Pare de me Hipnotizar, Princesa Antagonista!

Capítulo 208

Pare de me Hipnotizar, Princesa Antagonista!

Diferente do Demônio da Criação[1] e do Rei da Crueldade Kushustan Lynn, que Lynn já tinha visto antes.

Se Lynn ainda estivesse consciente, ela perceberia que a chegada silenciosa da Senhorita Bruxa era quase imperceptível, como se ela nem tivesse estado lá.

E, mesmo assim, a lacuna intrínseca entre autoridade e a essência da alma disparou instantaneamente um alerta no coração de Ivyst.

Num instante, ela ergueu a cabeça, afastando levemente seus lábios que estiveram entrelaçados há apenas instantes.

Acompanhado por um fio prateado que caía, o garoto de cabelo escuro, cuja face antes parecia de madeira, abriu os olhos lentamente.

Aqueles olhos, que deveriam ser azuis, por alguma razão haviam se tornado do mesmo vermelho vívido que os de Ivyst.

Apenas muito mais brilhantes e aterradores!

Estalo!

Antes que Ivyst pudesse reagir, 'Lynn', que se apegava a ela como cola há apenas um momento, de repente parecia tornar-se outra pessoa por dentro e a empurrou para longe.

Então, sob o olhar boquiaberto de Ivyst, 'ele' ergueu a mão friamente e agarrou-lhe a garganta.

Uma força intensa foi transmitida instantaneamente.

Ao perceber o que tinha acontecido, os olhos vermelhos vivos da Princesa se encheram de um ódio assassino tangível.

E talvez fosse o entendimento tácito de serem a mesma pessoa.

Ambas escolheram o mesmo momento, o mesmo motivo para falar.

«Sai do corpo dele!!!»

«A partir de agora, você não pode tocar nele nunca mais.»

«Droga...»

«Cadela!!!»

Elas exclamaram em uníssono.

Uma voz era raivosa e furiosa.

Outra era fria e indiferente.

Embora suas vozes soassem bastante parecidas, as emoções que transmitiam não podiam ser mais diferentes.

Claro, a última maldição foi cuspida por Ivyst, o temperamento da Bruxa do Juízo Final[1] não a permitiria proferir tais palavras.

Duas duplas de olhos vermelhos brilhantes, cheios de emoções distintas, se encontraram no ar.

Neste momento, Ivyst parecia um pouco histérica.

Ela achava que o outro lado teria outros meios para chegar a este lugar.

Mas ela nunca tinha imaginado que seria ao possuir o corpo do seu amado cachorrinho!

Droga...

Neste momento, ela se arrependeu profundamente de sua decisão recente.

Pois nem ela tinha se envolvido em atos tão íntimos com Lynn!

Isto era... além do auge da relação sexual, o ato mais íntimo entre duas pessoas.

A fusão de alma e carne!

A ideia de que aquela cadela coubesse tão perfeitamente dentro do corpo do seu cachorrinho deixou Ivyst tão ciumenta que quase perdeu a cabeça.

Embora o pescoço estivesse apertado pela poderosa força da Bruxa do Juízo Final, o tempo atual não era os cem mil anos no futuro a que ela pertencia.

Portanto, mesmo que tivesse chegado, este receptáculo não era adequado para ela; era apenas do Segundo Grau.

Pensando nisso, ela inconscientemente ergueu a mão, uma luz vermelha se formando na palma, preparando-se para ajustar as contas com essa cadela.

No entanto, naquele momento, a expressão da Bruxa do Juízo Final era fria e desprendida, como um ser superior olhando de cima com uma mistura de pena e ironia.

Essa expressão feriu a alma de Ivyst, despertando a intensa sensação de inferioridade enterrada no fundo de seu coração.

Ela de repente recobrou os sentidos.

O braço dela, anteriormente erguido no ar, caiu sem que ninguém percebesse.

Depois de um tempo, ela fechou o punho direito, abafando a turbulência e a intenção de matar que sentia dentro de si.

Calma.

Usar os mesmos métodos violentos de antes jamais traria de volta o verdadeiro coração do seu cão.

Somente o amor poderia superar esse abismo aparentemente intransponível.

Com esse pensamento, o olhar de Ivyst se acalmou repentinamente, permitindo que a Bruxa do Juízo Final a estrangulasse, como um cordeiro ao matador.

Vendo isso, a Bruxa do Juízo Final franziu discretamente o cenho.

No próximo segundo, uma força poderosa irrompeu, como uma mão invisível agarrando o corpo de Ivyst com firmeza e arremessando-a à distância.

Ao mesmo tempo, um campo invisível de silenciamento se espalhou instantaneamente pela sala.

Para os demais ocupantes da mansão, foi apenas mais uma noite silenciosa.

No entanto, para Ivyst e a Bruxa do Juízo Final, não era.

Olhando para Ivyst, soterrada sob os escombros, a Bruxa do Juízo Final não mostrou misericórdia.

Ela já havia dito à Lynn, há muito tempo.

No coração da Senhorita Bruxa, não havia nada senão ódio pela sua antiga eu, tola e deturpada, pela pessoa que cometeu inúmeras ações que a deixaram com arrependimento para toda a vida.

Ódio pela sua fraqueza, suas crises histéricas e sua incompetência.

E agora, ela até queria competir com ela pela posse de um crente.

Isso fez com que a Senhorita Bruxa não pudesse suportar mais.

Assim, mesmo que ficasse fraca por muito tempo após essa chegada, não tinha objeções.

Era necessário ensinar à sua eu do passado uma lição.

Esse era o seu pensamento mais íntimo.

«Por que você não se defende?»

Sobre os escombros, a Senhorita Bruxa olhou para baixo com uma expressão fria para a mulher que jazia sob ela.

Neste momento, Ivyst, com as roupas rasgadas e o rosto pálido, parecia um tanto fraca, enquanto um fio de sangue escorria pelo canto da boca, ainda assim seus olhos vermelhos brilhavam intensamente.

Olhando para o jovem corpo diante dela, ela revelou um sorriso radiante tingido de obsseção e angústia,: «Você está usando... o corpo dele», Ivyst disse com uma tosse fraca, tentando tocar o rosto dele, «Mesmo que você me matasse, eu não iria querer machucá-lo nem um pouco».

No entanto, a mão que ela acabara de erguer foi novamente presa ao chão pelaquela força invisível.

[1]

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