
Capítulo 155
Pare de me Hipnotizar, Princesa Antagonista!
Tão tarde da noite, Milani abriu suavemente a porta do quarto de Ivyst.
Observando a mulher de cabelos brancos sentada à sua escrivaninha, olhando pela janela, Milani respirou fundo e reprimiu as muitas palavras que queria dizer.
Em sua opinião, a razão pela qual a Princesa a convocou hoje era simples.
Era tudo sobre as memórias que Lynn havia esquecido.
Embora vasculhar várias vezes em um curto espaço de tempo pudesse prejudicá-lo, considerando o estado recente da Princesa, era muito provável que ela desconsiderasse a própria segurança dele e o forçasse a continuar a busca.
E aquilo era algo que Milani não queria ver acontecer.
Quando exatamente tudo começou a mudar?
Talvez tenha sido quando as notícias da morte de Lynn se espalharam pela propriedade e a Princesa perdeu seu outrora temível Poder de Aniquilação.
Desde então, tudo começou a parecer estranho.
A antiga mulher militar, antes vívida e assertiva, já não era visível; em seu lugar, havia uma paciente que mergulhava na paranoia.
O golpe duplo esmagou sua vontade, deixando-a insegura e forçada a recorrer a métodos doentios e frenéticos para manter esse relacionamento distorcido.
Mas distorção é distorção.
Não importa quão bem enfeitada esteja, haverá, inevitavelmente, um dia de despertar.
Nesse momento, ela enfrentaria uma realidade ainda mais dura.
O que ela deveria fazer?
— Sente-se.
Milani, perdida em pensamentos, de repente ouviu a voz calma da Princesa.
Não era fria nem indiferente, mas até revelava um raro traço de suavidade.
Milani ficou atônita por alguns segundos; ela pensou ter ouvido errado.
Ela sentou-se na cadeira ao lado, silenciosamente, um pouco constrangida, apoiando as mãos nos joelhos, e as pernas delgadas pendiam da cadeira balançando suavemente sem perceber.
Observando a mulher serena envolta pela luz da lua, o ambiente ficou um pouco silencioso.
Depois de um tempo indeterminado, uma voz surgiu de repente: "Sobre o último incidente... sinto muito."
Ah?
Milani ergueu o olhar, surpresa, para a Princesa, que lhe dava as costas; a boca abriu-se, mas ela não pôde falar.
A Princesa... estava, na verdade, pedindo desculpas a ela?
Isso era algo que ela nunca tinha encontrado antes.
Por alguma razão, Milani sentiu os olhos marejarem, como se emocionada.
Mesmo que pudesse ser uma percepção dela própria, Milani sentiu que a Princesa desta noite parecia diferente dos dias recentes.
Antes que Milani pudesse responder, Ivyst falou novamente: "Sobre as memórias perdidas dele, houve alguma pista do laboratório?"
— Se você pretende sondar o cérebro dele, cooperarei com você o máximo possível sem machucá-lo...
Milani mordeu o lábio inferior.
"Não é isso que eu quero dizer." Ivyst balançou a cabeça suavemente. "Pelo que sei, as memórias dele sobre mim em seu cérebro parecem ter sido seladas por um ser suspeito de ser uma divindade; você tem uma forma de romper esse Selo?"
Milani ficou atônita por alguns segundos, então balançou a cabeça: "Princesa, se você não tivesse me contado, eu nem teria notado a existência desse Selo."
"Mas... talvez ainda haja alguma chance."
"Se o deus que aplicou a Técnica de Selagem não for forte, ou estiver enfraquecido, seria possível pagar certo preço e pedir a intervenção das grandes igrejas."
"Conforme sei, a Igreja Silenciosa possui um Objeto Selado que é extremamente eficaz para reverter efeitos psíquicos negativos."
"Se você precisar disso, então eu..."
Milani lhe ofereceu uma nova linha de raciocínio.
No entanto, depois de um momento de silêncio, Ivyst balançou a cabeça suavemente de novo: "Não... vamos esquecer disso."
Essa resposta confundiu Milani mais uma vez.
Com base em seu entendimento de Ivyst, dada sua possessividade patológica, ela absolutamente não toleraria que qualquer outro ser influenciasse o que era dela.
Especialmente no que diz respeito às suas memórias.
Salvo... se as coisas que poderiam acontecer depois de desbloquear as memórias fossem algo que a Princesa não pudesse aceitar.
Milani lançou a Ivyst um olhar de preocupação.
Em certo sentido, sua intuição era realmente precisa.
Mesmo Ivyst não percebeu que sua recusa à proposta era, na verdade, causada por um medo sutil enraizado dentro dela.
Tudo o que estava acontecendo agora ainda poderia usar a desculpa das memórias seladas.
Mas, assim que as memórias fossem desbloqueadas, a última folha de figueira deixaria de existir.
Ivyst estava fugindo.
Ela temia que Lynn, assim que suas memórias fossem restauradas, lhe dissesse que, na verdade, a Bruxa do Futuro era a mestra que ele realmente valorizava.
No entanto, naquele exato momento, as duas ali na sala esqueceram-se de algo.
Se aquele ser era tão confiante, por que se dar ao trabalho de usar a técnica de selagem de memórias?
Infelizmente, nem Milani nem Ivyst perceberam isso.
— Quando o poder que perdi começará a se recuperar gradualmente?
Depois de um momento, Ivyst fez a pergunta que mais lhe importava.
Milani pressionou os lábios e disse baixinho: "De acordo com os resultados do exame físico, as propriedades centrais do Frasco do Desejo dentro de você já foram purificadas pelo seu Poder de Aniquilação e, teoricamente, já deveriam ter começado a ressurgir gradualmente."
"Mas, estranhamente, não importa que tipo de estímulos sejam usados, o poder dentro de você permanece totalmente imóvel."
Ivyst ficou em silêncio por um momento: "Você tem alguma pista sobre isso?"
Sem poder, ela era como aguapé sem raízes.
Afinal, cada vínculo ao redor dela foi construído confiando em sua própria poderosa habilidade.
Uma vez que esse poder deixasse de existir, tudo desmoronaria.