corpo ficou tenso levemente, seus delicados pés envoltos em seda branca roçavam suavemente o tecido da cama.

Para uma garota tocada pelo mundo, dividir a cama com um rapaz com quem não tinha muita familiaridade já era o bastante para deixá-la meio sem saber o que fazer.

No entanto, Lynn não tinha ciência da turbulência da garota e simplesmente continuou suavemente, "Se... quero dizer, se."

"Se um dia você enfrentar dois caminhos."

"Um caminho leva a uma morte inevitável, enquanto o outro oferece sobrevivência, mas à custa de se tornar marionete de alguém."

"Qual escolha você faria?"

À medida que falava, Lynn tocou suavemente um objeto em seus braços.

Era uma ponta cônica, fria e arrepiante ao toque, exalando uma aura perversa e corrompida.

Depois de terminar, o ambiente silenciou-se novamente.

E desta vez, o silêncio durou muito tempo.

Justo quando Lynn começava a se perguntar se a outra pessoa havia adormecido, a voz suave da garota irrompeu.

"Ao invés de ser controlada por outros, eu escolheria aceitar a morte que o destino reservou."

Ao ouvir isso, a mão de Lynn, segurando a ponta cônica, tremeu levemente.

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