
Capítulo 204
Pare de me Hipnotizar, Princesa Antagonista!
Como a última Princesa Imperial convocada, Ivyst, acompanhada por uma criada da corte, entrou lentamente no Palácio Elloch.
Naquele momento, Saint Laurent VI sentava-se solenemente em seu trono.
Ao perceber a presença de Ivyst, ele reuniu seus pensamentos dispersos, e seu olhar, originalmente profundo, tornou-se afiado novamente.
Os olhares do pai e da filha se cruzaram no ar, cada um avaliando o outro com um olhar.
Ivyst bufou friamente, bastante irritada, e desviou o olhar.
Claramente, não era a interação típica entre pai e filha.
Saint Laurent VI, no entanto, manteve-se sem expressão.
Depois de um longo silêncio, ele começou a falar, lentamente: "Recentemente... como você tem estado?"
Claramente, ele estava perguntando sobre o estado atual de sua saúde.
No entanto, ao ouvir tais palavras aparentemente afetuosas, Ivyst não mostrou nenhum vestígio de emoção e até debochou da ideia.
— Não seja tão hipócrita, velho — disse ela, com a cabeça baixa, observando seus dedos delicados e bonitos, — você e eu não estamos em um relacionamento em que possamos sentar e conversar calmamente.
— Se você quer encenar uma cena de afeto paterno, seria melhor encontrar Amesda.
Embora a voz dela fosse suave, a rejeição e o nojo eram inconfundíveis.
Após o incidente na Cidade de Orn, a relação entre esse pai e essa filha deteriorou-se completamente.
Ivyst sabia exatamente por que ele a enviou naquela missão, e Saint Laurent VI também sabia que ela havia visto seus motivos ocultos.
Ao ouvir suas palavras, a expressão de Saint Laurent VI, levemente suavizada, tornou-se de repente fria e severa: "Você está certa, nosso relacionamento não é daqueles que se comunicam normalmente."
— Ivyst, parece que sua viagem à Cidade de Orn mudou você bastante.
— É por causa de Lynn Bartleion?
Ao ouvir isso, os olhos de Ivyst suavizaram-se por um instante.
Mas, ao perceber a situação, a sua expressão endureceu de novo.
Saint Laurent VI percebeu aquela mudança passageira em suas emoções; o rosto dele mostrou um leve sorriso de escárnio ou algo do tipo.
— Já que é assim, vamos falar dele.
— Você gosta dele?
Ele perguntou diretamente.
Gosto dele?
Motivado por Saint Laurent VI, a pergunta surgiu pela primeira vez na mente de Ivyst.
Para ser honesta, ela nunca tinha considerado isso antes.
Seu objetivo na confrontação com o dragão tinha sido apenas fazer Lynn superar a diferença de dez mil anos entre ela e a Bruxa do Juízo Final e, de forma irracional, apaixonar-se pela própria versão imperfeita de si mesma.
Quanto aos seus sentimentos por ele... Ivyst nunca tinha pensado nisso.
Gostar significava, provavelmente, gostar bastante.
Caso contrário, de onde viriam pensamentos tão loucos, como querer mordê-lo com os dentes a cada encontro, ou mesmo querer segurar firmemente em seus braços, para fundi-lo aos seus ossos?
No entanto, logo surgiu no coração de Ivyst um sentimento de confusão.
Esse gostar era semelhante ao de um animal de estimação, ou era algo diferente?
Por nunca ter passado por algo assim, Ivyst não sabia ao certo.
No entanto, no início da Cidade de Orn, ela prometeu a Lynn que tentaria vê-lo como um homem a partir de então.
E naquela vez no trem, ela não estava tão contida quanto parecia.
No fundo, havia emoções distintas.
Especialmente o calor de Lynn, a sensação pegajosa e úmida ainda pairando sobre as solas de seus pés.
Toda vez que ela pensava naquele momento, o coração de Ivyst acelerava.
Mas o orgulho dela como mestra a fazia suprimir inconscientemente esses pensamentos.
Afinal, fazer Lynn se apaixonar por ela era a coisa mais importante para ela no momento.
Ao ver Ivyst em silêncio, Saint Laurent VI achou ter adivinhado algo.
Então ele debochou: "É bastante interessante."
Essa "ferramenta" fria e sem coração, na verdade mostrando tais emoções, como pai, me deixa bem mais confortado.
Embora tenha dito isso, o rosto dele não mostrava nenhum sinal de conforto.
— É apenas uma pena... sua mudança por causa dele, vendo-o como alguém importante, mas para mim parece que ele não tem pensamentos semelhantes.
— Oh Ivyst, uma "ferramenta" é sempre uma "ferramenta", mesmo que caia das mãos de uma pessoa para as de outra, mas o que a outra pessoa valoriza é apenas o seu poder monstruoso.
No fim das contas, é apenas exploração; você deveria ter clareza disso.
Saint Laurent VI elevou levemente a voz, insinuando algo.
Ele estaria semeando discórdia?
Não.
Em certo sentido, ele estava correto.
Para Lynn, que naquele momento havia perdido a memória, aquela pessoa vil no futuro era seu objeto de lealdade e admiração.
Ela era apenas a própria sombra de si mesma neste momento.
Seu querido filhote, mesmo que viesse se agarrar a ela para demonstrar afeto, era principalmente porque se parecia com a futura Bruxa do Juízo Final.
Embora Ivyst estivesse furiosa, isso também era algo que ela já sabia há muito tempo.
Isso era precisamente por que ela incansavelmente tentava fazer Lynn se apaixonar por ela.
Portanto, as palavras de Saint Laurent VI neste momento não estavam completamente erradas.
Para ele, tratava-se mais de alavancar; Ivyst não podia sentir de outra forma.
Para colocar de forma ainda mais dura, era exploração.
Mesmo que houvessem breves momentos de ser movida, esses momentos eram apenas em relação ao seu corpo.
Nem vale mencionar.
Mas... e daí.
“O futuro é longo, e o que acontecerá então, ninguém sabe”, os lábios de Ivyst se curvaram num leve sorriso. “Por ora, ele não teve contato com Hillena nem com mais ninguém; mesmo que isso seja exploração, esse sentimento está direcionado unicamente a mim.”