Família Moderna: Nova Vida

Capítulo 5

Família Moderna: Nova Vida

Capítulo 5 - Vovô Jay

— Prepara! Vai! — gritou Andrew, e a bola nova aterrissou em suas mãos. Como havia quase dezesseis crianças, ele decidiu organizar um jogo: 8 contra 8. Bem, tecnicamente, era 8 contra 7 — o time dele estava com um jogador a menos.

O quintal era um pouco pequeno, mas era melhor do que nada para se divertir um pouco. Melhor isso do que jogar aqueles jogos chatos de criança de seis anos, pensou.

Um garoto chamado Ralph, que era bem parrudo, avançou em direção a Andrew, mas Andrew o esquivou sem esforço. Se ele quisesse, poderia correr por todo mundo e marcar com facilidade. Seria como um passeio no parque. Mas esse não era o ponto.

Ele queria que essas crianças gostassem de futebol americano. Que sentissem a emoção de jogar, a excitação de marcar um touchdown, a alegria de pegar um passe e o orgulho de fazer seu primeiro tackle.

— Pega essa, Archie! — gritou Andrew, jogando a bola para um garoto ruivo.

Ele ajustou a força para que Archie pudesse pegar. A distância não era grande, e os outros não estavam marcando direito, então o passe foi perfeito. O verdadeiro desafio era se Archie conseguiria segurar a bola e não deixá-la escapar.

— Peguei! — disse Archie, agarrando a bola com as duas mãos. Quase escorregou, mas ele conseguiu segurar e começou a correr em direção à linha de gol, marcando um touchdown.

— Touchdown! — Archie gritou, jogando a bola na grama com excitação.

— Muito bem! Agora é sua vez, Reggie! — disse Andrew, enquanto começava a organizar seu time. Era mais difícil do que parecia fazer com que crianças de seis anos com energia infinita correndo a 150% seguissem as instruções.

Reggie, um garoto de seis anos que era alto para a idade e tinha uma expressão confiante, pegou a bola com determinação.

— Eu não vou perder… — murmurou ele, franzindo a testa. Ele não ia perder para Andrew de novo — pelo menos, na cabeça dele, eles tinham uma rivalidade.

— Você vai vencer ele, Reggie — disse um garoto baixinho, de aparência nervosa e com óculos antiquados. O nome dele era Peter, e ele era o seguidor leal de Reggie.

— É claro. Só me passa a bola quando eu mandar — disse Reggie, entregando a bola para Peter e se posicionando atrás dele. Diferente do time de Andrew, o time dele estava espalhado e mal organizado.

— Prepara! Vai! — gritou Reggie. No momento em que a bola estava em suas mãos, ele começou a correr. Ele não tinha intenção de passá-la. Ele queria se exibir na frente das meninas e de todo mundo.

Ele desviou de dois garotos e sorriu confiante; a linha de gol estava cada vez mais perto. Ele sempre tinha sido o melhor nos esportes — o pai dele constantemente o lembrava disso. Mas tudo mudou quando Andrew apareceu.

Antes que Reggie pudesse alcançar o gol, ele foi derrubado por Andrew.

— Isso é o céu? — Reggie pensou confuso. Ele nem tinha notado quando Andrew chegou perto o suficiente para derrubá-lo. Segundos depois, a dor do seu primeiro tackle começou a fazer efeito.

— Não chora — disse Andrew, notando os olhos de Reggie começando a marejar. Ele sabia que tinha acabado de derrubar um garoto de seis anos — ele também era um. Ele tinha ajustado sua força de acordo.

— Você foi ótimo desviando do Archie e do Kevin. Quase não consegui te pegar — Andrew acrescentou com um sorriso gentil, estendendo a mão para ajudar Reggie a se levantar.

— Hã? Obrigado… — disse Reggie, aceitando a ajuda de Andrew e limpando os olhos com a outra mão. Chorar agora seria muito vergonhoso.

Andrew abriu um sorriso maior e fez um joinha. — Eu sei que um tackle dói, mas a gente tem que se acostumar para ficar mais forte.

— Sério? — perguntou Reggie, ainda sentindo um pouco de dor, mas com crescente admiração.

— É claro! Quanto mais tackles você tomar, mais durão você vai ficar. Você foi o primeiro a tomar um tackle de verdade — disse Andrew.

— É verdade! Eu fui o primeiro — Reggie respondeu com um sorriso orgulhoso. Ninguém tinha experimentado um tackle de verdade antes. Eles geralmente jogavam com bandeiras ou só tocavam no oponente como uma brincadeira de pega-pega.

— Reggie, isso foi demais!

— Como é ser derrubado?

— Eu quero ser derrubado também!

As outras crianças estavam eufóricas com o tackle de Reggie. Elas não queriam perder a oportunidade e estavam ansiosas para experimentar seu próprio primeiro tackle.

— Relaxem, a hora de vocês vai chegar — Andrew pensou com um leve sorriso. Desse jeito, todo mundo ficaria feliz em ser derrubado, e não haveria choro para as mães, evitando qualquer problema para ele.

— Eu vou mudar de time. Me troca, David — disse Reggie. O pobre David não teve escolha a não ser concordar.

Andrew não tinha certeza por que Reggie mudou de time de repente, mas ele não pensou muito nisso e reiniciou o jogo.

— Eu vou te proteger, Quarterback [1] — Reggie pensou, um novo entusiasmo brilhando em seus olhos.


— Então, o Andrew é quem está derrubando todas as crianças? — perguntou um homem grande com pouco cabelo e algumas rugas.

— Sim, pai, é ele… — Mitchell respondeu com uma expressão estranha no rosto.

Jay observou o garoto com cabelo preto como azeviche e olhos verdes derrubando para todos os lados. Então ele fazia passes muito precisos e, de vez em quando, corria, desviando de todo mundo com perfeição.

Por alguma razão estranha, nenhum garoto chorava por ser derrubado. Eles até se levantavam com grandes sorrisos depois que Andrew dizia algumas palavras para eles e oferecia a mão para ajudá-los a se levantar.

Jay não sabia que palavras Andrew estava dizendo, mas elas funcionavam. As lágrimas das crianças desapareciam e eram substituídas por sorrisos grandes e entusiasmados, cheios de energia.

— Eles não estão sendo muito brutos? — DeDe perguntou desaprovadoramente.

— Brutos? É assim que meninos devem brincar. No meu tempo, éramos mais violentos — Jay disse com um leve sorriso, observando o jogo se desenrolar diante dele.

Mitchell ficou surpreso com o sorriso de Jay. — Deixa eu ir avisar a ele que você está aqui.

— Não, não. Deixa ele brincar com os amigos dele. Quando eles se cansarem, vão vir pegar alguma coisa para beber e eu vou dar o meu presente para ele… — Jay disse tranquilamente.

— Um ótimo presente — todos pensaram, vendo uma bicicleta embrulhada em papel de presente. Era óbvio pela forma que era uma bicicleta.

— Olha, no fim das contas, seu pai parece estar aceitando o Andrew — Cameron comentou em voz baixa para Mitchell, que apenas fez uma leve careta e não disse nada.

Quase uma hora se passou, e todas as crianças, exceto Andrew, estavam suadas e sem energia.

— Hora de comer, pessoal! — Andrew gritou, e todo mundo comemorou alegremente enquanto se dirigiam para as mesas com comida e bebidas geladas.

— Andrew, você tem que brincar com a gente!

Andrew, que estava tomando um gole de uma bebida refrescante, virou a cabeça e notou seis meninas da idade dele em pé em fila com os braços cruzados, olhando para ele. A do meio, e quem tinha falado, era sua prima Haley.

— Ah, não… Babá de novo e tomar chá com as bonecas — Andrew pensou, fazendo uma careta internamente. Felizmente, naquele momento, Mitchell o chamou, e ele correu em direção à mesa dos adultos sem olhar para trás, apesar dos gritos de Haley.

— E aí, pai? — Andrew perguntou com um sorriso, aliviado por ter escapado de brincar com Haley e suas amigas.

— Eu te disse para me chamar de pai, Andrew — Cameron disse em um tom sério. "Pai" era formal demais para o gosto dele.

— Ah, é verdade, desculpa… Pai — Andrew disse com um leve sorriso.

Cameron ergueu uma sobrancelha e, sem aviso, exclamou: — Seu pestinha!

Em um movimento rápido, ele agarrou Andrew e o levantou do chão sem esforço.

Com um sorriso, Cameron começou a fazer cócegas em Andrew, que começou a rir incontrolavelmente, tentando se soltar.

— Não… Eu não aguento mais! — Andrew disse em meio às risadas, com os braços agitados no ar.

— Então você me chama de pai! — Cameron disse, intensificando as cócegas.

— Tá bom, pai, entendi! — Andrew finalmente disse, e Cameron o colocou no chão.

— Assim é melhor — Cameron respondeu com um sorriso.

Phil, Claire e os outros observavam a brincadeira de pai e filho com sorrisos. Mitchell não podia negar que sentia um pouco de ciúme da forma natural como Cameron interagia com Andrew.

Jay cutucou o ombro de Mitchell. Ele tinha esperado tempo suficiente e comprado uma bicicleta cara. Ele não queria ser esquecido.

— Ah, é verdade… Andrew, vem cá. Esse é o seu avô, Jay. Se apresente — disse Mitchell, apresentando Jay, que pela primeira vez fez contato visual com os olhos verdes de Andrew.

— Olá, meu nome é Andrew Tucker-Pritchett. Tenho seis anos. Prazer em conhecê-lo — Andrew disse, se apresentando educadamente como Mitchell o havia ensinado. Boas maneiras fazem o homem.

— Olá, garoto. Você tem ótimas maneiras. Aqui está o seu presente — Jay disse, levantando a bicicleta de trás da mesa e colocando-a na frente de Andrew, que instantaneamente soube o que era.

— Ele parece muito mais amigável do que a DeDe — pensou Andrew, um pouco surpreso com a atitude de Jay, embora ele sempre tivesse boas intenções. Ele só tinha dificuldade em expressá-las.

Andrew abriu o presente, e seus olhos brilharam de excitação ao ver a incrível bicicleta nova vermelha e preta. — Que legal! — exclamou Andrew com um sorriso.

Jay sorriu levemente quando viu que o presente agradou seu novo neto. Os amigos de Andrew começaram a se aglomerar ao redor dele, olhando para a bicicleta com olhos invejosos.

— Experimenta, Andrew! — gritou Archie.

— Me deixa experimentar depois!

— Que cara é essa, garoto? — Jay perguntou quando notou a expressão estranha no rosto de Andrew.

— As rodinhas são demais — Andrew respondeu, notando as pequenas rodas que sustentavam a bicicleta.

— É a sua primeira vez andando de bicicleta. Vai ser perigoso se você fizer isso sem apoio — Mitchell disse, discordando da ideia arriscada do filho.

— Ah, qual é. São só rodinhas. Eu aprendi a andar de bicicleta na base da tentativa e erro. A gente não tinha essas rodinhas no meu tempo — Jay disse, apoiando Andrew. As rodinhas vieram com a bicicleta. Ele não as teria comprado sozinho.

— Não, é perigoso — Mitchell disse firmemente, mantendo sua posição.

— Por favor, pai — Andrew disse, juntando as mãos.

Mitchell hesitou ao ver os olhos verdes e ternos de Andrew. — Considerando sua habilidade em todos os esportes, acho que você vai ficar bem… — Mitchell disse, cedendo.

— Obrigado! — Andrew disse com um sorriso.

— Olha só o quão baixo você vai só para me fazer te chamar de pai — Cameron murmurou perto de Mitchell, que não disse nada.

Jay foi pegar uma chave de fenda e removeu as rodinhas. Andrew subiu na bicicleta.

Seria um bom acessório para treinar seus quadríceps e a maior parte de suas pernas. Ele ganharia muito mais força. Agachamentos com o peso do corpo já estavam se tornando insuficientes; ele tinha que fazer muitas repetições, e era impossível conseguir pesos por causa de sua idade jovem. Ninguém lhe daria halteres ou uma barra com anilhas.

Andrew tinha que agir como se fosse sua primeira vez andando de bicicleta, então ele precisava da ajuda de um adulto.

Seria estranho se ele andasse perfeitamente na primeira tentativa. Mais do que talentoso, seria esquisito. Além disso, ele era um especialista em andar de bicicleta. Em sua vida passada, sua bicicleta era indispensável para o seu dia a dia.

Ele foi ajudado por Jay. Parecia estranho que o homem quisesse ajudá-lo, mas ele aceitou. Afinal, ele lhe deu a bicicleta.

— Tá bom, tá bom… É isso aí… Você conseguiu! — Jay disse com um sorriso, soltando Andrew. Na sua quinta tentativa, ele conseguiu se equilibrar e andar sem cair.

— Minha vez agora! — Archie pediu.

— Minha!

— Me deixa tentar, Andrew!

— Eu vou conseguir na minha terceira tentativa! — Reggie disse, com seu espírito competitivo aceso.

— Vocês vão ter que me derrubar se quiserem usar a bicicleta! Me peguem se forem capazes! — Andrew gritou, virando a cabeça para olhar para seus amigos, que imediatamente começaram a persegui-lo.

— Isso é seguro? — Mitchell perguntou, observando todas as crianças correrem atrás de Andrew como mariposas correndo atrás da luz.

— Duvido — Cameron respondeu com um suspiro.

Vinte minutos depois, Reggie, Archie e todas as outras crianças estavam deitadas na grama, exaustas. Elas não conseguiam derrubar Andrew. Mesmo que ele tivesse que dar voltas, elas não conseguiam pegá-lo porque ele desviava delas impecavelmente.

— Esse foi um bom treino — Andrew comentou, parando e descendo da bicicleta.

— Me ensina a andar de bicicleta — Haley pediu, se aproximando dele e parando na frente dele. Sem outra opção, Andrew tentou ajudar Haley a andar de bicicleta com a ajuda de Phil.

Seu aniversário terminou. Tinha sido um bom aniversário. Ele ganhou uma bicicleta muito útil para o seu treinamento. Ele conheceu Jay, e a relação deles melhorou bastante logo no primeiro encontro.

Depois que seus amigos foram embora, ele ficou trocando passes com Jay, que ficou surpreso com os arremessos precisos de Andrew. Mesmo que ele os tivesse visto, era diferente recebê-los.

Andrew estava sem energia. Ele tinha trabalhado duro hoje. Treinando antes do seu aniversário, jogando futebol americano com seus amigos e depois com Jay. Andando de bicicleta e depois ensinando Haley. Ele se despediu de todo mundo e foi para o seu quarto, exausto.

Na sala de estar, só Mitchell, Cameron e Jay permaneceram. Phil, Claire e as crianças tinham ido embora, e a Vovó DeDe tinha ido há um tempo.

Cameron estava lavando os pratos e copos. Mitchell foi abrir a porta para o pai. — Obrigado por ter vindo hoje. Seu presente deixou Andrew muito feliz — Mitchell agradeceu.

— Embora tenha levado um ano para você conhecê-lo — Mitchell pensou, mas não disse nada.

— Não foi nada. Desculpa por ter demorado tanto para vir conhecê-lo. Você sabe que sou antiquado quando se trata de crianças adotadas. A gente nunca sabe se elas podem ser um serial killer… — Jay começou, então rapidamente voltou atrás quando viu a expressão de Mitchell.

— Não estou falando do Andrew. Ele é um garoto excelente. Os amigos dele o veem como um líder. Além disso, ele é um gênio no futebol americano. Estou surpreso que ele seja seu filho — Jay disse, percebendo que tinha metido os pés pelas mãos de novo.

— Eu não estou me referindo a—

— Pai, chega. Eu entendi o seu ponto — Mitchell interrompeu. É bom que Jay goste do Andrew. Ele pode ter um bom avô se a relação deles continuar melhorando.

— Tudo bem. Já que perdemos tempo como avô e neto, eu estava pensando em ir ver um jogo do San Francisco 49ers. Eles vão jogar uma partida amigável na próxima sexta-feira. Pergunta para o Andrew se ele quer ir. Só se ele quiser, não é um compromisso — Jay sugeriu, meio hesitante.

— Ah, que ótimo. Ele é fã do San Francisco 49ers. Estou surpreso… — Mitchell parou, surpreso com a boa vontade do pai.

— Quero dizer, não é nada demais. Só um jogo. Mas, bem, se ele gosta de futebol americano, a gente pode se divertir — Jay acrescentou, minimizando a situação.

Mitchell sorriu levemente, percebendo os esforços do pai para formar uma boa relação com Andrew. — Eu vou falar com ele. Tenho certeza de que ele vai adorar.

— Tudo bem, tudo bem — Jay disse, balançando a cabeça como se estivesse minimizando o gesto. Ele se despediu, e Mitchell voltou para dentro de casa.

[1] - No contexto do futebol americano, "Quarterback" é o jogador responsável por liderar o ataque, lançando passes e tomando decisões estratégicas.

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